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DEIXE AQUI SEU PALPITE PARA O JOGO DO CRICIÚMA!
* as opiniões expressas neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do 4oito
Por Arthur Lessa 14/11/2022 - 13:23 Atualizado em 14/11/2022 - 17:11

Com a Taxa Selic (que regula os juros no Brasil) acima de 1% ao mês, muitos dos investidores que, até pouco tempo, a chamavam de "Perda Fixa", voltaram seus olhos com paixão para a Renda Fixa.

Mas além da poupança, que nesse cenário é uma armadilha, essa categoria tem diversos tipos de ativos, desde os conservadores até os mais arrojados. Muitos desses mais rentáveis e voláteis que ações da Bolsa de Valores.

Pra explicar melhor essa classe de ativos, conversei com Paula Lopes, head de Renda Fixa da Wise BTG.

Por Arthur Lessa 03/11/2022 - 11:15 Atualizado em 03/11/2022 - 11:22

No último domingo (30) os brasileiros foram às urnas pela segunda vez em 2022 para o último capítulo das Eleições 2022. Encerra o processo eleitoral, chega a hora do processo de Transição de Governo. Ele é previsto por lei, acontece no período entre o fim das eleições e a posse, em 1º de janeiro, do Presidente da República, de governadores e de prefeitos, dependendo da eleição. 

Mas não vamos focar nas eleições aqui, nem em política. Vamos focar em transição de comando, como acontece em empresas e organizações, as maiores dificuldades enfrentadas e os melhores procedimentos a serem adotados.

Para aprofundar esse assunto, chamei pra uma conversa no 60 Minutos o consultor de empresas e especialista em cultura corporativa, Igor Drudi.

Confira a conversa no vídeo abaixo:

Tipos de transição

Segundo Drudi, transições que são trabalhadas ao longo do tempo, com foco em objetivos de médio e longo prazo, tendem a ter um encaminhamento mais previsível. Já nos casos de ruptura, ao contrário, em geral surgem mudanças e transformações. Nos dois casos, uma das medidas prévias que promove uma transição melhor de comando é a criação de lideranças nas organizações, que estarão mais preparadas para a nova função, começando a liderar antes mesmo de "pegar o crachá".

Até onde o chefe deve "botar a mão"?

Uma dúvida que surge em qualquer desses casos é como o superior do setor em transição, ou seja, o chefe dos profissionais que estão trocando de lugar, deve interferir nesse processo. "A direção deve agir de maneira ativa, mas tomando cuidado pra não entrar demais, sob o risco de não deixar que o novo profissional crie sua autoridade na função", explica Drudi.

E quando a transição parece uma batata quente?

Os exemplos acima acontecem com mais frequencia quando a mudança acontece nas hierarquias médias e baixas da organização, mantendo o dono (ou acionistas) da empresa inalterado. Mas existem casos em que o negócio como um todo é vendido, por exemplo, e "muda de mãos". Isso pode acontecer de maneira amigável ou parecendo um jogo de batata quente, com o vendedor apenas entregando as chaves, virando as costas e indo embora.

Nesses casos surgem problemas simples (quase ridículos) como "qual a senha do wifi?" até "como acessar o eCAC para pagar os impostos?". Para evitar situações como essa, é importante que seja criado um protocolo detalhado de transição listando todas as informações que devem ser transmitidas da antiga para a nova gestão.

[Dica de livro]

Sobre transição confusa, existe o livro O Quinto Risco, de Michael Lewis, que apresenta como esse processo aconteceu após a eleição de Donald Trump. 

>>> O Quinto Risco, de Michael Lewis (clique aqui para saber mais) 

Confirmado o resultado, todas as agências federais se prepararam para receber a equipe de transição do futuro presidente. Só que ninguém apareceu no dia seguinte. Dias depois, aqueles poucos que apareceram pouco sabiam (ou se interessaram) o que era feito dentro dos gabinetes da Casa Branca e, por consequência,  o que precisaria ser feito para a mudança de comando.

Michael Lewis é jornalista e escritor de vários livros de não ficção. Entre eles está A Jogada do Século, que foi base para o filme A Grande Aposta (The Big Short), que retrata os  fatores que levaram à Crise do Subprime, em 2008. Outro que virou filme em Hollywood foi Moneyball, O Homem que Mudou o Jogo, estrelado por Brad Pitt.
 

Por Arthur Lessa 26/10/2022 - 10:53 Atualizado em 26/10/2022 - 11:26

Existe um mantra entre os analistas do Mercado Financeiro que defende que se você tem certeza de alguma coisa, coloque seu dinheiro nisso. Se você "sabe" que o dólar vai subir, compre muito dólar. Se sabe que vai cair, faça um short grande. Aposte nas suas convicções, skin in the game. Falar até papagaio falar. 

Acho que você entendeu...

Nesse sentido, muita gente tem apostado no resultado da disputa de Lula contra Bolsonaro nas eleições do próximo domingo. Às 10h45 de hoje (quarta, 26), o site de apostas Betway apresenta uma clara preferência dos apostadores pela volta de Lula, com uma odd de 1,5, o que significa que para cada R$ 50 apostados o prêmio é de R$ 75. Já no caso de reeleição de Bolsonaro, com odd de 2,4, aqueles que apostaram nesse resultado recebem 2,4 vezes o valor apostado, com R$ 50 virando R$ 120. 

Para efeito de comparação, em 23 de setembro, antes do primeiro turno, as odds estavam em 1,35 para Lula e 2,7 para Bolsonaro. Praticamente o mesmo de 18 de outubro, quando as apostas rendiam 1,4 para Lula e 2,7 para Bolsonaro.

Acesse aqui a página de apostas das Eleições 2022 da Betway: Eleições Brasileiras 2022 - Quem será eleito presidente?

Por Arthur Lessa 20/10/2022 - 17:37 Atualizado em 20/10/2022 - 17:54

Uma das dores sentidas no início do processo de produzir conteúdo na internet é ter seguidores e, por isso, sempre vem a dúvida de "como impulsionar meus canais?". Vídeos, sites e cursos prometendo o manual definitivo do tráfego pago existem ao montes. 

