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* as opiniões expressas neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do 4oito
Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 23/04/2020 - 11:28

Dezenove de abril, último domingo, foi o Dia do Índio.

Então, vou falar do indígena, para não ser acusado de não tê-lo feito, na sua data.

Não por causa da comemoração, em si, mas pelo significado desse ser humano praticamente varrido do globo terrestre.

Começo por recomendar aos estabelecimentos de ensino de todos os níveis e de todos os graus, daqui e de qualquer lugar, que incentivem a pesquisa sobre a cultura e o modus vivendi dos nossos primeiros habitantes. Ao mesmo tempo, que procurem agendar uma visita ao sítio rural do engenheiro químico Sidnei Roque Périco – que trabalhava nas empresas Rio Deserto – no qual encontrarão o mais completo museu indigena norte-americano da américa latina.

Ali as nações indígenas daquele país afloram: são as fotos dos seus grandes guerreiros, dos grandes caciques, das grandes índias... São os textos de discursos proferidos por líderes dos povos que foram perseguidos à exaustão naquele território, é o Código de Ética de um povo massacrado.

Enfim, visitando aquele Rancho e analisando o que ali está exposto amealha-se um pouco de conhecimento sobre o cidadão que foi festejado, oficialmente, domingo passado.

Agora, há o seguinte: nós também tivemos nossos índios. No primeiro momento, escravisados pela coroa portuguesa e seus asseclas aqui plantados.

Num segundo momento, violentados no que tinham de mais significativo: seus hábitos, seus costumes, suas crenças, sua fé, pelo padre jesuíta que se achou dono da verdade e do único Deus e arrebatou-lhe isso tudo.

Finalmente, pelas colonizações que foram se plantando em todo o território nacional, espulsando os verdadeiros donos deste imenso país cada vez para mais longe do litoral ao ponto de varre-lo do nosso meio.

É preciso que meditemos um pouco sobre essa barbaridade cometida pelo homem branco, tido como civilizado, e rendamos um tributo àquele que, agredido e apreendido, outra alternativa não teve que não aceitar o seu próprio extermínio. E olha: dele nada sobrou... muito pouca coisa se reúne do primeiro brasileiro, especialmente aqui em nossa região.

O engenheiro químico Sidnei Roque Périco, que o diga.

Da dificuldade de buscar resquícios daquela civilização e, especialmente, da sua cultura e da sua história, é que Périco montou um templo sagrado, no alto da Serrra Geral, ali em Bom Jardim da Serra, em homenagem ao agredido – e agora festejado – índio americano.

Por aqui, gratificava-se bem aos “caçadores de bugres”, como eram denominados os matadores dos nossos indígenas, pagos por pares de orelhas, trazidos da caçada, que apresentassem à autoridade.

Inominável barbaridade que empurrou os índios do litoral para o interior, dos nossos povoados ao Costão da Serra, e do Costão à morte, ao extermínio.

19 de abril, Dia do Índio! É para festejar ou para lamentar?

E que todos comecemos o dia como queremos termina-lo! Bom dia!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 22/04/2020 - 12:15

Dou sequência, buscando na edição que circulou na semana de 4 a 11 de abril de 1964, do nosso saudoso semanário Tribuna Criciumense, os tópicos de publicações que dão um mergulho no passado e se transformam na Crônica da Cidade de hoje. A edição epigrafada foi a primeira, depois do espetacular 31 de março de 1964, cantado por uns, chorado por outros. Como venho falando, significativo espaço da edição em tela foi dedicado à derrubada de Jango. Na edição de ontem vimos as principais manchetes daquela semana.

Nos quartéis, a hierarquia era quebrada e marinheiros paralisavam suas ações para pressionar o governo na busca de melhorias e, até, na nomeação de seus chefes. O presidente, ao invés de tomar pulso firme na busca de solução, curvava-se à vontade dos subalternos chegando a mudar o ministro da Pasta, o que revoltou todo o comando superior da Marinha.

Tribuna Criciumense retratava, todavia, os acontecimentos que antecederam à derrubada de João Goulart como o comunicado da Agência Nacional, que, através de rede nacional de rádio e televisão, informava: “A nação pode permanecer tranquila. O governo federal manterá inatingíveis a unidade nacional, a ordem constitucional e os princípios democráticos e cristãos com que ele se inspira, pois conta com a fidelidade das forças armadas e com o patriotismo do povo brasileiro”. 

Neste meio tempo o povo procurava se inteirar dos acontecimentos, porém a única voz que se ouvia era a da Guanabara, da Rádio Mayrink Weiga, que, sabidamente, era ligada aos partidários do governo de Goulart. Rádios paulistas informavam que o governador Adhemar de Barros estava solidário com o movimento eclodido em Minas e o General Kruel tomado posição dizendo que as armas do II Exército estavam à disposição do General Mourão Filho.

Em Brasília o senador Áureo Soares de Moura Andrade manifestava-se sobre os acontecimentos e dizia que os atos desencadeados sobre a nação constituem uma grande agressão à Constituição Federal, que precisa ser repelida. A sorte da democracia, da federação e da República está, inarredavelmente, ligada pela Constituição, à sorte das Forças Armadas. A nação deve, pois, reunir-se em torno de suas Forças Armadas. Devemos exigir que se respeite a sua hierarquia e que não se subverta a sua disciplina.

E eu retornarei amanhã. Até lá amigos e um abraço do meu tamanho!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 22/04/2020 - 10:13Atualizado em 22/04/2020 - 10:19

Neste período de confinamento, é natural que as emoções e a paciência atinjam patamares nunca dantes imagináveis. E, como temos todo o tempo do mundo para utilizar como quisermos, no ambiente domiciliar, a fuga para o whatsApp tem se constituído uma das maiores armas para nos ocuparmos. Comunicar, aprender, ler, aprovar, discordar, discutir e ignorar um universo de mensagens de todos os tons e sabores, tem sido o lenitivo para não ver o tempo passar.

Ontem recebi uma dessas peças feitas e retransmitidas às centenas, que me cativou. Foi-me enviada pelo meu amigo, do Facebook, Jorge Henrique Nunes, a quem renovo agradecimentos pela postagem, de autoria de um psicólogo de nome Augusto Cury, que diz assim:

“Dez técnicas de gestão e emoção para evitar a virose mental, em tempo de virose pelo Coronavirus ou Covid-19. 
1ª - aplauda sempre quem não seja apontador de falhas, pois o apontador de falhas está apto para consertar máquinas e não para construir belas histórias de amor. 
2ª – Saiba que ninguém muda ninguém, temos o poder de piorar os outros e não de muda-los. 
3ª – Não cobre demais de si e dos outros, pois quem é cobrador está apto para trabalhar numa financeira e não para promover emoções saudáveis. 4ª – Elogie três vezes por dia quem você ama e aprenda a ver um charme em seus defeitos suportáveis. E se você escolheu uma pessoa difícil para viver, provavelmente você não deve ser tão fácil. Seja leve! Relaxe! Somos imperfeitos convivendo com pessoas imperfeitas.  
5ª – Faça a oração dos sábios, quando alguém te contrariar: o silêncio. É comum alguém me dizer: nunca leve desaforo para casa. E eu respondo: claro, você é um desiquilibrado: não leva os desaforos para a sua casa física, mas os acumula em sua casa mental. 
6ª – Treine ser bem humorado, pois viver com uma pessoa pessimista - e que reclame o dia todo - é quase insuportável, esgota o cérebro. 
7ª – Garimpe ouro no solo de quem está ao seu redor. Indague: o que posso fazer para lhe tornar mais feliz? Quais são seus sonhos e seus medos? Encoraje seus filhos, parceiro ou parceira, a expressarem seus sentimentos.
8ª – Namore sua vida antes de namorar alguém, pois se você não for capaz de se abraçar e de dar risadas de alguns de seus erros, será um carrasco de si mesmo. 
9ª – Traga à sua memória aquilo que lhe traga esperança. Saiba que os medicamentos que estão sendo testados, os inúmeros laboratórios procurando a vacina e as medidas sanitárias adequadas, certamente farão o sol brilhar sobre a humanidade. 
10ª – Treine não sofrer por antecipação, pois quem sofre pelo futuro faz o velório antes do tempo e, portanto, adquire virose mental.” 

