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Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 18/09/2017 - 20:50Atualizado há 8 minutos

1990: a homossexualidade deixa de ser considerada doença pela Organização Mundial da Saúde.

1999: o Conselho Federal de Psicologia publica uma resolução proibindo que psicólogos colaborem com eventos e serviços que propõe tratamento e cura das homossexualidades.

2017: o juiz Waldemar Cláudio de Carvalho (quem?) determina que o Conselho Federal de Psicologia não impeça os psicólogos de atuar com reorientação sexual.

Homossexuais existem desde sempre. Sócrates, o filósofo, e Alexandre, o Grande, tinham relacionamentos sexuais com pessoas do mesmo sexo em uma época que o conceito de homossexualidade ainda nem existia. Leonardo da Vinci, Oscar Wilde, William Shakespeare e tantos outros estão ai para provar a qualquer um que sua saúde era tão boa que não lhes impediu de realizarem grandes feitos e influenciarem a humanidade por séculos, até hoje. Mas, o juiz Waldemar Cláudio de Carvalho (quem?) acha que não.

A resolução do CFP foi traduzida em três outras línguas, já que a comunidade internacional compartilha de seu posicionamento e declara que ela assegura a atuação do profissional psicólogo de forma ética. Mas, o juiz Waldemar Cláudio de Carvalho (quem?) se opõe.

A Associação Norte-Americana de Psicologia (APA) reitera continuamente que não há qualquer evidência que apoie a afirmação de alguns de que a orientação sexual pode ser alterada por terapia. Mas, o juiz Waldemar Cláudio de Carvalho (quem?) discorda.

Dito isso, só tenho uma declaração a fazer: meu querido e minha querida, psicólogos sérios vão continuar tratando do sofrimento que essa sociedade doente lhe causa, mas nunca de sua homossexualidade, tá? Quem determina um formato para você se adequar é o juiz Waldemar Cláudio de Carvalho (quem?), o Bolsonaro, a igreja, não somos nós. Aqui no consultório, continuamos no Séc XXI, pode vir sem medo <3

 

ATUALIZAÇÃO:

Esta é a ata da audiência. Destaco o seguinte trecho:

“Sendo assim, defiro, em parte, a liminar requerida para, sem suspender os efeitos da Resolução nº 001/1990, determinar ao Conselho Federal de psicologia que não a interprete de modo a impedir os psicólogos de promoverem estudos ou atendimento profissional, de forma reservada, pertinente à (re) orientação sexual, garantindo-lhes, assim, a plena liberdade científica acerca da matéria, sem qualquer censura ou necessidade de licença prévia por parte do C.F.P., em razão do disposto no art. 5º. inciso IX, da Constituição de 1988”.

Como podem ver, a determinação do juiz proibe o Conselho Federal de Psicologia de impedir o atendimento de reorientação sexual. 

Primeiramente, conselhos profissionais existem para regular as ações de uma dada profissão a fim de mantê-la atrelada à ética e à ciência. Dado que são constituídos por profissionais da área, são os próprios saberes da profissão que constróem os limites profissionais e asseguram que a comunidade receba atendimento em consonância com os princípios éticos. 

Em segundo lugar, o prefixo "re" remete a "retomar a um estado anterior". Mas a heterossexualidade não é um estado anterior à homossexualidade, ou seja, ninguém deixa-de-ser-hetero-para-ser-gay, apenas se é.

Em terceiro lugar, não há, na psicologia, na medicina, ou em qualquer outra área, tratamento para aquilo que não é doentio. A palavra, que vem do latim, significa etimologicamente "lidar, manejar, administrar". Ou seja: nossos consultórios permanecem abertos tratando daquilo que realmente é doentio: seu preconceito. Como a ciência já provou, você não nasceu assim, então (acredite!) há manejo para "re"tomar seu estado anterior <3

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 18/09/2017 - 14:00Atualizado há 1 hora

Hoje inicia a Semana Nacional do Trânsito. Coincidentemente (ou não), sai de casa hoje ao som de Dezesseis, do Legião Urbana. Se você não lembra da música, dê play no vídeo abaixo e conheça a história de Johnny:

João Roberto, o Johnny, "era o maioral". Tinha dezesseis anos, um carro, popularidade e meninas: uma vida aparentemente perfeita. Mesmo assim, Johnny andava quieto, com um sorriso estranho, e quase ninguém percebia. Aqueles que perceberam, no entanto, nada fizeram. Até que tem um grave acidente de trânsito, ao qual não sobrevive. Mas "Johnny era fera demais pra vacilar assim".

