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CORONAVÍRUS - Saiba mais aqui
* as opiniões expressas neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do 4oito
Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 14/05/2020 - 10:24Atualizado em 14/05/2020 - 10:27

Ontem precisei ir a duas agências bancárias, aqui em Balneário Camboriú, para saldar compromissos que não vêm ao caso. 
Eram umas 18 horas. Chovia.
Essas agências, para quem conhece esta cidade, estão localizadas na avenida do Estado.
O trânsito intenso, como ocorria antes da praga do Covid-19: as ruas atulhadas de veículos e os transeuntes às centenas. Poucas pessoas sem a máscara ao rosto.

Um fato me chamou a atenção: pedintes às portas dos bancos.
Foi lugar comum, antes da pandemia, vendedores ambulantes disputando espaço à frente de tais estabelecimentos, vendendo de sorvete a pamonha, passando por apostas lotéricas, guloseimas e panos de prato. Isso era normal em qualquer cidade de população igual ou superior a 100 mil habitantes.
Mas, aqui, nunca se viu alguém pedindo esmola. Os esmoleres haviam desaparecido do cotidiano, haja vista que, o desempregado, estava ali vendendo um dos produtos a que me referi, na condição de ambulante.

Agora não!

Esses vendedores ambulantes desapareceram ou, talvez, já não tenham como manter aquela função porque não possuem dinheiro para adquirir tais produtos.
É possível que aqueles ambulantes tenham migrado para a triste situação de esmoler, sem perder o espaço que ocupavam antes do Corona.

E eles estão chegando: uns em plano solo, outros, acompanhados da mulher – sei lá se são casados! – uns terceiros com mulher e filhos e ela com filho ao colo.
Em duas agências bancárias, ontem, por volta das 18h, aqui em Balneário Camboriú, e não deve ser diferente o quadro em Florianópolis, em, Blumenau, em Joinville, em Chapecó, ali em Itajaí e na nossa Criciúma: a recepção está sendo feita por pedintes, de ambos os lados da porta de entrada; não há como não vê-los, nem de ignorar a sua presença. E, pior, nenhum deles usando máscara ao rosto.

A quebradeira temida e cantada em prosa e verso está produzindo os seus efeitos. O desemprego graça. O universo dos desempregados cresce em proporção geométrica, dia a dia. Certamente eles procuram alguma função que lhes remunere. Tais funções até existem, mas não há quem os empregue.

Todos somos obrigados a nos alimentar: pobres, ricos, remediados e miseráveis temos um corpo que reclama alimento. 
Alimento custa dinheiro. 
Dinheiro se busca com trabalho. 
Trabalho não há. 
E o dinheiro passou a ser inacessível. 

Resta o quê, a um ser humano faminto?
Ninguém queremos conviver com esse quadro e a presença de um esmoler nos causa desconforto, sempre, em qualquer situação. 
Mas, resta o quê para esses desgraçados que não tem onde cair mortos? Pedir! Implorar. Chamar por Deus e por tudo o que há de mais sagrado: a fome derruba os conceitos, preconceitos e preceitos.  Tudo falece quando a razão diz que está com fome e pede alimento. 
E é apenas isso que eles pedem à porta das agências a que me reportei: comida.

Senhores, a coisa está ficando séria. Não estamos longe de concordar com a máxima que determina: agora é assim: salve-se quem puder!
E que todos comecemos o dia como queremos termina-lo! Bom dia!

 

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 14/05/2020 - 06:59Atualizado em 14/05/2020 - 10:29

Dou sequência buscando, na edição que circulou na semana de 6 a 13 de junho de 1964, do nosso saudoso semanário Tribuna Criciumense, os tópicos de publicações que dão um mergulho no passado e se transformam na Crônica da Cidade de hoje.

Ainda na capa da edição em epígrafe lemos: RENUNCIOU O PREFEITO DE SIDERÓPOLIS – Constitui-se numa surpresa geral, a renúncia do prefeito municipal de Siderópolis, Manoel Minelvina Garcia, no dia 3 de junho. Conforme a carta que aquela autoridade encaminhou à Câmara de Vereadores, sua atitude foi determinada por motivos de ordem estritamente particulares, problemas de sua saúde e de sua família, acrescidos da necessidade de dedicação mais diretamente à sua vida funcional nos quadros da Companhia Siderúrgica Nacional.  O término do mandato do Senhor Minelvina Garcia estava previsto para o mês de outubro. O novo prefeito de Siderópolis é o Senhor Valmor Freccia. Episódios assemelhados ocorriam em muitos municípios deste Brasilzão. Todos por motivos de ordem “estritamente pessoal” – entenda-se recomendação policial-militar: se fosse do PTB, então, as portas escancaravam-se.

NOTA OFICIAL DO COMANDO DO 5º DISTRITO NAVAL – Tendo em vista as explorações que vem sendo feitas em torno de uma reportagem constante do Correio do Povo, fruto de uma conversa do Comandante do 5º Distrito Naval com um repórter daquele Jornal, este Comando declara que as relações com o governo de Santa Catarina tem sido cordiais, como devem ser as relações entre autoridades investidas em funções públicas. Isto não implica, entretanto, em ações de endosso a ações e omissões por parte do governo ou de elementos a ele ligados. O Contra Almirante Murilo Vasco do Valle Silva, Comandante do temido 5º Distrito Naval, assina esta nota que tem vários outros parágrafos. Dá para ler nas entrelinhas que ele segredara, ao repórter, que Celso Ramos, o governador catarinense, estava por um fio, com cassação iminente. Bem que os militares quiseram o seu afastamento. E o Contra Almirante fez esta confidência a um repórter. E deu no que deu: teve que desmentir e isso ajudou na permanência de Celso Ramos governando Santa Catarina.

Esta crônica está no meu blog, no Portal 4oito.com.br. E eu retornarei amanhã. Até lá amigos e um abraço do meu tamanho!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 13/05/2020 - 18:45Atualizado em 14/05/2020 - 10:21

Hoje vou falar de futebol. 

Pretendo falar do Criciúma Esporte Clube, o nosso “Tigre” velho de guerra, que tantas paixões nos têm provocado. Hoje é o dia dele!

Era igual a tantos até que - incrível! - conquistou um campeonato nacional: a Copa Brasil, do ano de 1991. Aí, pensou que era o “tal” e, num processo decadente, foi disputar a terceira divisão do futebol nacional, em 2000 e parece que gostou, pois retornou à série C 20 anos depois.

Tudo começou em 1924, naquele 18 de maio, quando os rapazes da época, Abílio Paulo, Heriberto Hülse, Hercílio Amante, Aníbal Milioli, Hércules Guimarães, Francisco Meller, Adelpho Garbelotto, Basílio Romancini, Julio Gaidzinski, Elias Angeloni, Otávio Minatto, Adolpho Colle e tantos outros, num total de 54 homens, fundavam, numa sala da Cooperativa Vitória, o Mampituba Futebol Clube. 

A rigor, foi o nosso primeiro clube de futebol. Esse clube, num futuro não muito distante, seria transformado na Sociedade Recreativa Mampituba, conhecida de todos nós. Dali pra frente seriam muitos os clubes de futebol distribuídos no território criciumense.

