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Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 26/08/2017 - 22:00Atualizado em 26/08/2017 - 23:55

Em cada fase de desenvolvimento da criança, nos preocupamos com algo que ela precisa aprender: escovar os dentes, comer sozinho, ler, escrever... Mas você, adulto, lida bem com as emoções no dia a dia? Pergunto isso porque, vale lembrar sempre, não faremos bem aquilo que não aprendemos com qualidade - sobretudo quando crianças.

Quanto menores as crianças são, em geral, menor seu repertório emocional. É bem provável, por exemplo, que seus filhos e filhas, durante um momento de frustração, já tenham dito que odeia você. É claro que o ódio do qual ele fala não é o que nós, adultos, conhecemos. Na verdade, é mais uma questão de vocabulário, de repertório. Fácil imaginar, por exemplo, que a criança não sabe o que é agridoce – ou é doce, ou é salgado. O mesmo ocorre com relação às emoções – neste caso, ou é amor, ou é ódio.

Se, no entanto, o paladar se desenvolve espontaneamente,  é preciso um processo educativo das emoções. Assim como é possível aprender as letras e associá-las à palavras e sons, os sentimentos também podem ser identificados e atrelados aos comportamentos. E o processo é bem simples, são só três passos:

1: Identificação: Neste momento, seu papel é ajudar seu filho a reconhecer o que está sentindo. Quando ele chorar ou estiver com raiva, por exemplo, que tal substituir o “não foi nada” por “eu sei que você está com raiva” ou “sei que você está se sentindo de determinada forma”?

2: Expressão: Uma vez que ele aprendeu a dar nome ao que sente, é hora de encontrar maneiras para que ele expresse de forma saudável. Ao invés das clássicas mordidas, por exemplo, onde seu filho poderia canalizar esta energia? Esportes, artes, passeios no parque, entre tantas outras opções, podem resolver esta questão.

3: Controle: Quando a criança já identificou o sentimento e já conseguiu expressá-lo,  deixa de reagir tomada por impulso. Isso faz com que ela se sinta mais autoconfiante e segura e que lide melhor com as dificuldades que surgirem na escola ou até na família.

Na prática, então: não minimize o que a criança está sentindo e aproveite os momentos em que a própria criança, personagens de desenho e até mesmo você estiver sob forte influência das emoções para conversar e alfabetizar sobre esta emoção ou sentimento. E, principalmente, não esqueça de dizer que a ama!

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 25/08/2017 - 08:00

Você conhece alguém teimoso? Claro, não estamos falando de você ;)

 Merim Bilaliće e Peter McLeod, ambos doutores em Psicologia, após anos de teimosia dedicação ao tema, identificaram o que chamam de efeito Einstellung. Em uma tentativa grosseira de traduzir, poderíamos dizer que trata-se de uma fixação funcional do cérebro em respostas ou explicações por ele já conhecidas. Em outras palavras, diante de um problema, o cérebro de qualquer um de nós caminha rapidamente para uma solução familiar - aquela que primeiro vem à mente. A diferença entre você e os teimosos que conhece é que eles se atém muito fortemente à esta resposta e ignoram todas as outras possibilidades, ou seja, dão-se por satisfeitos com sua solução confortável e, diante disto, pre-ci-sam defendê-la.

"Um amigo meu" é teimoso e, diante desta explicação, argumentou que a fixação funcional é útil, afinal, se algo conhecido dá conta de solver o problema, para que buscar novas soluções? É claro que não há motivo para tentar várias técnicas diferentes toda vez que precisamos novamente desempenhar determinada atividade. O problema deste atalho cognitivo é que ele pode inibir a busca de soluções mais eficientes ou apropriadas.

Pois bem, o que fazemos então?

Minha sugestão: desconfie de suas certezas e não se contente tão facilmente com as aparentes boas soluções. E, caso a teimosia seja uma armadilha inevitável para você seu amigo, diga a ele para teimar na busca por melhores respostas!

 

 

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 24/08/2017 - 18:00

ESTRESSE - palavra cotidiana esta, não?