Impossível não retransmitir essa mensagem. Ela nos deixa surdos de tão alto que fala.
E que todos comecemos o dia como queremos termina-lo! Bom dia!

Tags: Coronavírus

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 20/04/2020 - 10:25Atualizado em 20/04/2020 - 10:37

Já estamos perdendo a conta de quantos dias estamos trancafiados em nossas casas por conta dessa pandemia infernal. E se não tivéssemos o que fazer, certamente utilizaríamos nosso tempo imaginando como será o retorno à vida normal. 

Moro num edifício em cujo andar térreo há inúmeros escritórios, lojas e afins. Nossa síndica me prestou algumas informações a respeito de como estão operando tais estabelecimentos. 

E ontem, com a rua completamente vazia, dei uma passeada à frente delas todas, para imaginar como será o tal retorno às atividades normais.

Há uma pizzaria e uma lanchonete de produtos naturais. Duas lojas de cosméticos, uma das quais trabalha com a internet. Uma imobiliária. Dois escritórios de engenharia. Uma financeira. Uma loja de eletrodomésticos e uma de móveis residenciais. Três ou quatro de decoração de interiores e de material para tal.

 Todos fechados. Ou a meia porta atendendo um e outro em intervalos tão largos que, eu acho, ganhariam mais se não abrissem nem essa meia porta.

A pizzaria, estou sabendo, faz e vende por moto-entrega.

Do restaurante não se ouve falar. A financeira abre e um funcionário fica fazendo ligações e pedindo explicações aos correntistas inadimplentes. As de cosméticos, continuam sendo muito procuradas, sendo que, aquela que vende por site continua praticamente no mesmo ritmo. A imobiliária sequer tirou um aviso, na porta, dizendo que retornaria ao expediente normal no dia 1 de abril. Nos escritórios de engenharia nota-se que há pessoas desenvolvendo algum trabalho. A loja de eletrodomésticos e a loja de móveis residenciais, com poeira em suas paredes envidraçadas. Aquelas que se ocupam de comercializar objetos e materiais de decoração nem as lâmpadas internas são lembradas de serem acendidas.

O freguês desapareceu. Mesmo que, teimosamente, esses estabelecimentos abram, não há comprador, nem cliente, nem freguês, nem ninguém.

Afora os salões de beleza e as barbearias e as lotéricas e os bancos e as prefeituras e as câmaras municipais e as funerárias e os postos de combustível, pela própria natureza de seus negócios, está indo todo mundo para a vala comum e o espectro é de quebradeira geral. Até os templos religiosos terão dificuldade para reunir seus fiéis como o faziam antes da praga.

Com certeza um dia retomaremos o curso normal interrompido pelo coronavirus mas é impossível antever quando isso ocorrerá.

Uma lição essa quarentena nos deu e dá: como administrar nosso tempo e como administrar nosso dinheiro. Este, então, que já era curto, tornou-se perigosamente curto. Já estava difícil com as operações financeiras seguindo o curso da normalidade, agora, o tal do vil metal simplesmente desapareceu.

Viagens, passeio, lazer, visitas... isso parece que só será levado a sério em tempo não inferior a um ano.

Mas há a contrapartida: as lições da crise, a necessária reação, o ressurgimento. E disto me ocuparei noutro dia!

E que todos comecemos o dia como queremos termina-lo! Bom dia!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 20/04/2020 - 07:01

Dou sequência buscando, na edição que circulou na semana de 3 a 11 de abril de 1964, do nosso saudoso semanário Tribuna Criciumense, os tópicos de publicações que dão um mergulho no passado e se transformam na Crônica da Cidade de hoje. A edição epigrafada foi a primeira, depois do espetacular 31 de março de 1964, cantado por uns, chorado por outros. Como venho falando, a capa da edição em tela foi toda dedicada à derrubada de Jango. Além do que já publiquei, em tal capa são lidas diversas notas, como esta: EM SÃO PAULO, GRANDE DESFILE – Na capital de São Paulo que, com seu governador Adhemar de Barros, teve participação decisiva nos acontecimentos, será realizado, na próxima segunda-feira, um grande desfile da vitória com a participação de um milhão de pessoas. Não recordo do número de tantas pessoas, mas foi um dos maiores desfiles vistos na capital paulista.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS – No aeroporto de Congonhas foram detidos os senhores Vilson Fadul, Osvaldo Lima Filho e Amaury Silva. Notícias do Rio dão conta de que o Sr. Brizola está em Montevidéu, onde chegou num avião particular.
Faz três edições que a Crônica da Cidade se ocupa, exclusivamente, do que publicou a capa da edição em epígrafe. Mas, nas páginas seguintes o assunto continuou sendo abordado, com ênfase. Na página dois, por exemplo: RADIOGRAFIA DA CRISE – MANCHETES DA SEMANA, NA IMPRENSA: GOVERNO CEDEU ÀS EXIGÊNCIAS DOS MARINHEIROS AMOTINADOS – CHEFES DA ARMADA E O CLUBE NAVAL CONDENAM, DE MANEIRA VEEMENTE, A SOLUÇÃO DADA À CRISE – NOVO MINISTRO DA MARINHA RECONHECE: MINHA NOMEAÇÃO FOI FEITA CONTRA A VONTADE DE TODO O ALMIRANTADO – EM DOIS DIAS ESTARÁ RESOLVIDA TODA A SITUAÇÃO – ÚLTIMA DO CLUBE NAVAL: OU OS MARINHEIROS SÃO PUNIDOS OU OS OFICIAIS NÃO VOLTAM AOS SEUS POSTOS – SÃO PAULO E MINAS REBELADOS PARA DERRUBAR JANGO – GOVERNADOR MINEIRO AFIRMA: O MOVIMENTO DEFLAGRADO NÃO TEM CARÁTER SEPARATISTA. Essas manchetes revelam o ‘animus’ que havia no Brasil, antes e durante a crise de 31 de março.

E eu retornarei amanhã, reproduzindo mais informações colhidas na edição que se reportou à derrubada do governo de João Goulart, a 31 de março de 1964. Até lá amigos e um abraço do meu tamanho! 

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 17/04/2020 - 13:06Atualizado em 17/04/2020 - 13:07

5.570 municípios fazem parte da República Federativa do Brasil, 295 dos quais em Santa Catarina. O primeiro deles, São Francisco do Sul, em 1660. O segundo, Laguna, em 1714. O terceiro, Florianópolis, em 1726.

Em 1925, quando Criciúma foi emancipada de Araranguá havia, aqui no Sul, 7 municípios: Laguna, Tubarão, Jaguaruna, Orleans, Imaruí, Urussanga e Araranguá.

E o processo emancipatório de cada um deles seguiu sempre um ritual muito assemelhado um aos outros. Era criado um distrito, dentro do território municipal e esse distrito, com seu crescimento natural, passava a pleitear a sua independência. Foi assim por aqui e pelo Brasil afora. Só que, nesse “Brasil afora” o processo não foi bem assim. Famílias poderosas, econômica e politicamente falando, para dar empregos vitalícios aos seus membros, desmembravam vilas e vilarejos que sobrevivem às custas do Fundo de Participação dos Municípios, do governo federal.

Há municípios de grandes populações e expressivas vidas econômico-financeiras e há aqueles que, além de possuírem populações baixas, não arrecadam o suficiente para o custeio de seus serviços. 

