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João Nassif
Por João Nassif 30/01/2020 - 13:53

Hoje é dia em que vou falar sobre um dos grandes goleiros produzidos pelo futebol brasileiro.

Geraldo Pereira de Matos Filho, conhecido por Mazaropi, nascido em Além Paraíba-MG foi formado na base do Vasco da Gama e prestou serviços em vários clubes do futebol brasileiro.

Depois de 10 anos atuando pelo clube de São Januário, com passagens por empréstimo para Coritiba, Grêmio e Náutico, em 1984 foi contratado em definitivo pelo clube gaúcho onde jogou por sete temporadas.

Depois de entrar na política e ser eleito vereador em Porto Alegre, Mazaropi abandonou a Câmara para ser treinador de goleiros no Japão permanecendo por lá por oito anos. Quando retornou ao Brasil foi técnico de alguns times do interior do Rio Grande do Sul e hoje é comentarista na Rádio Grêmio, emissora que transmite todos os jogos do clube. 

Conto estes detalhes da carreira de Mazaropi, pois ele é detentor de um recorde mundial que poucos têm conhecimento. 

Quando ainda goleiro do Vasco da Gama, entre 1977 e 1978 Mazaropi ficou 1.816 minutos sem levar um golzinho sequer. É recorde mundial conquistado em competições oficiais reconhecidas pela FIFA. Na contagem de tempo são considerados apenas os minutos em campo se serem levados em conta intervalos e acréscimos dados nos jogos.

A série começou na penúltima partida do primeiro turno do campeonato carioca de 1977 quando o Vasco venceu o Americano de Campos por 3x0 e só foi quebrada no ano seguinte.

O recorde de Mazaropi é reconhecido pela Federação Internacional de História e Estatísticas de Futebol. 
 

João Nassif
Por João Nassif 30/01/2020 - 08:40

Duas campanhas surpreendem depois das três rodadas iniciais do campeonato catarinense. 

Uma é do Juventus de Jaraguá do Sul que chegou a sete pontos depois de enfrentar três times historicamente com potencial de título. No primeiro jogo empatou com o Figueirense no Scarpelli, depois em casa derrotou o Criciúma e ontem venceu em Chapecó. 

Se conseguir manter o rendimento contra os pequenos será a grande sensação do campeonato. Lembrando que o Juventus entrou no campeonato pela desistência do Almirante Barroso.

A segunda surpresa é a péssima campanha da Chapecoense com um início muito ruim de apenas dois pontos em nove disputados. Empatou o primeiro jogo na Arena Condá contra o Avaí, resultado normal, em seguida empatou em Concórdia e ontem perdeu para o Juventus.

De favorita ao título a Chapecoense terá que correr muito para terminar a fase pelo menos na quarta posição e poder decidir em casa o primeiro mata-mata. É o destaque negativo neste início de campeonato.

O Criciúma que entrará em campo hoje a noite na 5ª colocação, em caso de vitória sobre o lanterna Tubarão poderá terminar em 3º com seis pontos logo abaixo do Figueirense e do Juventus que têm sete.  

João Nassif
Por João Nassif 29/01/2020 - 09:50

A UEFA Champions League, conhecida com Liga dos Campeões da UEFA é o um torneio totalmente europeu disputado pelos principais times de cada um dos países que compõe a Federação Europeia de Futebol.

Começou a ser disputada na temporada 1955/1956 com o nome de Taça dos Clubes Campeões Europeus, com a participação de apenas 16 clubes, todos eles campeões em seus países.

Real Madrid nos anos 1960

O Real Madrid foi o primeiro campeão e não por acaso, como melhor time da Europa conquistou também os quatro torneios seguintes sendo até os dias atuais o único a conquistar um pentacampeonato. 

Com o passar dos anos outros clubes, não somente os campeões de cada país, foram sendo incorporados e a partir da década de 1990 o formato da competição foi expandido e hoje vários clubes das principais Ligas Europeias participam da Champions.

O maior vencedor é o Real Madrid 13 títulos. Além do pentacampeonato nos primórdios do torneio o time espanhol venceu na sequência três dos últimos quatro torneio. Além das 13 conquistas o Real Madrid foi três vezes vice-campeão. Participou, portanto de 16 finais nos 63 torneios já disputados.  

Depois do Real Madrid, o italiano Milan foi quem mais venceu, são sete títulos no total sendo o último na temporada 2006/2007.

Por país, a Espanha é a maior ganhadora da Champions com 18 títulos. Além dos 13 do Real Madrid, o Barcelona foi cinco vezes campeão.