Johnny é mais um caso que entraria na estatística como acidente de trânsito - é um acidente, mas não somente isso. O carro deu a Johnny, na música, e a muitas outras pessoas, na vida real, a possibilidade de fazer mal a si e/ou aos outros.

Que a poesia de Renato nos lembre de olhar com carinho e atenção para os nossos. Se a arte imita a vida, que a vida não imite a arte.

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 17/09/2017 - 11:00Atualizado em 19/09/2017 - 20:23

Outro dia, fuçando o catálogo da Netflix, deparei-me com o Sete minutos depois da meia-noite, classificado como "filmes para famílias e crianças". Como estava buscando um filme para relaxar, comecei a assistir. No entanto, não foi só isso que encontrei.

Você há de convir que a vida é repleta de monstros: o da vergonha, da frustração, da solidão... Eles crescem ou somem, simplesmente, de acordo com o momento. Uma dessas criaturas, porém, permanece nos assombrando: o monstro da verdade. O medo de dizer o que pensamos e o que sentimos cresce conforme aprendemos a viver e a conviver em sociedade, tomando conta dos nossos sentimentos. E é este medo - e este monstro - que é tema central do filme. 

O protagonista, Conor (Lewis MacDougall), é uma criança que precisa enfrentar dois grandes problemas na sua vida: bullying na escola e familiares que não conseguem dar o afeto que ele deseja e precisa– um pai (Toby Kebbell) ausente, uma mãe (Felicity Jones) doente em fase terminal e uma avó (Sigourney Weaver) muito severa e nada carinhosa. Conor passa a ter sonhos com uma gigantesca e monstruosa árvore, que lhe impõe um trato: o garoto deve ouvir três contos narrados por ela e, em troca, narrar a sua história para a árvore. O andamento das conversas tem consequências ruins para a vida de Conor, todavia, são elas que permitem a ele lidar com os seus monstros.

Não vou dar spolier, é claro, mas sugiro que, se você não está procurando um filme só para relaxar e quer se deleitar com uma fabulosa reflexão sobre seus medos e dificuldades, aproveite o dia de hoje para assistir Sete minutos depois da meia-noite. Ao final do filme, enxugue as lágrimas e volte aqui para compartilhar comigo as suas reflexões. Estou te esperando ;)

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 16/09/2017 - 14:00Atualizado há 12 horas

"Desculpe-me pelo que a minha ansiedade me levou a fazer.

Quero que você saiba que não fui eu, foi minha ansiedade. Não sou eu, é um desequilíbrio químico em meu cérebro.

Não é quem eu sou totalmente, é apenas uma parte de mim.

A ansiedade me faz falar rapidamente, ou apenas não falar. Ela me faz ficar acordado até tarde, perambulando até as 3 da manhã enquanto minha mente ainda corre uma maratona.

A ansiedade me faz ter olheiras tão escuras que nem o mais caro dos corretivos pode combatê-las. Ela faz meus olhos queimarem enquanto eu olho para o Sol da manhã e tento me livrar da exaustão.

Ela me deixa realmente cansado.

Me desculpe pelo que minha ansiedade me levou a fazer. Você precisa saber que esse não sou eu. Não é quem eu sou ou quem eu quero ser. É a ansiedade.

A ansiedade faz com que eu vá sem parar. Ela faz com que eu vá vá e vá até acabar meu gás. Ansiedade me faz recomeçar de novo, e de novo, e de novo.

Ela me faz falar coisas que eu não deveria dizer. Ela faz com que eu espalhe segredos que não deveriam ser compartilhados. Ela me faz falar sobre a personalidade das outras pessoas pelas costas, apenas para que eu me sinta um pouco mais vivo.

A ansiedade me transforma em alguém que eu não quero ser.

A ansiedade me faz perder alguns amigos. Ela me deixa paranóico sobre ninguém me amar de verdade. Ela me faz cancelar encontros porque tenho medo. Ela faz minhas mãos tremerem por motivo algum. Ela me faz achar que estou ficando louco.

A ansiedade me faz ficar em casa quando o tempo está lindo e ensolarado. Ela me faz não encontrar meus amigos ou parentes, mesmo que eu queria encontrá-los.

Ela me faz tomar uma pílula toda manhã para combater os demônios na minha cabeça.

A ansiedade me faz pensar as piores coisas sobre mim mesmo.

A ansiedade me diz que não sou bom o bastante, que não sou forte o bastante. Ela me diz que sempre estarei sozinho e que sempre será assim. Ela me diz que meus amigos não são meus amigos de verdade e que ninguém nunca irá me amar.

