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* as opiniões expressas neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do 4oito
Por Arthur Lessa 27/10/2021 - 10:26 Atualizado em 27/10/2021 - 10:29

O assunto do dia não poderia ser outro: reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que deve (segundo a expectativa média do mercado) elevar em 1,5% a Selic, que passaria a 7,75%, maior patamar desde 2017, quando, em ritmo de queda, o Copom definiu a taxa básica de juros em 8,25% na reunião de setembro e 7,50% na reunião de outubro.  Há quem espere um movimento mais drástico do Comitê, com players como Genial esperando aumento de 3% na Selic (para 9,25%) e Goldman Sachs esperando 2% (para 8,25%).

Sobre esse assunto, confira o trecho abaixo da newsletter de hoje da Nord Research.

Prévia da inflação: IPCA-15 sobe acima da expectativa [NORD RESEARCH]

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15) acelerou a alta para 1,20 por cento em outubro, após marcar 1,14 por cento em setembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou acima do consenso do mercado, que estimava alta de 1,00 por cento. Os dados foram divulgados na terça-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A analista de renda fixa e sócia-fundadora da Nord Research, Marilia Fontes, destaca a forte alta do setor de serviços, segmento que é mais sensível à política econômica, e avalia que o resultado do IPCA-15 deve fazer com que o Copom eleve a projeção para a taxa Selic em 1,5 ponto percentual na reunião de hoje (27), avançando para 7,75 por cento ao ano.

Por outro lado, o chamado Índice de Difusão, que mede o percentual de itens da inflação que subiram, caiu para 63,8 por cento neste mês. Na leitura da Marilia, essa queda indica que menos itens subiram em outubro, porém a alta dos itens que subiram veio mais forte. Já os núcleos de inflação apresentaram estabilidade.

Qual o cenário? De modo geral, esses dados dão ao Copom muito com o que se preocupar — principalmente porque as expectativas de inflação do Boletim Focus passaram a ficar desancoradas da meta do Banco Central, piorando as projeções para 2022, 2023 e 2024. Para a nossa analista, isso pode fazer com que o Banco Central tenha que aumentar o passo, elevando a Selic para 9,5 por cento ou 10 por cento no ano que vem.

O que muda na minha vida? Se por um lado a alta na inflação beneficia os títulos pós-fixados, que passam a render mais, por outro lado é ruim para títulos prefixados ou IPCA mais longos, dada a revisão de juros para cima.

Anote aí!

Hoje, às 19 horas, a Marilia Fontes fará uma live em seu perfil pessoal no Instagram (@mariliadfontes) para falar se a Selic vai quebrar o Brasil e as principais dúvidas em torno da decisão de política monetária na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do BC) de outubro de 2021. Já segue no Instagram e ativa as notificações.

 

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Outros destaques

Empiricus recomenda aposta contra TC (TRAD3) 

O mercado financeiro esteve em polvorosa nesta terça-feira (26) por conta do relatório extraordinário publicado pela Empiricus aos seus assinantes recomendando que os investidores operassem short no papel (quando se vende um ativo sem te-lo na carteira), apostando em uma queda de mais de 50% frente ao preço atual. As ações do TC (TRAD3) fechou o pregão desta terça a R$ 5,39. 

Seguindo deliberadamente o estilo do relatório da gestora Squadra que deu início à derrocada da resseguradora IRB em 2020 (esta referência é citada no próprio documento), Felipe Miranda, analista e fundador da Empiricus, afirma que o TC se tratar de uma "fake tech", que são "empresas capazes de reunir uma retórica eloquente para se alinhar a um perfil supostamente de alta tecnologia, com crescimento exponencial, DNA disruptivo e vantagens competitivas de longo prazo. É um dos problemas dos nossos tempos: afirmações categóricas de 'tech as a service', 'software as a service', 'edtech', 'addressable market', 'community', sem a contrapartida tangível de lucros e geração de caixa. Palavras não pagam dívidas"

O que chamou atenção dos investidores também foi o que podemos chamar de "desencontro de ideias" entre Empiricus e BTG (que é acionista principal da Empiricus). Enquanto a research de Miranda constrói um cenário de empresa sem valor, analista do banco recomendam  compra de TRAD3 com preço-alvo de R$ 14, defendendo haver “oportunidades para o TC aumentar a monetização, gerando tráfego/investidores para corretores e diversificando seu portfólio educacional”. 

Por outro lado, Pedro Albuquerque, sócio da TC, reforçou ao Valor Investe que não há queima de caixa excessiva, e que, por ora, a empresa gastou pouco do dinheiro captado no IPO em negócios bem pensados. “Queima de caixa é algo desconectado à realidade”, afirma.

Cade pede mais 90 dias para analisar venda da Oi Móvel (Nord Research)

Outra novela que ganhou novos capítulos é a compra da Oi por TIM, Claro e Vivo. Na terça-feira (26), a superintendência-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) solicitou mais prazo para analisar a concentração que envolve a venda da Oi Móvel.

Se o pedido for acatado, o prazo final para o órgão decidir sobre o negócio entre as operadoras de telefonia passará de 18 de novembro deste ano para fevereiro de 2022.

Por Arthur Lessa 22/10/2021 - 10:12 Atualizado em 22/10/2021 - 10:34

A frase do título abre o capítulo 11 do livro A Psicologia Financeira, de Morgan Housel, um dos mais comentados nas listas de leitura do mercado financeiro. E é realmente muito bom! (Inclusive coloquei nessa página o link pra comprar na Amazon)

O nome do capítulo é Razoável > Racional e disserta sobre o impacto da relação pessoal do individuo com o ativo escolhido para comprar uma carteira. Me chamou atenção, primeiramente, por contradizer algo que é apresentado como básico no ensino da análise de investimentos: não misture emoção com investimento, ou, colocando de maneira mais coloquial e ilustrativa, “não se apaixone pela ação”.

O médico racional

Para ilustrar a diferença entre os termos “Racional” e “Razoável” com a história de um psiquiatra que, por volta de 1900, adotou como tratamento para pacientes com neurossífilis grave (inevitavelmente fatal na época) a injeção de doenças como febre tifoide, malária e varíola. Sim... Esse era o tratamento.

Mas por que, diabos, ele trataria uma doença com outra doença. Parece uma anedota de comédia pastelão, quando para “fazer sumir” uma dor de cabeça se pisava no pé do paciente. Mas o médico em questão tinha no que se basear para seu tratamento “ousado” (o resto das pessoas chamava de loucura mesmo): padrões.

Ele notou que os pacientes com sífilis que, por alguma outra doença, tivessem febres fortes e prolongadas tinham uma forte tendência de se recuperar. Afinal, analisando friamente, a febre não é um problema, mas sim um procedimento de defesa do corpo humano. Sendo assim, além de não ser ruim, é bom. Repita comigo (mentalmente, para não assustar ninguém): ter febre é bom!

Somando os dados citados e analisando racionalmente, foi fácil tomar a decisão: se é pra não morrer, que tenham febre.

Após alguns ajustes de dosagem (e mortes de alguns mais azarados), o médico adotou como método o uso da malária mesmo, que era mais branda e controlável, criando a malarioterapia, que lhe rendeu o Prêmio Nobel de Medicina em 1927.

E por aí vai a história, com mais desdobramentos e informações. Mas o ponto de reflexão que surge no texto é o seguinte:

[...] Se a febre é benéfica, por que a combatemos?

Acho que a resposta é simples: porque a febre dói. Ea as pessoas não querem sentir dor.

É isso.

[...]

Pode ser racional querer ter febre se você está com uma infecção. Mas não é razoável.

Na prática a teoria é outra...

Outro exemplo citado nesse capítulo é de Harry Markowitz, condecorado com um Nobel (dessa vez de Economia) por conta de seu estudo que explorava a relação matemática entre risco e retorno. Ao ser questionado sobre como montava sua carteira de investimentos, ele não descreveu seus padrões de estudo, fórmulas matemáticas, taxa livre de risco e outros termos que baseiam a teoria que ele mesmo criou. Pelo contrário, ele afirmou que dividia seu portfolio meio a meio entre títulos e ações pois teria muito remorso caso as ações subissem e ele não as tivesse. Sua intenção, segundo suas próprias palavras, era “minimizar seu arrependimento no futuro”.

Termos como arrependimento e remorso não são matemáticos. Não são racionais. Mas são razoáveis, como Housel descreve:

Um investidor razoável toma decisões em uma sala de reuniões, cercado por colegas que ele espera que admirem, ao lado de um cônjuge que não quer decepcionar, tomando como referencial concorrentes idiotas, mas realistas, como o cunhado e o vizinho.

Por mais racionais que tentemos ser, não seremos 100% racionais. Se formos, por um momento, logo depois deixaremos de ser. E, quando acontecer, o que fazer com as decisões tomadas friamente frente a dúvidas e preocupações que surgirem (elas sempre surgem)?

Das coisas mais recentes que aprendi nos últimos solavancos da bolsa está a relação que existe entre o quão claro é para você o motivo/a tese que o levou a investir seu dinheiro em um ativo com o quanto as oscilações lhe afetam. Isso vale para o bem e para o mal.