O segundo país que mais venceu o torneio é a Inglaterra com 13 conquistas. As seis do Liverpool, mais três do Manchester United, duas do Nottingham Forrest, uma do Leeds United e outra do Chelsea.

João Nassif
Por João Nassif 28/01/2020 - 09:23

O Campeonato Pan-Americano de 1956 foi disputado na Cidade do México. O Brasil foi representado por uma seleção com jogadores que atuavam apenas no Rio Grande do Sul. Sob o comando do polêmico técnico Teté o Brasil foi o campeão.

Seleção brasileira/gaúcha

O campeonato que teve a participação de seis seleções: México, Costa Rica, Argentina, Brasil, Chile e Peru foi disputado em turno completo jogando todos contra todos.

A seleção brasileira venceu invicta com quatro vitória e um empate. Derrotou o Chile por 2x1, o Peru por 1x0, o México por 2x1 e Costa Rica por 7x1. Empatou apenas seu último jogo em 2x2 com a Argentina que ficou em segundo com sete pontos, dois atrás do Brasil.

O artilheiro da seleção brasileira foi Larry Pinto de Farias que marcou cinco dos 14 gols da seleção.

No jogo contra o Peru um lance inusitado. O Brasil vencia por 1x0 e os peruanos dominavam o jogo no segundo tempo ameaçando a vitória brasileira. O massagista Moura entrara em campo para atender Ênio Rodrigues e ainda estava por perto da área quando o atacante peruano Félix Castillo driblou três brasileiros e estava frente a frente com o goleiro Sérgio na iminência de marcar o gol de empate.

Moura, da linha de fundo, simplesmente lançou sua maleta nas pernas do peruano que caiu e não conseguiu chutar para o gol. A partida foi interrompida, houve socos e pontapés, Moura foi expulso, mas seu gesto antidesportivo diminuiu o ímpeto dos peruanos e o Brasil manteve a vantagem até o final.

João Nassif
Por João Nassif 27/01/2020 - 14:05

Pouca gente sabe que no final da década de 1940 a Colômbia criou uma Liga Pirata e levou para lá alguns dos principais jogadores de futebol da América do Sul.

O profissionalismo ainda não havia de todo tomado conta do futebol e a própria FIFA ainda engatinhava, por isso os colombianos criaram em 1948 a Liga Dymaior, independente da FIFA que mesmo assim ameaçou os rebeldes com banimento. O apelido Pirata veio logo depois e acabou pegando. 

Di Stéfano craque argentino

A movimentação nas contratações de grandes craques sul-americanos e europeus ganhou o nome de El Dorado. Com muito dinheiro para investir o recém-criado Millonarios levou para a Colômbia três dos maiores craques sul-americanos da época: os argentinos Di Stéfano, Adolfo Pedernera e Nestor Rossi e com eles venceu quatro títulos nacionais de 1949 a 1953, consagrando a era mais vitoriosa do clube.

Heleno de Freitas, um dos melhores jogadores brasileiros da época também foi contratado, por isso ficou fora da seleção que disputou o Mundial de 1950.

A Liga Pirata deu tão certo que em 1951 a Federação Colombiana resolveu regularizar sua situação junto a FIFA.

Os jogadores estrangeiros até então em situação irregular puderam atuar até 1954 e depois voltaram a seus clubes de origem sem custos. Justamente neste ano a presença de estrangeiros chegou praticamente a zero, dando fim ao El Dorado colombiano. 
 

João Nassif
Por João Nassif 27/01/2020 - 08:47

No calor da derrota o presidente Jaime Dal Farra teve arroubos de quem não está preparado para ocupar um dos três cargos mais importantes da cidade, além do prefeito e o do Bispo. 

Numa linguagem de botequim expôs todo seu despreparo, palavrões e ameaças, se comportando como dono do Criciúma, que na verdade é, pois o órgão que seria superior pelo organograma, o Conselho Deliberativo é totalmente omisso e conivente se agarrando à um contrato que trata do futebol e seu entorno. 

A imagem do clube, cada vez mais desgastada com a atual gestão é simplesmente ignorada pelo Conselho que fecha olhos e ouvidos e deixa o Criciúma se apequenar cada vez mais.

Quando todos envolvidos transferem para a arbitragem seus fracassos se percebe um processo digno de clubes menores que reclamam quando entendem ser prejudicados em favor dos grandes. O Juventus mostrou esta face contra o Criciúma, quando reclamou ao final do primeiro tempo uma penalidade não marcada a seu favor.

