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* as opiniões expressas neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do 4oito
Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 30/06/2020 - 06:58Atualizado em 02/07/2020 - 15:54

Busco, na edição que circulou na semana de 5 a 12 de dezembro de 1964, do nosso saudoso semanário Tribuna Criciumense, os tópicos de publicações que dão um mergulho no passado e se transformam na Crônica da Cidade de hoje. 

SOTELCA PRONTA PARA FUNCIONAR NO FIM DO ANO – Estando pronta a primeira unidade geradora da Sotelca para funcionar no fim do ano com a capacidade de 50MW, graças ao espírito das autoridades federais e estaduais relacionadas com o empreendimento e ao dinamismo da diretoria composta pelos senhores Eng.º José Eduardo Moritz, presidente, Eng.º. Benjamin Mário Baptista, diretor industrial e Senhor Jaime Sá, diretor comercial. Santa Catarina irá, por certo, escrever uma página na história econômica do nosso país, com mais essa obra monumental que marca a arrancada para o progresso barriga-verde. Os preparativos para tão significativo acontecimento já estão sendo providenciados com muito cuidado tendo, de início, ultimado os entendimentos de acordo com o contrato para a vinda dos engenheiros alemães e suíços que irão instruir sobre o manuseio dos complicados mecanismos de operação, ao pessoal que irá operar a usina e que deverá possuir um certo esclarecimento para entrar em contato com tão delicados e preciosos instrumentos. O ano findaria a 18 dias daquela data e o Jornal, com esses textos inacabáveis, afirmava que a Sotelca entraria em funcionamento até o início do ano seguinte.

CPCAN APLICARÁ 200 MIL DÓLARES – Informou, o Coronel Lauro Cunha Campos, que a Comissão do Plano do Carvão Nacional, contratará um grupo estrangeiro especializado para fazer um estudo planificado dos recursos econômicos do Sul catarinense. Esse levantamento abrangerá o setor do carvão, a possibilidade de instalação de indústrias químicas, de fertilizantes, etc. além das já existentes, incluindo o setor da agricultura, criação, estradas de rodagem, etc. Nesse empreendimento serão gastos, aproximadamente, 200 mil dólares. O redator das notícias de capa dessa edição, hoje, seria despedido: textos enormes, repetitivos, e agressivos à língua nacional.

MENORES ASSALTAM ARMAZÉM – Seria, aproximadamente, uma hora da madrugada do dia 1 de dezembro quando três menores assaltaram o armazém do Sr. Luiz Zanette, na Mina Naspolini, que percebeu ter sido o seu estabelecimento visitado quando, pela manhã, deu falta de mercadorias. Posteriormente buscou informações e apurou que uma vizinha havia visto os menores entrando no armazém. Dentre as mercadorias roubadas figuram alguns quilos de arroz, camisas, toalhas, pasta de dente, escovas, sabão, banha, dois mil cigarros e até 50 bicos.  

Esta e as demais crônicas vão ao ar na Rádio Som Maior. E eu retornarei amanhã. Até lá amigos e um abraço do meu tamanho!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 29/06/2020 - 11:39Atualizado em 29/06/2020 - 11:43

Ao cair da tarde, de ontem, o celular anunciava a chegada de mais uma mensagem e, ao abri-la, me deparei com um texto que – de autor desconhecido – depois de lido, elegi para o meu comentário de hoje, fazendo umas adaptações - evidentemente. 
Diz assim:
Tudo mudou... 

Nascemos nos anos 40, 50, 60... foi barra para mudar todos os conceitos de várias gerações. Faz pouco tempo que apareceu a televisão, o chuveiro elétrico, a declaração dos direitos humanos e a revista Playboy. 
Casar era pra sempre, sustentar filhos era somente até quando eles conseguissem emprego, as certezas duravam a vida toda e os homens eram os primeiros a serem servidos na mesa de jantar. 
As avós eram umas velhinhas, hoje, essas mulheres de 40 ou 50 anos viraram um "mulherão". Todos nos vestimos como nossos filhos. Não existem mais velhos como antigamente. Essa foi uma geração que mudou tudo.

Culpa da guerra, da pílula, da internet, da globalização, do muro de Berlim, da televisão e da tecnologia.

Até morrer ficou diferente. Na minha rua havia um velhinho que morria aos poucos. Ficou uns dez anos morrendo e isto aconteceu logo depois de completar 57 anos. Hoje se morre com 80, 90 ou aos 100 e é um vapt-vupt. 

Com a pílula, a mulher teve os filhos que quis e ela sempre quis poucos. Como não conseguimos mais sustentar uma família, elas foram à luta e saíram para poder pagar a comida congelada, a luz e o telefone. 

Se a coisa não vai bem: é fácil a separação, difícil é pagar a pensão. 

Na realidade, as mães são solteiras com doze anos. Depois serão chefes de família, com muitos filhos de muitos pais. 
Em 50 anos tiraram a filosofia da educação básica, e como o pensamento era reprimido pela revolução, tudo virou libertação. Pedagogia da libertação, Teologia da libertação, Psicologia da libertação. Deu no que deu. Burrice liberada. Burrice eleita. 
Para as pessoas de mais de 70 anos, palhaço era o Carequinha. Hoje o povo inteiro é meio palhaço, meio pateta. 

Ladrão era o Meneghetti e o Bandido da Luz Vermelha; hoje os ladrões tomaram conta dos palácios, da Câmara Federal e de uma cidade que não existia, chamada Brasília. 

Movimento social era reunião dançante. 
Dia da mentira não era data nacional. 
Piercing quem usava era índio botocudo. 
Tatuagem era em criminoso do baixo mundo.
Mansão do lago era algo de filme de terror e não lugar onde ministro divide dinheiro. 
Quadrilha era dança junina e não razão de existir de partido político.

As pessoas de mais de 70 estão assim meio tontas, mas vão levando. Fumaram e deixaram de fumar. Beberam whisky com muito gelo, hoje tomam água mineral. Foram marxistas até descobrir quem era Guevara, e que o marxismo é um grande engodo. 
Ninguém tem mais certeza de mais nada e a única música dos Beatles a tocar é "Help". 

Pára Brasil, que os caras de mais de 70 anos querem descer!
Ao ler esta mensagem dá um aperto no coração só de pensar que tudo isso é verdade!  Que a nossa realidade está de fazer vergonha!  E o pior, será que alguém sabe o que é "vergonha"? 

E que todos comecemos o dia como queremos termina-lo! Bom dia!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 26/06/2020 - 12:10

Busco, na edição que circulou na semana de 28 de novembro a 5 de dezembro de 1964, do nosso saudoso semanário Tribuna Criciumense, os tópicos de publicações que dão um mergulho no passado e se transformam na Crônica da Cidade de hoje. 

TRILHOS DA ESTRADA DE FERRO SERÃO RETIRADOS -  Criciúma poderá contar, em breve, com uma moderníssima avenida, caso seja modificado o percurso da Estrada de Ferro Dona Teresa Cristina e é bem provável que isso aconteça uma vez que nossas autoridades estiveram em Tubarão, onde conversaram com o General Francisco das Chagas Mello Soares, sobre este assunto. O diretor da Estrada de Ferro mostrou interesse, pois ao que tudo indica seria mais econômico para a ferrovia desviar o trajeto do que executar as obras de rebaixamento e alteamento do leito atual que passa no centro da cidade. Visando solucionar esta questão a prefeitura enviou correspondência ao Diretor da Ferrovia pedindo que seja realizado um estudo sobre o novo percurso entre o Pinheirinho e a localidade de Corda Bamba. Registrada em jornal é a primeira citação de que os trilhos da ferrovia Teresa Cristina poderiam deixar o centro da cidade. Isso aí é de 1964, no governo de Alindo Junkes que teve, no sucessor, Ruy Hülse, o realizador inicial da grande obra.

DIFÍCIL O REGISTRO DA FACULDADE DE DIREITO – Antes de ser criada a Fundação Universitária de Criciúma, Fucri, nosso município criou uma faculdade de Direito. Isto ocorreu em 1964 e tinha-se, no programa de instalação, o início do ano letivo para 1965. Mas, segundo o Jornal Tribuna Criciumense, edição epigrafada, o prefeito Alindo Junkes fora ao Rio de Janeiro para se avistar com as autoridades do ministério da Educação e retornou desanimado em função do que ouviu. Na primeira página da edição em tela é detalhado o percurso difícil que a faculdade de Direito de Criciúma teria que percorrer para sua solidificação. Não prosperou.