Uma ação investida com base apenas numa indicação de um influenciador, relatório de swing trade ou um motivo fútil (como “vou investir na Ambev porque gosto de cerveja”) causa calafrios a cada queda e uma vontade incontrolável de realização de lucro a cada simples valorização. No primeiro caso você sai com menos do que entrou, no segundo sai do bonde antes da valorização real.

Por outro lado, se você conhece a atividade da empresa representada pelo ticker XPTO3, acompanha o que acontece com ela e seu mercado, acredita nos projetos apresentados e futuro crescimento, como aconteceria se você estivesse entrando como sócio numa empresa do seu bairro, você mal vai olhar as cotações. Vai olhar resultados, fatos relevantes (onde são informados os rumos e planos das empresas) e afins.

Como diria Warren Buffet, quem se destaca nesse mercado não são os mais inteligentes, mas os mais disciplinados. E disciplina vem de constância. E ser razoável é mais constante que ser racional.

Por Arthur Lessa 15/10/2021 - 18:10

Você, leitor, já deve ter visto essa lista:

- Airbnb, a empresa de hospedagem que não tem imóveis
- Uber, a empresa de transporte que não tem carro
- Amazon, a varejista que não tem loja física
- Facebook, a rede de comunicação que não produz conteúdo

(E por aí vai...)

Em suma, essas e outras empresas similares são a base de alguns dos discursos mais bem recebido nas última década quando se fala de empreendedorismo, inovação e, (termo da moda)², disrupção.

O lema é “a economia antiga morreu, entre na nova economia compartilhada, onde todos são compradores e vendedores!”. Nessa onda, que recebeu também o nome de “uberização”, existem atividades que até pouco tempo nem existiam, com o dropshipping.

Tudo bem, tudo bom, tudo lindo!

Mas na prática a teoria é outra...

Você tem se incomodado com essas ferramentas maravilhosas ultimamente? Será que agora que virou rotina perdeu a magia? Ou será que os serviços ficaram mais... normais mesmo?

Vou começar falando rapidamente dos serviços de streaming (Netflix e afins). As plataformas  estão tão divididas e segmentadas que fica difícil de consumir o conteúdo que nos interessa. Me arrisco a dizer que parece mais difícil que na época das vídeo-locadoras. Sei que não é, mas parece. E isso se dá pela revolução que foi vendida e se mostrou, no máximo, uma carreata.

Tentei assistir Harry Potter com a minha filha. Tinha em apenas uma plataforma e era legendado (um filme infantil!). Acabei tendo que voltar à “retrógrada” grade televisiva, esperando chegar o horário X para colocar no canal Y e assistir sem o recurso do pause.  

Outro exemplo é o Uber, que surgiu como o exterminador dos taxis no mundo. Acontece que hoje tem sido alvo de críticas (pasmem) pelo mesmo motivo dos antecessores: serviço de baixa qualidade.

Desde o começo da escalada do preço da gasolina, que acumula 40% de aumento em 2021, tem ficado cada vez mais difícil conseguir uma carona pelo serviço. O motivo (pasmem de novo) é que os próprios motoristas têm cancelado as corridas que não tenham certeza que vá render um bom dinheiro.

Ora... Não era essa uma das “nefastas” práticas dos taxistas de rodoviária e aeroporto que mais catapultavam o abençoado-disruptivo-inovador-colaborativo-descentralizado serviço? Agora faz igual?

E não é suposição dos usuários. É fato facilmente constatável, já que o motorista pergunta o destino do cliente pelo chat do aplicativo e, se não houver resposta ou a resposta não o agradar, a corrida é cancelada. Numa empresa com hierarquia, metas, comando e organização, uma série de atitudes como essa terminaria em demissão (e sem carta de recomendação). Mas o Uber é descentralizado, conectado, jovem, quase um Paz&Amor versão Século 21.

Achei que isso era coisa de cidade grande, que não chegaria aqui. Até que aconteceu comigo, quando tive que ir a pé a uma reunião por conta de cancelamentos sucessivos de corridas. Não era falta de motorista, mas de vontade deles de atender a chamada. Quando não tem a opção de não atender, então “desligam na cara”. Cheguei na reunião atrasado, cansado, suado e nervoso. Serviço de primeira!

Não estou aqui depositando toda a culpa nos motoristas (que também não estão isentos dela), mas no sistema. Se tem que aumentar o fee inicial, reduzir a comissão cobrada pela Central (que chega a 40% em algumas situações, segundo ouvi de motoristas) ou aumentar a própria tabela para o cliente final, não sei. Nem quero saber. O que não pode é criar demanda, criar novos hábitos, implementar nova cultura e largar de mão dessa maneira.

Moro na área central de uma cidade média. Posso ficar sem carro em muitos momentos, ir ao trabalho, ao supermercado, à escola da minha filha e afins a pé com facilidade. Mas e quem mora longe do centro da sua cidade ou trabalha longe de casa?

Vale lembrar que as empresas acima não apareceram como negócios novos, com produtos apenas diferentes, como novas versões do que era proposto. Surgiram como a nova ordem mundial. Um novo estilo de vida!

Diálogo normal em meados de 2019...

Pedro: Luiz, cadê seu carro?
Luiz: Não tenho mais carro. Vendi.
Pedro: Apertou de grana, é?
Luiz: Que nada! Hoje em dia ninguém precisa de carro! Tem o Uber que leva a gente pra lá e pra cá!

[Dois anos depois...]

Luiz: Oi Pedro. Tudo bem?
Pedro: Fala, Luiz! Tudo certo!
Luiz: Vou me atrasar um pouco, ok?
Pedro: Aconteceu alguma coisa?
Luiz: Faz vinte minutos que estou esperando um Uber e nada! Seis já cancelaram!
Pedro: Relaxa! Estou indo te buscar!

Sim, esses diálogos são bem comuns...

Sim, muita gente vendeu o carro pela promessa do Uber onipresente...

Mas, no fim, Uber e semelhantes são novas caixas para a mesma coisa que sempre existiu: um serviço que, por definição básica, se faz útil ao resolver o problema de um terceiro mediante remuneração. E, como todo serviço, pode ser feito com alta ou baixa qualidade.

Por Arthur Lessa 05/10/2021 - 12:34 Atualizado em 05/10/2021 - 12:44

Ontem vi (de novo) algo parecido acontecendo em notícias sobre o apagão do Facebook: "Zuckerberg perde US$ 6 bi em horas". Outros colocaram "Mark Zuckerberg perde R$ 32,7 bilhões com crise no Facebook". Isso chama atenção, mas é uma distorção da realidade e causa desinformação.

O cálculo feito é baseado em fatos reais. Multiplicando as ações que ele do FB com o preço unitário e separando 4,9% desse valor (desvalorização da ação no dia do apagão), dá sim esse valor astronômico. Mas ele perdeu esse dinheiro?

Vamos trazer pra nossa realidade de meros mortais que se arrepiam com boletos...

Eu comprei um carro novo por R$ 80 mil há pouco tempo. Ao tirar da concessionária, digamos que ele perca 15% do valor (R$ 12 mil) por não ser mais novo (0 Km).

Aí, pela pandemia, faltou chip no mundo. Entre os setores afetados está o automobilistico, ja que hoje os carros são carregados de sensores e equipamentos eletrônicos. Sem eles, não tem carro.

Fábricas param, oferta desaba, demanda dispara e os usados ficam mais concorridos. Meu carro de R$ 80 mil, que valia R$ 68 mil, vira artigo de luxo, valoriza 25% e agora é um ativo de R$ 85 mil.

Afinal, perdi R$ 12 mil ou ganhei R$ 5 mil?

Depende... Se não vender, não perdi nem ganhei. Segue com o mesmo carro que custou R$ 80 mil te levando pra lá e pra cá.

O que aconteceu foi que o carro sofreu primeiro uma desvalorização e, um tempo depois, uma valorização. Mas se você não tentar vender nem pesquisar na Fipe, nem sabe disso. A contrário do que acontece com as ações nas bolsas de valores, não existem paineis com as cotações de preços de carros na nossa cara o dia inteiro. 

Mas o Mark Zuckerberg não perdeu nada?

Perdeu, e muito!

Segundo informações que surgiram, a receita que deixou de ser gerada gira na casa dos US$ 100 milhões nas sete horas de ausência das plataformas.

Esse dinheiro, sim, não volta. E o fator dessa realidade é o tempo, que não volta. A publicidade não veiculada virou pó.

Por Arthur Lessa 01/10/2021 - 10:36 Atualizado em 01/10/2021 - 10:37

Tudo no mundo evolui. Tem que evoluir. É consenso.

Dizem que o tempo da era da internet corre mais rápido.

“Quem não inova, fica pelo caminho” é quase um mantra.

E vemos isso em todos os cantos.

Carros se dirigem sozinhos. O aspirador de pó vai passeando pelo cômodo quando, como e onde bem entender. Reuniões são feitas em vídeo. Fotografias e filmagens são feitas pelo telefone.

O mundo de hoje não é o mundo 15 anos atrás.

Muitos dos produtos de lá não se encaixam na realidade de cá, como escrever mensagens pelo teclado numérico de um celular sem tela de toque. A simples mensagem de “estou atrasado” demandaria o esforço de “discar” 3377778666880287772777723666 (entendedores entenderão).

Por outro lado, tem produtos que lembram filmes de ficção científica, daqueles que um ser congelado há séculos é reanimado e volta à vida em um mundo mais moderno.