Me diz que nunca superarei meus antigos relacionamentos, não importa quanto tempo passe.

A ansiedade faz com que eu me torne uma versão mais triste de mim.

Ela faz com que eu gagueje e não possa beber muito café. Ela me deixa com medo do amor. Ela me faz cancelar meus planos.

A ansiedade faz com que eu me isole de todas as pessoas que amo.

Ela me deixa cansado, ela faz com que seja tão difícil respirar quando tudo que eu quero é respirar.

A ansiedade faz com que eu esconda minhas mãos das pessoas para que elas não possam ver minhas unhas pintadas.

Ela me faz odiar a todos e a tudo. Ela me faz pensar que não há sentido algum na luz do dia, que há muito mais escuridão no mundo do que eu possa imaginar.

Então, me desculpe pelo que minha ansiedade me levou a fazer. Eu lamento pelo que minha ansiedade me diz.

Me desculpe por cancelar com você. Me desculpe pelas mensagens que mandei bêbado. Me desculpa por morder meus dedos até sangrarem. Me desculpe por tentar respirar. Me desculpe por cuspir as palavras ao invés de deixar que meu cérebro acompanhe meus pensamentos.

Me desculpe por pensar demais, me desculpe por não conseguir mudar isso. Me desculpe pelo meu cérebro. Me desculpe, mas você tem que lidar com isso.

Espero que você entenda: a culpa é da ansiedade, não minha."

Texto originalmente publicado com o título "I’m Sorry For What My Anxiety Makes Me Do" em Thought Catalog

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 15/09/2017 - 16:30Atualizado em 19/09/2017 - 13:22

Atualmente, a depressão afeta mais de 350 milhões de pessoas no mundo inteiro. Se não bastasse este número assustador, projeções da Organização Mundial da Saúde estimam que, no ano de 2030, entre todas as doenças, a depressão será a mais comum.

Apesar disso, a depressão ainda é pouco compreendida.  Por esta razão, a OMS desenvolveu um curta-metragem educativo, chamado "Eu tinha um cachorro preto, seu nome era depressão", que tem como objetivo ajudar a compreender o que verdadeiramente implica a depressão para as pessoas que a sofrem. Veja abaixo:

 

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 14/09/2017 - 21:00Atualizado em 18/09/2017 - 21:45

Você tem saudade da sua infância? Pergunto isso porque, com regularidade, recebo no consultório pessoas saudosistas da época em que podiam apenas ser crianças. Mas, se valorizamos tanto a infância, por que será que nós temos acelerado os primeiros anos de vida dos pequenos incentivando comportamentos de adultos?

A Secretaria de Assistência Social do estado do Amazonas lançou recentemente uma campanha intitulada “Criança não namora, nem de brincadeira” que ganhou as redes sociais e tem por objetivo chamar atenção para a sexualização na infância. Claro você pode estar pensando que é um excesso de patrulha do politicamente correto, até porque, eu sei, você não faz com a intenção de prejudicar seus filhos, mas, infelizmente, é isso que acaba acontecendo.

É preciso respeitar o desenvolvimento cognitivo de cada etapa da vida. Uma criança não sabe o que é um namoro, não tem esse discernimento. É comum que meninos e meninas sintam algum tipo de repulsa em relação aos beijos entre adultos, por exemplo, e este é um sinal de que ainda não têm maturidade para compreender todas as nuances de um relacionamento com outras pessoas. Isso não significa que as crianças não possam andar de mãos dadas para demonstrar afeto, ou dar um beijinho ou um abraço no amiguinho da escola, mas somos nós que damos à estes gestos o nome de "namorinho", fazendo referência ao que nós entendemos como namoro. Aqui está a erotização da infância: quando pegamos algo que é do mundo dos adultos e influenciamos ou incentivamos as crianças a fazerem uso disso também, o que inclui também as roupas, acessórios, e músicas, por exemplo. O aparente simples fato de perguntar sobre o namoradinho ou namoradinha desperta a atenção da criança para coisas que vão além do brincar; já tive pacientes, por exemplo, que não podiam fazer atividades com tinta no consultório para não estragar o esmalte das unhas - e eram meninas de seis ou sete anos.

Vale dizer ainda que, eu, pelo menos, nunca vi um adulto perguntar para um menino como está o seu namoradinho ou para a menina como está a namoradinha. Ou seja: além de todas as outras questões, desconsidera a diversidade sexual que pode começar a se manifestar ainda na infância.