23 anos depois, a 13 de maio de 1947, um grupo de jovens da cidade, entendeu de fundar um clube de futebol. Foram eles: Antenor Longo, Anísio Cardoso, Carlos Augusto Borba, Clemente Hertel, Eddie Barreiros Mello, Hamilton Prates, Hercílio Guimarães, Homero Vergilio Borba, Jacob Della Giustina, João Antunes, João Batista Brígido, José Carlos Medeiros, Jurê João Borba, Lédio Búrigo, Nelson João Garcia, Nicolau Destri Napoleão, Pedro Canarin, Rui Passavante Rovaris, Salestino Ramos, Sinval Rosário Boherer e Zélia Guimarães Machado. Nascia o Comerciário Esporte Clube que, em 1978, sob a liderança do empresário Antenor Angeloni, trocava as cores azul e branco pelo amarelo, preto e branco e se transformava nesse clube que tantas glórias deu ao nosso povo.

A tradição futebolística, que nasceu com o Mampituba, temperada com os grandes Ouro Preto Futebol Clube, São Paulo Futebol Clube, Esporte Clube Metropol, Atlético Operário Futebol Clube, Esporte Clube Próspera e Comerciário Esporte Clube, representada hoje na garra desse grande Criciúma Esporte Clube, haverá de ser honrada com o nosso “Tigre” resgatando o respeito de que sempre foi merecedor.

Evidentemente que estou lembrado que hoje se comemora a abolição da escravatura. Mas este pedaço eu gostaria que não fizesse parte da nossa história. É vergonhoso mencionar que o nosso país cultivou e foi um dos últimos a abolir essa selvageria.

Fico com o Comerciário Esporte Clube, quer dizer, com o Criciúma Esporte Clube, o clube aniversariante.

 

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 13/05/2020 - 13:29Atualizado em 14/05/2020 - 10:29

Busquei, na edição que circulou na semana de 6 a 13 de junho de 1964, do nosso saudoso semanário Tribuna Criciumense, os tópicos de publicações que dão um mergulho no passado e se transformam na Crônica da Cidade de hoje.

SESI EM EXPANSÃO – Continuando suas tarefas e suas finalidades de servir à classe mineira, o Sesi tem instalado postos de abastecimento junto às companhias, favorecendo, assim, seus beneficiários na aquisição de gêneros de primeira necessidade. Criciúma e arredores já contam com diversos desses postos e, agora, atendendo à solicitação dos moradores da Vila Boa Vista e graças ao trabalho e boa vontade dos diretores da mineradora que lhe empresta o nome e, muito em particular, do gerente do Sesi, senhor Moacir Barbieri, aquele povoado também terá o seu posto de abastecimento. O Sesi mantinha uma linha de armazéns que atendia à classe trabalhadora da indústria, de um modo geral. E esses armazéns praticavam, sempre, preços inferiores àqueles da praça sendo, por causa disso, muito procurados pelos operários. Daí merecer notícia de capa a informação de que Barbieri estava inaugurando um novo armazém do Sesi, na Boa Vista.

RESOLUÇÃO Nº 3/64 – A Câmara Municipal de Criciúma, no uso de suas atribuições, etc., e na forma do que estatui o Ato Institucional e seu decreto de regulamentação, objetivando o fiel cumprimento da Lei de Segurança Nacional, resolve: Art. 1º Ficam cassados os mandatos legislativos dos vereadores Abílio dos Santos e José Martinho Luiz, eleitos na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro, para a legislatura de fevereiro de 1963 a fevereiro de 1967. Parágrafo único. Para substituir os vereadores mencionados no presente artigo, serão convocados seus respectivos suplentes, na forma da lei. Art. 2º A culpabilidade dos vereadores referidos no artigo anterior está consubstanciada em documentos fornecidos pelas Forças Armadas, através de Inquérito Policial Militar por elas procedido, constando, ditos documentos, desta resolução. Assinado: Antônio Guglielmi Sobrinho, presidente; Pedro Guidi, Aryovaldo Machado, Fidelis Barato, Tibélio Milaneze, Edgard Cândido da Rosa, Wilmar Peixoto, Fidelis Back e Lafaiete Borba. Aqui erraram em tudo: primeiro, seria um decreto legislativo e não uma resolução; 2º teria que receber apenas as assinaturas do presidente e do secretário; 3º esse inquérito policial militar não produziu documentos capazes de embasar um processo de cassação de mandato; 4º o medo imperava no seio da nossa edilidade.

Eu retornarei amanhã. Até lá amigos e um abraço do meu tamanho!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 12/05/2020 - 10:11Atualizado em 12/05/2020 - 10:16

Ontem recebi um telefonema de uma mãe, angustiada, pedindo ajuda para o seu filhote que, assistindo aulas, em casa, via internet, queria saber por quê este ano é bissexto, o que isso quer dizer?

Ano bissexto: fevereiro com 29 dias.
Por quê?

Eu também, ao tempo da escola de ensino fundamental, ali no meu condado, perguntava por que esse tal de ano bissexto, inclusive porque o nosso colega de turma, o saudoso Dilney Torres, fazia aniversário dia 29 de fevereiro, festejando a data natalícia apenas de quatro em quatro anos. A curiosidade matava.

Certamente há outras pessoas que, com a mesma curiosidade, se perguntam: qual a razão de haver um fevereiro de 29 dias, como ocorreu no fevereiro deste ano?

Então, vamos lá:

São diversos os anos bissextos. De quatro em quatro ano, temos um deles. Foi 2016, é 2020, será 2024, e assim, sucessivamente. 
Foram e serão bissextos os anos múltiplos de 4 e não múltiplos de 100: 2004, 2008, 2012, 2016, 2020, 2024.

Como vemos, 2020 é múltiplo de 4, não é múltiplo de 100 e, ipso facto, se transforma em ano bissexto.
Por que um ano é bissexto?

A razão da existência do ano bissexto é para se corrigir a discrepância entre o ano-calendário convencional e o tempo de translação da Terra em volta do Sol - o ano solar. 

A Terra demora aproximadamente 365,25 dias solares (1 ano trópico) para dar uma volta completa ao redor do Sol, enquanto o ano-calendário comum (por convenção) tem 365 dias solares. Portanto, sobram aproximadamente seis horas (0,25 dia) a cada ano solar. 

Essas seis horas excedentes ficam como que guardadas, estocadas e, a cada quatro anos, somadas, adicionadas ao calendário na forma de um dia (4 x 6h = 1 dia). Este dia extra é incluído no mês de fevereiro, que terá - então - 29 dias.

Finalmente um comentário sem a praga do século: o coronavirus!

E que todos comecemos o dia como queremos termina-lo! Bom dia!

 

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 12/05/2020 - 06:59

Busquei, na edição que circulou na semana de 30 de maio a 6 de junho de 1964, do nosso saudoso semanário Tribuna Criciumense, os tópicos de publicações que dão um mergulho no passado e se transformam na Crônica da Cidade de hoje.

BR 59 – A BR-59 poderá ter suas obras reiniciadas e ser concluída em breve graças aos esforços que vem desenvolvendo, na Câmara Federal, a bancada catarinense. No dia 20, da semana que passou, o deputado Diomício Freitas fez um apelo ao ministro Juarez Távora para que aquela autoridade não deixe a construção da BR-59 sofrer solução de continuidade, evitando grandes prejuízos ao erário público. Mas, em que pese o esforço do deputado Diomício Freitas e da própria bancada catarinense, a BR só seria inaugurada em 1970, já com a atual nomenclatura: BR-101.