Citei o Juventus como exemplo, mas o Criciúma pela sua história e tradição teria que saber superar eventuais erros de arbitragem com um futebol de time grande. Não é o caso há alguns anos desde que a atual gestão se infiltrou no clube. 

Times ruins, falta de um projeto consistente, trocas incessantes de técnicos, poucos investimentos, enfim uma gestão desastrosa que não reconhece seus fracassos e transfere os insucessos.
    
 

João Nassif
Por João Nassif 26/01/2020 - 14:40

Thiago Ávila *

Aerodinâmica é a chave do sucesso. Isso foi claramente comprovado pelo menos nos últimos seis anos de F1. A Mercedes faturou tudo, nas três primeiras ainda continha um motor melhor, depois perdeu nesse quesito para a Ferrari, mas nem por isso deixou de continuar dominando.

Ferrari 2019

Com o regulamento técnico mantido do ano passado para esse ano, a Ferrari há de focar seu progresso que começou em Singapura 2019, com novas melhorias no pacote aerodinâmico. O que não se esperava, nem mesmo os engenheiros, é que o novo carro, batizado no momento de projeto 671, apresentaria "falhas aerodinâmicas" mais graves do que no ano passado.

A informação veio da revista alemã 'Auto Bild', que por meio de fontes de dentro da equipe, o carro não teve bons resultados nos testes no túnel de vento.

Apesar dos problemas, o projeto 671 é muito animador para os torcedores ferraristas, já que apresenta além de um motor rápido de reta, correções na aerodinâmica que aumentam a velocidade nas curvas, principal defeito do carro no ano passado. Basta saber se essas falhas realmente existirão nos testes de pré-temporada, só assim para o público ter impressões claras do carro.

A apresentação da nova Ferrari está programada para dia 11 de fevereiro e os testes em Barcelona acontecerão dia 19 do mesmo mês. 

* Jornalista de automobilismo
 

João Nassif
Por João Nassif 26/01/2020 - 07:52

Hoje, quero abordar outro tema sobre o Criciúma e sua trajetória coberta de glórias ao longo da história. Houve diversos dissabores que devem ficar no esquecimento, pois os sucessos sempre serão lembrados com muito orgulho pelos torcedores e pela comunidade do sul catarinense.

O jogo contra o Flamengo em 1982 foi sem dúvida o primeiro grande momento na história do clube. O Comerciário ficou alguns anos afastado do futebol profissional e no seu retorno teve as dificuldades naturais de um time desacostumado das competições mais exigentes. 

Mesmo assim em seu primeiro campeonato estadual disputado depois do retorno ficou na terceira colocação para no ano seguinte trocar de nome com o surgimento do Criciúma EC.

Sem nenhum brilho nas temporadas seguintes, veio 1982 e o amistoso contra o Flamengo, então o campeão mundial de clubes. E foi uma grande comoção no estado. 

Com a presença de todos os campeões, com o fanatismo da torcida rubro negra o Heriberto Hülse acolheu o primeiro grande público de sua história e todos puderam ver uma atuação de gala dos comandados de Lori Sandri que venceram por 4x2. 

Foi a primeira grande vitória do clube que com o passar dos anos se tornaria multi campeão, mas aquela vitória está até hoje no coração de todos quantos tiveram o privilégio de presenciá-la.
 

João Nassif
Por João Nassif 25/01/2020 - 08:05

Hoje me veio à cabeça a Copa América de 1979. Podem perguntar o que tem a ver a competição de mais de 40 anos atrás?

Lembrei por ter sido a primeira vez que pude participar ao vivo de uma jornada pela Rádio Gaúcha de um jogo oficial da seleção brasileira. Sim, pela Copa América de 1979 o Brasil foi jogar no Paraguai com partida valendo pelas semifinais do torneio.

Paraguai campeão da América em 1979

Na primeira fase a seleção comandada pelo Cap. Cláudio Coutinho que ainda sofria a frustração de um terceiro lugar na Copa de 1978, enfrentou em sua chave Bolívia e Argentina.

Com uma vitória e uma derrota para os bolivianos e uma vitória e um empate contra a Argentina o Brasil terminou em primeiro lugar credenciando-se para enfrentar os paraguaios na fase semifinal.

O primeiro jogo, este que veio à lembrança foi disputado no Defensores del Chaco, tradicional estádio em Assunção e os donos da casa venceram por 2x1. Lembro que o atacante Palhinha cria do Cruzeiro de Minas que em 1979 jogava pelo Corinthians fez o gol brasileiro.

No jogo da volta no Maracanã as seleções empataram em 2x2 e o Brasil foi desclassificado por um Paraguai que se tornaria campeão da Copa América vencendo o Chile na decisão do título. 