Vivemos em um momento da história em que estar estressado é normal. Trabalho, estudos, família, supermercado, planejamento da viagem de fim de ano e mais muitíssimas outras atividades resultam em um estado de estresse que, biologicamente e a grosso modo, consiste em um combinado de reações nos sistemas nervoso, hormonal e imunológico. E é esta ação imunológica que, com frequência, resulta em dermatites, como eczemas, coceiras, inflamações cutâneas e, até mesmo, psoríase.

Você se lembra do terremoto de Kobe, no Japão, em 1995? Mais de 6 mil pessoas faleceram e, entre os sobreviventes, mais de um terço da população desenvolveu doenças de pele. A partir daí, muitas pesquisas se dedicaram a estudar a relação entre o estresse e as dermatites e, em todos os casos, concluiram o que muitas pessoas que sofrem com problemas de pele já sabiam: irritação, preocupações e tensão podem piorar os sintomas ou desenvolver novos quadros. Em outras palavras, o corpo precisa lidar com o estresse e tem na pele uma excelente via para canalizar e comunicar seu sofrimento.

No entanto, este processo só ocorre caso faltem estratégias pessoais adequadas para superar o estresse que as eventualidades ou a vida cotidiana provocam (por exemplo, acompanhamento psicoterapêutico, hábito de praticar meditação ou mesmo um espaço entre os afazeres diários para simplesmente se dedicar a atividades prazerosas). Com estratégias saudáveis para contrapor o inevitável estresse, o corpo pode dispensar a somatização na pele. Por isso, lhe pergunto: quais opções de enfrentamento do estresse você têm oferecido ao seu corpo?

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 23/08/2017 - 13:00Atualizado em 24/08/2017 - 13:44

 

Você já deve ter visto alguma pesquisa que apontou as brigas e a traição como causa das crises conjugais. Há dezenas de matérias com estes resultados por aí, não é mesmo?

Insatisfeita com esta informação, uma pesquisa recente realizada no Brasil quis saber as razões por trás das brigas e traições e chegou a um número impressionante: 46% das pessoas que passaram a brigar mais ou traíram o fizeram porque deixaram de se sentir amadas.

Importante notar que não se trata, necessariamente, de ter acabado o amor, mas sim de não se sentir mais amado.

 

Recentemente, tivemos o dia dos pais e percebemos a enxurrada de declarações nas redes sociais. O mesmo acontece no dia dos namorados, das mães, no natal.. Mas por que precisamos de datas para falar do que sentimos se este sentimento está conosco todos os dias?

"Ah, Ananda, mas eu demonstro nas atitudes que amo minha esposa, meu namorado, meu filho..." Que maravilha! Mas não é a toa que desenvolvemos a fala - ela é ainda a forma mais clara de se comunicar. Até porque, será que seu companheiro ou companheira está entendendo os sinais? E será que são estes os sinais que ele/ela considera importantes?

Se você não quer compor esta estatística, prepare-se para um desafio: pense agora em pelo menos duas pessoas que você ama.

Pensou?

Pois bem, seu desafio é: nesta sexta, sábado e domingo, comunique de forma clara o que sente por elas!!!

Seja claro e corajoso, afinal é amor! <3

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 22/08/2017 - 08:00Atualizado em 24/08/2017 - 12:54

"Oi Ananda, tudo bem? Tenho um convite para te fazer..."

Assim nasceu a proposta de ter um blog no 4oito.

"Mas o que é que eu vou escrever? Em que posso contribuir?" foram os pensamentos que me visitaram logo em seguida. Partindo da concepção mais básica de blog - aquele em que se compartilha a vida em tempo real - não me via neste espaço. Mas, logo em seguida, fui apresentada a um universo em que seria possível aproximar a psicologia do cotidiano das pessoas da região, ainda que de modo restrito e, de modo algum, em substituição ao atendimento clínico e à psicoterapia.

Esta é, então, a proposta deste blog: retratar uma psicologia que está nos mais diversos espaços e em todas as relações humanas, sem banalizá-la, mas buscando afastá-la do estigma de "área que cuida de loucos". Apesar de que, na verdade, é isso mesmo que ela faz. Afinal de contas, quem não é um pouco louco, não é mesmo? =)

Aos loucos e loucas da região: sejam muito bem vindos aos diálogos sobre psicologia e às loucuras que só Freud explica - e eu, na minha insignificância, vou tentar traduzir aqui!

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