ALMIRANTE VAI VENDER A MUSICOTECA – Não há quem não conheça Henrique Foréis, o Almirante, consagrado compositor da música popular brasileira. Pois o Almirante, agora, vai vender, ao governo da Guanabara, por 35 milhões de cruzeiros, o seu arquivo musical iniciado em 1930, único no gênero na América do Sul. O acervo musical compilado pelo artista, compreende 50 mil partituras catalogadas e outras 80 das quais ainda não possui fichas, três mil discos – alguns raríssimos -, biblioteca sobre a música popular brasileira, assim como informações sobre artistas do passado. A única exigência de Almirante, ao aceitar a oferta do governo, foi de que, enquanto for vivo, ele próprio cuide da musicoteca.

INTERNACIONAL PAGA DEZ MILHÕES POR IDEZIO – Os dirigentes do clube gaúcho voltaram a insistir junto ao alto comando do tricampeão, tentando, mais uma vez, a aquisição do comandante Idézio. O Internacional chegou a oferecer a soma de dez milhões de cruzeiros pelo avante e, partindo do patrono Dite Freitas, a resposta foi negativa, recusando, o Metropol, o bom dinheiro ofertado pelo clube rubro dos pampas. Idézio não vai para os Eucaliptos. Idézio foi adquirido pelo Metropol, junto ao Marcilio Dias de Itajaí. E se consagrou no clube alviverde da Metropolitana passando a ser cobiçado por grandes agremiações do futebol nacional. Dite Freitas, todavia, teimava em não ceder às pressões e o artilheiro Idézio permaneceu no Euvaldo Lodi. E já que falamos do Metropol, nessa edição há mais uma nota a seu respeito: BÓRIS NO METROPOL – O tricampeão catarinense de futebol estuda a contratação do ponteiro Bóris, do E. C. Guatá. O assunto estará resolvido na próxima semana. Mas do Guatá?

E eu retornarei amanhã. Até lá amigos e um abraço do meu tamanho!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 11/05/2020 - 10:39Atualizado em 11/05/2020 - 10:43

Durante os primeiros dias de fevereiro uma pálida notícia dava conta de que um vírus estava matando no interior da China. E nós dissemos: e daí?
E daí que, alguns dias passados, a notícia tomou outro tom: esse vírus que está matando na China poderá ser exportado para outras partes do mundo. E nós dissemos: isto é lá para os asiáticos.

Antes de terminar o mês, a Itália botava a boca no trombone para reclamar o número crescente de pessoas que morria, diariamente. E nós dissemos: isso é lá com os italianos; há um oceano de 10 mil quilômetros a nos separar.

E o mês chegava ao fim com a notícia de que, no Brasil, em São Paulo, aquele vírus mal vindo, fazia a primeira vítima brasileira. E nós dissemos: Opa, a coisa está ficando danada!

E a mídia dava a enfadonha notícia: essa praga vai matar muita gente e estará em nosso meio até o mês de abril, com certeza. E nós duvidamos.

E o ministro da Saúde nos mandou ficar em casa, mandamento este repicado pelo nosso governador e pelo nosso prefeito: e, já no dia seguinte, as vias públicas esvaziaram. O medo generalizou e começamos a ver, muito amiúde, pessoas transitando usando uma máscara. Mas poucos dávamos fé de que aquela pandemia pudesse durar até meados de abril.

E o que será do comércio?
E o que será da indústria?
E o que será do taxista? E do restaurante? E da Livraria? E do barbeiro? E do feirante? E da padaria? E da escola? E de tudo?

Pois o comércio fechou, a indústria parou, o taxista foi pra casa, o restaurante fechou e tudo parou. E daí concluímos: se tudo parou, o empregado será despedido. E o empregado foi despedido, pois não havia trabalho para o empregado trabalhar. 

E os brasileiros começamos a nos acostumar com a paralisia geral e a nos perguntar: e agora? Como retomar as atividades? Há casos e casos de comerciantes que já fecharam seus negócios, de indústrias que estão parando, de inadimplências se sucedendo.

E aí voltamos a ouvir: terminará ao final de abril, os ônibus voltarão a rodar, as escolas a receber seus alunos, os restaurantes alimentando seus comensais costumeiros, a turma se reunindo na praça, enfim, ao final de abril tudo voltará à normalidade. Até os governantes nos emprenhavam os ouvidos com a fixação de datas para o retorno às atividades. 

E o governante foi se autodesmentido e adiando a abertura - Deus sabe pra quando - abril foi embora, já estamos entrando na segunda dezena de maio e as perspectivas continuam sombrias.

A desinformação foi o ponto alto dessa quarentena que deixou de ser quarentena e se transforma em semestrena e ninguém sabe quando vai parar. 

O desencontro de ordens e informações até se justifica: por mais que qualquer país quisesse resolver o problema a verdade é que nenhum deles, nem ninguém, estava – ou está – preparado para enfrentar uma pandemia desse tamanho.

A contabilidade do estrago é tão imensurável que somente o tempo dirá qual terá sido o tamanho do prejuízo.

E a infodemia que atormenta a cada um de nós, diuturnamente, eivada de informações de médicos e médicos, de cientistas e cientistas, de políticos e políticos, de curiosos e curiosos parece que já está mais robusta do que a própria pandemia causadora desse caos, não imaginável até o fechamento do ano da graça de 2019.

Dio Madonna, se pelo menos soubéssemos até quando!
E que todos comecemos o dia como queremos termina-lo! Bom dia!

 

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 11/05/2020 - 07:03

Busquei, na edição que circulou na semana de 22 a 30 de maio de 1964, do nosso saudoso semanário Tribuna Criciumense, os tópicos de publicações que dão um mergulho no passado e se transformam na Crônica da Cidade de hoje. E vou direto à página de esportes, de responsabilidade do nosso saudoso colega de trabalho Milioli Neto. E ele escreveu: OSVALDO ROLLA – O Diretor de Futebol do Comerciário, Osvaldo Souza, que esteve na quinta-feira passada em Porto Alegre, com o objetivo de contratar um treinador, regressou depois de deixar entabulada séria conversa com Foguinho que, recentemente, deixou o Cruzeiro da capital gaúcha. O antigo treinador, no Grêmio, ficou de aparecer em Criciúma e é esperado hoje, pela direção do ‘mais querido’. Se Foguinho não chegar hoje não virá mais, foi o que nos adiantou o Diretor. Nesse caso Ipojucan é o nome que poderá ser contratado.

Na edição seguinte, que circulou na semana de 30 de maio a 6 de junho de 1964, Tribuna Criciumense publicou na capa: DESBARATADA QUADRILHA DE LADRÕES DE AUTOMÓVEIS – Está em vias de ser solucionado, pela polícia criciumense, o problema dos furtos de automóveis, uma vez que as autoridades policiais, em diligência realizada quarta-feira à noite, conseguiram deter vários suspeitos e, em investigações posteriores, provavelmente conseguirão desbaratar essa verdadeira gang que age em nossa região. A diligência, que esteve sob o comando do delegado regional, Dr. Helvidio de Castro Velloso Filho e o Comissário Vilmor, contou com a participação do sargento Quintino, dos soldados Moacir, Laércio, Lauro, Joãozinho, da Polícia Militar, e do Cabo Cleomar, e soldados Maurício, Arnaldo e Damiani, do Exército e visitou as cidades de Araranguá e Meleiro. E a reportagem dá conta de que três funcionários públicos estaduais estariam envolvidos no roubo de mais de trinta automóveis. Em Araranguá foram detidas três pessoas.