Paulo Guedes viu isto e inspirou a lavra de um projeto que pretende corrigir a anomalia. Nasceu a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 188/2019, do Pacto Federativo, apresentada ao Congresso Nacional, dia 5 de novembro do ano passado, que repercutiu, adormeceu, e deve retomar os holofotes da imprensa nacional, agora, no ápice da discussão de alternativas a fortalecer a receita de cada município brasileiro.

Dentre outros assuntos, o texto prevê critérios para extinção e fusão de Municípios. 

Pela redação, Entes municipais com menos de cinco mil habitantes que tiverem arrecadação própria – Imposto sobre Serviços (ISS), Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) – abaixo de 10% da sua receita total, até 30 de junho de 2023, perderão autonomia e estrutura administrativa, sendo incorporados a um vizinho. Dormindo nos bastidores legislativos, a Pec poderá subir à tona e ser discutida durante este duro período de vacas magras no parlamento nacional.

Seria, a olhos apressados, uma boa alternativa essa de fundir municípios, incorporando-os àqueles do quais se emanciparam – ou não. Mas isso só pode ocorrer após feita ampla consulta plebiscitária às populações envolvidas. Deverão ser ouvidos os habitantes do município deficitário e aqueles do município que incorporará o filho pobre. Vai daí que não será com duas conversas que a matéria ganhará corpo a ponto de ser votada nos próximos dias.

Essa PEC abre caminho para que mais de 1.200 municípios no Brasil deixem de existir em 2025. Pela proposta, o processo começaria em 2023, quando se verificariam quais deles seriam extintos. Com isso, não haveria eleição municipal em 2024 e a incorporação seria formalizada no ano seguinte. O governo alega que os municípios menores não têm sustentabilidade financeira e não atendem de forma satisfatória a população. 

Para especialistas em finanças públicas, a redução de localidades permitiria uma distribuição mais justa do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e eliminaria despesas públicas administrativas. 

Só de agentes políticos cada município desses se obriga a pagar um prefeito, um vice-prefeito e nove vereadores. Somem-se a estes, os agentes públicos assim entendidos os secretários e diretores municipais, os assessores, os detentores de cargos comissionados e todos os demais servidores públicos que ali exercem suas atividades laborais. 

No grande Sul catarinense são poucos os que seriam alcançados por essa PEC, não mais do que dois, provavelmente. Mas quando o assunto chega a São Paulo, Minas, Bahia, Goiás, Mato Grosso e a todos os estados nordestinos, o assunto encrespa. Feudos e feudos foram levados à categoria de município independente, para oficializar o coronelato familiar dos poderosos.

Enfim, temos aí um assunto que poderá movimentar o parlamento nacional nos próximos dias 

E que todos comecemos o dia como queremos termina-lo! Bom dia!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 17/04/2020 - 06:59

Dou sequência buscando, na edição que circulou na semana de 3 a 11 de abril de 1964, do nosso saudoso semanário Tribuna Criciumense, os tópicos de publicações que dão um mergulho no passado e se transformam na Crônica da Cidade de hoje. A edição epigrafada foi a primeira, depois do espetacular 31 de março de 1964, cantado por uns, chorado por outros. Como falei ontem, a capa da edição em tela foi toda dedicada à derrubada de Jango. Além do que publiquei ontem, em tal capa são lidas diversas notas, como esta: JANGO EM MONTEVIDÉU – Uma rádio de Montevidéo informou que o governo do Uruguai, exatamente às 15h56 da tarde de ontem havia recebido pedido de asilo do presidente João Goulart.

LACERDA – O governador Carlos Lacerda fez uma dramática proclamação dirigida aos fuzileiros navais e advertiu: Não te aproximes! Não te queremos matar, mas estamos prontos para repelir os que aqui te mandaram e, se tu atirares, morrerão também. Não queremos matar, mas não estamos dispostos a morrer na hora da vitória! É que, no Palácio Guanabara, sede do governo do estado de mesmo nome, chegara a notícia de que os fuzileiros navais continuavam fiéis ao presidente Jango e iriam ao Palácio para depor Carlos Lacerda. Não foram!

MARIA TERESA EM MADRI – Foi anunciado que a Sra. Maria Teresa Goulart encontra-se em Madri, acompanhada de seus filhos João Vicente e Denise. Era a família de Jango. Maria Teresa era a bonita primeira dama do Brasil. 

MAGALHÃES PINTO – O governador Magalhães Pinto foi um dos líderes da rebelião contra o governo federal, movimento este que conseguiu a solidariedade de todos os estados brasileiros e acabou por derrubar, da presidência da República, o Sr. João Goulart.

MAZZILLI NA PRESIDÊNCIA – O deputado Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara Federal, assumiu a presidência da República, interinamente, segundo os ditames da Constituição brasileira. Caberá ao Congresso Nacional a escolha do novo presidente, uma vez que João Goulart renunciou e não se sabe, oficialmente, onde se encontra. Aqui, uma mentira, ou duas: 1. Jango não renunciou e 2. o mundo inteiro sabia que ele deixara Brasilia rumo a Porto Alegre e, dali, para Montevidéu.

COMANDANTES – O presidente Ranieri Mazzilli nomeou e manteve frente ao I Exército, o Gal. Otacílio Terra Ururai, no II Exército, o Gal. Amaury Kruel, no III Exército, o Gal. Mário Figueiredo e, no IV Exército, o Gal. Justino Alves Bastos.

Continuarei com este resgate na Crônica da Cidade de segunda-feira. Até lá amigos e um abraço do meu tamanho!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 16/04/2020 - 12:35

Busquei, na edição que circulou na semana de 3 a 11 de abril de 1964, do nosso saudoso semanário Tribuna Criciumense, os tópicos de publicações que dão um mergulho no passado e se transformam na Crônica da Cidade de hoje. A edição epigrafada foi a primeira, depois do espetacular 31 de março de 1964, cantado por uns, chorado por outros. Como falei ontem, a capa da edição em tela foi toda dedicada à derrubada de Jango. Mas começa, no alto, dizendo que está tudo calmo em Criciúma.

Eis o texto:

TUDO CALMO EM CRICIÚMA – Durante a crise que se desenrolou no país, em Criciúma a situação geral era de calma. Pessoas discutindo o movimento contra o governo federal, quase todas levando rádios portáteis procurando se atualizar com os acontecimentos. A crise se refletiu diretamente no mercado, principalmente no setor de armazéns de gêneros alimentícios, uma vez que todos procuravam se abastecer temendo que o movimento atingisse maiores proporções, o que, felizmente, não aconteceu. Mas, no cantinho inferior direito da capa, esta notícia ÚLTIMA HORA – DETENÇÕES EM CRICIÚMA – O Dr. Helvídio de Castro Veloso Filho, Delegado Regional de Polícia de Criciúma, recebeu e está cumprindo ordens, de Florianópolis, para deter e interrogar diversas pessoas de nossa cidade. A polícia criciumense deu, também, uma batida no Sindicato dos Mineiros onde foram apreendidos alguns cassetetes. Quer dizer: no canto superior esquerdo a nota dizendo que tudo estava na mais perfeita calma e, no cantinho inferior direito, a notícia de detenções.