Mas para Paulo Cuenca, antes de saber como, é preciso entender quando é o momento de deixar de contar apenas com o crescimento orgânico, apenas pelo conteúdo e "boca a boca digital", e lançar mão de uma estratégia de investimento em distribuição que alavanque o alcance do seu canal, seja ele no YouTube, no Instagram ou qualquer outra rede.

Confira no corte abaixo o racional dessa tese, registrado na entrevista especial que gravamos pro 60 Minutos.

 

Por Arthur Lessa 31/08/2022 - 17:39 Atualizado em 31/08/2022 - 18:21

Se inventassem, não seria fácil de acreditar. Mas aconteceu.

O domínio Bolsonaro.com.br, que desde 2000 era usado pela equipe do atual presidente Jair Bolsonaro, ficou disponível por falta de renovação e foi registrado por Gabriel Baggio Thomaz em 25 de janeiro deste ano. Com posse do endereço eletrônico, Thomaz, ou sua equipe, ou algo do tipo, criou um site que se declara "uma galeria de arte digital e acervo jornalístico relacionado à família Bolsonaro" e tem como chamada principal o texto intitulado "A Ameaça ao Brasil".

Entre os materiais, além de textos, imagens com referências nazistas, ilustrações com o próprio presidente, além dos filhos e Donald Trump.

Até o fim da tarde desta quarta-feira (31), já havia sido apurado pelo portal Metropole que Gabriel declara morar em Curitiba, é empresário e venceu licitações com o governo federal durante a gestão Dilma Rousseff.  

Em busca na ferramenta Wayback Machine, que arquiva imagens antigas de sites, é possível confirmar que o endereço hospedava um site favorável ao presidente pelo menos até abril de 2021.

De acordo o site do Correio Brasiliense, não se sabe porque Carlos Bolsonaro perdeu o prazo de renovação do domínio e a equipe jurídica da campanha de Bolsonaro deve apresentar ainda nesta quarta um denúnica contra Thomaz junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Por que isso é tão incrível?

Primeiramente é importante saber que domínio é o endereço, não o site. É literalmente apenas o www.sitedofulano.com.br . Por se tratar de algo tão simples, também é extremamente barato. Registrando um endereço que esteja disponível pelo site de domínios  Registro.BR, por exemplo, o custo é de no máximo R$ 40 por ano (renovação por períodos maiores tem desconto).

O que deve ter acontecido é que período de "validade" do domínio venceu sem que os responsável pela manutenção do site tenham notado, não foi renovado, foi congelado (que acontece se não há renovação) e voltou a ficar livre para quem quisesse usar.

Gabriel quis... E está usando.

Por Arthur Lessa 28/07/2022 - 13:57 Atualizado em 28/07/2022 - 14:34

Adoro frases de efeito, daquelas que em poucas palavras nos trazem grandes reflexões, como “nem tudo o que reluz é ouro” ou “melhor um pássaro na mão que dois voando”. Não precisa dizer mais nada. Ela se completa em si mesma.

Existem também aquelas que servem como gatilho para lembrar de uma lição passada por outra pessoa. Um exemplo legal desse tipo é “vaca não dá leite”, repetida em palestra por Mário Sergio Cortella. Ela sozinha não ensina nada… Na verdade, nem faz sentido. Primeiro porque está incompleta, segundo porque precisa do contexto, que eu apresento abaixo.

Cortella conta que prometia a seus filhos, desde que eles eram pequenos, que quando estes completassem 12 anos de idade, o pai os revelaria qual era o segredo da vida. E eles teriam o compromisso de não revelar para os irmãos mais novos.

Diz ele que todos aprenderam e, por isso, são bem-sucedidos em suas carreiras.

Um deles, André, o mais velho, não aguentando de ansiedade, acordou o pai às 4 horas da madrugada do dia em que completou os aguardados 12 anos.

- Pai…

- Oi, filho.

- Hoje é meu aniversário…

- Que bom, filho! Parabéns!

- Então… Hoje eu tô fazendo 12 anos…

- Que bom! Fico feliz.

- Então, pai… Hoje é o dia em que você vai me contar o segredo da vida!

- É verdade, filho.

E contou, como contou para os outros.

- O segredo da vida é: Vaca não dá leite.

- An?

- Vaca não dá leite… Você tem que tirar!

Esse é o segredo da vida, segundo Cortella. E você, ao ver a frase completa, pode já ter concordado. Mas vamos desenvolver essa ideia, segundo o próprio professor.

Para conseguir o leite você precisa:

  • Acordar as 3 horas da manhã;

  • Entrar no curral;

  • Amarrar a vaca (pra ela não fugir);

  • Amarrar as pernas da vaca (pra ela não te dar um coice);

  • Amarrar o rabo da vaca;

  • Entrar no meio daquela bosta toda;

  • Sentar num banquinho;

  • Segurar na teta dela;

  • E, só então, ordenhar!

Convenhamos… A vaca definitivamente não dá leite!

O sentido dessa história é entender que não se deve esperar que a vida te entregue nada. A vida (Vaca) não te dá leite (sucesso, dinheiro, conquistas, cargos,…). Você tem que ir lá e tirar o leite dela.

Mais que reforçar a importância do ouvinte entender isso, Cortella expressa a necessidade de que esse conceito seja passado para as próximas gerações.

Segundo ele, “se nós criarmos as novas gerações com a ideia de que vaca dá leite, eles poderão ser medíocres. Porque aguardarão que as coisas venham”.

Além dessa lição, o video abaixo tem uma lição extra baseada em Bill Gates e Mark Zuckerberg.

Mas, pra reforçar a ideia na sua cabeça, não vou dar o “leite”. Aperte o play e vá tirar!

 

Por Arthur Lessa 17/05/2022 - 10:15 Atualizado em 17/05/2022 - 11:32

Segue cada vez mais complicada a relação entre o empresário Elon Musk, e quase dono do Twitter, e a direção da rede social. E a principal questão de conflito são as contas falsas na plataforma.