JUSCELINO CASSADO – O senador Juscelino Kubitschek, a propósito de notícias afirmando sua disposição de retirar sua candidatura à presidência da República, prestou, à imprensa, a seguinte declaração: “Só deixarei de ser candidato pela morte ou pela violência prepotente. Nada tenho a retirar porque a candidatura não me pertence. Representa, ela, neste momento, a própria sobrevivência da democracia. Não me estão visando, mas apenas ao candidato. Confio em que toda esta onda de notícias não passe de guerra de nervos. Mas estou sereno e tranquilo para enfrentar o que for”. O ministro da Guerra, General Costa e Silva, ao desembarcar no aeroporto Santos Dumont, de regresso de São Paulo, declarou: “O Senhor Juscelino faz lembrar o discurso de João Goulart, do dia 30 de março último, como um desabafo em desespero de causa”.

E eu retornarei amanhã! Até lá amigos e um abraço do meu tamanho!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 08/05/2020 - 10:37Atualizado em 08/05/2020 - 10:41

Ontem, dissecando o episódio de depoimento à Polícia Federal, do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, falei da fábula de Isopo que tem como desfecho: a montanha pariu um rato. E eu prometia adentrar num outro episódio que fez e está fazendo a ordem do dia dos acontecimentos políticos de Santa Catarina.

Não vou mais citar o triste episódio daquela compra macabra de respiradores artificiais pelos quais o Estado pagou 33 milhões de reais, antecipadamente, a uma empresa desconhecida, de endereço muito suspeito, e que – até ontem – ainda não havia entregue a mercadoria adquirida.

No bate-boca envolvendo as três personagens principais, os secretários da Saúde, da Casa Civil e a servidora chefe do setor específico na secretaria da Saúde, ficou patente o amadorismo de seus operadores em uma ação eivada de crassos erros. Chefiar um governo não é tarefa para amadorista e isto ficou bem patente no episódio em tela. Parto do pressuposto de que a boa-fé tenha animados o secretários e a servidora. Imagino que a figura da propina passou à distância.

Cesar Augusto, o imperador romano, 62 anos antes de Cristo, ao condenar a sua própria mulher, foi categórico: à mulher de Cesar, não basta ser honesta, precisa parecer honesta.

E isto ficou faltando nas mútuas acusações envolvendo os personagens em epígrafe.

Mostra a falta de comando, a falta de uma pessoa que fale com altivez, com conhecimento e que diga: no meu governo qualquer secretário e/ou servidor não basta ser honesto, precisa mostrar, aparentar que é honesto.

E sou obrigado a retornar à campanha eleitoral de outubro de 2018, quando um desconhecido coronel da reserva, do Corpo de Bombeiros, emprestou seu nome para o ‘sacrifício’ de completar uma chapa de um inexpressivo partido político e disputar a chefia do governo do Estado barriga-verde. Evidentemente que aproveitava o embalo da gigantesca onda da renovação advogada por Jair Bolsonaro, na qual foi eleito. Qualquer um o seria.

Um de seus adversários – que, com ele, disputou o segundo turno, Gelson Merisio - num dos derradeiros programas de televisão, foi enfático em lembrar um provável risco e falou mais ou menos assim: Imaginemos que estamos voando numa grande aeronave e que, de repente, somos informados que o comandante do avião é um curioso que não conhece a tecnologia da aviação. Na primeira tempestade, o avião cairá – com certeza. E sua tripulação e passageiros morrerão.

Merisio quis dizer que política é para políticos e que seria um risco grande apostar no coronel da reserva do Corpo de Bombeiros. Santa Catarina, imediatamente, sentiria a falta da experiência própria dos que fazem política diuturnamente.

Pelo andar da carruagem, Merisio estava com a razão. Os catarinenses apostamos errado. O piloto desconhece as variações das condições climáticas e suas turbulências e falece de conhecimento ao uso da alavanca que desliza para frente e para trás, usada para controlar e comandar uma aeronave, especialmente em manobras de descida e subida, o manche.

Acho até que fora apenas uma figura de linguagem, do Merisio: nem ele imaginou que seria tão assim...
Piloto que desconhece a utilidade do manche é suicida e assassino: mata a si próprio e aos seus passageiros.

A passagem de Moisés pela chefia do Poder Executivo catarinense é pífia, não sabendo encarnar a primeira das virtudes de um bom político: a humildade. Se não sabe, pergunta. Se não há, ao redor, a quem perguntar, busque esse alguém no universo que governa.
Mas isso é predicado dos grandes!

Arrisco a afirmar que, Carlos Moisés, quando descobrir que sentou-se à cadeira de Lauro Severiano Müller, quando a ficha cair e ele se der conta de que já foi nosso governador, tomará um susto.

E que todos comecemos o dia como queremos termina-lo! Bom dia!

 

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 07/05/2020 - 11:07Atualizado em 07/05/2020 - 11:58

In primo loco, um beijo na Clara, minha segunda bisneta, nascida na madrugada passada, filha da Mari e do Felipe. Sê bem vinda a este vale de lágrimas, menina bonita do biso!

E a montanha pariu um camundongo raquítico!

Para os que queríamos emoções fortes, as temos de sobra – nos últimos dias.

Comecemos pelo episódio da exoneração de Sérgio Moro, do ministério da Justiça e Segurança Pública. Chamou a imprensa, deixou o Brasil na expectativa e sugeriu que o presidente lhe exigira a substituição do diretor geral da Polícia Federal deixando, nas entre linhas, a impressão de que Bolsonaro queria conhecer os meandros das investigações da poderosa PF, para o seu próprio interesse, ou interesse da família. O caso foi pro Supremo que, por mandamento de seu decano, chamou Sérgio Moro a depor à própria Polícia Federal para esmiuçar o que afirmara aos jornalistas alguns dias atrás.

Moro foi à sede da Polícia Federal, em Curitiba, mesmo local que o notabilizou em nível mundial, ao proferir as sentenças condenatórias de políticos e empresários nunca dantes imaginados em corrupção e ladrões do nosso dinheiro. Condenou e mandou o poderoso ex-presidente Lula para o xadrez. Agora estava ali, na mesma sala onde ouvia as oitivas de muitos réus, para prestar os seus esclarecimentos, o seu depoimento.

E o Brasil, escutando as emissoras de rádio, sintonizado nos canais de televisão, à espera do depoimento do ex-ministro.

E ele falou. Mais de oito horas. E terminou como na fábula de Isopo que, numa de suas criações, simulou a gravidez de uma montanha de onde se esperava um filho proporcional ao seu tamanho, mas, na hora que a montanha dava à luz, no meio de gemidos medonhos, e expectativa geral, ela pariu um rato.

A expectativa foi frustrada. Imaginava-se uma avalanche de denúncias acompanhadas das respectivas provas e o que se viu foram declarações que precisaram ser interpretadas por terceiros, eivadas de evasivas. Em outras palavras: a montanha pariu um ridículo camundongo.

E, entre uma audiência e outra na Suprema Corte, entre dois ou três discursos nas duas casas do Congresso, entre uma e outra edições do Diário Oficial da União, entre a língua solta do presidente contra jornalistas de conhecido canal de televisão, imagens de cemitérios sepultando gente por atacado e a pandemia do coronavirus, carregada de infodemia, Santa Catarina entra na pauta como o segundo episódio das grandes emoções dos últimos dias. 

Este, todavia, será dissecado na edição de amanhã.

Fiquemos com a montanha que pariu um minúsculo e raquítico camundongo.

E que todos comecemos o dia como queremos termina-lo! Bom dia!