Esse é o caso do Show do Milhão, ressuscitado pelo SBT em parceria com o PicPay.

Quem me falou que o programa tinha voltado, depois de 18 anos de hibernação midiática, foram os algoritmos do YouTube.

Olhei aquela thumb e pensei: “Legal... Vou ver como adaptaram o programa pra realidade atual”.

Estamos falando de uma atração que foi veiculada de 1999 a 2003, numa época em que celulares começavam a se popularizar, mas praticamente sem internet e sem nenhum esboço de rede social. Facebook foi fundada em 2004, abrindo para o público geral em 2006, mesmo ano em que foi ao ar o Twitter. O Whatsapp foi lançado em 2009. O Instagram em 2010. TikTok em 2016.

Essas plataformas, e outras tantas similares, são parte da vida do cidadão comum. São a base da comunicação de algumas gerações de consumidores. (Conheço pessoas de 7 a 87 anos ligadas nas redes)

Com essa contextualização, qual não foi minha surpresa ao ver que a única mudança do Show do Milhão foi o apresentador. Silvio Santos deu lugar a Celso Portiolli. E nem foi tanta mudança assim, já que Portiolli é a versão 2.0 mais precisa que o dono do SBT poderia ter.

Reanimado, mas não remodelado

O terno, a entonação, os movimentos das mãos, as frases repetidas em eco, as perguntas padrão,... Tudo em Celso Portiolli é igual ao que Silvio fazia há 20 anos.

“Ah, mas a dinâmica do programa deve ter sido atualizada...”

Não!

Tirando o processo de sorteio, baseado em transações feitas pela conta da fintech Pic Pay, patrocinadora da atração, o resto é igual. Tiraram o roteiro da gaveta, olharam pro Celso e disseram “vai!”.

Eu comparei. E fiquei impressionado!

Os candidatos ao prêmio ficam na plateia aguarda seu número ser tirado de uma urna. Cada um que sai sorteia o próximo.

Em caso de dúvida, existem possibilidades. Uma delas é apelar aos universitários, que seguem presentes e prontos para responder qualquer questão. Outra opção são as cartas, que seguem sendo físicas e gigantescas. A terceira opção é contar com os “colegas do auditório”, que levantam placas que seus palpites.

E o melhor é que, parando pra pensar, eu mesmo não consigo apontar melhorias para o Show do Milhão. O modelo segue perfeito pra ele.

E esse é o ponto aqui... Num mundo que anseia pela permanente inovação dos negócios, dos produtos e dos processos, o Show do Milhão ressurge depois de duas décadas e é um exemplo de que quando um produto é o melhor que pode ser, nada se deve fazer além de manter a receita.

Se o Show do Milhão fosse uma caneta, seria uma Bic (foto).

A melhor caneta do mundo

Você pode não acreditar, mas a mais comum (e talvez mais barata) das canetas é um case de inovação, tecnologia e design. Montblancs não tem chances contra ela.

Em 1950, o francês Marcel Bich adquiriu (e melhorou) uma tecnologia patenteada há pouco mais de 10 anos de uma caneta com uma bolinha na ponta (por isso esferográfica) para melhorar a distribuição da tinta pelo papel.

Uma das melhorias foi o furinho que vemos no cabo, ou na ponta oposta à da escrita, que serve para igualar a pressão de dentro e de fora da caneta, evitando que ela explodisse ou vazasse, algo que era muito comum com outros modelos.

 Que coisa, não?

Duas histórias bem diferentes, de um programa de televisão (e YouTube hoje) e uma caneta. Mas com um mesmo conceito:

Procure sempre melhorar o seu produto, mas tenha em mente que em algum momento ele pode chegar ao seu ponto ótimo.

Se temos, ao falar de startups, o Produto Mínimo Viável (MVP em inglês), por que não aceitar que podemos ter um Máximo Produto Necessário?

Por Arthur Lessa 24/09/2021 - 04:25 Atualizado em 14/10/2021 - 19:27

A tecnologia evolui. É inevitável. Faz parte do ser humano inventar, melhorar ou repensar o que existe.

Nessa evolução, tem coisas que morrem. Os carros trocaram os bois por motores, as máquinas de escrever deram lugar aos computadores, os filmes fotográficos eram inúteis nas câmeras digitais por aí vai...  

Por outro lado, tem coisas que se mantem.

Entre as décadas de 1940 e 1950, se espalhava a certeza de que a televisão, grande tecnologia que se espalhava pelo mundo à época, iria matar o rádio.

A lógica era indiscutível. Havia surgido um aparelho “mágico” que unia a informação auditiva do rádio com imagem. No lugar de explicar quanto um incêndio estava tomando de um edifício, a tela mostrava a cena como se o espectador estivesse no local. O rádio estava com os dias contados...

Sete décadas depois, estamos em 2021 e o rádio segue vivo. E afirmo, sem pingo de dúvida, que é o melhor meio de comunicação instantânea.

Mas como? Não estávamos contando os dias para a morte? Por que segue vivo?

Adaptabilidade

A voz é a comunicação principal das pessoas. Antes de escrever, aprendemos a falar. Sempre que possível, falamos no lugar de escrever. Porque é fácil, imediato, demanda mínimo esforço e possibilita melhor expressão que a própria escrita. O rádio é conversa, é falado, é intuitivo. Não é a toa que plataformas que nasceram para a escrita tiveram que oferecer a função áudio, como Facebook, Whatsapp, Google, Instagram,...

Outro ponto é a tecnologia, que evoluiu junto com a vida das pessoas. Vejo o rádio acontecendo desde que me entendo por gente. Nas décadas de 1980 e 1990 era necessário pedir linha telefônica para realizar uma transmissão fora do estúdio. Se fosse algo rápido, imediato, o repórter na rua precisava encontrar um telefone fixo para ligar para a sede da rádio.

Ainda falando do telefone, fixo na época, este aparelho básico das casas brasileiras possibilitava ao rádio ser o único veículo de comunicação de duas vias. O locutor “abria as linhas”, falava de cá, e o ouvinte respondia de lá. Podia ser para reclamar de um buraco na rua, dar um palpite para o jogo da noite, anunciar que estava vendo uma geladeira, ou apenas ter o prazer de conversar com quem lhe fazia companhia sonora.

A partir dos anos 2000, o celular e a internet (ainda separados) começaram a fazer parte da vida cotidiana. Assim a mobilidade do rádio foi ficando cada vez maior e, o que vejo como grande virada, as redes sociais de comunicação direta (MSN Messenger e Whatsapp, principalmente) entraram pra ficar na rotina radiofônica. A diferença para o ouvinte desses novos canais para o telefone fixo é que não existe momento, não precisa de chamado, está aberto o tempo todo, mesmo fora do horário do próprio programa.

Já pensando na função do radialista, as mesmas plataformas e ferramentas possibilitam que uma entrevista, por exemplo, seja gravada sem nenhuma preparação prévia. Sacou o onipresente celular do bolso e ligou o gravador, tá montado o estúdio. Que outro meio lhe possibilita tal agilidade?

Não ocupa espaço

Se olharmos para a rotina dos dias atuais, vemos que a sociedade é pautada por termos como agilidade, objetividade e multitarefa. É aí que se destaca o trunfo mestre do rádio, que o caracteriza desde o início até hoje: você não precisa parar para consumir rádio.

Você pode ouvir rádio dirigindo, correndo, cozinhando, comendo, trabalhando, tomando banho e qualquer outra coisa que quiser. Consuma qualquer outro tipo de informação dirigindo e você sofrerá o risco de uma multa ou, o que é pior, um acidente.

Qual o próximo passo

O “próximo passo” que estamos vendo hoje em dia é o podcast. Já vi, como já estou acostumado, previsões assertivas (duvido que acertadas) de que, “agora, o rádio morre de vez”. Não vejo assim...

Vejo como um novo (e promissor) braço do rádio. Não é inédito, demanda produção e preparação prévias, equipamento e estúdio adequados e, quando com vídeo, um bom cenário. Além disso, o podcast deve ser procurado pelo ouvinte que quer consumir aquele conteúdo e apenas ele. O rádio, por outro lado, mantem o controle da grade e a possibilidade de apresentar coisas novas ao ouvinte.

Não há e (entendo que) não haverá disputa. Andarão lado a lado.

Como diria Charles Darwin, “não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”.

Por Arthur Lessa 02/09/2021 - 18:02

Uma das piores coisas que podemos fazer na vida é deixar os outros pensarem por você. Ou definir o que você deve pensar, ou o que pode pensar.

A imagem que ilustra esse texto é a melhor ilustração que conheço pro problema que vejo cada vez mais agravado na sociedade brasileira.

Para contextualizar, a charge (já relativamente antiga), faz referência à relação diferente dos usuários de tecnologia que usam computadores normalmente operados com Windows, da Microsoft, daqueles adeptos da Apple.

Enquanto os primeiros comumente montam (ou encomendam) seu equipamento de acordo com as especificações que necessitam para o trabalho e, em caso de algum problema ou necessidade de upgrade, substituem uma peça por outra, os  fãs da “maçã mordida” tem uma quantidade limitada de produtos pré-definidos para escolher e, em caso de necessidade, normalmente substituem o conjunto todo por um novo.