Enquanto oficialmente, em documentos enviados à SEC (Security and Exchange Comission, a CVM americana), o Twitter afirma haver menos de 5% d econtas falsas e "bots" (programas de mensagens automáticas focados em distribuição de fake news) entre seus usuários, Musk afirma que essa fatia é muito mais que 20%.

Na sua conta do Twitter (ironia, não?), na manhã desta terça-feira, 17, o talvez-ex-futuro-dono da rede escreveu: 

"20% de contas falsas/spam, enquanto 4 vezes o que o Twitter afirma, pode ser muito maior. Minha oferta foi baseada na precisão dos registros da SEC do Twitter. Ontem, o CEO do Twitter se recusou publicamente a mostrar prova de <5%. Este acordo não pode avançar até que ele o faça"

A manifestação desta semana confirma as especulações da semana passada, quando o bilionário suspendeu as negociações, afirmando na sequencia que seguia comprometido com a transação, apontando a informação de números de contas falsas como ponto de dúvida, mas deixando em suspenso se acreditava que havia mais ou menos.

Para piorar a situação, vale ressaltar que no dia anterior, 16, o mesmo Musk cutucou Paraj Agrawal, CEO do Twitter, publicando um emoji de cocô para ironizar os dados apresentados pelo diretor.  Agrawal havia postado textos explicando o esforço de sua empresa para combater as contas utilizadas por robôs.

 

Por Arthur Lessa 13/05/2022 - 13:49 Atualizado em 13/05/2022 - 14:16

A Rede de Investidores Anjo de Santa Catarina (RIA/SC) desempenha um papo muito importante na dinâmica do ecossistema de startups, criando e intermediando a relação entre startups que precisam de recursos e investidores que veem valor e tem interesse em apostar nesses projetos. 

Ecossistema, inclusive, é o termo usado por tratar os projetos/empresas como organismos vivos, que nascem, crescer e dão frutos. E, pra isso, precisam ser nutridos. É nessa função que entram os anvestidores anjo. 

Pra entender melhor como funciona essa relação e quem pode fazer parte dessa rede, conversei no 60 Minutos com Fábio Ferrari, diretor do RIA/SC, e com Rafael Rocha, empreendedor e investidor anjo

Confira o programa:

Por Arthur Lessa 11/05/2022 - 18:36 Atualizado em 11/05/2022 - 18:40

A última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), realizada nos dias 3 e 4 de maio, encerrou confirmando o aumento de mais 1% na Selic, elevando a taxa básica de juros para 12,75% a.a., e perspectiva de novo aumento de mais 0,5% em julho. 

Para explicar os efeitos dessa escalada vertiginosa dos juros no Brasil (e no Mundo), formamos uma mesa redonda no 60 Minutos da última sexta-feira (6) com os especialistas:

- Anselmo Freitas (empresário do setor de fomento empresarial)
- Thiago Fabris (doutor em economia)
- Alceu Pacheco (autor do livro "Juro que é Simples")
- Thiago Raymon (analista CNPI e gestor de ativos)

 

Por Arthur Lessa 25/04/2022 - 12:00 Atualizado em 25/04/2022 - 12:16

O mercado financeiro mundial vem acompanhando a "batalha" do Twitter, uma das poucas redes sociais relevantes que não é Google nem do Meta (Facebook), para se proteger da aquisição hostil de Elon Musk, trilionário dono da Tesla. Os principais portais de informações econômicas dão conta, na manhã  desta segunda-feira (25), que está próximo um acordo para venda da empresa a Musk, em um negócio de 54,20 dólares por ação em dinheiro.

Falei sobre essa operação, no 60 Minutos do último dia 22, com a publicitária e especialista em cultura digital Alê Koga. Confira no vídeo abaixo.

 

Por Arthur Lessa 18/02/2022 - 05:49 Atualizado em 18/02/2022 - 06:54

O Banco Central do Brasil (BCB) liberou, na última segunda-feira (14), a consulta de valores a receber que foram esquecidos por cidadãos e empresas em instituições bancárias brasileiras desde 2001. O montante passa de R$ 8 bilhões e os “esquecidos” somam mais de 28 milhões, entre CPFs e CNPJs. A consulta deve ser feita no site valoresareceber.bcb.gov.br.

Infelizmente, como já alertamos no 60 Minutos durante toda a semana, já existem golpistas usando essa movimento para aplicar golpes nos menos avisados. Eu mesmo recebi um e-mail de um dos “amigos do alheio”, como gosta de chamá-los o Cel. Márcio Cabral, nosso especialista em segurança. É a imagem abaixo.

É possível notar o cuidado de usar a logomarca do Banco Central e o mesmo padrão de desenho das letras que é aplicado na página oficial e real, fazendo se passar por comunicação oficial. Mas não é. No nome do remetente aparecia Banco Central, mas o endereço era [email protected]. Você acha que Roberto Campos Neto, presidente do BC, pediu emprestado o e-mail de promoções do Restaurante Nanquim?

Além do mais, por que motivo o Banco Central do Brasil, uma instituição que não tem foco no atendimento ao público, mas sim às instituições financeiras, iria chegar ao ponto de mandar e-mail para cada um dos 28 milhões de beneficiados informando sobre o saldo a resgatar se já abriu um site específico pra isso?

É importante estar atento o tempo todo para não cair nesses golpes.

Para ajudar você a se proteger dessas arapucas, no Toda Sexta dessa semana eu listei algumas medidas simples e eficazes de proteção. Confira as dicas clicando aqui.

Por Arthur Lessa 17/12/2021 - 11:21 Atualizado em 17/12/2021 - 11:32

Muitos negócios evoluem de maneiras que nós nem imaginamos. Nem mesmo depois de ter acontecido!

Uma característica natural do ser humano é entender, subconscientemente, que a situação atual vai se perpetuar. Seja para o bem, seja para o mal. Se você está endividado, pensa que nunca sairá dessa situação. Se está num momento de grandes rendimentos, já começa a se imaginar curtindo a aposentadoria nas Ilhas Gregas.