Mas, aquele jogo no Defensores del Chaco que marcou minha estreia internacional na Rádio Gaúcha jogaram pela seleção brasileira: Leão (Vasco), Toninho (Flamengo), Amaral (Corinthians), Edinho (Fluminense) e Pedrinho (Palmeiras); Chicão (São Paulo). Falcão (Internacional), Jair (Internacional) e Palhinha; Tarciso (Grêmio), Sócrates (Corinthians) e Eder (Grêmio) Zé Sérgio (São Paulo).
 

João Nassif
Por João Nassif 24/01/2020 - 13:17

Em 1992 editei a revista HISTÓRIA DO CRICIÚMA com a trajetória do único time catarinense a vencer uma Copa do Brasil e o primeiro que disputou a Taça Libertadores da América.

Numa das matérias, o jogo pela competição sul-americana contra o San José da Bolívia, cujo textos dizia o seguinte:

Criciúma na Libertadores

“Pela primeira vez em sua história o Criciúma jogava uma partida oficial no exterior. Pior, na Bolívia a 2.000 metros de altitude. O adversário: o San José de Oruru, vice-campeão boliviano.

Não eram poucos os que acreditavam que o Criciúma tremeria na base ao enfrentar o compromisso. Qual nada. Suportou altitude, torcida adversaria e ainda venceu o jogo. Está certo que o time não fez uma grande partida, mas o suficiente para vencer.  

O primeiro gol foi marcado por Gelson cobrando pênalti sofrido por Jairo Lenzi. Mas, quase não deu tempo para comemorar, logo em seguida o San José empatou também de pênalti.

Mas, no finalzinho o Criciúma mostrou que não estava para brincadeiras. Roberto Cavalo fez um lançamento primoroso para Jairo Lenzi que arrancou pela esquerda e fez um golaço.

Estava começando a nascer a principal estrela do Criciúma em sua história que, por diversas vezes esteve cotado para servir a seleção brasileira ainda quando vestia a camisa do Tigre”. Este texto foi escrito por Ismail Ahmad Ismail.

O técnico Levir Culpi mandou a campo este time: Alexandre, Jairo Santos, Vilmar, Wilson e Itá; Roberto Cavalo, Gelson e Grizzo; Vanderlei (Adilson Gomes), Zé Roberto (Paulo da Pinta) e Jairo Lenzi.

João Nassif
Por João Nassif 24/01/2020 - 08:10

O campeonato catarinense começou dentro do esperado. Baixa qualidade, pouquíssimos gols e entre os postulantes ao título somente o Criciúma conseguiu vencer. Enquadro o Criciúma nesta projeção, pois mesmo sofrendo com um longo jejum, é um dos grandes do estado.

O Tigre com dois gols nesta rodada inicial foi o único que conseguiu marcar. Chapecoense e Avaí no primeiro confronto direto do campeonato e o Figueirense não conseguiram sair do zero colaborando para a média de apenas um gol por jogo. O Concórdia que perdeu para o Criciúma marcou um, enquanto Marcílio Dias e Joinville conseguiram fazer um gol contra Brusque e Tubarão, respectivamente.

O esperado baixo nível nesta primeira rodada tem muito a ver com o pouco tempo de pré-temporada dos times que são favoritos ao título. Os demais que começaram os trabalhos a mais tempo não têm a qualidade que poderiam dar neste começo de campeonato.

Espero que a segunda rodada possa apresentar um padrão melhor para encaminhar uma competição com bom nível técnico. Com a palavra os grandes de Santa Catarina.   
 

João Nassif
Por João Nassif 23/01/2020 - 13:08

Depois de três anos de estreias com derrotas no campeonato catarinense o Criciúma finalmente conseguiu vencer na abertura do estadual. 

Nos três anos em que foi derrotado o Criciúma enfrentou equipes que brigam pelo título, Avaí e duas vezes o Figueirense e agora pegou pela frente um time que disputa o campeonato apenas para permanecer na primeira divisão estadual.

4oito.com.br

Foi visível a dificuldade do Criciúma em encaixar um jogo mais consistente em razão das muitas estreias e o natural desentrosamento entre suas linhas. Mostrou algumas novidades interessantes como o lateral Victor Guilherme, o meia Alisson Taddei e o atacante Jajá.

A partir desses três com os remanescentes Foguinho e Andrew é possível se pensar num time mais encorpado para a continuidade da temporada. Ainda falta arrumar o posicionamento do volante Adenílson que teve uma estreia modesta e acertar o entrosamento dele com os zagueiros, principalmente na cobertura aos laterais.