SANDRA VENCEU EM FLORIANÓPOLIS – Está na Coluna Social de responsabilidade de Beverly Godoy Costa:  Sandra Zanatta, de Criciúma, filha do casal Eleonora-Alcino Zanatta, foi eleita a Rainha das Debutantes de Santa Catarina, no Baile das Orquídeas, realizado sábado último, dia 21, nos salões do Clube Doze, de Florianópolis, quando a sociedade catarinense esteve reunida para recepcionar a belíssima Ângela Vasconcelos, Miss Brasil 1964.

Esta e as demais crônicas estão no meu blog, no Portal 4oito.com.br. E eu retornarei segunda-feira Até lá amigos e um abraço do meu tamanho!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 26/06/2020 - 09:20Atualizado em 26/06/2020 - 09:21

Esta história está relatada na bíblia. O Senhor escolheu Moisés para liderar a saída do povo hebreu do Egito, onde era escravizado. Moisés era hebreu, mas havia sido criado pela filha de faraó, que o encontrou ainda bebê, boiando num cesto, dentro do rio. Durante o processo de insistência de Moisés junto ao faraó para que deixasse o povo partir, o Senhor enviou dez sinais — dez pragas —, com o objetivo de mostrar ao faraó a Sua soberania e que o Deus a quem Moisés e seu povo serviam, era um Deus que ama a liberdade.

Guardadas as proporções e equivalências, estamos vivendo duas dessas pragas, concomitantemente, se é que podemos comparar as 10 pragas do Egito, ao tempo de Moisés às duas pragas que assolam a humanidade no momento.

Lá tivemos as rãs, os mosquitos e as moscas. Se houve infestação de pererecas por aí, ninguém contou, mas moscas e mosquitos! 

Também não tomamos conhecimento de que algum rio tivesse suas águas transformadas em sangue, mas todos conhecemos o estrago que o Homem produz poluindo nossos córregos e rios mundo afora. Aqui mesmo, dois exemplos gritantes: o Rio Criciúma e o Rio Mãe Luzia.

Uma chuva de pedras, granizo, certamente, destruiu a vida animal irracional e toda a vegetação depois de uma galopante e gigantesca praga de úlceras que só alcançava aos egípcios.

Depois vieram os gafanhotos e a televisão está nos mostrando, agora, últimos dias de junho de 2020, o que é uma avalanche desse inseto. Essa teria sido a oitava das dez pragas que se abateram sobre o soberano Egito com as quais Deus se vingava do Faraó que não permitia a saída do seu povo, os hebreus.

Faltam as pragas das Trevas e da Morte dos Primogênitos. Delas nem quero falar.

Mas essa dos gafanhotos me transporta ao final dos anos 1940, início dos da década de 1950, não posso precisar, quando uma onda de gafanhotos varreu Criciúma de ponta a ponta. Ali no meu condado, Bairro Archimedes Naspolini, temos uma visão privilegiada e extensa da Serra Geral e me lembro, embora de tenra idade, que todos fomos despertados a fixar o olhar em direção ao costão serrano para presenciar uma nuvem que, rasteira, ondulava de um lado para outro, como se viesse de Nova Veneza em nossa direção. Não levou tempo e a nuvem chegou ao Bairro encontrando a todos devidamente recolhidos em suas casas. Horas depois acompanhei meu pai e meus irmãos mais velhos à roça de milho que havia aos fundos de nossa casa: não sobrou absolutamente nada. Esse inseto é de uma voracidade imensurável e de uma velocidade inimaginável.

Parece, todavia, que essa encrenca passará à distância, enquanto a praga do corona intensifica e temos mais é que fazer o que determinam as autoridades sanitárias: ficar em casa.

Falei das 10 pragas do Egito, apenas para, didaticamente, lembrar que são pragas demais para o nosso povo já tão sofrido! O Faraó cansou de perseguir e permitiu o traslado dos hebreus que, por ato de Moisés, abrindo o Mar Vermelho, se dirigiu – finalmente - à Terra Prometida. 

E que todos comecemos o dia como queremos termina-lo! Bom dia!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 25/06/2020 - 12:15

Continuo buscando, na edição que circulou na semana de 14 a 21 de novembro de 1964, do nosso saudoso semanário Tribuna Criciumense, os tópicos de publicações que dão um mergulho no passado e se transformam na Crônica da Cidade de hoje. 

BR-59, INDISPENSÁVEL PARA SANTA CATARINA – Intensa campanha vem sendo desenvolvida em todo o estado catarinense, visando a conclusão das obras da BR-59, integrado, nesse movimento, o deputado federal Álvaro Catão que manifestou, na Câmara, a inconformidade e a insatisfação do povo de nossa terra pelo tratamento que o ministério chefiado pelo Marechal Juarez Távora vem dando ao trecho catarinense da referida rodovia. A matéria é extensa. Em 1964 a atual BR-101, no sul do estado, ainda era apenas um risco, um desenho, enquanto a parte do norte já recebia o capeamento asfáltico. O que se fez, para a duplicação, foi retrato daquilo de se fazia para a conclusão da primitiva pista.

UESC – NOVA DIRETORIA – No último final de semana assumiu a nova diretoria da União dos Estudantes Secundários de Criciúma, Uesc, que está assim constituída: Presidente Clayton Rogério Netz, 1º Vice Presidente Heleno da Silveira e 2º Vice Presidente Ana Maria Bristot. Os demais cargos serão preenchidos por escolha do novo presidente.

UMAS E OUTRAS DO FUTEBOL – Milioli Neto informava: O zagueiro Arpino que, recentemente, deixou o Metropol, deverá assinar contrato com o Urussanga F. C.
O Eska Futebol de Salão, campeão da temporada de 64, receberá as faixas que serão entregues aos seus dirigentes e atletas pela equipe convidada: Cometa, de Curitibanos, uma das maiores equipes do salonismo do estado.
Próspera e Itaúna decidirão o certame regional amanhã, em jogo a ser realizado no estádio Mario Balsini.
O  Comerciário caiu de dois a zero frente à equipe do Palmeiras, de Blumenau.

SABAVO COM NOVA DIRETORIA – Foi empossada, no fim de outubro, a nova diretoria da Sociedade Amigos do Bairro Vila Operária, a qual está assim constituída: Presidente, Aníbal Dário, Vice-Presidente, Carlos M. da Silva, 1º Secretário, Neusa Nunes Vieira, 2º Secretário, Hélio dos Santos, 1º Tesoureiro, Acácio L. Bittencourt, 2º Tesoureiro, Antônio Borges de Medeiros, Orador, Domingos Cesconetto. Conselho Fiscal: João Benedet, Salomão Rodrigues e Oscar Guse. A Sabavo era muito forte. Era!

Esta e as demais crônicas vão ao ar na Rádio Som Maior. E eu retornarei amanhã. Até lá amigos e um abraço do meu tamanho!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 25/06/2020 - 10:36Atualizado em 25/06/2020 - 10:41

Nos últimos dias temos sido surpreendidos por movimentos denominados Antinfa objetivando desmontar o governo de Jair Bolsonaro, a quem rotulam de fascista.

Aliás, até uma professora de História aqui da cidade, gravou vídeo aos seus alunos batizando Bolsonaro de fascista. Ela se junta às torcidas organizadas do Corinthians e do Palmeiras que se uniram para criticar a postura do mais alto dignitário nacional, cognominando-o de fascista. 

O ouvinte prestou atenção na união que ela fez, a quem ela apoia para chamar Bolsonaro de fascista?

O movimento Antifa  - antifascismo - surgiu no Brasil durante o período entre-guerras (1918-1939), a partir dos imigrantes italianos e alemães que se manifestavam contra os regimes que estavam instalados em seus países de origem, o Fascismo de Benito Mussolini na Itália e o Nazismo de Adolf Hitler na Alemanha.  Esteve presente em vários períodos da nossa História e, mais recentemente, a partir de 2018, posicionando-se contra a candidatura e a eleição de Jair Bolsonaro.