Um exemplo (perigoso) muito repetido e conhecido é de jogadores de futebol que perderam tudo. Quando se destacam e chegam a ganhar salários de seis dígitos, e os que chegam nesse nível vivem isso por algo em torno de 15 anos, sendo que os primeiros 10 com valorização maior a cada ano. A maioria deles tem certeza que isso vai durar pra sempre, gastam quase tudo, não investem no futuro, não se reinventam e quebram, como empresas.

Confira o texto completo no Toda Sexta

Por Arthur Lessa 16/12/2021 - 16:16 Atualizado em 16/12/2021 - 17:04

Eram 4 da manhã da terça-feira, dia 23 de novembro, quando o empresário Ricardo Faria, de 46 anos, pegou seu jato Citation CJ3 no aeroporto Catarina, em São Roque, São Paulo, e rumou para Baixa Grande do Ribeiro, no interior do Piauí.

O parágrafo acima é o primeiro da matéria principal da edição mais recente da revista Exame, que estampa o empresário criciumense na capa. Faria se tornou o grande nome de 2021 do agronegócio brasileiro por conta do investimento de R$ 1,8 bilhões na Insolo, que o colocou na posição de 5º maior produtor de grãos do país em área plantada. Em um país conhecido com o “celeiro do mundo”, isso é muita coisa!

Ao apresentar a história empreendedora de Faria, a reportagem desfaz a imagem criada por boa parte do Mercado de que ele seria uma “novato” no setor. Acontece que, segundo ele próprio, a Lavebrás, rede de lavanderias que foi de seus primeiros grandes negócios, pode ser chamado de uma desvio de rota, já que o setor do campo já chamava a sua atenção. Antes dela surgiu a confecção de uniformes, que tinha como grande cliente a Perdigão. Dos uniformes (feitos e lavados), entrou de vez no setor no início dos anos 2000, com a criação da Granja Faria.

Mas o que esperar de 2022?

Com avanços tecnológicos intensificando a produtividade, a área plantada, que na safra 2021/2022 está em 120 mil hectares, deve aumentar para 150 mil hectares, alçando a receita de R$ 1 bi para R$ 1,3 bi. Com esses números, Ricardo Faria é possivelmente o maior proprietário individual de terras no Brasil, já que as maiores tem controle pulverizado, como a SLC Agrícola, listada na B3 sob o ticker SLCE3.

E, se já está deste tamanho, podemos esperar um IPO?

Em entrevista concedida em novembro, que você pode conferir abaixo, citava que abrir capital não era prioridade do momento para a companhia, que se manteria investida com capital proprietário, mas não descartava a possibilidade. O tema também foi abordado na matéria da Exame, a possibilidade segue estudada, mas sem definição de momento.

 

Por Arthur Lessa 10/12/2021 - 15:08 Atualizado em 10/12/2021 - 15:09

Imagine que você está numa sala com outras 30 pessoas e um leilão está para começar. O objeto apregoado é uma nota de US$ 1. E, como em qualquer leilão, leva o prêmio quem der o maior lance. Sendo assim, é bastante simples enxergar que há uma espécie de teto para os lances. Se o vencedor ofertar 60 centavos, são 40 centavos de lucro. Chegando ao lance de US$ 1, não há motivo para continuar, tendo em vista que a partir desse ponto o único resultado possível é o prejuízo, que cresce a cada oferta.

Mas esse leilão tem uma regra diferente, bastante simples, mas que altera completamente a dinâmica do jogo: o melhor lance paga o que ofereceu e leva a nota, enquanto o segundo melhor paga a própria oferta e não leva nada.

Esse leilão foi levado à prática diversas vezes pelo professor de economia Max Bazerman, autor do livro Negociando Racionalmente. No caso contado abaixo o objeto em disputa era uma nota de US$20. Os resultados são impressionantes!

Fizemos esse leilão com banqueiros da área de investimentos, consultores, médicos, professores, sócios das grandes seis empresas de auditoria, advogados e executivos de diversas áreas. As regras eram sempre as mesmas. Os lances começam rápida e ferozmente até chegarem à faixa de $12 e $16. Nesse ponto, todos, exceto os dois maiores arrematadores, caem fora. Os dois últimos arrematadores caíram na armadilha. Se um fez um lance de $16 e o outro de $17, o proponente de $16 pode fazer um lance de $18 ou arcar com uma perda de $16.

Nesse estágio, um deles acha que pode ganhar se a outra pessoa desistir. Como pode ser mais atraente continuar do que assumir tamanha perda, então o arrematador faz o lance de $18. Quando os lances são de $19 e $20, surpreendentemente, a lógica de arrematar por $21 é muito semelhante à usada para tomar as decisões anteriores — você pode aceitar uma perda de $19 ou continuar com a esperança de reduzir as perdas. Claro, o resto do grupo racha de rir quando os lances superam os $20 — e isso quase sempre ocorre. Obviamente, os arrematadores estão agindo irracionalmente.

Mas quais são os lances irracionais? Leitores céticos deveriam experimentar fazer o leilão com seus amigos, colegas de trabalho ou alunos. São muito comuns lances finais na faixa de $30 e $70, mas nosso leilão de maior sucesso chegou a $407 (os lances finais foram de $204 e $203). Nos últimos quatro anos já ganhamos mais de U$10.000 fazendo esses leilões em salas de aula.

Essa lógica se aplica também no mundo corporativo, principalmente em setores chamados de winner takes all (“vencedor leva tudo”), onde o sucesso se baseia mais em dominar o mercado que nas margens de resultado, como no caso das redes sociais.

Não sei quem está lendo esse texto agora, mas vou me arriscar a dizer que você tem conta no Facebook, no Instagram e no Twitter. Possivelmente também o LinkedIn. Posso ter errado sobre todas, mas uma ou outra você certamente tem. Muita gente interage por essas plataformas, e o faz exatamente porque muita gente está nelas. É um ciclo virtuoso, onde quanto mais clientes ativos, mais clientes novos.

No Whatsapp é a mesma coisa. Como plataforma, eu prefiro sensivelmente o Telegram, mas é pelo “zap zap” que eu converso desde clientes de São Paulo até a minha tia do interior do Paraná.

Outro exemplo é o Google+. Você lembra dele? Pois é… Eu tive que puxar forte da memória!