O que fazemos então se nossos filhos chegarem em casa dizendo que estão namorando? Primeiro, é necessário entender que provavelmente a criança está brincando de namorar, assim como brinca de professor ou de casinha. A partir disso, conversar, perguntar como é esse namoro e enfatizar que trata-se de uma brincadeira, afinal só adultos namoram. Parece pouco importante, mas pesquisas indicam que crianças que desconhecem o que é um namoro (como tem que ser na idadezinha delas), estranham aproximações sexualizadas, como aquelas com finalidade de assédio ou abuso, e, assim, é provável que contem à família antes.

Por fim, um lembrete: algo aparentemente simples que eu digo pode repercutir de forma muito severa na história e no desenvolvimento do outro. Por isso, que tal cuidarmos do que falamos às nossas crianças?

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 13/09/2017 - 11:50Atualizado em 19/09/2017 - 06:21

Não é novidade que o sexo faz bem para a saúde. No entanto, uma nova pesquisa, publicada no periódico Journal of Management, afirma também que as relações sexuais fazem bem para a produtividade das pessoas.

Cientistas da Universidade Estadual de Oregon, nos Estados Unidos, acompanharam a rotina 159 trabalhadores em relacionamentos com parceiros fixos. Durante duas semanas, os participantes tinham que responder questionários diários a respeito de sua atividade sexual, noite de sono e comportamento. O resultado? Os funcionários que tinham relações sexuais com os parceiros relatavam um humor melhor do que o restante no dia seguinte, o que contribuia para que estivessem mais concentrados e satisfeitos ao longo do expediente (os resultados foram os mesmos para homens e mulheres, ok?).

Mas os pesquisadores da Universidade Estadual de Oregon não foram os primeiros a prestar atenção no assunto. Em fevereiro deste ano, um vereador de Övertorneå, na Suécia, sugeriu que os funcionários tivessem pausas pagas de uma hora durante o horário de trabalho para ter relações sexuais com seus parceiros. A ideia tinha como finalidade reforçar a política do país de melhorar a qualidade de vida dos suecos. O que você acha da ideia?

O que sei é que muitas pesquisas já comprovaram os benefícios sociais, emocionais e fisiológicos do sexo. Por isso, que tal prestar mais atenção na sua atividade sexual e no seu prazer?

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 12/09/2017 - 18:15Atualizado em 18/09/2017 - 21:02

É fato que o celular, ou mais especificamente o smartphone, virou objeto de desejo de muitas pessoas em todo o mundo, mas, para muitos, já passa disso: há quem goste tanto dos seus smartphones que começa a apresentar comportamentos similares ao amor. Você perde a hora por estar usando o aparelho no dia a dia? Não consegue ficar longe dele por muito tempo? Não dorme sem o dispositivo perto da cama? Se você respondeu sim a estas perguntas, é bem provável que essa tecnologia tenha conquistado um papel importante demais em sua vida - e isso pode causar problemas no seu relacionamento.

Um estudo norte americano revelou que 70% das mulheres e 50% dos homens entrevistados disseram que o smartphone estava prejudicando um namoro ou casamento. O estudo comparou estas respostas a outro teste, o índice de felicidade na relação, e o resultado foi um só: quem mencionou excesso de uso do celular estava mais infeliz.

Este comportamento já tem até jargão na literatura: phubbing, palavra em inglês derivada da combinação entre “telefone” e “esnobar”.

Bom, e para resolver isso? É claro que o ideal é que consigamos usar o bom senso, mas vou propor aqui algumas dicas práticas:

- No quarto, só para função despertador. Usar smartphone antes de dormir é ruim não só para o relacionamento, mas para a saúde, principalmente para a qualidade do seu sono. Que tal entrar no quarto e já desconectar a internet?

- Celular não se alimenta, então não vai à mesa! Celular na mesa de casa ou do restaurante tem um efeito negativo sobre a qualidade das conversas – mesmo que você não olhe as notificações, a presença dele indica que você pode estar dividindo a sua atenção.

- Defina, junto a seu parceiro, as “zonas proibidas”: pode ser na cozinha, durante o jantar, no carro enquanto o parceiro dirige (para que vocês possam aproveitar o momento para conversar), enfim, lugares em que o smartphone, com suas infinitas notificações, não será bem vindo.

Relacionamento é diálogo e acordo e, com relação aos smartphones, isso continua valendo ;)

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 11/09/2017 - 07:45Atualizado em 17/09/2017 - 05:37

A Organização Mundial da Saúde publicou, no início deste ano, os números da depressão no planeta. Segundo o documento, 5,8% da população brasileira possui algum transtorno depressivo. O número está acima do percentual da população mundial, que é de 4,4%.