E continua, o nosso semanário: SUPERADA A CRISE: VITÓRIA DO MOVIMENTO REBELDE – O Brasil vive uma semana agitada com a rebelião contra o governo federal iniciada em Minas Gerais, rebelião esta que ganhou terreno com a adesão, a princípio, dos estados de São Paulo e da Guanabara e, depois, com a solidariedade dos demais estados da federação, com exceção do Rio Grande do Sul, onde o governador Ildo Meneghetti,declarando-se aliado das forças que se levantaram  em  Minas Gerais, contra o Sr.João Goulart, rsolveu transferir a sede do governo para o interior do estado, uma vez que as rádios, da capital gaúcha, ocupadas por elementos contrários à rebelião, estavam pregando desordem, indisciplina e violência. Enquanto isto sucedia, as informações que se obtinham sobre a situação nacional eram das mais confusas, porém o que se sabe é que o Sr. João Goulart, ao deixar a Guanabara, dirigiu-se para Brasilia. Na capital federal não se sabe, ao certo, as intenções do presidente. Porém às 3h15 da madrugada pousou um avião no aeroporto Salgado Filho, de Porto Alegre, e dele desembarcou o Sr. João Goulart. Um dos oficiais que acompanhavam o presidente, disse aos jornalistas que Jango vinha ao Rio Grande do Sul para prosseguir na luta.

Amanhã darei sequência a essa importante edição do nosso Tribuna Criciumense. Até lá amigos e um abraço do meu tamanho!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 16/04/2020 - 10:23Atualizado em 16/04/2020 - 10:28

Ontem me escudei em Luiz Vaz de Camões, com o seu Lusíadas, e o verso marcante de Cesse tudo o que a Musa antiga canta, que outro valor mais alto se alevanta.

A repercussão foi tão espetacular que me propus a voltar à literatura, fazendo uma comparação com os versos de um poeta e o estado de espírito do brasileiro comum.

É de Carlos Drumond de Andrade, o poeta maior da terra tupiniquim, a composição poética que embasa as minhas linhas de hoje. E observe, o prezado ouvinte, como cada verso se encaixa, perfeitamente, no cotidiano que estamos vivendo.
E Drumond diz:

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Drumond é fantástico. Parece que antevia, na década de 1940, o que ocorreria com o José brasileiro de 2020. Enfatiza, em cada estrofe, que os bons momentos terminaram, que a festa acabou, que a luz apagou, que o povo sumiu e pergunta: o que resta? Carlos Drumond de Andrade se refere a um José qualquer, muito comum no mundo onomástico brasileiro. Um José que pode ser um José, por que não? Mas que pode ser você que me honra com a sintonia. Um José qualquer, sem tradições, sem frequentar o andar de cima.

Mas Andrade vai além e pergunta: pra que serve a palavra escrita num tempo de guerra, miséria e destruição?

Na estrofe que segue Drumond chama José é sentencia:

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia,
e tudo acabou,
e tudo fugiu,
e tudo mofou,
e agora, José?

Como quem afirma: o Novo Coronavirus está aí, à porta, e você, José, não pode sair, está sem mulher, não tem o que falar, está sem carinho, vigiado e policiado por todos, tolhido da liberdade de ir e vir. E é duro ao afirmar que a noite esfriou, o dia não veio, o bonde não veio, o sorriso não veio. Tudo por conta dessa praga que castiga a humanidade no Século XXI.

E Drumond não se cansa e escreve a terceira estrofe:

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio — e agora?

É como se ele antevisse o dramático momento de José que não pensa noutra coisa que não no emprego, que está a um fio; na comida, que está escasseando; no salário, que pode ter seu valor nominal diminuído; na luta com seus próprios irmãos, na busca de uma situação confortável para a sua família.

Carlos Drumond de Andrade é cruel e escreve a quarta estrofe:

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Drumond é duro: José quer abrir a porta, mas porta não há, quer morrer no mar, mas o mar secou; sequer aventa a possibilidade de José morrer e obriga José a viver.

Aí ele diz para José:
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Quer dizer, ele tripudia José: Mas você não morre, José, Você é duro José!

E eu emendaria: Drumond sabia o que ocorreria em 2020. Drumond sabia que a pandemia do Novo Coronavirus tomaria conta do Planeta e encontraria o José indefeso. E este raciocínio é tão lógico que ele prossegue:

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua para se encostar,
sem cavalo preto que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

Nosso poeta se antecipava e descrevia o isolamento do confinamento, sozinho no escuro, sem Deus, sem fé, sem parede para se encostar, sem cavalo preto ou sei lá de que cor, para cavalgar e fugir a galope. Pobre José!

E minha prosa termina recitando a primeira estrofe deste que é um dos maiores referenciais poéticos da língua portuguesa:

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

E que todos comecemos o dia como queremos termina-lo! Bom dia!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 15/04/2020 - 11:35Atualizado em 15/04/2020 - 11:37

“Cessem do sábio Grego e do Troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandre e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram.
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.”

Estes são versos que faziam o terror dos ginasiano de minha geração, que tínhamos que decorar os Lusíadas, de Luiz Vaz de Camões,  o poeta maior português, publicado pela primeira vez em 1572.

Busco Camões e os Lusíadas para repetir: Cesse tudo o que a Musa antiga canta, que outro valor mais alto se alevanta.

A pandemia que chicoteia a população terráquea com o Novo Coronavirus, ou o Covid-19, impõe um comportamento tão singular que, a partir dela, novos valores e novos rumos hão que ser adotados pela humanidade. E não sobra ninguém: essa pandemia não escolhe sexo, nem raça, nem condição social, nem poderio econômico, nem religião, nem etnia: somos todos iguais no medo, na contaminação e na morte.

Levados para dentro de nossas próprias casas, das quais somos verdadeiros prisioneiros, ela, a pandemia, nos obrigou a utilizar melhor nossos neurônios e a buscar novas alternativas para ocupar o tempo e desenhar o futuro próximo.

Um clima de solidariedade toma conta de todos, embora todos não se vejam, não se cumprimentem, não se abracem. A necessidade nos fez e faz pensar diferente; nos fez valorizar a liberdade, a dar valor ao ir-e-vir sem restrições, a tomar conta do que é de maior valor a cada um: da vida.

Cesse tudo o que a Musa antiga canta, que outro valor mais alto se alevanta. O que valia para o patrão, já não vale tanto como ele supunha. O que valia para o empregado, é bem diferente do que praticava. O sindicato mudou o tom da conversa. O emprego passou a ter peso e valor diferentes. O conceito de contrato de trabalho mudou o verniz. O aluno não precisa mais ir à escola, esta vem ao aluno e isto já faz parte do calendário escolar. Videoconferências reúnem centenas de pessoas, de todos os lugares, ao mesmo tempo, dispensando eventos de altos custos. A medicina já avança para consultas pelas câmeras dos aparelhos celulares. O próprio parlamento brasileiro já ouve discussões e faz votações por intermédio das redes sociais. A Suprema Corte toma decisões por meio virtual. Há uma nova realidade no ar. Novos valores afloram e darão um Norte diferente a tudo o que se faz em todos os lugares.

No confinamento buscamos novas ideias e, mercê de Deus, ao sairmos dele - do confinamento - viveremos novos tempos. Cesse tudo o que a Musa antiga canta, que outro valor mais alto se alevanta, dizia, Luiz Camões, nos anos 1500, para os viventes de 2020, 520 anos depois. Os estabelecimentos comerciais repensam sobre o seu modus operandi e já se vislumbra que suas operações, em todos os setores da economia, serão tratadas e executadas via internet. Os serviços de tele entrega, moto-entrega e até byke-entrega se avolumam e preenchem um espaço nunca dantes imaginado, cuja tendência é crescer cada vez mais. Empregados trabalham em casa, num novo conceito empregatício, os vales de todos os adjetivos desaparecerão, os funcionários públicos trabalharão em casa e a estabilidade funcional conta seus últimos dias, os governos fazem o seu mea culpa concentrados na necessidade de melhor se prepararem para crises assemelhadas.

São as lições impostas por Luiz Vaz de Camões, que a professora de português nos exigia à ponta da língua: Cesse tudo o que a Musa antiga canta, que outro valor mais alto se alevanta, querendo transmitir: o que passou, passou! Agora, a realidade é outra, é depois da pandemia do Novo Coronavirus, verdadeiro divisor de águas do mundo contemporâneo. É ela que passa a dar as cartas, determinando: Cesse tudo o que a Musa antiga canta, que outro valor mais alto se alevanta. 