O Google+ foi uma rede social criada em 2011 para concorrer com o Facebook. Mas a plataforma do Zuckerberg já tinha naquele ano mais de 800 milhões de contas. Só no Brasil eram 35 milhões (17,7% da população na época). O Google, mesmo já muito poderoso, não conseguiu competir e o projeto foi oficialmente encerrado em 2019.

São vários os setores que seguem essa lógica, quase sempre são negócios escaláveis e digitais. Por isso você vê e-commerces oferecendo frete grátis, corretoras de investimento ofecerendo dinheiro (de verdade, na conta) para você abrir conta e outras táticas como essas. É, na prática, comprar mercado e, sendo o ganhador, leva tudo.

Por Arthur Lessa 03/12/2021 - 16:24 Atualizado em 03/12/2021 - 16:35

O ser humano gosta de uma mirabolância (sim, essa palavra existe… eu me certifiquei)!

Quanto mais complexa uma explicação sobre algum tema, mais brilham os olhos dos ouvintes e mais especialista parece o orador. Para cada novo termo técnico, um novo “uau”.

Entenda que não estou desprezando a ciência, as estratégias, ferramentas, modelos e métodos que os profissionais de diversos setores vem desenvolvendo e aprimorando no decorrer de décadas ou séculos. Mas é bom sempre ter em mente que, muitas vezes, essas camadas não passam de pirotecnia, compondo mais uma narrativa que um método.

Eu quero falar do simples! Eu adoro o simples! Eu acho que o mais genial no processo de resolução de um problema ou desenvolvimento de um produto é fazê-lo simples. Eu gosto (com certa inveja “branca”) da sensação de “como não pensei nisso antes? Era tão simples!”

Vamos pegar, para exemplo, a prática de vender publicidade, algo que acompanho há anos de fora. Existem centenas de técnicas, seja para busca de clientes-alvo, como funil de vendas e landing pages, seja para a abordagem, com palavras-chave, programação neurolinguística, postura correta e afins. Tudo certo, tudo útil (se bem utilizado), mas o que mais importante é simples: conheça o seu cliente, entenda o problema que seu produto ou serviço pode resolver e apresente o valor dessa solução. Ouça, converse, apresente.

É simples! Aprendemos a conversar pouco na mesma época que saímos das fraldas. Os outros “apetrechos” podem ser incorporados depois, para otimizar tempo e controle de desempenho. Mas só funcionam se o básico (e simples) estiver funcionando. O melhor funil de vendas não vai ajudar que você venda areia no deserto.

Mudando de ares, vamos para a final da Taça Libertadores da América 2021, maior campeonato de clubes de futebol do continente. Dois times brasileiros se enfrentando. Empate de 1x1 no tempo normal, jogo na prorrogação. Andreas Pereira, jogador disputado pelas seleções da Bélgica e Brasil, emprestado ao Flamengo, recebe a bola sem pressão e se “embanana”. Deyverson, do Palmeiras, pega a bola, entra na área e faz o gol do título.

Andreas falhou porque pensou demais, complicou o que era simples. Recebeu a bola sozinho, poderia ter só jogado pra frente e tirado da área de perigo, mas demorou e condenou a equipe. É nesse tipo de lance que soam nas arquibancadas, bares e sofás: “Joga simples!”

Dei acima dois exemplos de como o simples é poderoso. Mas, se você olhar pro título, ele não é fácil. E vamos entrar nisso.

No caso de Andreas, por exemplo, eu estava numa mesa de amigos assistindo ao jogo, milhares de quilômetros distante de Montevidéu, onde aconteceu a final. Nem torço para nenhum dos times. Estava matando tempo.

Ele, pelo contrário, estava sendo observado por dezenas de milhares de pessoas in loco, além de milhões de torcedores flamenguistas ou curiosos (como eu) à distância. Já eram mais de 100 minutos de jogo intenso, ele estava cansado, fisica e mentalmente. Um distração, destino traçado. Jogar futebol não é complexo, mas é difícil.

Administrar suas finanças não é complexo. Gaste menos do que recebe e invista parte disso. Matemática básica, de ensino primário. Assim se constrói patrimônio, de pouco em pouco, como ensinam vários livros espalhados pelo mundo. “Invista 10% do que você ganha e fique rico”. Simples, não? Mas temos desejos, ambições e necessidades,… Difícil, não?

Tem uma anedota bem antiga que eu gosto muito e ilustra esse caso. Um cidadão está tranquilo fumando quando outro chega e começa o diálogo:

- Você fuma há quanto tempo?
- Uns 30 anos…
- Você sabia que, se tivesse guardado todo dinheiro que gastou com cigarro, você hoje teria uma Ferrari?
- Você fuma?
- Nunca coloquei um cigarro na boca!
- E cadê a sua Ferrari?

Por Arthur Lessa 09/11/2021 - 11:48

Lembro que quando eu era criança, uma única barra de chocolate era suficiente para saciar uma turma de crianças. Quando era para uma ou duas apenas, era normal que fosse consumida em períodos, guardando um pouco para depois. Afinal de contas, uma barra de chocolate é muita coisa pra comer sozinho, certo? 

Hoje em dia, se eu abro uma barra lá em casa ela dura minutos. Dependendo da situação,  nós (dois adultos e uma criança) dão conta de duas barras tranquilamente. Mas por que essa diferença? Será que desenvolvi uma gula irresistível nesses anos ou perdemos a noção de limite? Nem uma coisa, nem outra. O problema é a barra.

Quando citei a barra da minha infância (anos 90s), eu estava falando de uma tábua espessa de 200 gramas divididos em quadrados grandes. Quando vemos hoje nas gôndolas, estamos falando de uma embalagem tímida, de 90 gramas e com conteúdo tão fino que não é incomum que algumas das barras quebrem pelo simples manuseio. Para se ter uma ideia melhor, para juntar 1 kg de chocolate precisávamos apenas de cinco barras. Atualmente onze não são suficientes. 

Essa redução de porções tem um nome: reduflação (shrinkflation, em inglês). E acontece não só com chocolate, mas também com papel higiênico, pasta de dente e diversos outros produtos.