Ainda de acordo com a OMS, a depressão é a doença que mais contribui com a incapacidade no mundo - em cerca de 7,5% dos casos de afastamento do trabalho, a depressão é a causa. Ela é também a principal causa de mortes por suicídio, com cerca de 800 mil casos por ano em todo o planeta.

Ainda assim, a depressão ainda é um tabu na sociedade. Não raras vezes recebo no consultório pessoas que sofrem com a doença há anos, mas não buscaram ajuda porque sempre ouviram que "depressão é frescura", que "é falta de trabalho" ou que "é só se ajudar, se animar, pensar positivo, que passa". Estes preconceitos sociais apenas distanciam as pessoas que sofrem de seu tratamento, além de causá-las ainda mais sofrimento pois, na tentativa de atender ao que ouvem, frustram-se ainda mais e, com frequência, sentem-se ainda mais fracas e incapazes de superar sua dor. E é neste momento que o suicídio aparece como uma alternativa para acabar com seu sofrimento.

Vamos imaginar (e espero que isso nunca aconteça de fato) que seu familiar quebrou uma perna. Como você o trataria? O que o recomendaria fazer? Suponho que não diria que ele é "louco" por ir ao ortopedista, certo? De igual maneira, presumo que você não acredite que pensamento positivo é capaz de calcificar o osso. Por que, então, fazemos estas falas com quem está com depressão?

Digo isso porque, se quase 6% da população brasileira têm depressão, é bem provável que você conheça alguém que sofre com esta doença. Esta pessoa precisa de você, mas não precisa de seu julgamento. Se quebrasse a perna, precisaria que você a levasse à um ortopedista; com depressão, precisa que a leve à um psicólogo. Ofereça transporte, seu abraço, seu colo, seu suporte e o que mais lhe convir, desde que a faça bem. Só não a ofereça mais problemas.

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 10/09/2017 - 10:00Atualizado em 16/09/2017 - 19:06

Amanhã é segunda-feira, o momento não é dos mais fáceis para se conseguir um emprego e, com isso, muitas pessoas tendem a supervalorizar suas habilidades no currículo e na entrevista.

Inglês? Fluente!

Corel Draw? Avançado!

Excel? Avançado!

Meu alerta de hoje é: cuidado! Vamos considerar que, se tudo der certo, você será contratado. E aí, no primeiro dia de trabalho, você precisa usar de sua fluência no idioma ou no domínio do software. Resultado? Esse aí embaixo:

Cuidado para não sair tonto e, ainda, desempregado novamente!

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 09/09/2017 - 18:20Atualizado em 15/09/2017 - 11:05

Uma equipe de cientistas liderada pelo médico Kalipada Pahan, da Universidade Rush, em Chicago, submeteu ratinhos a testes de memória e aprendizagem em labirintos. Dessa maneira, os pesquisadores descobriram quais camundongos eram "bons alunos" e quais eram "maus alunos". Em seguida, eles acrescentaram canela à dieta de alguns dos ratos maus alunos – os outros seguiram com sua dieta normal (procedimento básico na pesquisa científica, que mantém um grupo sem estimulação para que se possa comparar os resultados). Em seguida, os cientistas repetiram os testes cognitivos e o resultado foi: quando comem canela, ratinhos maus alunos passam a ter um desempenho quase tão bom quanto os ratinhos bons alunos.

O bom resultado provavelmente se deve ao efeito da canela no hipocampo, área do cérebro fundamental para a formação de novas memórias e para a aprendizagem. Ratos metabolizam a canela e produzem benzoato de sódio, uma substância química que age no hipocampo e que é usada na medicina no tratamento de danos cerebrais.

O próximo passo é verificar se os mesmos efeitos benéficos se repetem em humanos. Enquanto isso não acontece, já passei na padaria e comprei um pãozinho de canela para comer antes da próxima aula.

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 08/09/2017 - 18:15Atualizado em 17/09/2017 - 01:47

Uma menina sobe no telhado da casa e tenta pular, mas é impedida pelos vizinhos. Um garoto chega ao consultório com um encaminhamento do hospital, onde foi atendido depois de engolir várias moedas e um garfo. Apenas duas histórias que aconteceram em nossa região nos últimos anos. Apenas duas crianças - a primeira de oito, o segundo de dez anos.