Psiu, você aí: está preparado para o valor mais alto que se alevantará a partir do Corona?

E que todos comecemos o dia como queremos termina-lo! Bom dia!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 15/04/2020 - 06:59

Busquei, ainda na edição que circulou na semana de 28 de março a 4 de abril de 1964, do nosso saudoso semanário Tribuna Criciumense, os tópicos de publicações que dão um mergulho no passado e se transformam na Crônica da Cidade de hoje.

JÃNIO: BICHO PAPÃO – Em São Paulo, inquéritos de opinião pública indicam que, até agora, o Sr. Jânio Quadros tem cerca de 60% dos votos da zona periférica da capital e de, 30% a 40%, da classe rica, resultado mais do que suficiente para considerar-se eleito prefeito da maior cidade do Brasil, nas próximas eleições municipais. Na capital paulista é previsto que, eleito, Jânio candidatar-se-á ao governo do Estado e, em 1960, disputará a presidência da República.

E foi o que aconteceu. Aquele jovem advogado mato-grossense, professor de língua portuguesa e vereador, foi eleito prefeito municipal, depois governou São Paulo, depois foi eleito deputado federal pelo Paraná (nunca foi a uma sessão, sequer, do Congresso Nacional) e, finalmente, eleito presidente da República. Renunciaria dia 25 de agosto de 1961, sete meses depois de ter assumido, e o resto da história o ouvinte vai saber em seguida.

AS MANCHETES DA PÁGINA DE FUTEBOL – HERCILIO LUZ É LIDER SOZINHO. O clássico Ferro-Luz, emTubarão, levou grande público ao estádio Aníbal Costa e a arrecadação foi a melhor do certame estadual: Cr$ 748.743,00. Hercílio ganhou por dois a zero. NÃO HOUVE GOL NO FLA-FU – Comerciário e Atlético Operário não saíram do zero a zero. GUATÁ SURPREENDEU – Marcilio Dias, franco favorito, não passou de um amargo empate em dois gols, jogando contra o Guatá, de Lauro Müller. MINERASIL CAIU – Num jogo pobre, tecnicamente, o Minerasil perdeu para o Postal Telegráfico, da capital, por 3 a zero. BARROSO VENCEU – Em Itajaí o Barroso aplicou dois a zero no Figueirense. METROPOL T ROPEÇOU – Em Imbituba, o Metropol perdeu para o Atlético local pelo escore de 2 a 1.

E chegamos à edição de Tribuna Criciumense que circulou na semana de 3 a 11 de abril de 1964, a primeira após o advento dos governos militares. E a capa foi toda ocupada por notícias e fotos daquela crise que derrubou João Goulart e levou para o governo as Forças Armadas brasileiras. As manchetes foram estas: TUDO CALMO EM CRICIÚMA – SUPERADA A CRISE: VITÓRIA DO MOVIMENTO REBELDE – MAZZILLI NA PRESIDÊNCIA – DONA MARIA TERESA EM MADRI – JOÃO GOULART VIAJA – JANGO EM MONTEVIDEU – DETENÇÕES EM CRICIÚMA – EM SÃO PAULO, GRANDE DESFILE – POVO CARIOCA FESTEJA A VITÓRIA – Por sua vez, as fotos foram de Carlos Lacerda, Jango, Magalhães Pinto e da festa popular do Rio de Janeiro. Na Crônica de amanhã, os pormenores.

E eu retornarei amanhã. Até lá amigos e um abraço do meu tamanho!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 14/04/2020 - 10:25Atualizado em 14/04/2020 - 10:33

Há alguns anos, quando o blog era uma das novidades do mundo das comunicações modernas, um colega de trabalho me induziu a construir o meu – embora a contra gosto – e nele publiquei alguns trabalhos literários de minha lavra. Para mexer no seu conteúdo precisava ser digitada uma senha constituída de letras e algarismos. Nos primeiros dias, tudo bem. De repente, qual é mesmo a minha senha? Perdi aquela combinação algorítmica e o blog, oh, foi para o arquivo do tempo.

Ontem, por obra do Denis Luciano e seus colegas de estúdio, um novo blog me foi construído e inserido no Portal 4oito.com.br, aqui da nossa emissora. Este comentário, por exemplo, dentro de instantes estará fazendo parte do seu corpo, assim como a crônica diária que traz à tona os principais tópicos de edições antigas do nosso grande hebdomadário Tribuna Criciumense, de saudosa memória.

E é dela, da Crônica da Cidade, que quero me reportar. Este trabalho, de resgate histórico, começou retratando fragmentos noticiosos de Criciúma, a partir de 1951, estampados nas edições do nosso primeiro semanário, o Folha do Povo, de propriedade do advogado Dr. Pedro Vergara Correa. Era 24 de abril de 2017 e, desde ali, diariamente, um pedaço escondido da nossa história é trazido ao ar e fazendo recordar importantes acontecimentos havidos em nossa progressista cidade.

Hoje está sendo radiofonizada a edição que circulou na semana de 28 de março a 4 de abril de 1964. Foi a primeira edição a partir dos episódios ocorridos a 31 de março de 1964, porém, como o jornal já esteva impresso quando da chegada dos militares ao Poder, tais fatos fariam o cerne da edição seguinte e isto é o que veremos amanhã.

Até agora a Crônica da Cidade – que é um compromisso da Som Maior com a História de Criciúma – vem sendo apenas radiofonizada. Daqui pra frente, além de três inserções diárias, na programação da emissora, ela estará estampada nas páginas do meu blog, no portal 4oito.com.br.

Amanhã, por exemplo, divulgarei as manchetes intrigantes da capa da edição da semana de 3 a 11 de abril de 1964 que nos disseram: TUDO CALMO EM CRICIÚMA – SUPERADA A CRISE: VITÓRIA DO MOVIMENTO REBELDE – MAZZILLI NA PRESIDÊNCIA – DONA MARIA TERESA EM MADRI – JOÃO GOULART VIAJA – JANGO EM MONTEVIDEU – DETENÇÕES EM CRICIÚMA – EM SÃO PAULO, GRANDE DESFILE – POVO CARIOCA FESTEJA A VITÓRIA – Por sua vez, ainda na capa, quatro fotografias: Carlos Lacerda, Jango, Magalhães Pinto e a festa popular do Rio de Janeiro. 

Isso tudo estará sendo dissecado, com a transcrição - ipsis literis - de tais notícias que retratam o sentimento da cidade nos primeiros momentos daquela grave crise política que se abateu sobre a nossa combalida República. Muitos, certamente, se lembrarão de tudo. Outros, em número consideravelmente maior, tomarão conhecimento daqueles fatos todos.

Então, finalizando a prosa de hoje, o que falo e o que escrevo, a partir de ontem, publicados no meu blog inserido no Portal 4oito.com, inclusive com o podcast, isto é, com o áudio da minha fala.

E que todos comecemos o dia como queremos termina-lo! Bom dia!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 14/04/2020 - 07:05

Busquei, na edição que circulou na semana de 28 de março a 4 de abril de 1964, do nosso saudoso semanário Tribuna Criciumense, os tópicos de publicações que dão um mergulho no passado e se transformam na Crônica da Cidade de hoje.