São apenas conjecturas, mas a amostra inicial foi dentro do previsto, agora o trabalho é aumentar o reforço físico e acertar a harmonia entre as linhas para o Criciúma poder brigar com adversários mais fortes.

E haverá tempo para tal, pois os próximos três jogos também serão contra equipes do segundo escalão do futebol catarinense, sendo dois deles no Heriberto Hülse. A tabela do campeonato foi boa para o Criciúma.  
 

João Nassif
Por João Nassif 23/01/2020 - 09:13

Vocês já sabem que os livros que contam a trajetória de jogos do Metropol estão em meu poder cedidos que foram pelo saudoso Divino Antônio da Silva.

Nestes livros estão registradas todas as fichas técnicas das partidas realizadas pelo time profissional idealizado por Dite Freitas e escritas por um autor não identificado. 

Muitas dessas fichas não trazem a escalação do adversário do Metropol, mas muitas são acompanhadas de comentários sobre os jogos numa visão própria de torcedor que sempre exalta com paixão as vitórias e quase sempre culpa a arbitragem pelos tropeços naturais que o futebol proporciona.

Comerciário dos anos 1960

Hoje vou reproduzir a ficha da primeira partida do Metropol profissional contra seu maior adversário, o Comerciário, mas infelizmente sem a crônica sobre o que foi o jogo vencido pelo time da região Mineira.

O palco do confronto foi o Heriberto Hülse no dia 23 de outubro de 1960 valendo pelo campeonato catarinense com renda de Cr$ 23.000,00.

O árbitro foi Afonso Câmara Ávila auxiliado por Adamastor Martins da Rocha e Abílio Zoile Thomé.

Escalação do Metropol: Dorni, Zezinho, Tenente (Flázio) e Walter; Sabiá e Bolognini; Márcio, Chagas, Almerindo, Pedrinho e Santinho.

Não há registro da escalação do Comerciário.

O Metropol venceu por 2x1 com gols de Pedrinho e Chagas. 

Este foi o primeiro confronto entre as duas equipes começando uma rivalidade que durou até quase o final dos anos 1960, quando encerraram as atividades. 

O Comerciário retornou em 1976 e o Metropol ficou apenas na lembrança de quem pode acompanhar sua trajetória vitoriosa pelos gramados do estado, país e também pelo exterior.

João Nassif
Por João Nassif 22/01/2020 - 09:10

Em julho de 1983 o Grêmio foi a La Plata enfrentar o Estudiantes pela Libertadores, uma partida decisiva que encaminharia o vencedor para a disputa final do torneio. O jogo terminou empatado e o Grêmio para se classificar ficou na dependência do América de Cali não ser derrotado pelo time argentino no último jogo da chave.

Era muito ruim a relação Brasil-Argentina, pois no final de junho alguns aviões ingleses que se dirigiam às Ilhas Falkland foram abastecidos em Canoas e Florianópolis reavivando os boatos que o Brasil deu apoio aos aviões britânicos durante a Guerra das Malvinas um ano antes.

Este conflito diplomático e a má reputação dos Estudiantes pelo anti-jogo que promovia em seus domínios criou um ambiente hostil para a delegação gremista, inclusive para jornalistas e torcedores que se deslocaram para o local da partida.

De acordo com o esperado o Grêmio foi recebido com extrema violência pelos torcedores e pelos próprios jogadores do Estudiantes que provocaram os gremistas ao extremo bem antes do jogo começar. O atacante argentino Trobbiani recebeu cartão amarelo antes do jogo começar.

Com a bola rolando dois jogadores argentinos foram expulsos, mas mesmo com nove jogadores o Estudiantes fez 1x0 aos 38 e aos 44 o meia Osvaldo empatou.

O atacante gremista Caio sofreu uma pancada violenta quando se dirigia ao vestiário e teve que ser substituído por César que marcou o segundo gol aos oito minutos e aos 18 Renato Gaúcho fez 3x1.

O Estudiantes teve mais dois expulsos e mesmo assim com apenas sete jogadores conseguiu empatar em 3x3 acalmando a fúria de todos no estádio em La Plata.

Diz a lenda que a pressão de todos os brasileiros no local do jogo, além da própria polícia obrigou o técnico Valdir Espinosa ordenar que seu time permitisse o empate. 

O jogo ficou conhecido como a “Batalha de La Plata”.

O América de Cali segurou o empate com o Estudiantes e este resultado classificou o Grêmio que se tornaria campeão da Libertadores de 1983 no confronto contra o Peñarol.
 