A depressão e, por consequência, a tentativa de suicídio na infância estão se tornando mais comuns nesta década, segundo diferentes levantamentos. Conforme a publicação Mapa da Violência, que se baseia em dados coletados pelo Ministério da Saúde, as faixas em que as taxas de suicídio mais cresceram no Brasil, entre 2002 e 2012, foram as dos 10 aos 14 anos (40%) e dos 15 aos 19 anos (33,5%).

Considerando que a campanha Setembro Amarelo defende que a informação é a principal forma de combater o suicídio, eu listei alguns fatores que, em crianças e adolescentes, podem dar indício de que há algum risco. 

Uso de álcool e drogas: são muitas vezes uma forma de fugir dos problemas e, além disso, podem favorecer algum estado depressivo. Há relatos de uso cada vez mais precoce.

Desorganização familiar: a sensação de abandono e de falta de atenção pode levar a criança a atitudes extremas.

Depressão: os adolescentes, especialmente, têm dificuldade em lidar com a depressão. Podem reagir com raiva e agressividade.

Alterações de conduta: tornar-se agressivo, começar a faltar às aulas, piorar o desempenho escolar, dormir demais ou muito pouco, comer muito ou quase nada e isolar-se são mudanças de comportamento que devem ser acompanhadas de perto.

Gravidez na adolescência: em alguns casos, meninas que tentam abortar e não conseguem acabam tentando suicídio.

Abuso e maus-tratos: abusos sexuais e físicos podem estar relacionados às tentativas.

Conhecimento de outros casos: crianças e adolescentes são mais sugestionáveis. Dados mostram que muitas das tentativas são feitas por quem conhece outra pessoa que já tentou se matar, seja na família ou na escola.

Autolesões: está mais comum entre crianças e adolescentes a prática de infligir lesões em si mesmo, principalmente com lâminas ou estiletes.

Tentativas anteriores: quem já tentou se matar uma vez tem mais probabilidade de tentar de novo, e o mesmo serve para crianças e adolescentes.

Todos estes alertas não substituem o maior termômetro: observe seu filho e filha! Caso note alguma mudança no comportamento, aproxime-se e o questione, acompanhe de perto, permaneça atento e procure ajuda profissional!

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 07/09/2017 - 08:30Atualizado em 17/09/2017 - 11:54

Pesquisadores da Universidade  Estadual de Ohio fizeram uma série de estudos que mostram que o jeito mais fácil de acabar com a diversão de qualquer atividade é ter um cronograma para ela. Segundo eles, o planejamento pode fazer qualquer atividade legal ficar com cara de trabalho.

O primeiro teste que eles fizeram era só hipotético. Eles mostraram um cronograma de estudos para dois grupos de voluntários e pediram que cada um imaginasse que aquela era sua programação para a próxima semana e que eles teriam que encaixar uma saída para tomar sorvete com um amigo: um grupo marcava o passeio para daqui a dois dias e anotava no calendário, enquanto o outro tinha que imaginar que tomava sorvete em qualquer buraco que aparecesse na sua agenda. O que aconteceu? O grupo que aproveitou o sorvetinho espontâneo, mesmo que imaginário, saiu da experiência bem mais feliz que o grupo organizadinho que programou a saída com antecedência.

No segundo momento, os cientistas fizeram testes mais práticos. Em um experimento online, ofereceram uma série de vídeos do Youtube para os voluntários escolherem. Um grupo assistia o vídeo na hora, outro grupo só recebia o link em um horário específico. De novo, as pessoas que mais curtiam a experiência de assistir aos videozinhos eram aquelas que não tinham que se encaixar a um cronograma regrado.

Para os pesquisadores, os resultados mostram que, por mais legal que uma atividade seja, ela é bem mais aproveitada quando não temos que programá-la com antecedência. Os participantes associavam regras e cronogramas à compromissos e obrigações, diminuindo o prazer que sentiam com qualquer atividade de lazer. Esse estudo pode explicar, por exemplo, porque, quando fazemos muitos planos para férias ou feriados, acabamos voltando ao trabalho mais cansados do que saímos.

De qualquer forma, também não é preciso se entregar ao caos para curtir o tempo livre - é só não exagerar. Em mais um dos experimentos dos estudos, os pesquisadores montaram uma banquinha de café e bolachas grátis durante a semana de provas da universidade. Os alunos recebiam tickets para buscar seu lanche: alguns dos tickets eram flexíveis, válidos por um intervalo de duas horas, enquanto outros eram bem radicais: “esteja aqui às 17h20 ou perca seu café", por exemplo.