USIMINAS DEVE UM BILHÃO AO SUL – Com destino ao Rio de Janeiro, viajará, na segunda feira, uma caravana de mineradores em companhia dos prefeitos municipais da região carbonífera. Essa comissão terá encontro com o ministro de Minas e Energia, com o ministro da Fazenda, com o presidente do BNDE e com o presidente da Usiminas, visando obter uma solução para o pagamento das faturas em atraso que, a esta altura, ultrapassam a soma de um bilhão de cruzeiros. Na ocasião tratarão, junto ao Congresso Nacional, da manutenção do royalty às prefeituras, quando discutir a regulamentação do imposto único sobre minerais. Esse royalty foi a salvação das nossas prefeituras durante muito tempo. Fora criado o IUM, ou Imposto Único sobre Minerais e, dele, generosa fração era devolvido aos municípios produtores de minérios. Quando o IUM era creditado à conta do tesouro municipal, havia festa nas cidades produtoras de carvão: com tais recursos os prefeitos liquidavam praticamente todos os débitos da administração.

ZÉ TRINDADE VEM AÍ – Zé Trindade, popular cômico do cinema nacional, estará em Criciúma dia 4 de abril. Esse fenomenal artista tem sido responsável por inúmeras gargalhadas pelos diversos papéis que interpretou. Conhecido em todo o Brasil pelas telas dos cinemas, Zé Trindade trabalhou em diferentes películas, como Mulheres, Cheguei, Espírito de Porco, Mulheres à vista, Marajá da índia, Entrei de Gaiato, Camelô da Rua Largo, e tantos outros. Depois de se apresentar no palco do Cine e Teatro Milanez Zé Trindade irá se apresentar na Metropolitana e em Siderópolis.

ELEIÇÕES ESTUDANTIS EM CRICIUMA – (Reprodução ipsis literis) Realizaram-se, dia 15 p. p., as eleições democráticas visando a renovação nos quadros diretivos da União dos Estudantes de Grau Médio de Criciúma – Uesc. Foi grande o comparecimento às urnas por parte do estudantado de Criciúma, apesar da inexistência de oposição à candidatura de Archimedes Naspolini Filho e de seus companheiros de chapa Carlos Roberto Amante e Linei Regina Conti. A posse aconteceu no salão nobre da Galeria Benjamin Bristot com a presença de altas autoridades e de muitos estudantes da cidade. As eleições da Uesc realmente mexiam com a cidade de Criciúma. Lamentavelmente aquela entidade sucumbiu em 1965, por ordem de autoridades militares, segundo informou o presidente de então, Eno Steiner. 

E eu retornarei amanhã. Até lá amigos e um abraço do meu tamanho!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 13/04/2020 - 16:12Atualizado em 13/04/2020 - 16:39

Hoje fujo da rotina: nada de coronavírus, nada de Covid-19, nada de quarentena, absolutamente nada de prisão na própria casa. Hoje quero falar de um personagem que, mercê de Deus e da sua competência, é o responsável por uma família de, certamente, mais de 1.000 descendentes diretos e indiretos. Num resumo muito estreito, tentarei publicar a sua vida.

Na fria noite do dia 9 de abril de 1853, numa roda de enjeitados do Instituto Santa Maria della Pietá, num dos canais da bela cidade de Veneza, uma mãe, da qual sabe-se absolutamente nada, deixava seu filho, nascido naquele dia, puxava o sino que anunciava a chegada de um bebê, e ali iniciava a saga de um ítalo-brasileiro que, depois de adotado e casado, emigrou para o Brasil, vindo a residir em Cocal, hoje Cocal do Sul.
 
Quando aquela mãe deixou aquela criança na roda dos enjeitados, num orfanato que se dedicava a esse mister, deixou, também, uma única referência: a metade de um santinho, santinho do Sagrado Coração de Maria. Imagina-se que, se as suas condições de vida melhorassem, retornaria e se apresentaria com a outra metade, para receber de volta o seu filho. 

Seria a certidão de nascimento daquela pequena criatura. Mas, a mãe não retornou. E a metade do santinho ficou arquivada com o seu registro no orfanato, onde se encontra até os dias atuais. Na pia batismal no próprio orfanato, recebeu o nome de Stefano, Stefano Naspolini, sobrenome inventado, no momento do registro, no orfanato.

Na adoção pela família de Pietro Panata, foi levado para Arson, um lugarejo na montanha, que nem fazia parte do mapa, no secular município de Feltre, protegido por muralhas. Casado, com sua mulher Giovanna Scott, veio para o Brasil. E foi chamado, por Ferdinando Burigo, para chefiar uma turma de operários, quase todos italianos como ele, que abriam a ligação rodoviária entre Florianópolis e Lages. Acantonado em Rancho Queimado foi vítima de tifo e, por causa do tifo, morreu, aos 51 anos de idade. Foi sepultado no cemitério de Taquaras, vilarejo daquele município.

Deixou órfãos os filhos Brasil, com 17 anos, Ítalo, com 13 anos, Cincinato, com 11, Archimedes, com 5 e Iolanda, com 2 aninhos apenas. Brasil, o mais velho, na condição de arrimo da família, tomou para si os encargos da educação dos seus irmãos. Foi conselheiro, em Urussanga, em 1903. 

Na quinta-feira santa, Stefano estaria completando 167 anos. A família que ele iniciou vai se reunir, na vila de Taquaras, cidade de Rancho Queimado, onde repousam seus restos mortais, dia 9 de abril de 2023, para comemorar os 170 anos de Stefano e de fundação da família Naspolini, conforme programa estabelecido por seu guardião maior, o Professor Antenor Naspolini, pesquisador e descobridor de todas estas informações.

Naspolini: meu avô, primeira geração; meu pai, segunda geração, este articulista, terceira geração e, assim, sucessivamente, até a oitava, cujos primeiros Naspinhos estão chegando.

Desculpem, hoje minhas linhas tinham que ser para o nonno, para o nonno Stefano, fundador e esteio angular do tronco familiar Naspolini.

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 13/04/2020 - 10:15Atualizado em 13/04/2020 - 16:34

Continuo buscando, na edição que circulou na semana de 21 a 28 de março de 1964, do nosso saudoso semanário Tribuna Criciumense, os tópicos de publicações que dão um mergulho no passado e se transformam na Crônica da Cidade de hoje.

DESPERTAR DE VOCAÇÕES – A vida atual, em suas diversas circunstâncias, e pela inflação que, a todos, atormenta, tem tornado cada vez mais difícil o setor dos estudos. Procurando superar estas condições e dar ao filho do operário mineiro, além do estudo teórico, o técnico, tão solicitado pela especialização atual, os mineradores de carvão tomaram a iniciativa de criar a escola técnica da Satc, cuja parte industrial foi focada em reportagem anterior que vem, agora, ser complementada por algumas palavras sobre o ginásio industrial, que funciona com suas quatro séries ao lado daquele estabelecimento. É um artigo, da direção do jornal, falando sobre o funcionamento da escola técnica industrial da Satc. A redação é concluída com estas palavras: Antes de terminar deve-se dizer que, tanto na escola industrial quanto no ginásio industrial o ensino é inteiramente gratuito, assim também o transporte, o internato, o material, a alimentação, os livros didáticos, enfim, para estudar na Satc o aluno tem apenas um dispêndio: querer estudar.

SEM VESTIBULAR – O ministro interino da Educação, sr. Júlio Sambaqui, informou a jornalistas que, já no próximo ano, 1965, cerca de 20.000 formandos do curso secundário, não precisarão prestar exames vestibulares para ingressar no ensino superior, terão ingresso garantido. OS beneficiados serão os alunos dos colégios universitários instituídos pelo MEC junto às antigas universidades. Esta medida é o início de um programa que visa acabar com os exames vestibulares, permitindo que o certificado de conclusão do curso secundário garanta, ao portador, ingresso automático nas faculdades. Não ocorreu. O vestibular continuou sendo o terror dos secundaristas até o século seguinte, pois só depois do ano 2000 é que tais vestibulares, para alguns cursos, foram abolidos.