Não vou aqui criticar o modelo de negócio criado por Steve Jobs. O conceito de criar um sistema operacional sob medida para um equipamento padronizado, garantindo que tudo se encaixe perfeitamente para uma experiência otimizada, foi um dos grandes trunfos da empresa. Mas, reduzindo ao mínimo, se trata de um pacote fechado e pré-definido.     

Hoje esse raciocínio (infelizmente) tem se mostrado gritante nas questões políticas, com extremistas (dos dois lados) passando do ponto de rotular para o ponto de empacotar. Ou você é fascista, negacionista, terraplanista [+ n adjetivos], ou você é comunista, defensor de ditadura, alarmista [+ n adjetivos].

Nesse jogo forçado, quem não abraçou alguma das cartilhas, mais ensaiadas que o coro da missa de domingo, se sente até mal. “Será que eu sou um criminoso por concordar com algumas coisas de um lado e outras coisas do outro lado?”

Esse grupo é o que chamam de “isentão”. Qual é a do isentão? Se não quer entrar pra guerra, quer o que? Quer viver a sua vida em paz e pensa sozinho.

Agora vamos sair da política e voltar ao tema recorrente desse espaço.

Uma história que o Adelor adora contar é de quando saiu da Rádio Eldorado AM, depois de anos na emissora, onde comandava o principal programa jornalístico e chegou a diretor-geral e sócio proprietário.

Isso aconteceu por volta de 2003/2004. Ele estava fora do ar, precisava de uma emissora para continuar seu programa, encontrou um sócio e comprou a Rádio Som Maior, que na época reproduzia a programação da Band FM, que se destacava pelo estilo popular.

Depois de pesquisar o público local, encontrou uma demanda não atendida para o público adulto contemporâneo e buscou para o lugar da Band FM a rede paulista Antena 1, que, ao mesmo tempo que atendia perfeitamente a necessidade musical, não tinha nenhum espaço “falado”, muito menos local. Tocava música, entrava o locutor anunciando a que tocou, a que vai tocar e vinha mais música. E o Programa Adelor Lessa, faz como?

 Pra resolver a questão, ele foi até São Paulo, conversou diretamente com o dono da rede e conseguiu convencê-lo a ceder quatro horas de programação local para a afiliada criciumense. Pra quem tem alguma familiaridade com franquia, sabe que sair do padrão estabelecido pela marcar é uma conquista.

Depois de lançada a nova programação, o que lhe chamou atenção foram as perguntas que ouviu, inclusive de pessoas próximas e clientes: “mas pode ter jornalismo em FM? A lei permite?”

Se não era uma pergunta jurídica, vinha uma previsão assertiva, característica daqueles que pouco entendem de algum assunto, mas querem dar pitaco: “isso não vai funcionar!” 

Hoje, em 2021, chega a ser estranho pensar que houvesse essa dúvida. E não faz tanto tempo, hein! Brasil já era penta, Google já ajudava a descobrir a capital do Butão e celular já tocava na hora errada.

Mas não era por maldade que perguntavam se podia, nem por falta de cultura geral, mas porque na “caixa” que tinham recebido estava a informação de que AM é informação e FM é música. Não muito diferente de “Bolsa é só pra rico” ou “faculdade garante emprego”. Ideias antigas, podem ter feito sentido um dia, mas não fazem mais.

Então pare pra pensar um pouco.

Quais caixinhas prontas que você recebeu até hoje?

E quais você acha que já não valem mais?

 

Por Arthur Lessa 26/08/2021 - 18:00

Quantas vezes você já se pegou dizendo não para alguma proposta por não se sentir preparado? Seja de emprego, seja pra um esporte, para tocar numa banda...
Acontece. Não somos bons em tudo, não estamos prontos para qualquer coisa em qualquer área, nem precisamos estar. Mas as vezes, por outro lado, estamos suficientemente prontos e temos medo de ter certeza.
Fui convidado para dar uma palestra sobre algo que, em princípio, estava fora do meu círculo de competência. Eu estudo investimento há anos, acompanho o que acontece na economia, entendo com certa profundidade quase todos os mecanismos do mercado financeiro, mas ainda não tinha me debruçado pra estudar o Open Banking. 

Minha primeira reação foi pensar em responder que não me sentia preparado para apresentar esse tema, mas poderia indicar alguém que conhece bem. Sorte que a conversa estava acontecendo por mensagem de WhatsApp, então pude repensar.

Lembrei de um café que tomei no ano passado com o Mateus De Luca, apresentador do programa Agora Faça, que vai ao ar todos os sábados na Som Maior. Ele me disse que uma das coisas mais desafiadoras que ele fez na carreira foi se comprometer a dar uma aula na SATC sobre "Compensação Financeira pela Extração de recursos Minerais", algo que ele não dominava. Eu fiz o mesmo.

Quem me convidou para esse desafio (que ela mesma não sabia que seria um desafio) foi a professora Roseli Jenoveva, que dá aula de Inovação para os cursos da Faculdade Senac de Criciúma. Dez dias antes de quando seria a palestra, ela me perguntou se eu poderia falar aos alunos do Senac sobre esse novo sistema. O tema da conversa seria “Os impactos do Open Banking no ecossistema de inovação brasileiro”.
Agora imagina a minha situação. Mal entendo dessa nova tecnologia do Banco Central e ela ainda queria que eu analisasse o possível impacto no futuro do setor mais imprevisível que existe. Primeira resposta que minha cabeça formulou foi “Nem a pau, Juvenal!”.

Mas, como disse, não precisava responder naquele instante. Pensei, ponderei e abri o jogo. Falei que não entendia profundamente do assunto, mas adoraria falar aos alunos sobre qualquer assunto relacionado a economia e investimento e, se fosse possível, precisaria de uns dias para estudar. Ela aceitou e eu montei meu plano de preparação. 

Primeira atitude foi marcar uma entrevista (cada um luta com as armas que tem) com a Luana Soratto, amiga minha e componente do Grupo Técnico de Experiência do Usuário do Open Banking (olha a sorte!), pra apresentar aos ouvintes do 60 Minutos, e a mim, os detalhes do novo sistema. Terminada a entrevista, pedi mais algumas informações e materiais para montar a apresentação. 
Com os materiais indicados por ela, as informações da entrevista e uma boa pesquisada em notícias, montei um conjunto de 50 slides, sendo 10 deles com notícias de portais focados em finanças. Afinal de contas, jornalista que sou, montei uma base no meu campinho.

Por Arthur Lessa 19/08/2021 - 18:09 Atualizado em 19/08/2021 - 19:21

No último domingo, mais uma vez, o Fantástico teve golpes financeiros entre os principais assuntos do programa.

Os casos envolvem os elementos básicos dos golpes, sejam eles pirâmides ou não:

a) ostentação dos vendedores, que mostra montes de dinheiro, dirigem carros de luxo e convidam as suscetíveis para alcançar o mesmo nível financeiro;

b) probabilidade irreais garantidos, como 30% por mês, que nem os melhores investidores e empreendedores da história conseguiram;

c) ativos ativos, hoje com predominância das criptomoedas, que estão na moda e muito pouca gente entende como funciona.

Muitos tem pena de quem cai, mas já citei em outras oportunidades que, normalmente, essas pessoas merecem o que o destino os reservou, já que o “investimento” feito foi motivado por nada menos que ganância. Aspas em “investimento” são necessários já que o dinheiro depositado pelo golpeado não vai para nenhum ativo financeiro, mas para a conta do golpeador, que normalmente gasta os recursos para ostentar e atrair mais presas. E a roda da desgraça vai girando.

Para quem não se acha malandro e pode cair por desconhecimento, apresento o raciocínio que ocupou a minha cabeça na última semana, unindo noção básica de crédito com promessas irreais.

Pra que serve o crédito?

 Você pode pensar, num primeiro momento, que empréstimo são a bóia de salvação dos descontrolados financeiros. Isso pode ser creditado a muitos educadores financeiros, principalmente os pouco estudados ou que focam no público mais iniciante, defendem que um dos segredos da vida financeira sadia é “fugir dos empréstimos” como o diabo foge da cruz.

Há hipóteses, realmente, em que o cidadão busca crédito para compensar o próprio descontrole orçamentário, mas não foi nem por isso que o crédito nasceu. Crédito é o catalisador da economia e tem, como razão de existir, intensificar o aumento da capacidade de produtividade dos negócios. Explico com meu personagem favorito: o padeiro.

Manoel é um ótimo padeiro e tem boa visão de negócio, o que o possibilitou criar, depois de anos de crescimento e experiências, a melhor padaria do bairro Comerciário. Não há, na cidade, padoca com melhor oferta de pães e afins, além de ambiente agradável e equipe extremamente bem treinada. Mas ela é uma só e fica bairro bairro, tirando dos moradores do Pinheirinho como possibilidade de aproveitamento de serviço.

Manoel gostaria muito de levar essa experiência para outros bairros, mas tudo o que tinha sido investido na unidade de hoje. O que sobra de lucro todo mês é bom como resultado do investimento, mas pouco para se pensar nos investimentos gastos para a abertura de uma segunda loja, que aluguel, reforma do ambiente, mobiliário, equipamentos, equipe, treinamentos, publicidade e afins. Ou ele levaria uma vida frugal por anos (ou décadas) ou teria que abrir a segunda como abrir a primeira, num espaço reduzido, equipamentos básicos, ambiente pouco receptivo e tal. Nada do que evoluiu em uma séria transferida para a segunda, perdendo seu grande trunfo.