João Nassif
Por João Nassif 21/01/2020 - 09:54

O primeiro campeonato estadual do Rio Grande do Sul foi disputado em 1919 um ano depois da criação de Federação Rio-Grandense de Futebol.

Ainda na fase amadora o campeonato foi dividido por regiões e o Brasil de Pelotas foi o primeiro campeão. O Guarany de Bagé foi campeão em 1920 e o Grêmio de Porto Alegre se tornou bicampeão na sequência.

Brasil de Pelotas de 1919

Em razão da Revolução de 1923 que colocou frente a frente Ximangos e Maragatos não houve campeonato estadual em 1923 e 1924.

Em 1925 o campeão foi o Grêmio Bagé e mesmo com a implantação do profissionalismo a partir de 1942 o campeonato continuou sendo disputado por regiões e vários times conquistaram o título. Mas, já era percebido o crescimento da dupla Gre-Nal.

De 1942 até 1960 quando terminou o campeonato por regiões e foi criada a Divisão Especial com clubes de todo estado, a dupla Gre-Nal ganhou 18 dos 19 títulos disputados. O Internacional ganhou 11 e o Grêmio sete, sendo que o intruso foi Sport Club Renner de Porto Alegre campeão em 1954.

A partir de 1961 a hegemonia dos dois times grandes de Porto Alegre ficou consolidada e até agora somente três equipes do interior conseguiram supera-los. 

Os dois primeiros foram equipes da cidade de Caxias do Sul, o Juventude em 1998 e a SER Caxias em 2000. 

O Juventude sob o comando do saudoso técnico Lori Sandri foi campeão invicto disputando a final com o Internacional. Venceu em Caxias por 3x1 e empatou em 0x0 no Beira Rio.

Já o Caxias treinado pelo Tite, hoje na seleção brasileira foi campeão no confronto contra o Grêmio. No primeiro jogo no Estádio Centenário vitória do Caxias por 3x0 e no jogo final 0x0 no Estádio Olímpico. Neste jogo Gilmar Dal Pozo, atualmente técnico de futebol, defendeu um pênalti batido por Ronaldinho Gaúcho.

E finalmente em 2017 o campeão foi o Novo Hamburgo treinado por Beto Campos, falecido recentemente, que passou no ano passado pelo Criciúma.

Na decisão contra o Internacional o Novo Hamburgo empatou em 2x2 no Beira Rio e em 1x1 em casa. Na decisão por pênaltis o Novo Hamburgo venceu por 3x1.

No acumulado de títulos do campeonato gaúcho o Internacional conquistou 45 e o Grêmio 38.
 

João Nassif
Por João Nassif 20/01/2020 - 14:32

Depois do boicote africano no Mundial de 1966 a FIFA decidiu abrir uma vaga direta para eles e para evitar novos protestos definiu que a Ásia também teria uma vaga direta para a Copa de 1970 realizada no México.

Mantidas estas vagas, a FIFA fez constar no regulamento que haveria para o Mundial de 1974 que foi disputado na Alemanha Ocidental uma repescagem intercontinental entre o vencedor do Grupo 9 das eliminatórias europeias, formado pela União Soviética, França e Irlanda e o vencedor do Grupo 3 da América do Sul formado pelo Peru e Chile depois da desistência da Venezuela.

A União Soviética venceu a disputa na Europa com três vitórias e uma derrota, enquanto que na América do Sul o Peru venceu o primeiro jogo em Lima por 2x0 e pelo mesmo placar o Chile deu o troco em Santiago.

Foi necessário um jogo extra no Estádio Centenário em Montevideo e o Chile de virada venceu o Peru por 2x1 se credenciando para disputar a vaga com os soviéticos.

Duas semanas antes do início da repescagem, em 11 de setembro de 1973 ocorreu o golpe militar no Chile liderado pelo general Augusto Pinochet e o presidente Salvador Allende foi assassinado. A União Soviética que mantinha boas relações com o governo Allende anunciou o rompimento das relações diplomáticas com o Chile.

Mesmo assim em 26 de setembro, cercado de muita tensão o primeiro jogo da repescagem foi realizado em Moscou. Não existem imagens desta partida, pois as autoridades soviéticas proibiram a entrada de jornalistas e câmeras no estádio. O jogo terminou empatado em 0x0. 

A partida de volta foi marcada para o dia 21 de novembro, mas os soviéticos se recusaram a viajar alegando motivos políticos. Mesmo assim o jogo foi realizado.