CRICIÚMA VERÁ O PERNAS TORTAS – Garrincha acompanhará a delegação botafoguense que, em futuro próximo, visitará nossos gramados, a convite do Atlético Operário F. C. Porém, a data de 1 de abril está descartada. A vinda do Botafogo foi adiada porque o Atlético está comprometido com o campeonato catarinense. Veremos, em edições futuras, que o Botafogo veio e trouxe o Pernas Tortas. Garrincha foi a grande atração, mas parou no zagueiro Tenente. Eu estava no Valdemar de Brito, e vi.

E eu retornarei amanhã. Até lá amigos e um abraço do meu tamanho!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 09/04/2020 - 10:34Atualizado em 16/04/2020 - 10:55

Com certeza grande parte da sociedade católica de nossa região, atônita com a experiência do confinamento em sua própria casa, está meio esquecida de que vivemos a semana santa, tradicional período do calendário católico, que nos remete à Paixão e Morte de Jesus Cristo.

A mídia tem se ocupado diuturnamente da Covid-19 e nós outros, amedrontados, não pensamos noutra coisa a não ser na possibilidade do contágio e no perigo de um óbito iminente.

Hoje é a quinta-feira santa.

Hoje, na casa de meus pais – faz tempo, é verdade – hoje era um dos dias que mais trabalhávamos os afazeres domésticos. Tudo em dobro, haja vista que a tradição e o costume eram fazer absolutamente nada na sexta-feira da Paixão.  Na Sexta-feira Santa falava-se baixinho, fazia-se o jejum, não se faziam nenhum dos costumeiros serviços diários: sequer a casa era varrida. Tudo para não perder a concentração de que, naquele dia, comemorava-se a morte de Jesus Cristo.

Evidentemente que os tempos são outros, a educação deu um pulo à frente, os costumes são outros, a igreja se renovou. Mas já foi exatamente assim como explanei.

Hoje é a Quinta-feira Santa. Foi na quinta-feira que ocorreu a última ceia do Mestre, a qual tomaria o nome de Santa Ceia ou Última Ceia. E foi nela que foi instituída a eucaristia, e foi nela que foi instituído o sacerdócio.

A eucaristia, quando Jesus tomou o pão e o vinho e, depois de abençoa-los os distribuiu aos seus discípulos com o mandamento: tomai e comei, isto é o meu corpo.

O sacerdócio, quando ele determinou: fazei isto em memória de mim.

É hoje, também, que o ritual sacro do catolicismo realiza a cerimônia do lava-pés e a bênção dos santos óleos. Na do lava-pés remonta-se à época em que os judeus, ao fazerem visitas ao próximo, antes de adentrar à casa, lavavam seus pés para purifica-los e não portarem resquícios de sujeira àquele lar. Tem-se, também, como significado, a humildade de Cristo em se abaixar e praticar a lavagem dos pés de seus semelhantes.

Nas cerimônias religiosas de hoje, a Igreja Católica, nas suas catedrais, faz a bênção dos óleos que, durante o ano serão utilizados pelos sacerdotes em diversas ocasiões como: batizado, crisma, unção dos enfermos, extrema unção, etc. O ato é presidido, sempre, pelo bispo da respectiva diocese.

A partir de hoje os sinos de todos os templos católicos deixarão de bater e permanecerão em silêncio até o domingo de Páscoa que, como todos sabemos, celebra a ressurreição de Cristo. Até lá o som será o das matracas.
Então, feliz páscoa, caríssimo ouvinte!

E que todos comecemos o dia como queremos termina-lo! Bom dia!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 09/04/2020 - 07:01Atualizado em 13/04/2020 - 16:50

Busquei, na edição que circulou na semana de 21 a 28 de março de 1964, do nosso saudoso semanário Tribuna Criciumense, os tópicos de publicações que dão um mergulho no passado e se transformam na Crônica da Cidade de hoje.

SEM INCIDENTES – Falharam os prognósticos que previam ambiente tenso e manifestações violentas por ocasião da visita do Padre Alípio Freitas à cidade. Com efeito, o comício de quarta-feira, dia 18, no Sindicato dos Mineiros, não foi muito concorrido. A pregação da caravana nacionalista é realmente exaltada, porém nosso mineiro manteve-se calmo, as palavras não o exaltaram, nem mesmo quando lhe era solicitada parte ativa. Ao contrário do que sucedeu em Araranguá, onde os líderes nacionalistas não puderam discursar, aqui eles falaram livremente. Parte dos que ouviram os discursos o fizeram mais por curiosidade. A caravana pouco se demorou em nossa cidade, tendo seguido viagem na mesma noite.

Padre Alípio era deputado federal e liderava a facção mais à esquerda da política nacional. Português de nascimento era amigo de Pablo Neruda e Kruhtchev. Em 1962 abandonou o sacerdócio. O governo militar cassou seus direitos políticos e passou a viver na clandestinidade fomentando o movimento revolucionário camponês. Morreu no México em 2017. Agitava demais!

NOVA RODOVIA A SIDERÓPOLIS - ... A expansão do nosso quadro rodoviário é fato comprovado, havendo, porém, uma obra a ser levada a efeito: a nova estrada Criciúma-Siderópolis. Agora, com a conclusão da nova rodovia Criciúma-Urussanga, é altamente interessante que o governo, possivelmente com a participação das companhias mineradoras, tomasse a sério esta questão. Realmente, está aí uma estrada que não deixou saudades: a antiga ligação Criciúma-Siderópolis. Começava subindo o íngreme Morro do Bainha, passava pelo Bairro Naspolini, depois a Mina do Toco, depois São Geraldo para, finalmente, descer a montanha e chegar a Siderópolis. Era estreita, esburacada, coberta de rejeito piritoso e com muitas curvas.

POBRES VIANDANTES – Espetáculo dos mais deprimentes a população de Criciúma teve oportunidade de assistir, na tarde de terça-feira, quando um grupo de pessoas maltrapilhas deteve-se ante a prefeitura municipal, solicitando auxílio. Tribuna Criciumense compareceu ao local, onde, cercados por quantidade de curiosos, mulheres e crianças pobres, acomodadas sobre trouxas de roupa, esperavam para saber qual seria o seu destino. Interrogamos um dos viandantes que nos disse serem provenientes do norte do Paraná de onde saíram por não terem trabalho naquela região. Fez questão de garantir que, embora maltrapilhos, eram pessoas de bem que queriam, unicamente, trabalho. 

E eu retornarei segunda-feira. Até lá amigos e um abraço do meu tamanho!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 08/04/2020 - 10:45Atualizado em 16/04/2020 - 10:58

Ontem falei sobre o Fundão e fiz até um raciocínio meio confuso porque são dois os Fundos: o Eleitoral e o Partidário. O primeiro cuida de pagar as despesas das eleições e, o segundo, da vida dos partidos políticos. Mas, a semelhança não é mera coincidência.

Parece que eu já sabia: ao final da tarde, o juiz federal Itagiba Catta Preta Neto, da 4ª Vara Federal Cível de Brasília, determinou o bloqueio de tais fundos, e que tais dotações sejam destinadas às campanhas de combate à proliferação do Novo Coronavirus.

Não sei quanto tempo essa determinação viverá, isto é, não sei se, em instância superior, a determinação não será cassada e esta dúvida reside no fato de que tais instâncias superiores têm se aprimorado, ultimamente, em votar contra os anseios do povo.

A História nos diz que a Itália foi o berço de nascimento de partidos políticos, mas que o primeiro país a adota-los foi a Inglaterra. No Brasil, o primeiro partido a ser fundado foi o Republicano, ao tempo da Monarquia, e que visava, exatamente, a derrubada do regime monárquico e a adoção da República como forma de governo.

Desde então, a cada eleição, se discute a possibilidade de candidaturas avulsas, isto é, sem a vinculação a partidos políticos. E esta tese está nos escaninhos do Congresso Nacional e da Suprema Corte de Justiça. No Congresso, em forma de proposta de emenda à Constituição abrindo tal possibilidade. No STF, como recurso ao registro de tal candidatura.