Uma barra é uma barra

Estamos vivendo, por conta da crise econômica desencadeada pela pandemia de 2020 (e mal enfrentada pela equipe econômica), um período de inflação sensível e doída. O IPCA está acumulado em 10,25% nos últimos 12 meses, a  gasolina, em Criciúma, acumulou alta de mais de 43% apenas em 2021, o patinho (corte de carne comum na mesa dos brasileiros) subiu cerca de 30% e por aí vai. 

Essa onda de aumentos atinge a todos (de fornecedores a consumidores finais) e, invariavelmente, deve ser repassada para o preço dos produtos finais. Caso contrário, as margens dos elos da cadeia produtiva se reduzem a ponto de não valer a pena produzir. 

Admita que você está desconfortável com essa situação. Ver os preços subindo dói, causa raiva, “dá ranço”. É um efeito psicológico baseado em vieses comportamentais, sendo o principal deles a ancoragem, que é quando você se baseia num valor anterior para avaliar o valor atual. Algo como “35º nem é tão calor já que aqui a temperatura chega a 42º”. 

Sabendo disso, alguns setores da economia acabaram encontrando há alguns anos uma maneira de tapear o cérebro do consumidor. Se o que incomoda é o aumento do preço, é só deixar o preço como está. Genial, não? 

Mas a inflação é real, é preciso administrar as margens, que se achatam, e tudo aquilo que eu expliquei acima. Como fazer isso sem mexer no preço? Reduzindo as porções. Afinal de contas, inconscientemente, entendemos que pagávamos R$ 5 por uma barra de chocolate e continuamos pagando R$ 5 por uma barra de chocolate. A redução de mais de 50% no tamanho dessa barra é menos perceptível ao longo do tempo. 

Em 2017, em uma matéria sobre o tema para a revista Exame, Renata Martins, analista de pesquisa e especialista em alimentos embalados da Euromonitor, explicou que “ao reduzir o tamanho das embalagens, o custo (do produto) por quilo ou litro se torna maior, mas o consumidor não sente tanto essa diferença no bolso”.

E nessa explicação da Renata fica claro outro ponto importante para a prática: funciona com embalados, principalmente aqueles que não são porcionados em um ou meio quilograma. 

Gasolina, verduras, frutas e carne são, via de regra, vendidos a granel, por peso ou volume. Um litro de gasolina é um litro de gasolina. Não dá para reduzir a embalagem para 750 ml e vender pelo mesmo preço. Ao comprar uma peça de picanha, mesmo que esteja embalada na gôndola, é escolhida por peso. 

Um item básico que comporta esse tipo de estratégia, e já foi até destaque no Jornal Nacional, é o papel higiênico. No início dos anos 2000 tiveram os rolos reduzidos de 40 para 30 metros. 25% de redução não é pouca coisa. Atualmente há registros de consumidores reclamando de marcas vendendo rolos de 20 metros. 

Outros produtos que merecem destaque por reduções recentes são farofa pronta (200g para 170g) e farelo de aveia (200g para 165g).

Vale ressaltar que cortar o tamanho das embalagens não fere o código de defesa do consumidor, desde que os rótulos deixem claro que houve a redução e de quanto. Essas informações devem ficar disponíveis por pelo menos três meses, segundo o Procon. 

Tudo bem, tudo bom, mas não mostrei ainda como entender o efeito. Em 2010, segundo um encarte da época, um pacote de 154g da bolacha recheada Trakinas custava R$ 1,38. Hoje o pacote está com 126g (18% menor) e custa R$ 2,39 (73% a mais). Se igualarmos o tamanho, voltando aos 154g de 11 anos atrás, o pacote hoje custaria R$ 2,92 (112% de aumento). Essa é a magia da reduflação.

Por Arthur Lessa 07/11/2021 - 18:37 Atualizado em 08/11/2021 - 01:09

Imagina você, todo “nicolas-cagezinho” andando pelo deck quando, não mais que de repente, cai na piscina e morre afogado. A causa pode ser um momento mais produtivo do ator americano Nicolas Cage.

Se não acredita em mim, olhe o gráfico!

E tem mais!

Você acredita que investir em ciência aumenta os casos de suicídio por asfixia?

Não? Então olhe o gráfico abaixo!

Esse cruzamento de dados é chamado de várias maneiras, mas uma das mais objetiva é correlação espúria. E nós as criamos diversas vezes e, em muitas delas, firmamos argumentos convictos baseados nelas.

Um dos exemplos deste ano aconteceu na Eurocopa, quando Cristiano Ronaldo trocou uma garrafa de Coca Cola por uma de água ao início de uma coletiva. O episódio deu oportunidade para manchetes chocantes como essa, do Lance!:

Mas se olharmos na matéria, já é possível ver que a relação está um tanto forçada. Começando pela queda “brutal” de… 1,6%.

De verdade… 1,6% na B3 é quase andar de lado. Não dá nem emoção. E é completamente comum e esperado da renda variável, que tem esse nome porque varia. Se fosse uma small cap como a catarinense Intelbrás, por exemplo, o mesmo percentual de queda representaria uma desvalorização de pouco mais de R$ 145 milhões. 

Acontece que a Coca Cola tem valor de mercado de US$ 235 bilhões (em torno de R$ 1,3 trilhão), enquanto a Intelbrás superou há pouco os R$ 9 bilhões (menos de 4% o valor da americana). 

Mas, como hoje é dia de gráficos, olhem uma imagem mais espaçada do movimento da KO (ticker da Coca Cola Company na Bolsa de Nova Iorque) com cada ponto marcando o preço de fechamento do dia, de 24 de maio a 16 de julho. Veja se a queda tão anunciada realmente chamaria a sua atenção não fosse o círculo preto que eu acrescentei para apontar o dia em questão.

Peguei você, esse é o dia 15 de junho. A tal queda aconteceu no dia 14, que é o ponto anterior.

Note que a ação, mesmo neste curto período do corte, vinha de um preço abaixo dos US$ 55, deu duas “passeadas” acima dos US$ 56, desceu abaixo dos US$ 54 e fez a máxima dias depois. Variou, subiu, desceu e seguiu a vida.