 

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 07/05/2020 - 07:16

Busquei, na edição que circulou na semana de 23 a 30 de maio de 1964, do nosso saudoso semanário Tribuna Criciumense, os tópicos de publicações que dão um mergulho no passado e se transformam na Crônica da Cidade de hoje.

SUPERINTENDENTE DO BNDE NA REGIÃO CARBONÍFERA – O Dr. Sebastião Neto Campos, presidente do Sindicato dos Mineradores, dirigiu, ao Dr. Genivaldo dos Santos, superintendente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, convite oficial para conhecer a zona carbonífera de Santa Catarina. Idêntico convite também foi formulado pelos cinco presidentes dos cinco sindicatos de mineiros bem como pelo presidente da Sotelca.

FORQUILHINHA: ILUMINAÇÃO A MERCÚRIO – A Avenida 25 de Julho e a Rua João José Back vão mesmo receber iluminação a mercúrio, prometida pelo prefeito Arlindo Junkes. Informações obtidas pelo senhor Intendente nos dão conta de que já se acha em seu poder parte do material para aquele fim e que, até o dia 25 de julho, todo o trabalho estará realizado e a obra pronta para ser inaugurada.

VIAGEM DE AVIÃO É LUXO – Desde o último sábado as passagens aéreas, domésticas, estão com um novo valor. O aumento das tarifas foi de 50% para todo o território nacional. Assim, a passagem de ida-e-volta, de Criciúma a Florianópolis, está custando Cr$ 9.920,00.  Criciúma a Porto Alegre, Cr$ 18.470,00. Criciúma a São Paulo, Cr$ 43.910,00. Decididamente, viajar de avião tornou-se um luxo que só poucos poder ao usufruir.

MOSTEIRO SERÁ CONSTRUÍDO EM FORQUILHINHA – A Ordem das Irmãs Clarissas fará construir um mosteiro no distrito de Forquilhinha, único no estado de Santa Catarina. O local foi escolhido pelo bispo diocesano. O terreno já foi escolhido e visitado por um engenheiro, do Rio de Janeiro, sendo que, em breve, será iniciada a construção. Deve-se lembrar que a Ordem das Clarissas leva uma vida de completa reclusão e só possui conventos em São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

COMERCIAL DA EDIÇÃO – Adquira sua lambreta, em ótimas condições de pagamento, na Santa Fé Comércio e Indústria revendedor autorizado para esta praça. Rua João Pessoa, 22, Galeria Benjamin Bristot.

CINEMA – HOJE E AMANHÃ NOS CINES ROVARIS E MILANEZ – O GRANDE MOTIM – A maior e mais fascinante

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 06/05/2020 - 11:13Atualizado em 06/05/2020 - 11:16

Faz poucos dias e falei da facilidade de corromper um processo licitatório em tempo de regime de emergência. Falei do processo que poderá apear do governo o comandante Moises, o caso dos 33 milhões. Cheguei a dizer que ainda não conhecíamos nada nos âmbitos da União e do Município.

Pois foi só falar e a encrenca emergiu. Na prefeitura - do “prefeito que dá jeito” - andaram apressando processos de contratação, mas disso me ocuparei oportunamente.

Meu caro Dênis:

Começou como um surto, passou para epidemia e alcançou o patamar de pandemia e deixou, no rastro, outras nomenclaturas que despertaram e despertam nossa curiosidade.

Tenho ouvido os médicos Renato Matos e Avani Nunes falarem, diariamente, sobre o Covid-19, e citarem tais designações: eles, volta e meia, se reportam a surto, epidemia, endemia, pandemia e, agora, aparece a Infodemia e embaralha, ainda mais, o nosso conhecimento, quase elementar, sobre essa matéria.

Imagino que a minha dificuldade em conhecer cada uma dessas situações seja igual ou superior à do meu prezado ouvinte, e – como o que abunda não prejudica – fui buscar suas explicações, no Dr. Google, e as trago para a grande legião de ouvintes que nos dá o privilégio da audiência.

Vejamos:

Surto – Lembremos a nossa infância: volta e meia aparecia um “andaço de piolho” ou “de sarna” que chegava a suspender as aulas por dois, três dias, para que o problema desaparecesse. Esse andaço era o Surto, que acontece quando há um aumento inesperado do número de casos de determinada doença em uma região específica, num bairro específico. Em algumas cidades, a dengue, por exemplo, é tratada como um surto e não como uma epidemia, pois acontece somente ali. Esse surto aí, dos piolhos, é chamado de Pediculose e, o da sarna, de Escabiose.

Agora, se esse surto passar a ocorrer em vários bairros atingindo praticamente todo o território municipal, ele tomará o nome de Epidemia. Seria uma epidemia municipal. Se atingir vários municípios, será uma epidemia estadual, ou poderá se transformar numa Epidemia.

A epidemia em nível municipal é aquela que ocorre quando diversos bairros apresentam certa doença; em nível estadual ocorre quando diversas cidades registram casos iguais; e em nível nacional, quando a doença ocorre em diferentes regiões do país. 

A endemia não está relacionada a uma questão quantitativa. É uma doença que se manifesta com frequência e somente em determinada região, de causa local. A Febre Amarela, por exemplo, é considerada uma doença endêmica da região norte do Brasil.

Praticamente ausente aqui na Região Sul.

A pandemia, em uma escala de gravidade, é o pior dos cenários. Ela acontece quando uma epidemia se estende em níveis mundiais, ou seja, se espalha por diversas regiões do Planeta Terra. Em 2009, a gripe A (ou gripe suína) passou de uma epidemia para uma pandemia quando a Organização Mundial da Saúde começou a registrar casos nos seis continentes do mundo. E, em 11 de março de 2020, o COVID-19 também passou de epidemia para uma pandemia, que é esta praga que está mandando todo mundo ficar em casa.

E agora, se já não bastassem essas... demais em abundância, aparece a Infodemia.

O que é a infodemia? 

Com os surtos, epidemias, endemias e pandemias, sofremos uma chuva de informações: notícias falsas e verdadeiras se misturam e surgem a cada minuto, causando profunda desinformação e uma sensação de pânico terrível. É difícil entender quais medos são racionais e o que é pânico. A sensação que vivemos é cunhada como “infodemia“: a quantidade absurda de informações na mídia que nos deixa terrivelmente aflitos e o pânico desmesurado se instala na população.

Era isso!

E que todos comecemos o dia como queremos termina-lo! Bom dia!

 

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 06/05/2020 - 06:55

Busquei, na edição que circulou na semana de 9 a 16 de maio de 1964, do nosso saudoso semanário Tribuna Criciumense, os tópicos de publicações que dão um mergulho no passado e se transformam na Crônica da Cidade de hoje.

DELEGACIA DA SUNAB EM CRICIÚMA – Reunidos em nossa cidade, na semana que passou, Sindicatos Operários, órgãos de classe, entidades civis decidiram dar apoio ao governo na solução do problema do congelamento de preços. Na ocasião as entidades autorizaram os senhores Raul Clemente Pereira e José Antônio Gonçalves, respectivamente, presidentes do Sindicato dos Metalúrgicos e da Construção e Mobiliário de Criciúma, a representa-los, em Florianópolis, onde entrariam em contato com as autoridades da Sunab objetivando a instalação, em nossa cidade, de uma delegacia do referido órgão. A Sunab era a sigla da Superintendência Nacional do Abastecimento que monitorava os preços dos gêneros alimentícios em todo o país.