Aí a professora em questão diz aos seus pupilos sobre fascismo e socialismo e, depois, passa a defender, ardorosamente, ao socialismo. Critica, abertamente, as ações do atual governo e chama seus alunos à reflexão.

Ora, ora, alunos do ‘terceirão’ pisam o último degrau do ensino médio e, com certeza, não possuem ainda - na plenitude - capacidade de discernimento em matéria que, até alguns professores, não dominam.

Ela esqueceu de falar que o grande exterminador de pessoas foi Josef Stalin, o líder maior dos socialistas soviéticos que, na condição de chefe de estado, reunia os governadores de províncias para determinar a quota de extermínio do mês. Ela esquece de informar que o socialismo chinês, desde 1949 – quando foi implantado – não permite, sequer, que os chineses falem em política.

Ela se esqueceu de falar que o socialismo russo, mascarado pela Perestroika, elege – sucessivamente -  o mesmo presidente.
Ela não mencionou que o socialismo cubano condenou o pais caribenho ao maior fracasso econômico do Continente e que, nessa ilha, só é permitida a existência de um partido político, o comunista, que escolhia Fidel Castro para seu chefe maior desde 1959 - até morrer - e que, morrendo Fidel, as rédeas foram transferidas ao seu irmão Raul, sem eleições.
Ela não falou do fracasso do socialismo venezuelano que, implantado, não permitiu a livre iniciativa e nem o livre pensamento político.

E como não conseguiu materializar nenhuma ação antidemocrática do nosso presidente, reconheceu que Bolsonaro é resultado da eleição da maioria do povo brasileiro mas pede que nos insurjamos contra o mesmo porque seus métodos são fascistas.

Pois eu diria que, se o governo brasileiro fosse fascista, como o quer a professora em epígrafe, ela teria perdido o seu cargo de professor em menos de 24 horas depois de pronunciado esse monte de heresias.

Que ensine seus alunos sobre as formas e regimes de governo! Que conte os meandros da História! Mas, sem sectarismo! Pois professor que tenha responsabilidade não pode tomar partido ao ensinar seus alunos. 

Com esta prática, aí sim, pratica o fascismo que condena, porque o fascismo é autoritário, reprime a oposição, busca a hegemonia racial, tem horror à democracia, não permite a pluralização político-partidária.

Diz lá pra eles, professora, que o que mais aterroriza esse pessoal do Antifa é que, no governo, não há mais lugar para corrupção nem roubo. A mamata acabou. Por isso o presidente é “fascista”.

No popular: professora: te liga! Certamente não foi assim que a Universidade te ensinou a lecionar...

E que todos comecemos o dia como queremos termina-lo! Bom dia!

 

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 24/06/2020 - 11:58Atualizado em 24/06/2020 - 12:01

24 de junho! São João!
Vamos dar um mergulho no passado. Convido o prezado ouvinte para retornarmos à década de 1950, na qual me entendi como gente e da qual tenho, ainda, boas lembranças. Uma delas, do dia 24 de junho.

Era uma data esperada. Não na proporção de um Natal, certamente, mas muito esperada. Nossa comunidade, a do meu Condado, se preparava para o dia de São João.

Seu Quintino e dona Augusta tinham, dentre outros, o filho caçula - chamado João. E, em sua homenagem, ou não, promoviam, no terreiro fronteiriço ao casarão onde moravam, uma festa junina para a qual acorria toda a comunidade local e até pessoas da periferia.

As mulheres, especialmente as solteiras, investiam na vestimenta e adereços àquela festa: muitos casamentos resultaram do primeiro contato feito exatamente ali, na festa de São João do Seu Quintino. Elas e eles vestiam-se a rigor. Todos nos figurinos juninos com maior ou menor ênfase no caipira.

Na gaita, o Ângelo, outro filho daquele casal, dava o tom das cantigas e modinhas juninas que entopiam nossos ouvidos na programação radiofônica da única emissora de então.

Dois pontos marcavam soberanamente a festa de São João dos Dal Pont: a fogueira de São João e a dança da quadrilha (que não tem nada a ver com essa quadrilha que comandou o país por alguns governos). Troncos de madeira eram amontoados, obedecida certa simetria, exatamente no centro físico do campus da festa. E a esses troncos era ateado fogo que aquecia os participantes – lembremo-nos que estamos no inverno e a festa é noturna, o frio cresce – até se esvaecer. Quando não havia mais tronco em combustão, espalhavam-se as brasas e acontecia o momento de ‘pular a fogueira’, com os pés descalços porque o fogo do São João não queima. Pois sim!

A quadrilha, dança típica das festas juninas, é carregada de referências caipiras e matutas. Mas sua origem vem de muito longe. Surgiu em Paris, no século XVIII, como uma dança de salão composta por quatro casais.  No Brasil remonta ao tempo do Império e consiste numa dança com participação de casais de dançarinos que obedecem a um líder que determina, a todos os participantes, o próximo movimento.

E ocorria, também, o casamento dos jecas. Um casal desconforme era formado e sacramentado por um dos participantes, obedecida a liturgia apropriada para enlace matrimonial.

Havia o momento das sortes. Desde crendices com cartas de baralho até a vela na bacia. Bacias com água agrupavam as mulheres que, de vela acesa em punho, faziam pingar a cera sobre a água. Os pingos se uniam e formavam uma letra: seria a inicial do nome do seu futuro namorado. 

Na parte gastronômica: muito quentão, muito pinhão, cuscuz, batata doce, aipim, melado e mel, biscoitos diversos, bolos diversos, rapadura, rosca e outros mais.

Acabou, meu caro Dênis! Festa de São João, hoje, é uma página de nossa história. E aquela, do Seu Quintino, em homenagem ao Joanim, seu filho mais novo, hoje empresário na Tijuana, da Travessa Padre Pedro Baldoncini, abriu um enorme vazio eis que, desde muito tempo, não mais aconteceu. E isso ocorria, também, em outras comunidades. Mas, como a do Seu Quintino, nenhuma!

E que todos comecemos o dia como queremos termina-lo! Bom dia!


 

 

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 24/06/2020 - 07:05Atualizado em 25/06/2020 - 10:45

Busco, na edição que circulou na semana de 14 a 21 de novembro de 1964, do nosso saudoso semanário Tribuna Criciumense, os tópicos de publicações que dão um mergulho no passado e se transformam na Crônica da Cidade de hoje.

CONDIÇÕES SOCIAIS DA REGIÃO DO CARVÃO – Os problemas sociais da Região Carbonífera tem merecido atenção do Coronel Lauro da Cunha Campos, presidente da Comissão do Plano do Carvão Nacional que, buscando soluções adequadas enviou, para um estágio de 15 dias em Criciúma, o Dr. Gutemberg F. S. de Souza e a Dra. Antônia da Conceição Rodrigues. O primeiro tomará conhecimento dos processos de lavra e da tecnologia do beneficiamento, percorrendo as frentes de trabalho e as instalações de pré-beneficiamento e beneficiamento de todas as empresas mineradoras, inclusive o lavador de Capivari. A Dra. Antônia deverá inteirar-se da situação real dos empreendimentos de caráter social da coletividade mineira, sob todos os seus aspectos percorrendo, inclusive, todas as empresas mineradoras, pondo-se em contato com as entidades de classe. Essa tal de Dra. Antônia recebeu uma comissão do Clube da Lady e prometeu buscar recursos, na Cpcan, para o término das obras do Asilo São Vicente de Paula. E mais, aos líderes dos mineiros fez ver que estes precisam ocupar melhor o tempo ocioso já que cumprem a jornada de trabalho de seis horas e vão para casa para fazer nada.

CUSTO DE VIDA AUMENTA 20,77% - Publica, o Correio do Povo que, conforme levantamento realizado pelo Instituto de Estudos e Pesquisas Econômicas da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o custo de vida, na capital gaúcha, no mês de outubro de 1964, foi de 20,77%. O que mais pesou foi o aumento dos combustíveis: 128,03%. Isso aí foi em Porto Alegre, mas não foi diferente no restante do país. A inflação era galopante, mesmo.