Segundo os pesquisadores, ter esse intervalo flexível, mesmo que programado, já era suficiente para diluir os efeitos negativos de ter que programar seu tempo livre. A dica deles, nesse caso, é aproveitar o feriadão para marcar algo “a noite”, ou “no fim da tarde”, sem um horário específico. Assim, você garante o máximo de diversão possível, sem semelhança nenhuma com o fantasma da reunião de segunda-feira ;)

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 06/09/2017 - 11:45Atualizado há 10 horas

Iniciei este texto pelo título, dei a ele um nome antes mesmo de elaborá-lo. Traçado o nome, não pude mais escapar dele na construção, palavra a palavra, do que quero lhes dizer hoje, caros leitores. Bem, se um nome faz isso por um texto, o que pode fazer por nós?

Ainda na Grécia Antiga, os filósofos pré-socráticos acreditavam que o nome de alguém podia apreender seu verdadeiro ser. Na maior parte das populações indígenas, o nome tem lugar central: podem indicar posições e títulos sociais ou, no caso dos Araweté, tribo brasileira do estado do Pará, por exemplo, uma individualidade tão marcada a ponto de não poder haver duas pessoas vivas com o mesmo nome.

Em nossa cultura, o nome é meu cartão de apresentação: ele me identifica e me permite existir na sociedade (minha certidão de nascimento leva meu nome e, a partir dela, consigo fazer todos os outros documentos que me permitem exercer minha cidadania). Além disso, na perspectiva da psicologia, entendemos que é uma carta que revela as expectativas da família sobre aquele novo ser. "Minha mãe escolheu este nome porque é forte", ou seja, ainda que inconscientemente, espera essa força de mim; "recebi o nome de meu avô" é um sinal de que ele era uma pessoa admirada e bem quista na família e que anseiam que eu também carregue essas características; "meu nome foi tirado de um ator de novela" nos faz pensar o que destacou esse ator entre todos os que existiam na época. Enfim, muitas são as estórias por trás da escolha do nome - e muitas delas carregam um fardo.

A questão aqui é: você se chama como se chama por uma projeção dos seus pais ou apenas por um modismo de época?

Sugiro uma conversa com sua família a esse respeito. Por hora, que tal conhecer quantas outras pessoas possuem o mesmo nome que o seu aqui no Brasil? Ainda que as expectativas difiram, esta ferramenta do IBGE nos permite conhecer a evolução de popularidade do nosso nome, em quais estados temos mais homônimos e quantos nasceram na mesma época que nós. Confira aqui e comente o resultado! Eu já fiz o meu e, pasme, existem outras 13.230 Ananda’s neste brasilzão.

Ps: Se você conhece alguma delas, por favor, me apresenta!

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 05/09/2017 - 14:45Atualizado em 19/09/2017 - 18:53

Irmãos gêmeos, meios-irmãos, irmãos adotivos e até primos-irmãos... existem muitas formas de se ter um irmão! Mas, sabem o que não existe? Ex-irmão. As configurações familiares têm se modernizado e ampliado, mas eles continuam lá: presentes em cada minuto de nossas vidas.

É verdade que eles brigam - quase sempre. Mas também é verdade que eles se amam - quase sempre. Na última década, a ciência descobriu outra verdade: que os irmãos podem ser mais importantes que os pais e mães no desenvolvimento da criança. Isso porque, enquanto a relação com os adultos é vertical – eles mandam, as crianças obedecem - a relação entre irmãos é um ensaio para a vida.

Os irmãos não são escolhidos, como os amigos. São as pessoas com quem você divide a casa, a família, o animal de estimação, os brinquedos, tudo sem ter pedido. Por isso, aprender a negociar com eles é um passo importante. São eles quem ensinam, na prática, a dividir na marra objetos e afetos; é com os irmãos que se tem contato com a dinâmica complexa de viver em sociedade, onde é necessário fazer concessões, perseverar, lutar por seus direitos, enfim, conviver.

Além disso, possivelmente serão eles os nossos primeiros amigos, com quem teremos nossas primeiras lembranças e os nossos primeiros aliados e cúmplices - desde a infância, na hora da bagunça ou da bronca, até a vida adulta, nos oferecendo suporte diante das eventualidades da vida.

Diferença, respeito, amor, inveja, rivalidade, admiração são palavras que fazem parte do relacionamento entre irmãos. Está tudo ali: uma relação para a vida toda, que vai acontecendo a cada aniversário, discussão, viagem, brincadeira. A maior verdade de todas? Estarão ligados para sempre.

Feliz dia do irmão!

Ps: Te amo, mana!