MINEIROS DISCUTEM AUMENTO SALARIAL – Atendendo solicitação do ministro do Trabalho, Arnaldo Sussekind, realizou-se, na quinta-feira passada uma reunião, no Sindicato dos Mineiros, com as presenças de todos os presidentes dos Sindicatos da região carbonífera catarinense, visando o aumento salarial de todas as categorias profissionais da mineração de carvão, uma vez que o convênio anterior já se encontra expirado. Passou a ser assim, negociação amigável, nem se falava mais em greve.

E alcançamos a edição de Tribuna Criciumense que circulou na semana de 23 a 30 de maio de 1964 que trouxe, na cabeça de capa: MINEIROS – NOVO AUMENTO – Trazendo boas notícias para os trabalhadores do carvão, regressou, da Guanabara, o Dr. Sebastião Neto Campos, presidente do Sindicato dos Mineradores. O Conselho do Plano do Carvão Nacional, em suas reuniões de quinta e sexta-feira últimas, resolveu dar cobertura de um aumento geral de 35% sobre os atuais salários, a partir de junho.

EM CRICIÚMA O GENERAL DARIO COELHO – O comandante da Quinta Região Militar, com sede em Curitiba, General Dario Coelho, esteve em visita a Criciúma na última terça-feira, aqui chegando em avião especial da Força Aérea Brasileira. Do aeroporto o General dirigiu-se diretamente ao Sindicato dos Mineradores onde se reuniu com as classes produtoras do município.  Ao meio dia o prefeito Arlindo Junkes homenageou o militar e sua comitiva com um almoço no Restaurante Capri. No início da tarde o Comandante empreendeu viagem à cidade de Joinville.

E eu retornarei amanhã. Até lá amigos e um abraço do meu tamanho

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 05/05/2020 - 10:23Atualizado em 05/05/2020 - 10:25

Profetas do bem e do mal, psicólogos consagrados e não, sociólogos de todos os gêneros, papas do mundo empresarial, católicos e ortodoxos, pastores e pecadores, todos, ao seu lugar, afirmam que o momento seguinte à passagem desta praga chamada Coronavirus, será uma catástrofe. No exagero, afirmam que não sobrará pedra sobre pedra.

Evidentemente que cada um possui a sua imaginação e, em cima dela, pronuncia o seu pensamento.

Claro que um novo tempo se avizinha.

Está mais do que claro que muitos fenômenos nos aguardam no pós corona.

A quebradeira poderá não ter a dimensão do que já se imaginou, mas não estamos escapes dela. O medo generalizado é o pior sentimento que poderíamos esposar. O medo!  E quem não o temos?

Neste confinamento o que não falta é conjecturar: passada a praga eu farei isso, farei aquilo, melhorarei aqui, ali, não farei mais isso. E, em muitos casos: vou sair desta, vou me reerguer, darei a volta por cima. Tudo, todavia, acompanhado pelo medo. Aqui estão os desempregados, os que desempregaram, os estabelecidos sem condições de pagar seus compromissos, os que estão caindo, os que caíram. Aqui estão os que estão borrados de medo.

O dia seguinte ou o tempo seguinte amedronta. Mas vamos nos lembrar de tuas coisas: a primeira, cair faz parte da aposta do sucesso e só se levanta quem cai. A segunda: não há como voltar atrás, temos que ir em frente. E o levantar depende exclusivamente de nós, não cai do céu. O medo há que dar lugar à coragem, afinal, somos todos inteligentes e capazes.

Osho, o filósofo hindu, na sua composição literária, O RIO E O OCEANO nos diz alto e bom som e esta se transforma numa injeção de ânimo aos medrosos. Ele narra:

Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano ele treme de medo. Olha para trás, para toda a jornada, os cumes, as montanhas, 
o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos
povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar
nele nada mais é do que desaparecer para sempre.
Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar.
Ninguém pode voltar. 
Voltar é impossível na existência. Você pode apenas ir em frente.
O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.
E somente quando ele entra no oceano é que o medo
desaparece.
Porque - apenas então - o rio saberá que não se trata de
desaparecer no oceano, mas tornar-se oceano.
Por um lado é desaparecimento e por outro lado é
renascimento.
Assim somos nós.
Só podemos ir em frente e arriscar.
Coragem! Avance firme e torne-se Oceano!

Com certeza haveremos de nos encontrar nos novos tempos impostos por essa maldita praga que acaba de cingir o ciclo de nossa existência dividindo-o em dois períodos: antes do Covid-19 e depois do Covd-19. Este é o oceano que nos aguarda aí na frente.

Ninguém é tão fraco que não possa proclamar, alto e bom som: eu reagi, eu me reanimei, sacudi o medo, eu venci, estou vivo, meus negócios recomeçaram. Não desapareci na crise, mas me reoxigenei e me tornei mais forte do que antes. Como disse o filósofo da Índia, tornei-me oceano.

E que todos comecemos o dia como queremos termina-lo! Bom dia!

 

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 05/05/2020 - 07:13

Busquei, na edição que circulou na semana de 2 a 9 de maio de 1964, do nosso saudoso semanário Tribuna Criciumense, os tópicos de publicações que dão um mergulho no passado e se transformam na Crônica da Cidade de hoje.

TRIBUNA COMEMORA SEU DÉCIMO ANIVERSÁRIO – E, com direito a um clichê com a foto da capa da primeira edição, Brigite Gorini Lienert, então diretora, descrevia os dez anos passados do nosso principal jornal semanário. As campanhas, as bandeiras, as notícias, o compromisso com o progresso de Criciúma descritos pela ilustre jornalista num editorial extenso. E o compromisso de fazer circular, em que pesem as dificuldades, o nosso Jornal semanalmente. A página três, e parte da página seis, foram ocupadas por matéria assinada por José Pimentel, fundador do hebdomadário aniversariante que fez um relatório, ano a ano, da vida do nosso Tribuna Criciumense.

FRISULCA CÉLERE NO CAMINHO DA CONCRETIZAÇÃO – Está aprestes a ser iniciada a construção, em Forquilhinha, de um dos maiores e mais modernos frigoríficos do país. Trata-se do Frigorífico Sul Catarinense – Frisulca. Para tanto, o local e o anteprojeto do mesmo, já foram aprovados pelo ministério da Agricultura. A terraplenagem já foi executada pela prefeitura municipal de Criciúma, o projeto definitivo está pronto e o início das obras em breve. 

ELEIÇÕES EM RIO MAINA – Será efetuada, dias 4 e 5, a eleição para a nova diretoria do Sindicato dos Mineiros de Rio Maina. As chapas estão sendo encabeçadas pelos senhores Juventino M. Honorato, pela chapa oficial, e por José Andrade, pela chapa oposicionista.

CAMPEONATO ESTADUAL DE FUTEBOL – ESTATÍSTICAS – JOGOS EFETUADOS: 45 partidas com 149 gols marcados. ATAQUE MAIS POSITIVO – Metropol, com 26 gols seguido pelo Barroso, com 15 tentos. ATAQUE MENOS POSITIVO: Atlético Operário com 4, seguido de Avaí e Minerasil, com 6. DEFESA MENOS VASADA – Hercílio e Barroso com 2, seguidos por Atlético Operário, com 4 gols. DEFESA MAIS VASADA: Postal Telegráfico com 18 gols seguido de Guatá e Urussanga com 16. ARTILHEIROS DO CAMPEONATO: 1º Idésio, do Metropol, com 8 gols, seguido por Boca, do Ferroviário, que assinalou 6 vezes.