CPCAN ANUNCIA FIM DO ABASTECIMENTO DE ÁGUA – Voltando de sua viagem ao Rio de Janeiro o Sr. Osmar Menezes, chefe da administração regional da Cpcan, informou-nos que manteve contato com o Coronel Lauro da Cunha Campos, presidente da referida Comissão, ocasião em que, aquela autoridade reafirmou o seu propósito de entregar, ou melhor, responsabilizar a municipalidade pela consequência de uma possível paralização no fornecimento de água à cidade, caso a prefeitura insista de não querer, para si, tomar esse encargo. Declarou que está nos cálculos do presidente da Cpcan, fazer cessar o fornecimento d’água a partir de janeiro de 1965. 

Esta e as demais crônicas vão ao ar na Rádio Som Maior. E eu retornarei amanhã. Até lá amigos e um abraço do meu tamanho!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 23/06/2020 - 11:23Atualizado em 23/06/2020 - 11:27

A discussão do momento é o adiamento das eleições municipais deste ano que, marcadas para 4 de outubro, seriam levadas para novembro. Em outubro ou em novembro temos que ter presente a responsabilidade do nosso voto ou, mais especialmente, sobre a responsabilidade da nossa escolha, da nossa opção. É interessante que falemos de nossa terra e de nossa gente.

Para facilitar a escolha do nosso candidato temos que responder a primeira pergunta: que cidade queremos?

In primo loco, com certeza, a nossa resposta será: uma cidade cidadã. Queremos que nossa cidade seja o sujeito dos nossos deveres e dos nossos direitos. Que seja uma cidade que dê igualdade de oportunidade a todas as pessoas que nela nasceram e/ou que nela habitam. Que seja uma cidade que não discrimine, uma cidade que promova a inclusão de todos, que a todos respeite, que a todos abrace.

Respondida esta primeira pergunta ela mesmo provoca um complemento: no espectro dos candidatos apresentados, algum deles pode assumir tais compromissos?

Mas há outras respostas, como esta:

quero uma cidade prazerosa, moderna. Uma cidade atualizada com os valores urbanísticos vistos em todos os quadrantes do mundo. Uma cidade onde eu e todos nós nos sintamos bem. Uma cidade na qual tenhamos vontade de viver, de morar, de executar o nosso projeto de vida. Uma cidade de astral elevado, uma cidade agradável, uma cidade embelezada.

E esta resposta provoca outra curiosidade: no espectro dos candidatos conhecidos, algum deles pode assumir tais compromissos?

E o raciocínio não termina aí e chama uma terceira resposta:

quero uma cidade que proporcione qualidade de vida. Qualidade de vida aos seus moradores, aos que a visitem, aos que dela falarem. Uma cidade humanizada, uma cidade integrada ao meio ambiente, uma cidade que respeite o ir-e-vir dos cidadãos, uma cidade que respeite a natureza, uma cidade ‘de bem com a vida’, uma cidade segura. E esta resposta provoca mais uma indagação: no espectro dos candidatos que conhecemos, algum deles pode assumir tais compromissos?

Finalmente, uma quarta resposta: 

a cidade que quero é uma cidade referência, uma cidade grande, uma cidade pólo. Uma cidade que seja a grande animadora de toda a região.  Uma cidade que faça irradiar, às que a ela fazem limite geográfico, refluxos de acontecimentos importantes. Uma cidade que orgulhe os seus habitantes. Uma cidade que provoque a nossa estima e a estima dos que por ela transitam. Uma cidade que imponha respeito pelas suas qualidades de urbanização e de mobilidade urbana.

No espectro dos candidatos conhecidos, algum deles pode assumir tais compromissos?

Se o prezado ouvinte respondeu a cada um dos questionamentos dando nome a um candidato capaz de satisfaze-lo, a equação eleitoral de outubro, ou de novembro, estará resolvida.

E que todos comecemos o dia como queremos termina-lo! Bom dia!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 22/06/2020 - 09:24Atualizado em 22/06/2020 - 09:30

“Precisamos armar o povo com educação, cultura e ciência”. Esta frase está inserida no contexto do discurso de posse, do ministro Luiz Roberto Barroso, ao cargo de presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Foi no dia 20, do mês passado – portanto a 22 dias.

Esta é a arma mais poderosa que um povo pode empunhar: a educação. Cultura e Ciência decorrem da primeira: sem educação não haverá cultura e muito menos ciência.

Frase lapidar do presidente do TSE, extremamente adequada para o momento, embora a necessidade de se investir, maciçamente na educação, venha sendo reclamada desde há muito tempo.

A China de Mao Tse Tung, com a sua revolução cultural – um dos poucos exemplos de onde o comunismo deu certo – só prosperou porque aquele dirigente chinês – e seus sucessores -  investiu na educação.

A Alemanha pós Hitler deu um salto fantástico para o desenvolvimento aplicando vultosas somas na educação.

A Coreia do Sul é um dos exemplos mais próximos de nós: de uma fração da pobre península coreana transformou-se na potência econômica dos dias atuais por ter se preocupado, primordialmente, com a educação.

Os índices que avaliam o desempenho da educação no Brasil, são risíveis para um país continental como o nosso. A matrícula e a desistência de alunos no sistema de ensino nacional assustam, negativamente. 

Claro que, na América do Sul, é respeitado por seus vizinhos. O é mais pelo gigantismo de suas fronteiras do que, propriamente, pela capacidade criadora do seu povo.

Tomemos um bairro qualquer e acompanhemos o dia a dia dos seus habitantes. Encontraremos, em cada um deles, poucas pessoas que estão se dando bem na vida e com uma justificação: seus pais cuidaram da sua educação ou a própria vontade de estudar brotou, naturalmente, em cada uma delas.

Não há como se desenvolver, sem educação. A pessoa pode até ser envernizada com o sucesso econômico que a sorte lhe presenteou, mas na essência essa pessoa - e as pessoas que a rodeiam - sabe que é apenas verniz, que no fundo, no fundo mesmo, essa pessoa cuidou de ganhar dinheiro e se esqueceu da educação. Em outras palavras: cresceu, mas não se desenvolveu.

A cada final de semana temos recebido notícias de manifestações populares a favor e contra o governo pelas vias e logradouros públicos deste imenso país. É a arma que essas pessoas possuem para pressionar a favor ou contra nossos governantes.

E agora, soa bem aos nossos ouvidos quando uma autoridade desse tamanho, isto é, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral nos lembra que precisamos armar o nosso povo com Educação.

Mais um somando a tantos na mesma direção: sem educação, não dá. 

Que leve 20 anos para sua implantação generalizada. Mas se não dermos o start, se não dermos o arranco, daqui a 20 anos um outro presidente da justiça eleitoral vai nos lembrar: perdemos vinte anos, mas vamos iniciar, que demos, já, esta arma para o povo: educação!

E que todos comecemos o dia como queremos termina-lo! Bom dia!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 22/06/2020 - 06:59

Continuo pinçando, na edição que circulou na semana de 31 de outubro a 6 de novembro de 1964, do nosso saudoso semanário Tribuna Criciumense, os tópicos de publicações que dão um mergulho no passado e se transformam na Crônica da Cidade de hoje.

NOTAS ESPARSAS DE ESPORTE -  Milioli Neto, na sua coluna da página 4, informava: Não houve acerto entre o Comerciário e o treinador Alípio Rodrigues, para a renovação de contrato. Alípio deixou o majestoso e José Ferreira Laz, o Zezé, é o nome certo nas cogitações do mais querido. 
A eleição, na Vila Famosa, ocorrida domingo pela manhã, conservou o Sr. Antonio Machado na presidência do Atlético Operário. 
Tendo em vista as contusões, em grande número, no plantel do Metropol, o treinador Nivaldo Gouveia preferiu dar contra a realização de amistoso para amanhã. 
O avante Lica, do Boa Vista, deverá ser negociado com o Comerciário E. C., dependendo de sua apresentação, amanhã, contra o Nacional, de Capivari. 
Em entrevista concedida a este comentarista, o Dr. Mário Balsini declarou que a Carbonífera Próspera investirá a quantia de 40 milhões de cruzeiros na construção do estádio dos rubros.