Mas Manoel confia no seu projeto. Sabe que, tendo o capital inicial, conseguir replicar o sucesso da matriz em uma ou duas filiais, estimar um investimento necessário de R $ 100 mil para um lucro de R $ 300 mil em um ano. E com essa margem, ele vai ao banco e pega um empréstimo. Isso é o crédito na essência.

Entendendo o que é, vamos para como funciona.

Os bancos [normalmente] não são vilões, mas também não são entidades filantrópicas. Nem os públicos, como Banco do Brasil ou Caixa. Eles, como todos os negócios, nascem e vivem com o mesmo objetivo: lucro. Ou, simplificando, recebendo mais do que gasta.

Então Manoel chega ao banco e requisitos os R $ 100 mil que precisa. Oferece, recebe o dinheiro e sai da agência com o compromisso de devolver, em 12 parcelas, R $ 130 mil. A diferença de R $ 30 milhões são os 30% de juros cobrados pelo banco pelo dinheiro que vendeu para o empreendedor. Sim ... O banco vende dinheiro. Parece estranho, mas na prática é isso.

Mas de onde vem o dinheiro que o banco empresta? Ele não é o Banco Central, então não pode imprimir (nem o BC imprimir imprimir tanto quanto o faz, mas é outro assunto). Aí entram os investidores, que podem ser os sócios do banco (fundadores, acionistas pela bolsa, acionistas diretos, ...) ou os compradores de renda fixa como CDBs.

Então, simplificando, funciona assim:

CDB> Banco> Tomador> Banco + juros> CDB + juros

Agora vamos falar de espalhar .

Se o banco pagar ao comprador de CDB o mesmo que cobra do tomador, não fica com nada além do risco da inadimplência. Por isso existe uma diferença das duas taxas de juros, que é o chamado spread bancário. O CDB promete 10% depois de um ano, transformando os R $ 10 mil investidos em R $ 11 mil (antes de aplicar o IR). Para o Manoel, uma taxa cobrada foi de 30%. O banco, ao fim de tudo, fica com 20%.

Todos os números acima são simbólicos, mas não estão muito longe da realidade do mercado. O spread normalmente é maior, mas pouca coisa. O mecanismo é esse.

E o que isso tem a ver com golpe?

Pensa comigo ... Se no banco eu consigo pegar um empréstimo que me cobra 30% no ano e consigo, operando no mercado financeiro, 30% de rendimento garantido no mês , por que eu iria espalhar isso para o mundo? Pelo contrário! Eu me esconderia meu pc num bunker com uma rede criptografada para que ninguém soubesse além além da Receita, que me mandaria cartões de Natal todo ano (imagina o tamanho das Darfs!).

Deixa eu ilustrar melhor: 30% ao mês dá 2.230% de rendimento no ano. R $ 100 mil se transforma em R $ 2,33 milhões (R $ 2.329.808,51).

Você pode defender que o bitcoin (BTC) teve essa valorização recentemente em reais, então é factível. Mas essa “pernada” levou mais de dois anos (jan / 19 a abr / 21) e não foi nada garantido, já que nos três meses seguintes o mesmo bitcoin caiu 55%.

Aí te pergunto: O que acreditar nos picaretraders difere de quando se acreditarava em comprar terrenos na lua?

Sempre que você receber esse tipo de proposta, cosméticos a análise pela matemática básica. Se os números forem impressionantes, parta a pergunta: se é tão bom, por que ele não enriquece sozinho?

Isso vai livrar de 99,9% das picaretas.

Por Arthur Lessa 19/08/2021 - 12:28 Atualizado em 19/08/2021 - 13:13

Após duas Grandes Guerras (ou 1ª e 2ª Guerras Mundiais), o mundo estava em frangalhos, tanto física quanto economicamente. O capitalismo precisava ser reconstruído.

Com este objetivo foram realizadas as conferências de Bretton Woods (cidade localizada em New Hampshire, EUA), definindo o Sistema Bretton Woods de gerenciamento econômico internacional. Nesses encontros foram estabelecidas, em julho de 1944, as regras para as relações comerciais e financeiras entre os países mais industrializados do mundo. 

Entre os resultados desse novo sistema estão a criação do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, operantes desde 1946. Além dessas instituições, ficou definido o dólar americano como moeda padrão para transações internacionais, a indexação da taxa de câmbio entre o dólar e as demais moedas, com limite de variação em bandas de 1%, para cima ou para baixo; e criação do lastro em padrão-ouro, onde cada dólar valeria o equivalente a 35 gramas de ouro. Com o chamado Padrão Dólar-Ouro, era possível trocar notas de dinheiro pelo equivalente em ouro no caixa do banco.

Segundo Tiago Reis, da Suno Research, "as medidas aprovadas em Bretton Woods funcionaram como previsto durante 20 anos. Porém, a partir da segunda metade da década de 60, vários problemas começaram a surgir no sistema, principalmente pela degradação das finanças norte-americanas. Ou seja, com a desvalorização do dólar, indiretamente todos os países que o utilizavam passaram a ser afetados".

Menos de 30 anos depois, em 15 de agosto de 1971, quando os bancos centrais europeus mostraram a intenção de resgatar, em ouro, o máximo possível de seus inflados estoques de dólares, o presidente norte-americano Richard Nixon, ao mesmo tempo em que impunha um congelamento de preços e salários nos Estados Unidos, unilateralmente e sem prévio aviso, pôr fim ao que restava do padrão-ouro, acabando com a convertibilidade direta do dólar em ouro e quebrando o sistema de Bretton Woods (o "Choque Nixon").

O sistema foi o primeiro exemplo, na história mundial, de uma ordem monetária totalmente negociada, tendo como objetivo governar as relações monetárias entre Nações-Estado independentes.
Para entender melhor, sugiro o vídeo abaixo do Fernando Ulrich com a história do dinheiro e, principalmente, sobre Bretton Woods.

Por Arthur Lessa 05/08/2021 - 18:18

Eu defendo há anos que o caminho para que os cidadãos entendam e participem da gestão pública é voltar alguns passos e simplificar.

A minha simplificação para esse tema é o condomínio, que pode ser um prédio, um loteamento, um grupo de empresas ou até um fundo de investimento. O prefeito é o síndico, a Câmara é o conselho, os contribuintes são os moradores. O mesmo vale para governadores e assembleias; presidente e Congresso.

Ai vão as comparações

O síndico tem como função cotidiana receber a taxa de condomínio de cada unidade (imposto de cada empresa, por exemplo) e administrar os recursos arrecadados para pagar as contas geradas pelos serviços contratados (serviços públicos) para o bom funcionamento do condomínio (cidade). Entre esses serviços está a segurança (polícia), a zeladoria (garis e coleta de lixo), água, energia e outros. Em resumo, deixar tudo funcionando da porta pra fora das unidades, seguindo as diretrizes (leis) do estatuto (constituição / legislação) do grupo.

Na função secundária entra a política interpessoal, com as reuniões de condomínio. Nesses encontros, que podem ser facilmente comparados com as sessões legislativas, são discutidas questões como possíveis mudanças de regras, que pode ser autorizar ou não, como animais de estimação; contratação de serviços como pintura da fachada do prédio; ou definição de padrão para fechamento de sacadas.

E os comparativos seguem

Nessas reuniões pode-se definir, inclusive, que tipo de decisão deve ser tomada apenas pelos membros do conselho (câmara de vereadores) e que decisões precisam ser pautadas em reunião geral (plebiscitos).

Há também decisões que podem atender apenas parte dos contribuintes, como a autorização de instalação de CNPJ em algum apartamento. Mas, se há uma votação que aprova pelos parâmetros definidos em estatuto (maioria simples, maioria absoluta, unanimidade...), faça-se cumprir.

E, é claro, assim como o prefeito, o síndico é eleito pelos contribuintes.

Simples, não? Não é o que esperamos de um gestor público?

Vamos olhar para o Executivo, que vai da prefeitura à presidência. Aí podemos colocar a discussão de tamanho de Estado. Estado Mínimo, atendendo apenas educação, saúde e segurança, ou maior, atendendo também Previdência, FGTS, auxílios sociais, empresas públicas e por aí vai.

Podemos ter uma entrega mínima de serviços públicos, que tende a afetar principalmente quem necessita deles, mas retira dos trabalhadores e empresas poucos recursos, deixando mais para investimento individual. Podemos, por outro lado, ter um Estado que cobra uma fatia grande das receitas geradas, mas entrega muito do que a população demanda, tirando dos orçamentos estes custos fixos, deixando o que resta mais livre para uso. 

O problema que enfrentamos no Brasil atualmente é que pagamos pelo Estado grande e recebemos menos que o Estado Mínimo ofereceria. Pagamos como se recebêssemos educação pública, mas pagamos por escolas particulares. Pagamos pela saúde pública, mas contratamos planos de saúde. Não que não existam os serviços, nem que sejam desnecessários, mas a relação de entrega pelo custo é absurdamente discrepante.

Como resolver então, cara pálida?

Vou sugerir algumas medidas baseado única e exclusivamente na minha experiência profissional e de vida.

