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As lembranças do dia de São João

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 24/06/2020 - 11:58Atualizado em 24/06/2020 - 12:01

24 de junho! São João!
Vamos dar um mergulho no passado. Convido o prezado ouvinte para retornarmos à década de 1950, na qual me entendi como gente e da qual tenho, ainda, boas lembranças. Uma delas, do dia 24 de junho.

Era uma data esperada. Não na proporção de um Natal, certamente, mas muito esperada. Nossa comunidade, a do meu Condado, se preparava para o dia de São João.

Seu Quintino e dona Augusta tinham, dentre outros, o filho caçula - chamado João. E, em sua homenagem, ou não, promoviam, no terreiro fronteiriço ao casarão onde moravam, uma festa junina para a qual acorria toda a comunidade local e até pessoas da periferia.

As mulheres, especialmente as solteiras, investiam na vestimenta e adereços àquela festa: muitos casamentos resultaram do primeiro contato feito exatamente ali, na festa de São João do Seu Quintino. Elas e eles vestiam-se a rigor. Todos nos figurinos juninos com maior ou menor ênfase no caipira.

Na gaita, o Ângelo, outro filho daquele casal, dava o tom das cantigas e modinhas juninas que entopiam nossos ouvidos na programação radiofônica da única emissora de então.

Dois pontos marcavam soberanamente a festa de São João dos Dal Pont: a fogueira de São João e a dança da quadrilha (que não tem nada a ver com essa quadrilha que comandou o país por alguns governos). Troncos de madeira eram amontoados, obedecida certa simetria, exatamente no centro físico do campus da festa. E a esses troncos era ateado fogo que aquecia os participantes – lembremo-nos que estamos no inverno e a festa é noturna, o frio cresce – até se esvaecer. Quando não havia mais tronco em combustão, espalhavam-se as brasas e acontecia o momento de ‘pular a fogueira’, com os pés descalços porque o fogo do São João não queima. Pois sim!

A quadrilha, dança típica das festas juninas, é carregada de referências caipiras e matutas. Mas sua origem vem de muito longe. Surgiu em Paris, no século XVIII, como uma dança de salão composta por quatro casais.  No Brasil remonta ao tempo do Império e consiste numa dança com participação de casais de dançarinos que obedecem a um líder que determina, a todos os participantes, o próximo movimento.

E ocorria, também, o casamento dos jecas. Um casal desconforme era formado e sacramentado por um dos participantes, obedecida a liturgia apropriada para enlace matrimonial.

Havia o momento das sortes. Desde crendices com cartas de baralho até a vela na bacia. Bacias com água agrupavam as mulheres que, de vela acesa em punho, faziam pingar a cera sobre a água. Os pingos se uniam e formavam uma letra: seria a inicial do nome do seu futuro namorado. 

Na parte gastronômica: muito quentão, muito pinhão, cuscuz, batata doce, aipim, melado e mel, biscoitos diversos, bolos diversos, rapadura, rosca e outros mais.

Acabou, meu caro Dênis! Festa de São João, hoje, é uma página de nossa história. E aquela, do Seu Quintino, em homenagem ao Joanim, seu filho mais novo, hoje empresário na Tijuana, da Travessa Padre Pedro Baldoncini, abriu um enorme vazio eis que, desde muito tempo, não mais aconteceu. E isso ocorria, também, em outras comunidades. Mas, como a do Seu Quintino, nenhuma!

E que todos comecemos o dia como queremos termina-lo! Bom dia!


 

 

4oito

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