Feita esta digressão, lembro que, no corrente ano, haverá eleições para prefeito e para vereador. Com data pré estabelecida: 4 de outubro.

Em função da crise estabelecida no combate à praga do Covid-19, ouvem-se vozes falando em suspensão das eleições deste ano, remetendo-as para 2022, com a prorrogação dos atuais mandatos municipais, ou, adiamento do pleito, jogando-o para o mês de dezembro.

A primeira hipótese sequer será examinada pelo Tribunal Superior Eleitoral e/ou pelo Congresso Nacional. Por quê? Porque a consulta popular objetivando eleições da maneira como o são, é cláusula pétrea da nossa Constituição Federal que, por ser pétrea, só poderia ser alterada por uma Assembleia Nacional Constituinte, e seria um casuísmo pernicioso convocar uma Assembleia Nacional Constituinte para votar tal proposta. Agora, o adiamento, para dezembro, tem fôlego e poderá até ser estabelecido, isto é, ao invés de outubro, jogar as eleições para dezembro.

O que se nota, relativamente ao ano eleitoral, é que a discussão político-eleitoral, também entrou no clima do confinamento: os partidos, os políticos, os candidatos, as consultas, os convites, as visitas, os conchavos, a cooptação, tudo na caserna: com o covid-19, as candidaturas murcharam, os candidatos deixaram de se assanhar, os sonhadores emudeceram. E, com esta da suspensão do pagamento do Fundão, para pagar as despesas eleitorais, muitos “potenciais” candidaturas passam a ser esquecidas. Sem recursos financeiros, diria Dona Chiquinha, o buraco é mais embaixo!

E que todos comecemos o dia como queremos termina-lo! Bom dia!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 08/04/2020 - 06:58Atualizado em 13/04/2020 - 16:51

Continuo buscando, na edição que circulou na semana de 14 a 21 de março de 1964, do nosso saudoso semanário Tribuna Criciumense, os tópicos de publicações que dão um mergulho no passado e se transformam na Crônica da Cidade de hoje.

EM FORQUILHINHA INAUGURADA AGÊNCIA DOS CORREIOS – No último dia 8 realizou-se a inauguração das novas instalações da agência postal telegráfica de Forquilhinha, com a presença do diretor regional do DCT em Santa Catarina, Israel Gomes Caldeira, do Delegado do Tesouro Nacional em nosso estado, senhor Natalício Barcelos e de diversas outras autoridades estaduais e municipais. Grande número de agentes postais de toda a região se fez presente à cerimônia que teve início com a bênção às dependências procedida pelo vigário da paróquia local. A seguir foi feita uma comunicação com Florianópolis, Criciúma e Tubarão, trocando-se as mensagens inaugurais. Ao final falou o Sr. Apolinário Tiscoski, agente postal telegráfico do Distrito. Terminou convidando a todos os presentes para um coquetel nas dependências do Hotel Forquilhinha.

CAMPEONATO CATARINENSE – Metropol x Guatá – Teremos o início do campeonato da divisão de honra, da Federação Catarinense de Futebol, amanhã, quando o E. C. Metropol estreará frente ao Guatá, da cidade de Lauro Müller. Cremos que o match válido pelo campeonato do estado muito trará de proveitoso ao público presente.

Comerciário x Urussanga – Na sequência da primeira rodada teremos, quarta-feira próxima, uma partida noturna em que o Comerciário recepcionará ao Urussanga F. C., da cidade do vinho.
Atlético em Florianópolis – Temos também um dos nossos representantes em ação, na noite de quarta-feira, na capital do Estado, frente ao aguerrido Figueirense F. C.
Gaiola no Metropol – No retorno de Gaiola, do Rio de Janeiro, onde esteve fazendo teste no Botafogo de Futebol e Regatas, não mais se acertou com o time da Vila Famosa e, por esta razão, fez teste no Metropol. Gaiola satisfez ao novo treinador, Luiz Engelk, e foi contratado por uma temporada.

O CASCA GROSSA – Dia 24 de abril vindouro, reprise da comédia O Casca Grossa, no Cine e Teatro Milanez, em benefício ao Ginásio Marista. Elenco: Modesto, Antônio Luiz; Mendonça, Altair Cascaes; Honorato, Edmar Vilaça; Luiz, Magno Garbelotto; Isabel, Santina Silvestre; Clementina, Donatila Borba; Etelvina, Juçara Hülse. Ponto: Edite Caetano e Carmem Frydberg. 

E eu retornarei amanhã. Até lá amigos e um abraço do meu tamanho!

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 07/04/2020 - 10:23Atualizado em 16/04/2020 - 11:00

Hoje quero falar de um tema que arrepia os brasileiros de norte a sul do país: o Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos, ou – na forma simplificada – do Fundo Partidário, ou, na forma mais simplificada, do Fundão.

Esse Fundão é uma forma de financiamento das eleições geradas no Brasil, assim como à própria manutenção dos partidos políticos brasileiros. Quer dizer, nós pagamos para os políticos se organizarem em partidos e nós pagamos as despesas eleitorais para os políticos se elegerem.

Não vou nem desenhar: é fácil – demais - o entendimento.

E não é coisa nova, não. O Fundão existe desde 1965, quando foi editada a primeira Lei Orgânica dos Partidos Políticos, sancionada pelo presidente Castello Branco. Só que, a exemplo de um certo vírus que ameaça a humanidade, ele veio sofrendo mutações e transformações e, hoje, tem uma dotação orçamentária bilionária, paga por nós.

Além da robusta verba no orçamento fiscal, isto é, daquele valor que é colocado no orçamento nacional para ser distribuído aos partidos, ao Fundão também são alocados, a ele, os dinheiros arrecadados a título de multas eleitorais, que não são poucos.

Compete ao Tribunal Superior Eleitoral fixar as parcelas do Fundão para cada partido, considerando que todos se igualam numa primeira distribuição: 5% para cada agremiação política registrada no TSE. Os outros 95% são distribuídos aos partidos proporcionalmente à sua representação parlamentar: quanto mais deputados federais o partido eleger maior será a sua parte nesse Fundão. Para o PT, que tem a maior bancada, a maior fatia: a bagatela de 377 milhões e 700 mil reais. Capisci?

O TSE chama seus técnicos contábeis – nem precisa ser tão técnico para isso – para calcular o valor que cada partido deva receber, mensalmente. É o tal valor duodecimal, que o tesouro nacional deposita a cada partido, ao final de cada mês, religiosamente.

Aí os dirigentes de cada partido, lá em cima, fazem a distribuição dentro de sua respectiva agremiação: tanto para a representação do presidente, tanto para pagar as secretárias, tanto para pagar os assessores, tanto para a reserva às eleições, tanto para pagar ex-presidente. Enfim, cabe a cada partido fazer uso do nosso dinheiro como melhor lhe aprouver.

Quando ficou proibida a busca de dinheiro empresarial para custear as eleições, os expertos manipuladores do dinheiro público, compensaram aquela substancial contribuição aumentando a dotação do Fundão. Hoje é de 2 bilhões e 34 milhões de reais que deverão dar suporte às eleições de prefeitos e vereadores em todo o país. E os deputados e senadores aprovaram essa escandalosa importância sem ficarem com a cara vermelha!

Daí, o Partido Novo, resolveu destinar a sua cota para engrossar a verba de combate ao Novo Coronavirus. O Tribunal Superior Eleitoral não permitiu.

Quer dizer, desgraçadamente um país com sua economia em frangalhos é obrigado a custear as despesas de eleição de seus políticos, com o dinheiro do povo, com o dinheiro dos nossos impostos, com o dinheiro que poderia ajudar nas campanhas epidemiológicas. 
Pobre Brasil!

E que todos comecemos o dia como queremos termina-lo! Bom dia!

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