Redistribuição de renda

Não entre pessoas, mas entre Executivos. Ninguém mora no Brasil. Ninguém mora em Santa Catarina. As pessoas moram nas cidades. Sendo assim, não faz sentido o pacto federativo atual que define que a maior parte dos impostos vá pra Brasília (que foi fundada no meio do nada para fugir da pressão popular) para depois voltar “descontado” para os Estados e Municípios, sendo que esses precisam pedir com pires na mão migalhas que sobram. É como se você entregasse metade do seu salário para o síndico e precisasse pedir pra ele o suficiente para pagar a luz do seu apartamento.

Simplificação dos impostos

Não tem motivo para o seu síndico saber o que você faz, de onde vem a sua renda, e levar isso em conta para definir a sua taxa de condomínio. O padrão normal é basear o seu pedaço do rateio no tamanho da sua unidade. Em prédios com mais de um tamanho de apartamento, paga mais quem tem o espaço maior. Estamos assistindo a discussão da Reforma Tributária e vendo que a simplificação apresentada ficará muito aquém da prometida. Mais que pagar impostos gigantescos, nem sabemos direito o que estamos pagando.

Meu objetivo nessa semana foi estimular a reflexão, principalmente levando em conta que temos eleições no ano que vem e, assim como na Bolsa, quando deixamos a paixão vencer a razão na escolha, o prejuízo é certo.

 

Por Arthur Lessa 30/07/2021 - 12:39 Atualizado em 30/07/2021 - 12:54

Gestor de investimentos, com atuação em family offices e wealth management, Renoir Vieira é um dos mais conhecidos contrarians do Mercado Financeiro brasileiro (mesmo não se considerando um). Talvez seja ele um dos mais autênticos influenciadores do setor, com opiniões fortes e sempre bem embasadas.

Tive a oportunidade de conversar com ele sobre diversos assuntos como a tese do "Short em Itaú" de 2019, suas denúncias contra golpistas nas redes sociais , a dinâmica do mercado atual, criptomoedas, relógios, arte e NFTs.  

Sobre a dinâmica do mercado, ele defende que o ritmo de inovação e sucessivas disrupções que acompanhamos em todos os setores derrubam (ou questionam, ao menos) a tese de investimento com foco no longo prazo defendida por investidores como Peter Lynch e Warren Buffet. "Qualquer um pode ser disruptado hoje em dia. Então casar com empresas não dá mais certo".

Confira abaixo a entrevista na íntegra

 

Por Arthur Lessa 29/07/2021 - 18:06 Atualizado em 29/07/2021 - 18:06

Sem muita convicção sobre o que escrever nessa semana para o Toda Sexta, me peguei agora há pouco montando minha equipe do Cartola FC para a próxima rodada do Brasileirão e lembrei do João Luiz Braga, sócio e analista de investimentos da gestora de fundos Encore Asset. (Talvez eu pense muito em mercado financeiro, mas por enquanto não acho que seja caso para tratamento).

Pra quem não conhece, essa espécie de jogo baseado na realidade consiste em montar uma escalação com 11 jogadores de times que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro e torcer para o bom desempenho de cada um deles nos seus jogos. Cada passe, gol, defesa, falta, cartão e afins conta pontos a mais ou a menos para o seu time. Se o Gabigol fizer um gol (+8) e receber um cartão amarelo (-2), ele soma 6 pontos para os “cartoleiros” que o escalaram.

Feito esse esclarecimento, voltamos ao assunto que é o que tem a ver o Cartola com o  mercado financeiro. A resposta é: stock picking (termo em inglês para o ato de escolher a dedo cada ativo que receberá investimento).

Faz anos que participo do fantasy game do Globo Esporte, sem muita disciplina, é verdade. Às vezes esqueço de reorganizar a equipe entre uma rodada e outra. Mas uma prática que sempre mantenho é começar cada equipe do zero.

Antes de preparar o time para a próxima rodada, eu vendo todos os jogadores da rodada anterior, deixando o campinho vazio. A partir daí eu escolho minhas 17 apostas (11 jogadores + técnico + 5 reservas) para os próximos jogos, um a um, posição por posição. É comum que alguns recém vendidos sejam reintegrados. Acontece também que um ou outro se repitam por diversas escalações. Mas a rotina é sempre a mesma. Sai todo mundo e depois eu vejo quem entra.

O Braga, além de um baita nome da gestão de fundos no Brasil, é conhecido pela maneira como a economia comportamental faz parte de suas estratégias, com destaque para os métodos como anula (quando possível) os vieses cognitivos que atrapalham tanto o lado emocional dos investidores.

Uma rotina que adotara em outras gestoras e que é bastante alinhada com essa minha prática cartoleira. Para começar cada dia, os analistas do fundo são orientados a olhar os ativos que tem na carteira e se fazer a pergunta: “se tivéssemos vendido a carteira toda ontem, compraríamos tudo novamente no preço que estão agora?”. Aqueles que forem analisados e a resposta for “sim” devem, de acordo com as premissas da equipe, estar bem precificados e são mantidos. Aqueles que recebem um “não” devem, seguindo as mesmas premissas, estar caros e o ideal é vender para rebalanceamento da carteira.

Obviamente não é possível, como no Cartola, que o investidor venda e recompre carteiras inteiras a torto e a direito, seja por custos de corretagem e impostos, seja pelo trabalho despendido para tal. Mas o raciocínio serve para qualquer tamanho de carteira.

Já tratei de vieses em alguns textos para o Toda Sexta, sendo o mais recente com esse tema o Sobre flores e ervas daninhas, da edição 041. Lá citei Peter Lynch e a ancoragem que nos impede de vender as ações que nos dão prejuízo (como se nos devessem um lucro prometido) e nos incentivam a vender as vencedoras (como se já tivessem cumprido seu papel). Mas ancoragem pode ser platônica também.

Acontece que muitas vezes podemos nos interessar numa ação e não ter convicção (ou dinheiro) para investir naquele momento. Mas o preço fica gravado na mente e vira a âncora de todas as análises futuras. “Eu queria investir na XPTO3 (fictícia), mas quando eu vi, há dois meses, ela estava a R$ 10 por ação. Agora que subiu pra R$ 12 não consigo, perdi o bonde”. Por outro lado, alguém que esteja analisando a mesma ação pela primeira vez (sem âncora) consegue ver que ela está ainda extremamente barata e vale o investimento.

Faça esse exercício. Olhe para o que você tem e se pergunte se compraria de novo pelo preço que vale no mercado. Pode ser com ações, carro, guitarra,...

Só não faça com a esposa ou o marido. Ou faça, mas não me responsabilizo!

Por Arthur Lessa 22/07/2021 - 18:11

Me peguei pensando nisso nessa semana se não estamos assistindo a uma versão 2.0 da Corrida Espacial, sendo que a primeira edição foi protagonizada por Estados Unidos e União Soviética, as duas grandes potências do período seguinte à 2ª Guerra Mundial.

À época o objetivo era imprimir os máximos esforços para superar o outro. Enquanto Iuri Gagarin colocou os soviéticos na dianteira ao ser a primeira pessoa a viajar pelo espaço, em abril de 1961, foram os norte-americanos que levaram o homem à Lua, com Neil Armstrong e companhia em julho de 1969.

Mais de meio século depois, testemunhamos a cores e pela internet, em menos de 10 dias, dois famosos bilionários também levando ao espaço suas ambições. O primeiro foi o britânico Richard Branson, do Grupo Virgin, que teve sua nave VSS Unity “carregada” por um avião até entrar em órbita, onde permaneceu por cerca de 20 minutos e desceu planando de volta à sua base espacial (construída para fins comerciais). Estavam com ele dois pilotos e quatro especialistas. A viagem aconteceu no dia 11 de julho.

Nove dias depois, o americano Jeff Bezos, fundador da Amazon e homem mais rico do mundo, foi parabenizado pelo próprio Branson ao decolar do Texas com um foguete autônomo (sem piloto) e orbitar a Terra por cerca de 10 minutos. Estavam com ele o irmão Mark Bezos, Wally Funk (pioneira do setor aeroespacial de 82 anos) e Oliver Daemen (estudante de física de 18 anos), respectivamente as pessoas mais velha e mais nova a viajar ao espaço.

Várias semelhanças, não?

Primeiramente o fato de estarmos tratando de duas potências. Ao contrário do embate dos anos 60, quando o clima era bélico e as potências eram nações, agora acompanhamos grandes forças financeiras e privadas. Branson tem fortuna avaliada em cerca de US$ 4,3 bilhões, enquanto Bezos acumular patrimônio que supera os US$ 200 bilhões. Ambos podem ser chamados de self-made man, como são chamados aqueles que construíram com os próprios esforços suas fortunas. E por aí vão as semelhanças.

E nem coloquei na conversa o sul-africano Elon Musk, CEO da Tesla e fundador da SpaceX, que já vem lançando foguetes não tripulados há tempos. A disputa na verdade é um triângulo.

Voltando ao período da Guerra Fria, muitos se perguntam por que motivo, depois de chegar na Lua, não fomos (ou a Nasa) mais longe? Depois de tanto esforço para chegar lá, por que se dar por satisfeito?