Nesse contexto, o gesto de Cristiano Ronaldo fez diferença? Não sei… Mas, se fez, foi irrelevante no contexto geral. 

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Não deixe os dados pensarem por você

Ouvi nessa semana uma frase do palestrante e mentor Romeo Busarello que é muito boa pra esse contexto: “o conteúdo é rei, mas o contexto é Deus”.

O contexto dessa fala dele é um vídeo onde ele explica como usa métricas, dados e correlações para impulsionar uma campanha de venda de apartamentos, mas se aplica ao assunto acima também.

As informações estão aí. Podem estar claras ou precisarem de alguma mineração, mas nunca se teve tanto a acesso a insumos para ideias. O problema é deixar um grande volume delas virar um rio, que te leva ao seu bel prazer, quando não te afoga. 

As informações dos primeiros gráficos dessa página são reais, mas não há ligação alguma entre eles. Eles apenas, casualmente, tiveram comportamentos semelhantes. 

Sendo assim, o alerta que eu deixo é: não confunda causalidade (quando há relação real entre causa e efeito) com casualidade (quando não passa de coincidência).

E, pra fechar, se quiser se divertir mais um pouco com esse tema, busque no Google: Maldição Ramsey.

Por Arthur Lessa 22/10/2021 - 10:12 Atualizado em 22/10/2021 - 10:34

A frase do título abre o capítulo 11 do livro A Psicologia Financeira, de Morgan Housel, um dos mais comentados nas listas de leitura do mercado financeiro. E é realmente muito bom! (Inclusive coloquei nessa página o link pra comprar na Amazon)

O nome do capítulo é Razoável > Racional e disserta sobre o impacto da relação pessoal do individuo com o ativo escolhido para comprar uma carteira. Me chamou atenção, primeiramente, por contradizer algo que é apresentado como básico no ensino da análise de investimentos: não misture emoção com investimento, ou, colocando de maneira mais coloquial e ilustrativa, “não se apaixone pela ação”.

O médico racional

Para ilustrar a diferença entre os termos “Racional” e “Razoável” com a história de um psiquiatra que, por volta de 1900, adotou como tratamento para pacientes com neurossífilis grave (inevitavelmente fatal na época) a injeção de doenças como febre tifoide, malária e varíola. Sim... Esse era o tratamento.

Mas por que, diabos, ele trataria uma doença com outra doença. Parece uma anedota de comédia pastelão, quando para “fazer sumir” uma dor de cabeça se pisava no pé do paciente. Mas o médico em questão tinha no que se basear para seu tratamento “ousado” (o resto das pessoas chamava de loucura mesmo): padrões.

Ele notou que os pacientes com sífilis que, por alguma outra doença, tivessem febres fortes e prolongadas tinham uma forte tendência de se recuperar. Afinal, analisando friamente, a febre não é um problema, mas sim um procedimento de defesa do corpo humano. Sendo assim, além de não ser ruim, é bom. Repita comigo (mentalmente, para não assustar ninguém): ter febre é bom!

Somando os dados citados e analisando racionalmente, foi fácil tomar a decisão: se é pra não morrer, que tenham febre.

Após alguns ajustes de dosagem (e mortes de alguns mais azarados), o médico adotou como método o uso da malária mesmo, que era mais branda e controlável, criando a malarioterapia, que lhe rendeu o Prêmio Nobel de Medicina em 1927.

E por aí vai a história, com mais desdobramentos e informações. Mas o ponto de reflexão que surge no texto é o seguinte:

[...] Se a febre é benéfica, por que a combatemos?

Acho que a resposta é simples: porque a febre dói. Ea as pessoas não querem sentir dor.

É isso.

[...]

Pode ser racional querer ter febre se você está com uma infecção. Mas não é razoável.

Na prática a teoria é outra...

Outro exemplo citado nesse capítulo é de Harry Markowitz, condecorado com um Nobel (dessa vez de Economia) por conta de seu estudo que explorava a relação matemática entre risco e retorno. Ao ser questionado sobre como montava sua carteira de investimentos, ele não descreveu seus padrões de estudo, fórmulas matemáticas, taxa livre de risco e outros termos que baseiam a teoria que ele mesmo criou. Pelo contrário, ele afirmou que dividia seu portfolio meio a meio entre títulos e ações pois teria muito remorso caso as ações subissem e ele não as tivesse. Sua intenção, segundo suas próprias palavras, era “minimizar seu arrependimento no futuro”.

Termos como arrependimento e remorso não são matemáticos. Não são racionais. Mas são razoáveis, como Housel descreve:

Um investidor razoável toma decisões em uma sala de reuniões, cercado por colegas que ele espera que admirem, ao lado de um cônjuge que não quer decepcionar, tomando como referencial concorrentes idiotas, mas realistas, como o cunhado e o vizinho.

Por mais racionais que tentemos ser, não seremos 100% racionais. Se formos, por um momento, logo depois deixaremos de ser. E, quando acontecer, o que fazer com as decisões tomadas friamente frente a dúvidas e preocupações que surgirem (elas sempre surgem)?

Das coisas mais recentes que aprendi nos últimos solavancos da bolsa está a relação que existe entre o quão claro é para você o motivo/a tese que o levou a investir seu dinheiro em um ativo com o quanto as oscilações lhe afetam. Isso vale para o bem e para o mal.

Uma ação investida com base apenas numa indicação de um influenciador, relatório de swing trade ou um motivo fútil (como “vou investir na Ambev porque gosto de cerveja”) causa calafrios a cada queda e uma vontade incontrolável de realização de lucro a cada simples valorização. No primeiro caso você sai com menos do que entrou, no segundo sai do bonde antes da valorização real.

Por outro lado, se você conhece a atividade da empresa representada pelo ticker XPTO3, acompanha o que acontece com ela e seu mercado, acredita nos projetos apresentados e futuro crescimento, como aconteceria se você estivesse entrando como sócio numa empresa do seu bairro, você mal vai olhar as cotações. Vai olhar resultados, fatos relevantes (onde são informados os rumos e planos das empresas) e afins.