Num dos momentos mais constrangedores da história do futebol a seleção chilena entrou em campo no Estádio Nacional, ficou perfilada para execução do hino nacional e o árbitro austríaco Erich Linemayer soprou o apito inicial. O capitão chileno Francisco Valdés carregou a bola pela metade vazia do campo até o gol e chutou para as redes.

A FIFA declarou o Chile vencedor por 2x0 e classificado para o Mundial da Alemanha Ocidental. Os soviéticos foram punidos com a desclassificação e multados pela entidade.
 

João Nassif
Por João Nassif 20/01/2020 - 09:32

Thiago Ávila * 

O ePrix de Santiago da Formula-E neste sábado mostrou mais uma vez como a BMW e a Techeetah dominam essa segunda geração de carros elétricos. 

Quem largou na pole foi Mitch Evans, da Jaguar, com Maximilian Günther, da BMW, em segundo, e Pascal Wehrlein, da indiana Mahindra, em terceiro. Felipe Massa era quarto no grid, mas logo na largada já caíra para sexto lugar. Largando de mais atrás, a dupla Jean-Éric Vergne e António Félix da Costa fizeram a festa passando todos pela frente.

Max Günther

A briga pela liderança se intensifica na primeira metade da prova com os três líderes duelando. Wehrlein pegou a terceira posição de Günther, mas mesmo com a potência do modo ataque não conseguiu segurar os ataques do alemão. Max foi para cima de Evans, na primeira o australiano teve a chicane a seu favor, mas na reta maior não aguentou. O piloto da BMW some na liderança.

A segunda metade foi a hora da Techeetah atacar. Vergne e Da Costa seguiam juntos passando pelos carros da Mercedes e da Venturi e já eram terceiro e quarto, deixando até Wehrlein para trás. Nesse período, Massa já era décimo, brigando para ficar no top-10 com o outro brasileiro Lucas Di Grassi. Vergne foi à caça de Evans, mas acaba sofrendo uma forte batida na proteção da roda dianteira esquerda. Mesmo com o dano, segurou os pilotos atrás por um bom tempo até ser obrigado a abandonar. Da Costa, com mais carro, consegue ultrapassar Evans e tinha tudo para chegar em Günther e ganhar a corrida.

Em uma curva bem fechada, o português, especialista em ultrapassagens por ali, toca na roda traseira do alemão e o passa. O piloto da BMW já havia informado no rádio que estava com problemas de temperatura no carro e isso poderia causar danos na bateria. Se você acompanha F1, sabe dos blefes da Mercedes. Pois é, os alemães da BMW não são diferentes. 

Da Costa, tentando administrar a bateria, reduziu o ritmo, já sabendo dos problemas no carro do alemão. E bobeou! Günther, na mesma reta que passou Evans, retomou a liderança na última volta e venceu a corrida.

É a segunda vitória da BMW no campeonato, a primeira de Max, que se torna, com 22 anos, o piloto mais jovem a vencer pela F-E. O curioso disso tudo é que Günther estava com a carreira na categoria ameaçada ano passado, quando recebeu críticas por má conduta de Felipe Massa e foi substituído por Felipe Nasr na Dragon. Recebeu uma nova chance na BMW e mostrou o seu melhor desempenho.

A BMW segue líder nas equipes e Stoffel Vandoorne, da Mercedes, assume a liderança dos pilotos com 38 pontos, seguido de Alexander Sims, com 35. Günther é quarto com 25.
 
* Jornalista de Automobilismo
 

João Nassif
Por João Nassif 19/01/2020 - 08:48

O regulamento para a Copa do Mundo de 1966 previa uma espécie de repescagem que acabou não sendo realizada. Com o aumento de países filiados da África, Ásia e Oceania e suas seleções inscritas desde o Mundial anterior, a FIFA resolveu abrir uma vaga direta para contemplar todas estas referidas zonas.

Seleção da Coréia do Norte na Copa de 1966

Segundo a proposta da FIFA as 15 seleções africanas seriam divididas em seis grupos com os vencedores de cada grupo se enfrentando em mata-mata os três sobreviventes avançariam para um quadrangular decisivo que seria completado com o vencedor do grupo Ásia/Oceania, Austrália e as Coréias do Norte e do Sul. O vencedor deste quadrangular estaria classificado para o Mundial.

Os africanos protestaram contra esta fórmula e contra a inscrição da África do Sul onde já vigorava o regime do apartheid. A FIFA desclassificou a África do Sul, mas manteve o sistema de distribuição das vagas. Os africanos não concordaram e abandonaram integralmente as eliminatórias. 