OLÍMPICO BASQUETE CLUBE – Convocamos os senhores proprietários de ações e os possíveis credores do Olímpico Basquete Clube, para que compareçam, a partir do dia 14 e até o dia 21 do corrente mês, das 14 às 17h00, na Casa Zilli, nesta cidade, Rua João Pessoa nº 82, e procurem o Sr. Abilio Zilli para receber o valor das ações, acrecido de juros, sendo exigida a apresentação do título. Ass. José Pimentel, presidente da Comissão de Liquidação e Dissolução do Olímpico Basquete Clube. Deixou saudades!

O CASO DOS PÉS CORTADOS – Nome pelo qual ficou conhecida a brutalidade sofrida pelos meliantes que, em setembro, foram espancados e torturados pela polícia gaúcha, na BR-59, proximidades de Araranguá e que tomou projeção nacional por causa de reportagem publicada pela revista O Cruzeiro. A Brigada Militar do Rio Grande do Sul perseguiu alguns marginais que foram alcançados nas proximidades de Araranguá. E cada um dos presos teve a sola de seus pés cortados por lâminas, pelos referidos policiais, impedindo suas fugas. Eu não sabia dessa atrocidade!

LIVRO SOBRE O CARVÃO – O carvão nacional, sua história e sua exploração está sendo objeto de um livro elaborado pelo Sr. Osmar Meneses. A obra focalizará, especialmente, o carvão de Santa Catarina. Particularmente, nunca ouvi falar desse livro.
Esta e as demais crônicas estão no meu blog, no Portal 4oito.com.br. E eu retornarei amanhã. Até lá amigos e um abraço do meu tamanho!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 19/06/2020 - 10:57Atualizado em 19/06/2020 - 10:57

Então fechar Jornal pode? E a liberdade de imprensa que o Supremo Tribunal Federal advoga com tanto alarde? E a base sólida da democracia, representada pela liberdade de imprensa?  O Jornal falou alguma coisa contra o comportamento de algum membro da Corte Suprema? E não pode? Não pode por que? Aonde está escrito que os apaniguados dos mais altos cargos da República não podem ser criticados? Aonde? Que democracia é essa? Fechar Jornal? Mas isso não era prática da Ditadura Militar?

Ah, prenderam o coronel articulador da rachadinha da Assembleia do Rio de Janeiro? Palmas para a prisão. Certamente o indivíduo tem culpa em cartório. Mas, o povo quer saber: e os outros? E os outros naquele próprio antro de corrupção? E os outros espalhados pelas casas legislativas do Brasil inteiro? E os outros, presentes no Congresso Nacional? E aqueles que trocam empregos entre si para poderem empregar mulher, filhos, empregadas, afilhados – enfim? Só o coronel? Ah, é por que ele era assessor do senador Bolsonaro? E os outros assessores dos outros? E os outros senadores?

Voltemos ao Supremo, formado por onze privilegiados, alguns deles juízes, outros costumeiros reprovados em concursos públicos... Os onze, indicados por um presidente e referendados por senadores numa comissão de sabatina, na qual não se sabatina muito pouco. Nenhum deles com mandato garantido pelo povo, como o são os deputados e senadores e, principalmente o presidente da República. Que justiça é essa que permite a um desses advogados, juiz ou não, sentenciar contra atos do mais alto magistrado do país?

Corte de distraídos, onze ilustres distraídos que o povo paga para soltar presos famosos.

Nosso povo realmente não tem memória. Mas os ministros do Supremo também não. Então, vamos relembrar: O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o arquivamento da Petição 6.324, que tratava de suposto crime de corrupção passiva atribuído ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. O ministro mandou arquivar em decorrência da prescrição da pretensão punitiva.
Esse mesmo ministro, Luiz Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), arquivou uma denúncia apresentada contra o senador Fernando Collor de Mello (Pros-AL), por ter considerado que houve prescrição, quando o tempo máximo para punição pela irregularidade foi atingido.
Ainda Fachin, arquivou três ações penais que tramitavam na Corte contra o senador Jader Barbalho (PMDB-PA). As decisões ocorreram pela prescrição, quando há demora entre o fato suspeito e a apresentação da denúncia à Justiça. Nos processos, Barbalho era acusado de desvio e emprego irregular de verbas públicas e de crimes contra o sistema financeiro nacional. 
Edson Fachin, relator dos processos da Operação Lava-Jato, arquivou denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente José Sarney, do MDB, acusado - com outros integrantes da cúpula do MDB - por suspeitas de desvio de dinheiro. 
Também por prescrição, Fachin arquivou, no mesmo inquérito, a denúncia contra o ex-senador Garibaldi Alves (MDB-RN). No mesmo inquérito, também foram denunciados o senador Renan Calheiros (MDB-AL) e os ex-senadores Romero Jucá (MDB-RR) e Valdir Raupp (MDB-RO). Jucá e Raupp não conseguiram se reeleger no ano passado e agora não têm mais cargos que lhe deem foro privilegiado no STF. 

O ministro Celso de Mello, o decano, declarou extinta a punibilidade do deputado federal Nilson Leitão (PSDB-MT) em inquérito que apurava crime eleitoral (captação ilícita de voto). 

A ministra Rosa Weber mandou arquivar o inquérito aberto no Tribunal para investigar o senador José Serra (PSDB-SP). O procedimento aberto na Corte apurava suposto crime eleitoral de caixa 2. O caso prescreveu e o senador não pode ser mais punido.

O ministro Marco Aurélio Mello, arquivou um inquérito contra o senador Romero Jucá (PMDB-RR), que tramitava na corte há 14 anos. No inquérito, Jucá era investigado por desvios de verbas federais para o município de Cantá, em Roraima. O senador era acusado de peculato, crime que tem como pena de 2 a 12 anos de prisão.

São processos volumosos que denunciam personagens conhecidos que meteram a mão no nosso dinheiro e que, por falta de tempo, dos integrantes da Suprema Corte, deixaram de ser examinados em tempo hábil, caducaram, morreram, não se fala mais nisso. Nenhum membro da Suprema Corte reclamou contra a morosidade do andamento dos referidos processos. Devem ter agradecido a caducidade de cada uma das denúncias. Tutti fratelli!
Aí os holofotes foram acesos sobre a prisão do coronel que, segundo se informa, teria liderado uma suposta caixinha de funcionários do então deputado estadual Flávio Bolsonaro. Se for comprovado, que se prenda. E que se deixe preso, cumprindo a pena que lhe for imputada. Que não se faça o que fizeram com José Dirceu, Delúbio, Vaccari, Lula e outras famosas figuras do cenário nacional. Um peso? Uma medida!

E que todos comecemos o dia como queremos termina-lo! Bom dia!
 

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 19/06/2020 - 07:02

Busco, na edição que circulou na semana de 31 de outubro a 7 de novembro de 1964, do nosso saudoso semanário Tribuna Criciumense, os tópicos de publicações que dão um mergulho no passado e se transformam na Crônica da Cidade de hoje. 

IEDA MARIA VARGAS EM CRICIÚMA – Atendendo convite que lhe foi formulado pelo City Clube, Ieda Maria Vargas estará em Criciúma, no próximo sábado, quando participará de um baile especialmente promovido pelo clube da juventude. A Miss Universo 1963 virá à capital do carvão na manhã daquele dia, em condução própria, acompanhada de seu empresário e por um dos diretores do City, que contratou um decorador que transformará seus salões em jardim suspenso. Reina grande expectativa em torno da vinda da mais bela brasileira, única a arrebatar o título de Miss Universo e o cetro da beleza mundial. E ela veio. E foi um sucesso. E o clube nunca viu tanto copo de leite cobrindo seu teto. E eu dancei com ela. O que eu não sabia é que fora contratado decorador para aquele baile, haja vista que o comando da decoração – que eu vi – esteve a cargo da colunista Beverly Godoy Gosta.

TRENS DE PASSAGEIROS – Conforme aviso da Rede Ferroviária Federal, haverá uma série de modificações no horário de trens da Estrada de Ferro Dona Teresa Cristina sendo que, aos domingos, os trens que transportam passageiros não mais trafegarão. Por outro lado haverá supressão de trens diários de passageiros de Imbituba-Araranguá-Imbituba, sendo este transformado em trem misto diário. Que pena: o povão viajava de trem. A cada parada, uma festa. Primeiro extinguiram as viagens dominicais. Depois colocaram passageiros com carvão. Finalmente o transporte de passageiros foi extinto. E deixou saudades! Quem sabe volta!