Como diria Warren Buffet, quem se destaca nesse mercado não são os mais inteligentes, mas os mais disciplinados. E disciplina vem de constância. E ser razoável é mais constante que ser racional.

Por Arthur Lessa 01/10/2021 - 10:36 Atualizado em 01/10/2021 - 10:37

Tudo no mundo evolui. Tem que evoluir. É consenso.

Dizem que o tempo da era da internet corre mais rápido.

“Quem não inova, fica pelo caminho” é quase um mantra.

E vemos isso em todos os cantos.

Carros se dirigem sozinhos. O aspirador de pó vai passeando pelo cômodo quando, como e onde bem entender. Reuniões são feitas em vídeo. Fotografias e filmagens são feitas pelo telefone.

O mundo de hoje não é o mundo 15 anos atrás.

Muitos dos produtos de lá não se encaixam na realidade de cá, como escrever mensagens pelo teclado numérico de um celular sem tela de toque. A simples mensagem de “estou atrasado” demandaria o esforço de “discar” 3377778666880287772777723666 (entendedores entenderão).

Por outro lado, tem produtos que lembram filmes de ficção científica, daqueles que um ser congelado há séculos é reanimado e volta à vida em um mundo mais moderno.

Esse é o caso do Show do Milhão, ressuscitado pelo SBT em parceria com o PicPay.

Quem me falou que o programa tinha voltado, depois de 18 anos de hibernação midiática, foram os algoritmos do YouTube.

Olhei aquela thumb e pensei: “Legal... Vou ver como adaptaram o programa pra realidade atual”.

Estamos falando de uma atração que foi veiculada de 1999 a 2003, numa época em que celulares começavam a se popularizar, mas praticamente sem internet e sem nenhum esboço de rede social. Facebook foi fundada em 2004, abrindo para o público geral em 2006, mesmo ano em que foi ao ar o Twitter. O Whatsapp foi lançado em 2009. O Instagram em 2010. TikTok em 2016.

Essas plataformas, e outras tantas similares, são parte da vida do cidadão comum. São a base da comunicação de algumas gerações de consumidores. (Conheço pessoas de 7 a 87 anos ligadas nas redes)

Com essa contextualização, qual não foi minha surpresa ao ver que a única mudança do Show do Milhão foi o apresentador. Silvio Santos deu lugar a Celso Portiolli. E nem foi tanta mudança assim, já que Portiolli é a versão 2.0 mais precisa que o dono do SBT poderia ter.

Reanimado, mas não remodelado

O terno, a entonação, os movimentos das mãos, as frases repetidas em eco, as perguntas padrão,... Tudo em Celso Portiolli é igual ao que Silvio fazia há 20 anos.

“Ah, mas a dinâmica do programa deve ter sido atualizada...”

Não!

Tirando o processo de sorteio, baseado em transações feitas pela conta da fintech Pic Pay, patrocinadora da atração, o resto é igual. Tiraram o roteiro da gaveta, olharam pro Celso e disseram “vai!”.

Eu comparei. E fiquei impressionado!

Os candidatos ao prêmio ficam na plateia aguarda seu número ser tirado de uma urna. Cada um que sai sorteia o próximo.

Em caso de dúvida, existem possibilidades. Uma delas é apelar aos universitários, que seguem presentes e prontos para responder qualquer questão. Outra opção são as cartas, que seguem sendo físicas e gigantescas. A terceira opção é contar com os “colegas do auditório”, que levantam placas que seus palpites.

E o melhor é que, parando pra pensar, eu mesmo não consigo apontar melhorias para o Show do Milhão. O modelo segue perfeito pra ele.

E esse é o ponto aqui... Num mundo que anseia pela permanente inovação dos negócios, dos produtos e dos processos, o Show do Milhão ressurge depois de duas décadas e é um exemplo de que quando um produto é o melhor que pode ser, nada se deve fazer além de manter a receita.

Se o Show do Milhão fosse uma caneta, seria uma Bic (foto).

A melhor caneta do mundo

Você pode não acreditar, mas a mais comum (e talvez mais barata) das canetas é um case de inovação, tecnologia e design. Montblancs não tem chances contra ela.

Em 1950, o francês Marcel Bich adquiriu (e melhorou) uma tecnologia patenteada há pouco mais de 10 anos de uma caneta com uma bolinha na ponta (por isso esferográfica) para melhorar a distribuição da tinta pelo papel.

Uma das melhorias foi o furinho que vemos no cabo, ou na ponta oposta à da escrita, que serve para igualar a pressão de dentro e de fora da caneta, evitando que ela explodisse ou vazasse, algo que era muito comum com outros modelos.

 Que coisa, não?

Duas histórias bem diferentes, de um programa de televisão (e YouTube hoje) e uma caneta. Mas com um mesmo conceito:

Procure sempre melhorar o seu produto, mas tenha em mente que em algum momento ele pode chegar ao seu ponto ótimo.

Se temos, ao falar de startups, o Produto Mínimo Viável (MVP em inglês), por que não aceitar que podemos ter um Máximo Produto Necessário?

Por Arthur Lessa 30/07/2021 - 12:39 Atualizado em 30/07/2021 - 12:54

Gestor de investimentos, com atuação em family offices e wealth management, Renoir Vieira é um dos mais conhecidos contrarians do Mercado Financeiro brasileiro (mesmo não se considerando um). Talvez seja ele um dos mais autênticos influenciadores do setor, com opiniões fortes e sempre bem embasadas.

Tive a oportunidade de conversar com ele sobre diversos assuntos como a tese do "Short em Itaú" de 2019, suas denúncias contra golpistas nas redes sociais , a dinâmica do mercado atual, criptomoedas, relógios, arte e NFTs.  

Sobre a dinâmica do mercado, ele defende que o ritmo de inovação e sucessivas disrupções que acompanhamos em todos os setores derrubam (ou questionam, ao menos) a tese de investimento com foco no longo prazo defendida por investidores como Peter Lynch e Warren Buffet. "Qualquer um pode ser disruptado hoje em dia. Então casar com empresas não dá mais certo".

Confira abaixo a entrevista na íntegra

 

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