Ao que tudo indica, o que acontecia era uma guerra de egos. Eram dois machos-alfa medindo forças, trocando ameaças, mostrando suas armas (muitas vezes armas mesmo). Além disso, as pesquisas e desenvolvimento dos foguetes eram extremamente custosos aos cofres públicos.

Agora, pelo que é divulgado, as viagens que assistimos não são o fim em si mesmas, mas o início de planos ambiciosos, mesmo que diferentes.

A Virgin Galactic tem objetivo de trabalhar como uma companhia aérea. Seu voo decolou de uma pista aeroespacial construída por ele mesmo para fins comerciais. Dali devem partir cerca de 400 voos espaciais com passageiros pagantes por ano. Além disso, a Virgin estuda os voos suborbitais para transporte de carga.

Com a Blue Origin, Bezos já adentra mais no que hoje ainda nos soa como ficção cientifica: junto à Nasa, construir assentamentos humanos permanentes na Lua, que orbita a 384 mil quilômetros da Terra.  

Já Musk tem planos parecidos, mas olha mais longe. O objetivo da SpaceX é colonizar Marte, que está a uma distância de cerca de 230 milhões de quilômetros.

Se e como estas três frentes vão evoluir, só o tempo dirá. Mas estamos vendo a história ser escrita. E, diferente de antes, os projetos atuais contam com tecnologia mais avançada e recursos financeiros que não são públicos, não vem de impostos pagos por nenhum povo.

E, se cada um gasta seu dinheiro como quer, melhor viajar para Lua que se empanturrar de caviar e Don Perrignon, não acham?

Por Arthur Lessa 16/07/2021 - 12:50 Atualizado em 16/07/2021 - 12:53

Caracterizado pela baixa volatilidade, os Fundos de Investimento Imobiliário (FII) registrara duas grandes oscilações nos últimos 30 dias por conta das discussões sobre a Reforma Tributária. 

Sobre esse mercado, conversei com Rodrigo Colombo, especialista e investidor de FIIs há mais de uma década, deu detalhes do que viu nesses movimentos e como tem acompanhado o cenário atual do setor.

Confira abaixo a entrevista completa

Por Arthur Lessa 15/07/2021 - 18:02

No mundo do tênis, existe o que podemos chamar de “Santíssima Trindade”, da qual fazem parte o suíço Roger Federer, o espanhol Rafael Nadal e o sérvio Novak Djokovic. 39, 35 e 34 anos, respectivamente. Cada um já conquistou 20 Grand Slams, que são os 4 principais torneios da temporada: Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open.  

Cada um tem uma característica marcante. Federer é um jogador clássico, preciso e elegante. Nadal, por outro lado, é conhecido, não à toa, como “Touro Miura”, por ser potente, forte, agressivo. E tem Novak Djokovic, frio, mental, constante. Não grifei a última por acaso. Constância é o foco desse texto.

Assisti com atenção a duas finais com Djokovic nas últimas semanas. Roland Garros e Wimbledon. Os dois Grand Slams mais recentes. No saibro de Paris, o adversário era o grego Stefanos Tsitsipas, de 22 anos. Na grama de Londres o oponente era Matteo Berrettini, de 25 anos. Eis aqui a primeira semelhança: a idade.

Outra semelhança, condizente com a idade, é o fato de serem dois jovens em início de carreira chegam pela primeira vez à decisão de um Grand Slam. Mas o que mais me chamou atenção foi o roteiro dos dois jogos, que começou com número 1 do mundo visivelmente subjulgado pelos “garotos”, ágeis e confiantes.

Tsitsipas começou a tomando conta das jogadas, chegando a ser aplaudido pelo próprio adversário em alguns pontos. Chegou a abrir uma vantagem de 2 sets a 0, o que deixava (aparentemente) óbvio que levantaria o título, já que faltava só mais um para a vitória. Mas o sérvio venceu os três sets seguintes e, numa virada impressionante, foi o campeão.

Berretini não chegou a abrir tanta vantagem, mas também dominou os primeiros pontos do jogo. Rápido, parecia estar em todos os lugares, acertava saques inalcançáveis e era preciso nos golpes. Venceu o primeiro set e foi só. Logo no segundo assistiu Djokovic tomar cada vez mais o controle da partida. 3 sets a 1.

Constância

Tsitsipas e Berrettini chegaram ao topo de suas carreiras até aquele momento. Era a chance da vida, que tinham que agarrar com unhas e dentes. E assim entrar em quadra. Dando tudo de si. E assim colocaram 110% de energia e concentração a cada rebatida. Apresentaram todos os truques assim que possível.

Djokovic, por outro lado, entrou no seu ritmo. Um ritmo impressionante, até pelo jogador que é, mas claramente longe de entregar 100%. A cada set ele se sentia mais à vontade em quadra. A cada período, mais precisão, mais erros forçados do adversário, mais coelhos tirados da cartola. Ao contrário dos adversários, ele guardara os melhores golpes para os momentos de necessidade.

E, o que é mais importante para essa comparação de comportamentos: a cada erro, mais nervosos ficavam os novatos; game após game, Djokovic se mantinha praticamente sem reação, concentrado e fiel à estratégia que já tinha lhe rendido 83 títulos na carreira.

Assim como há corridas que terminam em segundos, demandando potência, uma maratona dura horas. E assim é o tênis. Os garotos entraram no sprint dos 100m rasos. Djokovic entrou no trote dos maratonistas.

E essa mesma constância serve, veja se não, para a disciplina do investimento. Quando começamos queremos colocar nosso dinheiro onde o rendimento for mais intenso, mesmo que o risco seja também maior. Nessa linha muitos entram direto pelo daytrade, opções e afins. Depois de um tempo, muitos desses investidores vão entendendo uma frase bastante conhecida de Charlie Munger, sócio de Warren Buffett: “O dinheiro grande não está em comprar ou vender, mas em esperar”.

O próprio Buffett defende que “o mercado de ações é um dispositivo para transferir dinheiro dos impacientes para os pacientes”.

A lição que tiro de Djoko, Munger e Buffett é simples: calma, foco e constância podem te levar longe!

Por Arthur Lessa 12/07/2021 - 16:04 Atualizado em 12/07/2021 - 16:06

Rendimentos de FIIs (Fundos de Investimento Imobiliário) seguirão isentos de impostos na proposta de Reforma Tributária do Governo. Isso é o que indica a notícia divulgada no início da tarde desta segunda-feira (12) pelo site Poder360. De acordo com a matéria, o Ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da Câmara Federal, Arthur Lira, teriam chegado a este acordo e a alteração deve constar no novo relatório que será apresentado na próxima semana pelo deputado Celso Sabino, relator da proposta na Câmara.

No projeto inicial, divulgado em 25 de junho, os rendimentos de FIIs teriam tributação de 15%, assim como acontece hoje com os JCPs (Juros sobre Capital Próprio) das ações. Naquele dia, o IFIX (índice que mede o movimento dos FIIs na B3) caiu 3% em três horas, fechando o dia a -2%. Essa volatilidade, quando se fala em FII, é algo extremamente sensível.  

Uns podem considerar a primeira vitória do Mercado na Reforma Tributária. Outros podem dizer que foi apenas um bode retirado da sala. Independente disso, a notícia de que a tributação dos rendimentos deve sair da Reforma jogou o IFIX pra cima nas últimas horas, com valorização de 1% nas últimas duas horas.

Resta agora aguardar o próximo relatório da Reforma Tributária e ver se a informação se confirma ou não.

Por Arthur Lessa 08/07/2021 - 18:14 Atualizado em 08/07/2021 - 18:15

Conta a lenda em Wall Street que Warren Buffet ligou para Peter Lynch (duas grandes referências do mercado financeiro mundial) pedindo para usar uma frase do livro One Up on Wall Street (de Lynch) em seu comunicado anual da Berkshire Hathaway. Esta frase seria: Vender suas ações vencedoras e segurar suas perdedoras é como cortar as flores e regar as ervas daninhas.

Essa frase, bastante repetida quando se fala na estratégia de investimento buy and hold (comprar e segurar), resume em poucas palavras o que o próprio autor considera o pior erro da sua carreira, marcada por rendimentos anuais de quase 30% ao ano por 13 anos gerindo o fundo Magellan.

Lynch menciona exemplos de ações vencedoras que ele vendeu cedo demais. Home Depot (rede de lojas de departamento voltada principalmente à construção) talvez tenha sido a mais memorável. Lynch vendeu a empresa depois que a cotação triplicou, mas a empresa multiplicou por mais de 50 posteriormente.

Eu conheci essa história há pouco tempo, mas pouco antes tive uma experiência bem parecida. E eu vou contar pra você.

Senta que lá vem a história

Como diria Galvão Bueno, o primeiro semestre de 2020 foi “teste pra cardíaco, amigo!”. Em 22 dias entre fevereiro e março o Índice Bovespa (considerado o termômetro da Bolsa brasileira) desvalorizou mais de 45%, com desvalorização registrada de 14% em um único pregão.

Se o Ibovespa caiu, significa que muitas empresas caíram. Se as que compõe o índice são as principais e viram suas ações derreter, as menores então nem se fala. Entre elas está a Portobello, que havia entrada no meu radar no começo desse movimento. Ticker PTBL3. Empresa catarinense, com bom nome no segmento cerâmico.