PREFEITO DE SIDERÓPOLIS TOMA POSSE – Hoje, dia 31 de outubro, será empossado o novo prefeito de Siderópolis, Sr. Hugo Stopazzolli, o terceiro desse município, em 1964, uma vez que o Sr. Manoel Minelvina Garcia ocupou o cargo até junho, quando renunciou por motivos de saúde, e foi substituído pelo presidente da Câmara, senhor Walmor Freccia. Para terminar o mandato foi feita eleição indireta, pela Câmara Municipal, tendo, a escolha, recaído sobre o nome de Hugo Stopazzolli. As solenidades de posse ocorrerão hoje, às 17h00.

Esta e as demais crônicas vão ao ar na Rádio Som Maior. E eu retornarei segunda-feira. Até lá amigos e um abraço do meu tamanho!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 18/06/2020 - 09:24

No dia 21 de fevereiro de 1874, chegava ao Brasil o Vapor "La Sofia" com a primeira leva de imigrantes italianos, composta por 380 famílias. 21 de fevereiro passou a ser, desde 2008, o "Dia Nacional do Imigrante Italiano". 

No dia 25 de julho comemora-se o Dia da Imigração Alemã no Brasil. A data homenageia todos os imigrantes e seus descendentes, que, há 193 anos chegavam ao Brasil.

Dia 25 de agosto de 1869, foi batizado, em Brusque, no nosso estado, o primeiro filho de polonês registrado a 25 de agosto de 1869, dando início à história da imigração organizada de poloneses para o Brasil. 

Nossas homenagens aos imigrantes italianos, alemães e poloneses e, por extensão, aos imigrantes de todas as nacionalidades.

Mas, hoje é o dia do imigrante japonês. Está aí uma comemoração que deve ser lembrada.
18 de junho de 1908.

Depois de 50 dias viajando, 781 japoneses desembarcam do cargueiro Kasaro Maru, em Santos. 
Banda, fogos, balões.
Pensaram que eram as boas-vindas dos brasileiros. Mas era festa junina.

Foram recebidos com simpatia e curiosidade. No Correio Paulistano, Amâncio Cabral observou que eles eram mais bem vestidos e asseados do que os italianos. “A raça é diferente, mas não é inferior” completava.
Traziam sementes, instrumentos agrícolas e o sonho de enriquecer e voltar ao Japão. Em fazendas de café no interior paulista, viveram tempos difíceis e o sono foi esquecido. Rumaram para vários pontos do Estado.

Até 1923 chegaram 30 mil deles. Até 1940, mais 190 mil.
Com a II Guerra, tendo o Japão como inimigo, a imigração foi interrompida por dez anos.

Os 150 mil imigrantes japoneses se multiplicaram e transformaram-se em um milhão e 400 mil brasileiros.

O Brasil abriga a maior comunidade japonesa fora do Japão. Mais da metade vive na região metropolitana de São Paulo e destaca-se não mais apenas na agricultura, mas em todos os setores da vida nacional. Esse povo perseverante nos enriqueceu e enriquece com sua cultura e contribuiu e contribui para o nosso desenvolvimento.

Aqui no sul catarinense os japoneses estão presentes no território de Forquilhinha desde os anos da década de 1970, numa ação patrocinada pelo governo municipal de Algemiro Manique Barreto.
No dia da imigração japonesa, os nossos cumprimentos aos orientais que ajudam no nosso progresso.

E que todos comecemos o dia como queremos termina-lo! Bom dia!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 18/06/2020 - 06:59

Busco, na edição que circulou na semana de 24 a 31 de setembro de 1964, do nosso saudoso semanário Tribuna Criciumense, os tópicos de publicações que dão um mergulho no passado e se transformam na Crônica da Cidade de hoje. 

Na edição passada lembrei uma nota sobre a visita que o ministro Mario Thibau, das Minas e Energia, fizera a Criciúma. Outra matéria de capa foi elaborada sob esta manchete: NÃO SE FARÁ A SIDESC SOBRE BASES FALSAS – ‘O novo governo não tem interesse em que a Siderúrgica de Santa Catarina siga o mesmo caminho da Sotelca. Não quer que este empreendimento se arraste durante anos e, sim, que seja concretizado com brevidade’. Assim se expressou o presidente da Comissão do Plano do Carvão Nacional, Coronel Lauro da Cunha Campos, quando perguntado sobre a Sidesc, e ele arrematou: ‘esta concretização não poderá se realizar sobre bases falsas’. Todos os detentores de poder prometiam que a Sidesc deixaria os desenhos frios do papel e se tornaria realidade. Todos, inclusive esse coronel, falavam sobre bases falsas. E a Sidesc, já ao final da década de 1970, daria seu último suspiro.

EM JANEIRO A TELEVISÃO CHEGARÁ AO SUL DO ESTADO – Exatamente às 14h15 de segunda-feira próxima passada, no Sindicato dos Mineradores, teve lugar uma reunião na qual se discutiu a instalação de torres retransmissoras de televisão para o sul catarinense. Uma delegação da Companhia Siderúrgica Nacional, chefiada pelo Engenheiro Silvio Búrigo, veio à nossa cidade com o intuito de expor os problemas ligados a este objetivo e buscar o equacionamento dos mesmos. E o nosso semanário destaca os pontos principais daquela reunião que culminou com a promessa de que, em Janeiro de 1965, nossa região seria alcançada pelos, sinais televisivos das emissoras de Porto Alegre. A promessa era de colocar, aqui, imagem àquela captada na capital gaúcha.
A CSN se envolveu nesse projeto porque precisava dispor de mais conforto para os seus profissionais liberais que, vindos do Rio de Janeiro e agora morando em Siderópolis e/ou Criciúma, precisavam desse lazer em suas residências.

MAIS UMA DO DEPUTADO WALDEMAR SALLES – Novamente um A Pedido ilustra a última capa da edição em tela. Intitulada DEPUTADO SUBSCREVE LIVRO DE OURO DA IGREJA DE TREVISO E MANDA COBRAR DO GOVERNO DO ESTADO, o documento tece severas críticas ao deputado tubaronense, eleito pelo PSD, que, de passagem por Treviso, teria assinado o livro de ouro que arrecadava dinheiro para a construção de sua igreja, com a importância de trinta mil cruzeiros. Passado um ano da tal assinatura e, ao ser cobrado, Waldemar Salles mandou cobrar do governo do Estado. 

Esta e as demais crônicas estão no meu blog, no Portal 4oito.com.br. E eu retornarei a manhã. Até lá amigos e um abraço do meu tamanho!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 17/06/2020 - 16:05Atualizado em 17/06/2020 - 16:09

Estamos atravessando o ponto alto das festas juninas. E onde estão as tradicionais festas juninas? Ouve-se absolutamente nada a seu respeito. Aquela tradicional fogueira de São Bento Alto, “a maior do mundo”?
O mês é das festas juninas com seu ápice a partir do dia 24, dedicado a São João.

Desde o Século IV, acendem-se fogueiras, em junho, para saudar o verão europeu. O catolicismo associou a celebração ao aniversário de São João. 
No Século XII , portugueses passaram a comemorar, também, São Pedro e Santo Antônio. 

Aqui no Brasil a festança é mais popular no nordeste. No Sul e no Sudeste os estabelecimentos de ensino dão importância singular às festas. Lembram da Festa Junina do Marista?

Numa festa junina destacam-se:

A quadrilha, que vio para o Brasil com a família real, em 1808. Com forte sotaque francês aqui ela se impôs e, festa junina sem quadrilha, não pode receber esse rótulo.
Pau-de-sebo – essa brincadeira de escalar um pau engraxado para apanhar, no seu topo, algum objeto ou o nome de uma mulher com quem o escalador irá se casar, nasceu na China e foi aclimatada nas terras tupiniquins.
Fogueira –para os pagãos a fogueira espantava os maus espíritos, as pestes e as pragas. A origem remonta a Santa Isabel que mandou fazer uma fogueira no topo de um morro para avisar a prima Maria que João Batista nascera. A fogueira e os fogos fazem parte da festa junina de norte a sul do Brasil.
Milho, pamonha, pipoca, canjica, amendoim, pé-de-moleque, batata-doce, doces de goiaba, licores, garapa, quentão, aguardente fazem o cardápio principal da festança do arraiá.
Presentes, também, os balões que surgiram para levar aos céus os pedidos a são João Batista, prática aliás, ilegal desde 1965, para evitar o risco de incêndios.

