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Parabéns, José Locks!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 16/06/2020 - 10:45

Data vênia peço licença para, hoje, ocupar todo o espaço que a Som Maior me disponibiliza para falar de um empresário que está trocando idade. A simplicidade dele é maior do que ele e o coração dele ultrapassa os limites de seu próprio corpo.
Foi na madrugada fria daquela terça-feira, dia 16 de junho de 1936, que uma parteira aparou, na casa de Seu Humberto, ao seu 6º filho. Dona Jordelina – sua mulher - trazia ao mundo o José. 

Seu Humberto, mineiro da CBCA, trabalhava na Mina Velha e, logo depois, na Mina do Mato. Levou a família para morar perto do local de trabalho: Morro do Bainha.

Em casa seus pais e irmãos o chamavam de Zezo e, na rua, os moleques e as demais pessoas chamavam-no de Zé, como nos dias de hoje. O Zezo, foi esquecido. O Zé continua e, segundo José, soa sonoro aos seus ouvidos.
Como os demais garotos da sua idade, entre 10/11 anos, por imposição da mãe, fez a “Primeira Comunhão”. Das seguintes, não se lembra.

Lembra bem do Padre Agenor Neves Marques que era o organizador do Congresso Eucarístico de 1946. E dos missionários capuchinhos. Inclusive eles foram à sua casa e insistiram com seus pais para que fosse para o seminário para estudar para padre. A Igreja perdeu um talentoso sacerdote, certamente, mas o mundo civil ganhou um mega empreendedor.

Era namorador. Ao pé do Morro do Bainha, no salão do Ademir Faraco, não perdia baile e domingueira e cada vez saia com uma namoradinha. Desde os 14-15 anos!

Ao completar 15 anos de idade o nosso personagem que, até ali, capinava quintais e jardins no centro da cidade, picava lenha para os fogões das madames, implorava uma ocupação, resolveu ter uma conversa de gente grande com o seu pai. Sentados sobre um banco comprido, à mesa da cozinha, já lembrando que os 15 anos foram completados, José abriu o coração para seu Humberto e pediu autorização para deixar a casa dos pais. Queria ganhar o seu dinheirinho para pagar o ingresso nos cinemas. Pretendia começar a construir a sua vida, às suas expensas, sozinho, numa cidade a 224km de distância. E nem era bem em São Francisco de Paula, no estado gaúcho, mas a localidade de Cascata, hoje um grande Parque Turístico no interior do município de Cambará do Sul. Com um agravante: não conhecia nem o caminho nem a cidade. E tinha apenas 15 anos de idade.

E lá se foi o José, pequena mala às costas, com os poucos pertences, rumo ao desconhecido futuro. Queria saber, na prática, o que faz um Ajudante de Pedreiro, profissão que queria abraçar. Aqui, ele confessa, só havia emprego nas minas e ele não tinha idade para ser mineiro.

Permaneceu por lá onze meses, findos os quais retornou à Criciúma e foi chamado para trabalhar como auxiliar dos famosos pintores Bate-Asa e Romão responsáveis pela pintura das casas da CBCA .
Trabalhou com o Departamento Nacional de Estradas de Ferro, com o Dr. Vitor Dequech, na Geologia & Sondagens, com o Dr. Dino Gorini, como administrador da Carbonífera São Marcos, e com Diomício, Dite e Dilor Freitas, na Carbonífera Metropolitana, como topógrafo.

Seu irmão mais velho era topógrafo e trabalhava na construção de redes de transmissão de energia elétrica no Rio Grande do Sul. Cansou e parou. E chamou o Zé para sucede-lo. E ali o empreendedorismo do Zé aflorou e se agigantou: estendeu redes de transmissão em, praticamente, todos os estados do Brasil. De agrimensura, entendia tudo, nos mínimos detalhes.

Resolveu empreender na construção de estradas, não só traçar as coordenadas e as curvas, mas a rasgar o chão abrindo vias de comunicação entre cidades. Hoje é um dos maiores empresários do ramo em todo o sul do Brasil. 
E construiu uma britadeira de pedras para uso da sua empresa e de empresas concorrentes. E dela multiplicou unidades em várias regiões de Santa Catarinas. E fez uma empresa que constrói edifícios, contribui para a beleza urbana de cidades. E não descuidou do meio ambiente, aliás, nesse particular é um apaixonado. Abrindo a rodovia que nos liga a Bagé, na Serra da Rocinha, construiu um horto florestal só com espécimes serranas que são reproduzidas e utilizadas no reflorestamento das áreas rasgadas pelas suas pesadas máquinas rodoviárias.

Casado com Dona Lourdes Somavilla, com quem vive há 63 anos, ele constrói uma vida de intenso e maiúsculo sucesso, armazenando projetos para os próximos vinte anos. 
Sua biografia está escrita e o livro que a reproduz pronto para o prelo. O título? Simplesmente José – como ele se auto intitula.

Eu falo de José Locks, o empreendedor proprietário da Setep, proprietário da Construtora Locks, proprietário da SBM, Sul Brasileira de Mineração; José Locks que, hoje, troca de idade – faz 84 anos - e que se derrete por um sorvete ou picolé de milho verde - mais simples, impossível! Aliás, sua eficiente secretária, Dona Fátima, nunca deixa faltar balas de milho verde no seu ambiente de trabalho.

Ah, vale a lembrança: dos mais de mil empregados, nenhum foi despedido por causa da pandemia do Covid-19. 
Senhor Zéloques, é bom falar no senhor! Feliz aniversário, caríssimo! Parabéns, respeitável amigo!

E que todos comecemos o dia como queremos termina-lo! Bom dia! 

4oito

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