E eu retornarei amnhã, dia 4 de maio. Até lá amigos e um abraço do meu tamanho

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 04/05/2020 - 10:29Atualizado em 04/05/2020 - 10:31

In primo loco meus cumprimentos especiais ao 28 GAC que, hoje, completa mais um ano de existência. Aos oficiais, aspirantes, soldados e, especialmente, ao comandante Coronel Brito Júnior, meus respeitosos cumprimentos.

A praga que se abateu sobre a humanidade levou muitos países, através de seus respectivos governantes, a declarar estado de emergência. E o Brasil se insere em tal contexto desde o dia 4 de fevereiro quando, reconhecida e oficialmente, se proclamou vítima desse pandemia que se abate sobre o mundo.

E os brasileiros perguntamos: o que vem a ser o Estado de Emergência?

O estado de emergência é um termo usado em situações extraordinárias e têm de ser declarada pelo governo, face à uma ameaça direta que pode causar instabilidade no país, em casos de desastres naturais, crises financeiras ou econômicas, situações de guerra ou epidemias, como é o caso do novo coronavírus.

O governo federal fez tal declaração no dia 4 de março. O governador Moisés, no dia 17 de março e o prefeito de Criciúma, no dia 18 de março. Estamos sendo governados, excepcionalmente, no regime de estado de emergência.

Ao declarar estado de emergência, o ente federativo pode manusear o seu orçamento fiscal objetivando enfrentar o mal que ocasionou esse estado extraordinário, sacrificando projetos e metas estabelecidos para outros setores, naquele período.

Por exemplo: a obrigação de licitar despesas para aquisições, serviços e obras, é dispensada. O ordenador da despesa pode autorizar tais compras e serviços sem buscar, no mercado local, regional ou nacional, os melhores preços para aquele determinado objeto. E isto é perigoso.

Diz o adágio que “a ocasião faz o ladrão” e dizia Konder Reis que “a permissividade é a ante sala da corrupção”.

Em tempo normal, temos ouvido com muita frequência, que processos licitatórios são viciados por protegerem alguns concorrentes formalizando as exigências, de tal sorte, que apenas aquela determinada empresa poderá participar. E essa empresa o faz superfaturando o valor do objeto da licitação. Aí se conclui: se em tempo normal, obediente à legislação e à fiscalização interna e de tribunais, já há vícios nesses processos, imaginemos o que poderá ocorrer se, para fazer iguais despesas, fique dispensado o tal processo de licitação!

Nos planos federal e municipal, não se tem notícia de que tal procedimento tenha se desvirtuado, mas olhemos o que fez a secretaria da Saúde do governo o Estado. Tudo o que se relaciona ao processo, desde a seleção do fornecedor, o seu endereço, a sua capacidade técnica, o valor, o prazo de entrega e o pagamento, foi tudo errado e, pelo que nos diz a mídia, desonestamente errado.

E já havia um precedente: a construção do hospital de campanha de Itajaí, às custas do governo estadual. Ali o sinal já fora avançado escandalosamente e, certamente não teria ocorrido se obedecidos os preceitos legais que regulam as licitações. Agora, essa compra de 33 milhões de reais, com pagamento antecipado, sem a entrega da mercadoria adquirida. Não é um fato grave. É gravíssimo e os catarinenses esperamos uma explicação convincente por parte do governo do estado ainda que através da secretaria da Saúde.

“À mulher de  Cesar não basta ser honesta, tem que parecer honesta”, A estória é bastante conhecida e foi pronunciada pelo próprio Imperador Júlio Cesar, no ano 62 a.C. “A mulher de César deve estar acima de qualquer suspeita” e este provérbio se encaixa nessa história maluca patrocinada pela secretaria da Saúde que pagou 33 milhões de reais por uma aquisição suspeita, de uma empresa suspeita, de endereço suspeito, de capacidade técnica suspeita, e sem receber o material adquirido. A explicação há que ser convincente o suficiente a evitar processo indesejado pelo governador junto à Assembleia Legislativa.

E que todos comecemos o dia como queremos termina-lo! Bom dia!

 

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 04/05/2020 - 07:05

Busquei, na edição que circulou na semana de 25 de abril a 2 de maio de 1964, do nosso saudoso semanário Tribuna Criciumense, os tópicos de publicações que dão um mergulho no passado e se transformam na Crônica da Cidade de hoje, falando de futebol:

HERCILIO GARANTIU A PONTA – Sete jogos movimentaram o extra de profissionais na sua sexta rodada. Comerciário perdeu a vice-liderança e o Metropol venceu o Avaí enquanto o Atlético empatou em Urussanga. Este era o ‘olho’ da notícia cuja manchete está aí em destaque. Depois, Milioli Neto, diretor da página esportiva, disse: ATLÉTICO EMPATOU -    na capital do vinho, o Rolo Compressor, que fora em busca da reabilitação, conseguiu resultado dos mais satisfatórios. O time da Vila, em jornada regular, sofreu o tento de empate aos 41 minutos do tempo final. Sua defesa jogou sério e Catito esteve numa grande tarde. Aldo marcou para os atleticanos e Maneca para os uruçanguenses. O Atlético formou com Catito, Eromi, Monge, Zequinha e Foguinho; Rui e Ari Neves; Paulinho, Aldo e Peixe. O Urussanga, com Sandrini, Elmo, Gilberto (Antoninho), Gibi e João Paulo; Carlinhos e Valmir; Célio, Maneca, Bibi e Evaldo. METROPOL GOLEOU – O Metropol aplicou a goleado de 5 a zero sobre o Avaí. Idésio, 2, Chico Preto, Galego e Arlindo marcaram para o Metropol que jogou assim: Dorni, Motini, Amilton (Zé Eduardo), Paulo Souza (Hamilton) e Tenente; Chico Preto e Nadir; Calita, Arildo, Idézio e Galego. COMERCIÁRIO DECEPCIONOU – Jogou contra o Figueirense e não foi além de um empate em um tento, assinalado por Nivaldo. Para os florianopolitanos marcou Ronaldo. HERCILIO 3 A ZERO NO MINERASIL – Marcaram Leonel, Tarcísio e Gonzaga. FERROVIÁRIO 4 X 1 GUATÁ – O jogo foi nas Oficinas, em Tubarão. Marcaram para o Ferrinho: Boca, duas vezes, Brasinha e J. Sorato. BARROSO 1 X 0 NO POSTAL – Fantoni, o autor do único gol. IMBITUBA DERROTADO EM ITAJAÍ – Jogando contra o Marcilio Dias, o Atlético de Imbituba perdeu por 3 x 2.

CLASSIFICAÇÃO DO CAMPEONATO ESTADUAL, por pontos perdidos: Hercílio Luz, em 1º, com 2 pp; seguem: Metropol e Barroso, em segundo, com 3 pp; Comerciário, com 4; Marcilio  Dias e Ferroviário, com 5; Urussanga com 6; Atlético, Avaí e Guatá, com 7 pp; em 7º Postal Telegráfico e Figueirense, com 8pp; em 8º o Minerasil, com 9 e, em 9º e último lugar o Imbituba com 10 pontos perdidos.

E eu retornarei amanhã. Até lá amigos e um abraço do meu tamanho!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 30/04/2020 - 12:35

Busquei, na edição que circulou na semana de 2 a 9 de maio de 1964, do nosso saudoso semanário Tribuna Criciumense, os tópicos de publicações que dão um mergulho no passado e se transformam na Crônica da Cidade de hoje.