E as cantigas, as modinhas juninas. Aqui o nosso compositor se esbaldou. Há canções de todos os tamanhos e rimas para saudar e cantar as festas de São João.

Este é o nosso brasilzão. O brazilzão das famosas festas juninas que se multiplicavam em todo o seu território, de Norte a Sul, com ênfase especial no Nordeste onde é tão forte que chega a modificar a pauta das discussões do Congresso Nacional a fim de possibilitar a presença dos deputados quadrilheiros, isto é, amantes da dança da quadrilha, em cidades dessa Região.

A pandemia do coronavirus é a responsável por não estarmos ouvindo baiões e rancheiras que sempre nos levam às tradicionais festas juninas. O ano de 2020 se transforma num ano perdido. Inclusive para as tradicionais festas juninas. Restam as outras quadrilhas, inclusive as que tentam burlar a política de assistência aos desvalidos na pandemia do Covid-19, mas delas se ocupa a Polícia Federal.

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 17/06/2020 - 07:04

Busco, na edição que circulou na semana de 19 a 26 de setembro de 1964, do nosso saudoso semanário Tribuna Criciumense, os tópicos de publicações que dão um mergulho no passado e se transformam na Crônica da Cidade de hoje. 

DARIO COELHO NA RESERVA – O presidente Castello Branco assinou decreto, na pasta da Guerra, transferindo para a reserva de primeira classe, no posto de General do Exército, o General Dario Coelho, comandante da 5ª Região Militar, com sede em Curitiba e jurisdição sobre os estados do Paraná e Santa Catarina. 

METROPOL CAMPEÃO SUL BRASILEIRO – GRÊMIO DESCLASSIFICADO – E o comentarista Milioli Neto utiliza meia página para falar do clássico que envolveu os campeões de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, pela sexta Taça Brasil. No primeiro jogo, em Porto Alegre, houve um empate em zero a zero. O segundo jogo foi realizado em Florianópolis, no campo da Federação Catarinense de Futebol. O primeiro tento da partida surgiu inesperadamente por Madureira e Idézio daria cifras finais À peleja com o Metropol vencendo ao Grêmio por 2 x 0. Com o resultado obtido o Metropol se credenciou a prosseguir na competição e terá como o próximo adversário o Atlético Mineiro, campeão de Minas Gerais. Já na página seguinte, a última capa, a manchete foi esta: METROPOL

EMBARCOU ONTEM PARA BELO HORIZONTE PARA DAR COMBATE AO ATLÉTICO MINEIRO. E os leitores de Tribuna Criciumense tomaram conhecimento da viagem e da relação dos jogadores que compunham a delegação dos metropolitanos, a saber: Dorni, Rubens, Piloto, Paulo Souza, Arpino, Tenente, Gaiola, Silvio, Nadir, Calita, Idézio, Madureira, Galego e Gibi.

E alcançamos a edição de Tribuna Criciumense que circulou na semana de 24 a 31 de outubro e que trouxe, na capa, em letras garrafais: MAURO THIBAU, O MAIS NOVO OPERÁRIO DO CARVÃO CATARINENSE – E transcreve o discurso pronunciado pelo ministro de Minas e Energia de Castello Branco em jantar que lhe foi oferecido, no Criciúma Clube, pelos mineradores da região sul de Santa Catarina. Os empresários do carvão ficaram tão entusiasmados com a fala do ministro que o rotularam de ‘o mais novo mineiro do setor carbonífero catarinense’. 

Esta e as demais crônicas estão no ar na Rádio Som Maior. E eu retornarei a manhã. Até lá amigos e um abraço do meu tamanho!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 16/06/2020 - 10:45

Data vênia peço licença para, hoje, ocupar todo o espaço que a Som Maior me disponibiliza para falar de um empresário que está trocando idade. A simplicidade dele é maior do que ele e o coração dele ultrapassa os limites de seu próprio corpo.
Foi na madrugada fria daquela terça-feira, dia 16 de junho de 1936, que uma parteira aparou, na casa de Seu Humberto, ao seu 6º filho. Dona Jordelina – sua mulher - trazia ao mundo o José. 

Seu Humberto, mineiro da CBCA, trabalhava na Mina Velha e, logo depois, na Mina do Mato. Levou a família para morar perto do local de trabalho: Morro do Bainha.

Em casa seus pais e irmãos o chamavam de Zezo e, na rua, os moleques e as demais pessoas chamavam-no de Zé, como nos dias de hoje. O Zezo, foi esquecido. O Zé continua e, segundo José, soa sonoro aos seus ouvidos.
Como os demais garotos da sua idade, entre 10/11 anos, por imposição da mãe, fez a “Primeira Comunhão”. Das seguintes, não se lembra.

Lembra bem do Padre Agenor Neves Marques que era o organizador do Congresso Eucarístico de 1946. E dos missionários capuchinhos. Inclusive eles foram à sua casa e insistiram com seus pais para que fosse para o seminário para estudar para padre. A Igreja perdeu um talentoso sacerdote, certamente, mas o mundo civil ganhou um mega empreendedor.

Era namorador. Ao pé do Morro do Bainha, no salão do Ademir Faraco, não perdia baile e domingueira e cada vez saia com uma namoradinha. Desde os 14-15 anos!

Ao completar 15 anos de idade o nosso personagem que, até ali, capinava quintais e jardins no centro da cidade, picava lenha para os fogões das madames, implorava uma ocupação, resolveu ter uma conversa de gente grande com o seu pai. Sentados sobre um banco comprido, à mesa da cozinha, já lembrando que os 15 anos foram completados, José abriu o coração para seu Humberto e pediu autorização para deixar a casa dos pais. Queria ganhar o seu dinheirinho para pagar o ingresso nos cinemas. Pretendia começar a construir a sua vida, às suas expensas, sozinho, numa cidade a 224km de distância. E nem era bem em São Francisco de Paula, no estado gaúcho, mas a localidade de Cascata, hoje um grande Parque Turístico no interior do município de Cambará do Sul. Com um agravante: não conhecia nem o caminho nem a cidade. E tinha apenas 15 anos de idade.

E lá se foi o José, pequena mala às costas, com os poucos pertences, rumo ao desconhecido futuro. Queria saber, na prática, o que faz um Ajudante de Pedreiro, profissão que queria abraçar. Aqui, ele confessa, só havia emprego nas minas e ele não tinha idade para ser mineiro.

Permaneceu por lá onze meses, findos os quais retornou à Criciúma e foi chamado para trabalhar como auxiliar dos famosos pintores Bate-Asa e Romão responsáveis pela pintura das casas da CBCA .
Trabalhou com o Departamento Nacional de Estradas de Ferro, com o Dr. Vitor Dequech, na Geologia & Sondagens, com o Dr. Dino Gorini, como administrador da Carbonífera São Marcos, e com Diomício, Dite e Dilor Freitas, na Carbonífera Metropolitana, como topógrafo.

Seu irmão mais velho era topógrafo e trabalhava na construção de redes de transmissão de energia elétrica no Rio Grande do Sul. Cansou e parou. E chamou o Zé para sucede-lo. E ali o empreendedorismo do Zé aflorou e se agigantou: estendeu redes de transmissão em, praticamente, todos os estados do Brasil. De agrimensura, entendia tudo, nos mínimos detalhes.

Resolveu empreender na construção de estradas, não só traçar as coordenadas e as curvas, mas a rasgar o chão abrindo vias de comunicação entre cidades. Hoje é um dos maiores empresários do ramo em todo o sul do Brasil. 
E construiu uma britadeira de pedras para uso da sua empresa e de empresas concorrentes. E dela multiplicou unidades em várias regiões de Santa Catarinas. E fez uma empresa que constrói edifícios, contribui para a beleza urbana de cidades. E não descuidou do meio ambiente, aliás, nesse particular é um apaixonado. Abrindo a rodovia que nos liga a Bagé, na Serra da Rocinha, construiu um horto florestal só com espécimes serranas que são reproduzidas e utilizadas no reflorestamento das áreas rasgadas pelas suas pesadas máquinas rodoviárias.