Na Ásia a Coréia do Sul também abandonou a disputa alegando problemas políticos e a vaga foi decidida entre a Coréia do Norte e a Austrália. Os norte-coreanos venceram duas vezes com facilidade a Austrália por 6x1 e 3x1 jogando em Phnom Penh no Camboja. 

Desta forma, sem repescagem a Coréia do Norte foi ao Mundial de 1966 na Inglaterra e protagonizou uma das maiores zebras da história das Copas do Mundo ao derrotar na primeira fase a Itália por 1x0 conseguindo classificação para as quartas de final. 
 

João Nassif
Por João Nassif 18/01/2020 - 09:02

Já vimos que a primeira repescagem da história das Copas do Mundo aconteceu por acaso decidindo vaga para o Mundial de 1958 disputado na Suécia. O País de Gales superou Israel que havia conseguido chegar à repescagem depois da desistência de outros países por questões políticas.

Para o Mundial seguinte em 1962 no Chile a FIFA instituiu no regulamento algumas decisões entre países de variados continentes para complementação das 16 seleções que disputaram a fase final do torneio. 

Houve um aumento de países que se filiaram à FIFA com o processo de descolonização da África na passagem da década de 1950 para a de 1960. Desta forma mais países africanos se credenciaram para a disputa das eliminatórias para a Copa de 1962. 

Tunísia, Marrocos, Nigéria e Gana se juntaram à Etiópia, Egito e Sudão que já haviam disputado as eliminatórias para o Mundial anterior.

O regulamento proposto pela FIFA eliminou a vaga direta da Ásia e estipulou uma série de repescagens em que as seleções africanas e asiáticas enfrentariam equipes europeias por uma vaga no torneio.

Na repescagem Europa-África o Marrocos que havia sobrado na disputa africana enfrentou a Espanha e foi derrotado por 1x0 em Casablanca e por 3x2 em Madrid.

Na repescagem Europa-Ásia a Iugoslávia com duas vitórias por 5x1 em Belgrado e por 3x1 em Seul eliminou a Coréia do Sul que havia derrotado o Japão no grupo asiático.

Houve ainda uma repescagem disputada no continente americano. México e Paraguai se enfrentaram com os mexicanos conquistando a vaga depois de vencer em casa por 1x0 e empatar em 0x0 na partida de volta em Assunção.

E assim Espanha, Iugoslávia e México conquistaram via repescagem as vagas para a Copa do Mundo de 1962. 
 

João Nassif
Por João Nassif 17/01/2020 - 09:36

A repescagem é o momento final das eliminatórias para Copas do Mundo e costuma ser a última vez em que a bola rola antes do sorteio dos grupos que disputarão o Mundial.

Serve também como uma prévia do torneio quando coloca frente a frente seleções dos mais distintos continentes em jogos que valem ponto, aliás vale classificação par a Copa do Mundo. Normalmente estas seleções se enfrentam em jogos amistosos que não valem pontos programados nas datas FIFA.

A primeira repescagem intercontinental da história dos Mundiais aconteceu por acaso, pois não estava prevista no regulamento. O motivo foi a confusa história do grupo que reuniu África, Ásia e Oceania, um tipo resto do mundo à exceção das Américas e Europa. O grupo com representantes dos três continentes classificaria uma seleção para o Mundial da Suécia.

País de Gales x Israel em 1958

Começou a confusão com a FIFA rejeitando as inscrições da Etiópia e da Coréia do Sul. As eliminatórias deveriam ter iniciado com o jogo entre Indonésia e República da China, atual Taiwan, que desistiu.

Em seguida mais três desistências, da Austrália que estava no grupo da Indonésia, de Chipre que enfrentaria o Egito e da Turquia que seria a adversária de Israel. Houve jogo somente numa chave em que o Sudão eliminou a Síria. Sobraram, portanto Indonésia, Egito, Israel e Sudão.

Pela FIFA não ter aceito o pedido da Indonésia de enfrentar Israel em campo neutro, os indonésios se retiraram da disputa. Egito e Sudão por questões politicas também resolveram sair das eliminatórias, portanto sobrou apenas Israel.

A FIFA havia decidido que nenhum país poderia disputar o Mundial sem ter realizado ao menos um jogo eliminatório, exceção ao campeão da edição anterior e o anfitrião. A entidade resolveu fazer um sorteio entre as seleções que terminaram em segundo lugar em seus grupos nas eliminatórias da Europa e o contemplado foi País de Gales.

Assim aconteceu a improvisada primeira repescagem que classificou uma seleção para a Copa do Mundo e na combinação de duas partidas País de Gales venceu Israel e foi à Suécia onde enfrentou e perdeu para o Brasil nas quartas de final.
 

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