TRIBUNA COMEMORA SEU DÉCIMO ANIVERSÁRIO – E, com direito a um clichê com a foto da capa da primeira edição, Brigite Gorini Lienert, então diretora, descrevia os dez anos passados do nosso principal jornal semanário. As campanhas, as bandeiras, as notícias, o compromisso com o progresso de Criciúma descritos pela ilustre jornalista num editorial extenso. E o compromisso de fazer circular, em que pesem as dificuldades, o nosso Jornal semanalmente. A página três, e parte da página seis, foram ocupadas por matéria assinada por José Pimentel, fundador do hebdomadário aniversariante que fez um relatório, ano a ano, da vida do nosso Tribuna Criciumense.

FRISULCA CÉLERE NO CAMINHO DA CONCRETIZAÇÃO – Está aprestes a ser iniciada a construção, em Forquilhinha, de um dos maiores e mais modernos frigoríficos do país. Trata-se do Frigorífico Sul Catarinense – Frisulca. Para tanto, o local e o anteprojeto do mesmo, já foram aprovados pelo ministério da Agricultura. A terraplenagem já foi executada pela prefeitura municipal de Criciúma, o projeto definitivo está pronto e o início das obras em breve. 

ELEIÇÕES EM RIO MAINA – Será efetuada, dias 4 e 5, a eleição para a nova diretoria do Sindicato dos Mineiros de Rio Maina. As chapas estão sendo encabeçadas pelos senhores Juventino M. Honorato, pela chapa oficial, e por José Andrade, pela chapa oposicionista.

CAMPEONATO ESTADUAL DE FUTEBOL – ESTATÍSTICAS – JOGOS EFETUADOS: 45 partidas com 149 gols marcados. ATAQUE MAIS POSITIVO – Metropol, com 26 gols seguido pelo Barroso, com 15 tentos. ATAQUE MENOS POSITIVO: Atlético Operário com 4, seguido de Avaí e Minerasil, com 6. DEFESA MENOS VASADA – Hercílio e Barroso com 2, seguidos por Atlético Operário, com 4 gols. DEFESA MAIS VASADA: Postal Telegráfico com 18 gols seguido de Guatá e Urussanga com 16. ARTILHEIROS DO CAMPEONATO: 1º Idésio, do Metropol, com 8 gols, seguido por Boca, do Ferroviário, que assinalou 6 vezes.

E eu retornarei segunda-feira, dia 4 de maio. Até lá amigos e um abraço do meu tamanho

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 30/04/2020 - 11:07Atualizado em 30/04/2020 - 11:07

Um prefeito pode tudo, no município que administra. Certo?
Errado! Um prefeito pode muito, mas não pode tudo!

Eu já havia cantado a pedra. E o foi, em cima do lance, no momento em que ocorreu. No dia 7 de janeiro do corrente ano, com Denis comandando o programa, falei, no Programa Adelor Lessa, sobre as obras inauguradas, no dia anterior, no Parque Centenário que tomava o nome de Altair Guidi.
E não deixei margens para dúvidas: o que tivemos a oportunidade de ver, no dia anterior, o 6 de janeiro da fundação de nosso município, estava escancarando irregularidades.

Eu nem sabia que há lei municipal, sancionada pelo prefeito que nos governa, proibindo a inauguração de obras inacabadas. Mas chamei a atenção para o fato de que ali o bom senso não se fazia presente eis que se inauguravam obras de um parque, visível e agressivamente, visto como inacabado.

E, depois, aquele painel. Nem se trata de uma placa inaugural como de costume: não; é um painel, um verdadeiro outdoor que, em letras garrafais cita os nomes do prefeito, do seu vice e de todos os componentes do seu staff administrativo. A citação daquele rosário de pessoas concorre com a própria designação do logradouro. Apelo puramente personalista, demagógico e eleitoreiro. As obras devem ser impessoais, diz a lei. E ali isso não foi respeitado.

Falei isso, no dia 7 de janeiro, um dia depois da tal inauguração. E, ao finalizar, lembrei, textualmente:
“Competiria ao Ministério Público determinar que a despesa seja glosada e aquele painel pago pelo próprio prefeito, por ter todo o formato de propaganda pré-eleitoral. Ou não?”

E o Ministério Público de SC, por sua representação local, entendeu de instruir processo nessa direção e está questionando nossas autoridades municipais exatamente sobre os pontos que levantei.

Um prefeito, realmente, pode muito, inclusive aquele que dá jeito, mas não pode tudo!

E que todos comecemos o dia como queremos termina-lo! Bom dia!

 

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 29/04/2020 - 19:19Atualizado em 29/04/2020 - 19:22

A inimigos não se mandam flores!

Uma perguntinha que não quer calar: olhando para trás, quantos Juízes, ministros, deputados, senadores, jurisconsultos, jornalistas, jornais, emissoras de rádio e televisão, etc e tal, criticaram Michel Temer por ele ter indicado o seu amigo Alexandre de Moraes para ocupar uma cadeira vitalícia do Supremo Tribunal Federal? Quantos? Quem? Quando? Aonde?

E quantas vozes foram ouvidas contra a presidente Dilma Rousseff, por ter proposto o nome da sua amiga Rosa Webber, e do seu amigo Luiz Fuks, ambos em 2011, do seu amigo Luiz Roberto Barroso, em 2013, e de Edson Fachin, em 2015, para a mesma Corte?

Alguém que me ouve ouviu alguma crítica ao presidente Lula por ter indicado e nomeado Carmen Lucia e Ricardo Lewandowski, ambos amigos da corte, e ambos em 2006? E a indicação e nomeação, por Lula, de Dias Toffoli, em 2009, cujo predicado maior, no seu curriculum, era ter sido advogado do Diretório Nacional do PT? Quem ouviu alguma crítica, algum pedido de impugnação?

E eu poderia continuar nomeando e perguntando acerca das nomeações havidas desde Sarney, passando por Collor e Fernando Henrique Cardoso. Nunca, em nenhuma oportunidade, tais nomeações foram questionadas.

Hoje questiona-se a indicação do ministro da Justiça e do Diretor Geral da Polícia Federal porque ambos são amigos do presidente Jair Bolsonaro.
Mas como é que é: dois pesos e duas medidas?

E os ministros das equipes de Sarney, de Collor, de FHC, de Lula, de Dilma e de Temer não eram amigos de cada presidente, ao seu tempo? Quem não o era? E quem foi questionado?
Então para eles podia e para Bolsonaro é nomear para se auto blindar? 
E fazem questão de assinalar, quando noticiam as nomeações: amigos de Bolsonaro.

Mas escuta: seria normal nomear inimigo para tão importantes funções?

Meu caro ouvinte: se não deixarmos o homem trabalhar e os ministros mostrarem suas competências, não podemos cometer essa injustiça de fazer a crítica tão somente porque são amigos da família do Presidente

Em novembro Celso Mello, o decano da suprema corte, deixará o STF e caberá ao presidente Bolsonaro indicar o seu substituto. Será que habita a massa encefálica de algum mortal que ele indicará um advogado inimigo dele ou da família dele, por exemplo, o advogado que defendeu o criminoso que lhe deu uma facada em Juiz de Fora?

Ora, ora, a inimigos não se mandam flores.

Sem sabermos da competência de gestão pública de André Mendonça, no ministério da Justiça, e de Alexandre Ramagem, na direção da Polícia Federal, estaremos sendo injustos se, graciosamente, os criticarmos. Se for pecado ser amigo da família do Presidente, Julia Zanatta está no limbo!

 

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