Casado com Dona Lourdes Somavilla, com quem vive há 63 anos, ele constrói uma vida de intenso e maiúsculo sucesso, armazenando projetos para os próximos vinte anos. 
Sua biografia está escrita e o livro que a reproduz pronto para o prelo. O título? Simplesmente José – como ele se auto intitula.

Eu falo de José Locks, o empreendedor proprietário da Setep, proprietário da Construtora Locks, proprietário da SBM, Sul Brasileira de Mineração; José Locks que, hoje, troca de idade – faz 84 anos - e que se derrete por um sorvete ou picolé de milho verde - mais simples, impossível! Aliás, sua eficiente secretária, Dona Fátima, nunca deixa faltar balas de milho verde no seu ambiente de trabalho.

Ah, vale a lembrança: dos mais de mil empregados, nenhum foi despedido por causa da pandemia do Covid-19. 
Senhor Zéloques, é bom falar no senhor! Feliz aniversário, caríssimo! Parabéns, respeitável amigo!

E que todos comecemos o dia como queremos termina-lo! Bom dia! 

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 16/06/2020 - 06:56

Busco, na edição que circulou na semana de 19 a 26 de setembro de 1964, do nosso saudoso semanário Tribuna Criciumense, os tópicos de publicações que dão um mergulho no passado e se transformam na Crônica da Cidade de hoje. 

METROPOL E GRÊMIO: 2º JOGO – Tira Teima no Adolfo Konder – A delegação do Metropol embarca hoje para Florianópolis onde ficará hospedada no Oscar Palace Hotel, aguardando o cotejo número dois contra o Grêmio de Porto Alegre, pela 6ª Taça Brasil. A expectativa, na capital do estado, é das maiores. Em que pese o Grêmio, reconhecido como grande expressão do futebol nacional o representante barriga-verde está credenciado a um sucesso, na tarde de amanhã, vindo de preparativos voltados com a atenção máxima com o exclusivo objetivo de derrotar o bicampeão gaúcho. A arbitragem será de Agomar Martins e, no caso de novo empate, será realizado um terceiro jogo, terça-feira, no campo da Liga. O técnico Derval Gramacho Filho colocará em campo o mesmo time que empatou em Porto Alegre: Rubens, Piloto, Paulo Souza, Gibi e Tenente; Silvio e Nadir; Calita, Madureira, Idézio e Galego. O Grêmio deverá formar com Alberto, Renato, Airton, Áureo e Ortunho; Cléo e Sérgio Lopes; Alfeu, Joãozinho, Alcindo e Vieira.

EDITAL DE CONCORRÊNCIA – A fim de submeter à presidência da Comissão do Plano do Carvão Nacional, para a necessária aprovação, financiamento e posterior execução, acha-se aberta concorrência pública para a construção de um número variável de 80 a 140 casas, com área aproximada de 59m2 cada uma, em madeira ou climatex, pintadas e com instalações sanitárias. Depois o Edital fala das condições para participar, dos projetos e da localização. Esta está assim distribuída: 80 casas na Cidade dos Mineiros, em Criciúma; 20 casas na Próspera; 10 na Mineração de Içara; 10 na Vila Operária de Lauro Müller; e 10 na Vila Operária de Urussanga. Era o projeto de construções de casas para operários, do Sindicato dos Mineradores. O Edital é assinado pelo presidente Dr.  Sebastião Neto Campos.

ADIADAS AS ELEIÇÕES MUNICIPAIS – Conforme telegrama recebido pelo Juiz Eleitoral da Comarca de Criciúma, o Tribunal resolveu, por unanimidade, adiar as eleições municipais na circunscrição de Santa Catarina, até posterior deliberação. A nota não informa que tipo de eleição nem a data em que seria realizada. Nota capenga...

Esta e as demais crônicas estão no ar na Rádio Som Maior. E eu retornarei a manhã. Até lá amigos e um abraço do meu tamanho!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 15/06/2020 - 11:42Atualizado em 15/06/2020 - 11:44

Faz algum tempo, meses eu diria, que falei, nesta emissora, que as eleições para escolha de prefeitos e vereadores, marcadas para outubro deste ano, não seriam suspensas. E arrematei: podem até ser adiadas para até o mês de dezembro, mas terão que ser feitas neste ano.

Pelo menos duas pessoas me retrucaram, afirmando que seriam suspensas e haveria uma prorrogação de mandatos para fazer coincidir todas as eleições e, ipso facto, coincidir mandatos.

Reafirmei – como reafirmo agora – que eleições municipais de quatro em quatro anos é matéria constitucional e, em o sendo, só uma emenda à Constituição poderia fazer tal cirurgia, o que parece muito distante dos congressistas que gostam que se enroscam de uma eleição.

Portanto, favas contadas: se não for dia 4 de outubro será num outro domingo de novembro ou de dezembro, mas, com absoluta certeza, eleições neste ano de 2020.

E, falando em eleições, passa um filme na minha cabeça – que não é pequena – e me traz à tona detalhes da eleição que levou ao paço municipal o engenheiro Ruy Hülse. Reporto-me às eleições de 1965. Ruy Hülse concorreu contra a maior liderança pessedista de então: Addo Caldas Faraco, candidato da Aliança Social Trabalhista, formada pelo velho PSD e pelo PTB de Getúlio Vargas. Essa Aliança elegia um poste, diria aquele conhecido presidiário da República de Curitiba. E elegia, mesmo. A hegemonia política de Criciúma era representada por esses dois partidos. De 1946 a 1965 essa Aliança elegeu todos os prefeitos de Criciúma, mas em 1965 perdeu para o udenista Ruy Hülse, única eleição vencida pela velha UDN.

O principal ingrediente do período eleitoral, à época, eram os comícios. Isso acontecia, praticamente, todas as noites, nos últimos 15 dias de campanha.

E naquele dia, que já não lembro qual, de muito calor, céu estrelado, o comício da Aliança seria na localidade de São Marcos. Durante o dia, uma Kombi com serviço de som, o Dino do Bá, ao microfone, conclamava o povo da localidade e localidades vizinhas para comparecer ao local pré escolhido para ouvir a pregação do candidato Addo Caldas Faraco. A eleição não era casada com a de vereador, nem com a de deputado. Era solteira.

E nós fomos: o Lucio Nuernberg, o Adair Lima e eu. E ficamos sobre um pequeno monte de pirita, a uns 50 metros da aglomeração, a acompanhar a verborreia. E concluímos: que xaropada! Era tudo igual aos comícios de outras localidades. O mesmo discurso, o mesmo orador, o mesmo caminhão-palco, o mesmo som cheio de microfonia, o cheiro forte da combustão de perita a céu aberto, a mesma penumbra e, pior de tudo, o mesmo povo. Era sempre o mesmo público que, sei lá se com mortadela ou sem, vibrava a cada noite participando daqueles comícios.

Foi a última eleição antes da extinção dos partidos, decretada por Castello Branco. Dali pra frente, durante muito tempo, era Arena e MDB, com suas sublegendas. Aí, os comícios em logradouros públicos acabaram e deram lugar a reuniões em clubes recreativos e centros sociais urbanos. Só não mudou a plateia: a de ontem à noite era a de hoje à noite e seria a de amanhã à noite. Havia gente que recitava o discurso do candidato de ponta a ponta, tantas vezes o ouvira.

Dinheiro grosso envolvido nas eleições, certamente não havia. Os candidatos gastavam muito pouco, mas gastavam sim. Guardadas as proporções e circunstâncias dos pleitos atuais, havia candidato que dispendia volumosas somas para perder ou amargar uma suplência, com uma diferença: não precisava prestar contas, à justiça eleitoral, do que arrecadou e do que gastou no respectivo pleito.

Não sei se aquele processo de então – e volto a me referir a 1965 – era melhor que o de hoje, mas que era mais romântico e de pureza lúdica, não tenho a menor dúvida!

E que todos comecemos o dia como queremos termina-lo! Bom dia!

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