Em 24 de janeiro de 2020 sua ação fechou valendo R$ 6,34. Em 3 de abril encerrou o pregão a R$ 1,68. Desvalorização de 73,5% em praticamente dois meses. Em uma empresa que não está no meio de uma crise interna ou algo do tipo, pode ser uma oportunidade.

Me interessei enquanto me preparava para cobrir para a rádio a ExpoRevestir, grande feira de revestimentos brasileira. Estudei os múltiplos, conversei com minha arquiteta de confiança (que é a Rafaela, minha esposa), o parecer foi favorável e comecei a colocá-la na carteira.

De fevereiro a maio comprei a ação por preços que variaram de R$ 5,08 a 2,46. Em agosto mais uma parte por R$ 5,43. Preço médio ficou em cerca de R$ 2,84. Não aumentei mais a posição desde então porque achei que ela já tinha valorizado muito quando começou a superar os R$ 7,00 por ação. Por eu ter pago, em média, menos de R$ 3,00 por ação, aquilo parecia um exagero.

Essa percepção é uma das armadilhas que a cabeça prega no investidor. É o chamado viés de ancoragem, que explica por que as primeiras informações recebidas (nesse caso, o preço da ação) servem como base para decisões futuras.

Em abril desse ano, após mais um movimento de boa valorização da empresa, acabei me desfazendo da posição inteira pelo preço de R$ 9,23 por ação, 225% a mais do que eu havia pago. Um rendimento substancial, sem dúvida. Mas foi um erro!

Na última segunda-feira (05/07) a Portobello fechou o pregão valendo R$ 19,28 por ação. Isso é mais que o dobro do preço que pagaram pelas minhas. Se tivesse mantido, aquela posição estaria agora com um rendimento acumulado de 579%. E subindo, provavelmente.

Ganhei, mas perdi

Se por um lado fui bem-sucedido numa operação que gerou lucro, com um rendimento substancial, por outro anulei parte do rendimento futuro do meu patrimônio. A posição dentro da minha carteira nesse caso era bem pequena, algo em torno de 4% ou 5%, mas poderia ser maior e seguir crescendo, tanto por aportes quanto pela própria valorização.

O outro ponto da frase célebre de Lynch que também devemos tratar é “cultivar as ervas daninhas”. Aqui o raciocínio enviesado é o oposto: investimentos ruins dos quais não nos desfazemos. É aquela máxima de “só é prejuízo se vender”, muitas vezes mal interpretada.

Se você é investidor já deve ter notado que tem casos em que você vê que jogou errado mas fica esperando reverter, como se aquela posição te devesse alguma coisa. O investidor cria uma relação de dívida, do ativo com ele. E isso não poderia estar mais errado.

Para esse caso, uma lição que está no Axioma 6 do livro Os Axiomas de Zurique: Numa operação que não deu certo, não se deixe apanhar por sentimentos de lealdade e saudade.

Em resumo, as lições desse texto são bem simples:

1) identifique as suas flores e as regue;

2) identifique as ervas daninhas e as arranque;

3) pare de fazer o contrário das lições anteriores.

Por Arthur Lessa 01/07/2021 - 18:46 Atualizado em 02/07/2021 - 09:40

Há exatos dois anos, em 28 de junho de 2019, US$ 1 custava R$ 3,82. Se viajarmos 12 meses para a frente, para 26 de junho de 2020, o dólar estava em R$ 5,48. Valorização de 43,5% frente ao Real. Ou desvalorização de 30% do Real frente ao dólar.

Essa alta da moeda americana em 2020, que teve seu pico de R$ 5,94 em 14 de maio daquele ano, chamou atenção de muitos investidores para a ideia de dolarização da carteira, que consiste em ter parte de seus investimentos em outra moeda (normalmente o dólar) para compensar as possíveis perdas causadas pela desvalorização do Real, no caso do brasileiros.

O problema é que, graças a vieses comportamentais humanos, tal ideia se mostra uma boa ideia na hora errada. Pensar em dolarizar a carteira quando o dólar está batendo na porta dos R$ 6 é muito pior que fazê-lo quando cada Washington verdinho valia menos de R$ 4. Mas nossa cabeça funciona assim. É o mesmo que achar uma grande ideia fazer seguro do carro assim que batemos num poste. Boa ideia, péssimo timing.

Mas por que eu trago esse assunto agora? Porque alguns acontecimentos recentes têm puxado o dólar para baixo dos R$ 5. O futuro é incerto, mas podemos dizer categoricamente que o momento agora é melhor que no último ano para este movimento. So move your butt!

Um “vale” chamado BDR

Brazilian Depositary Receipts, ou BDRs, são o que o nome diz: Recibos Brasileiros de Depósito. É como se fosse uma espécie de “vale um quentão” de festa junina, só que o quentão é uma ação da Tesla (TSLA34), da Disney (DISB34), do Google (GOGL34), Mercado Livre (MELI34) ou outra que tenha essa modalidade no Brasil. Há também empresas de outros países, como a britânica Unilever (ULEV34) e a japonesa Toyota (TMCO34).

Confira no fim do texto uma tabela com alguns dos principais BDRs da B3

Em poucas palavras, um BDR surge quando uma instituição financeira compra uma quantidade de ativos na bolsa de origem (NYSE ou Nasdaq, por exemplo) e lança recibos desses papéis na B3. Com esse recibo, a ação ou parte dela (explico logo mais) é sua propriedade, até que você a passe para frente, assim como funciona com as ações.

A primeira característica você já deve ter notado, que são os números no fim de cada ticker, que podem variar de 32 a 35. Esse número é relacionado ao fato de ser um BDR patrocinado ou não, de nível I, II ou III. Essa questão é mais complexa e não vou aprofundar nesse momento. Na prática, muda pouca coisa para o pequeno investidor.

Uma segunda questão importante de saber é que cada BDR não significa, obrigatoriamente, uma stock (ação em inglês) inteira. Muitos sofrem uma espécie de desdobramento, como é o caso do GOGL34, atrelado às ações do Google na Nasdaq. Cada BDR representa 0,00666... GOOGL (ticker da empresa na Nasdaq). Ou seja, para ter uma GOOGL inteira na carteira, você precisa adquirir 150 GOGL34.

Isso é necessário por conta das regras de cada bolsa. Enquanto no Brasil temos os lotes padrão (nossas jabuticabas) de 100 ações e o fracionário para comprar ações unitárias, nos EUA é possível comprar frações ação. Por conta disso, não é necessário fazer desdobramentos de ação para gerar liquidez. Essa flexibilidade faz com que os valores nominais das ações lá sejam como da Amazon (cerca de US$ 3.400) ou Google (cerca de US$ 2.450). Se não houvesse esse fracionamento, cada BDR estaria custado algo em torno de R$ 17 mil (hoje, na fração de 1/157, está um pouco acima de R$ 105).   

Um exemplo da necessidade de desdobramento no Brasil aconteceu recentemente com a Magazine Luiza, que dividiu cada ação em 32 desde agosto de 2019, em dois desdobramentos. Se não o fizesse, hoje cada ação MGLU3 estaria custando quase R$ 700, com cada lote movimentando R$ 70 mil.

Os BDRs já existem há muito tempo no Brasil e não são exclusividade tupiniquim. A versão americana se chama ADR e existem da Petrobrás, da WEG, da Vale, entre outras. O que mudou recentemente foram novas regras de 2020 que tornaram esse ativo acessível a todos os investidores, e as novas opções de BDRs que surgiram depois dessa nova regra.

Então, se o que te impedia de investir nas empresas americanas que nos rodeiam era estar no Brasil, seus problemas acabaram!

De quem vamos ser sócios? Musk, Gates, Zuckerberg,...

 

Por Arthur Lessa 20/05/2021 - 19:23 Atualizado em 20/05/2021 - 19:37

Depois de 12 anos ostentando a marca da XP Investimentos, o escritório de agentes autônomos de investimento Wise AAI, sediado em Criciúma (SC), oficializou, por meio de uma nota encaminhada aos clientes, o anuncio de seu desligamento da plataforma.

Passados os 60 dias de aviso prévio, a Wise passará a atender seus assessorados pela plataforma do BTG Pactual, que tem atraído para seu ecossistema diversos escritórios de AAI pelo Brasil.

Confira abaixo a íntegra da nota

A Wise nasceu a partir de uma cultura que visa democratizar os investimentos. Por entendermos que todos têm o direito de investir, trabalhamos com uma equipe especializada para atender as mais diversas localidades e necessidades dos nossos clientes. 
 
Hoje, nós somos em mais de 300 profissionais em 40 filiais espalhadas pelo Brasil  que atendem cerca de 9 mil clientes.

Nós pensamos em pessoas e agimos para pessoas!  
 
Devido às recentes transformações do mercado de investimentos, nós decidimos dar mais um passo em direção ao futuro em busca de soluções ainda mais completas para vocês. 
 
Como primeiro passo, avisamos hoje à XP Investimentos que encerramos nossa parceria. A partir deste aviso, cumpriremos um prazo de aviso prévio de 60 dias.  
 
Dentro desses 60 dias, nada muda para você. Seguiremos atendendo suas necessidades com o mesmo cuidado de sempre. 
 
Em breve voltaremos com mais detalhes e informações muito positivas sobre a nova etapa da Wise.  
 
Muito obrigado!

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