Maisa Figueiredo quando ainda usava chupeta (e o style dos anos 90)

 

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 04/09/2017 - 11:30Atualizado em 17/09/2017 - 14:49

"Eu vou me matar". Diante desta frase, ainda há uma crença social de que a pessoa que, de fato, quer cometer suicídio, não anuncia. MITO!

Como podemos tratar com naturalidade este comportamento? Você consegue acreditar, realmente, que alguém saudável conseguiria cogitar esta frase como estratégia para chamar a sua atenção?

Pessoas doentes, em sofrimento intenso, pedem ajuda e deixam sinais. Um deles é comentar sobre suas ideações suicidas com pessoas em que confiam. Por isso, caso ocorra com você, vou deixar uma lista do que poderá fazer para ajudar:

1) Edwin Schneidman, referência no tratamento de pacientes com ideação suicida, indica que a primeira reação deve ser as seguintes perguntas: "Onde dói e como eu posso ajudar?". Colocar-se verdadeiramente a disposição para dar suporte e auxiliar no processo de reconstrução deste sujeito que tanto sofre é o primeiro passo para evitar a ação suicida;

2) Acompanhe a pessoa em sofrimento para um profissional de saúde mental - psicólogos e psiquiatras poderão ajudar. Se a questão for financeira, o posto de saúde do seu bairro poderá dar adequado encaminhamento. Caso haja resistência, enquanto ação paliativa, vale conversar com o padre, o pastor, o diretor da escola, o agente de saúde, enfim, com alguém que possa lhe auxiliar no suporte das angústias da pessoa que sofre até que ela aceite a ajuda profissional.

E lembre-se sempre: entrar no assunto com a pessoa, perguntar como se sente, como estão os pensamentos suicidas, não a incentivará a agir! Pelo contrário, ela sentirá que tem em você alguém disposto a compartilhar com ela este momento de tanta dor.

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 03/09/2017 - 16:10Atualizado há 2 horas

Início da tarde de 29 de agosto e já está em todas as redes sociais: um homem se masturbou e ejaculou no pescoço e no rosto de uma mulher dentro de um ônibus na Avenida Paulista. Ele foi preso e, logo em seguida, solto pela justiça do estado de São Paulo.

Manhã de 02 de setembro: o mesmo homem foi detido após esfregar seu pênis no ombro de uma passageira e de impedi-la de de fugir, interceptando sua passagem.

Vítima é consolada após passageiro de ônibus ejacular no seu pescoço e rosto. Homem foi solto por juiz que não entendeu por crime de estupro.

O que se lê por todos os lados é a afirmação, por parte da população geral e dos profissionais da área do direito, de que ele é doente mental e que não irá parar. Mas e a psicologia, o que diz a respeito?

Tecnicamente, o ato é comportamento característico do frotteurismo, termo que deriva da palavra francesa frotter (esfregar) ou frotteur (aquele que faz fricção). É uma desordem mental caracterizada por uma excitação sexual intensa e recorrente que resulta do ato de tocar ou se esfregar em uma pessoa sem o seu consentimento. Ele integra o grupo dos transtornos parafílicos, ou seja, de ordem sexual, e é possível tratá-lo através da combiação psicoterapia + tratamento psiquiátrico.

Dito isto, me chama, particularmente, a atenção o fato de que todos os estudos apresentam que mais de 95% dos indivíduos diagnosticados com frotteurismo são homens, alguns chegando a 98% de prevalência masculina. Enquanto isso, ao menos entre os meus amigos e amigas nas redes sociais, eu arriscaria dizer que a comoção e revolta frente ao caso tem números inversamente proporcionais (caro leitor homem, você poderia, por favor, me explicar como consegue passar indiferente por fatos como este?). Apesar disso, ainda que as redes sociais nos permitam manifestar nossa indignação, não são, exatamente, canais de mudança e transformação da cultura do machismo - tão arraigada em nossa sociedade e produtora de comportamentos tão disfuncionais e agressivos quanto este.

E não, caros leitores, não se trata de um ato isolado. Infelizmente, é pouco provável que alguma de vocês, colegas leitoras, nunca tenha sido vítima de assédio - como eu gostaria de estar enganada! Por isso, para além do diagnóstico de um transtorno mental, para além do uso inequívoco da imputabilidade dos réus no judiciário brasileiro, para além dos discursos de ódio, para além do comportamento justiceiro, por favor, interrompam o ciclo de reprodução do machismo. O ano é 2017, não combina mais. A sociedade não tolera mais. As mulheres não aguentam mais.

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 02/09/2017 - 20:00Atualizado em 16/09/2017 - 07:26

É um simples dispositivo, pequeno, com três pontas cujo objetivo é… fazê-lo girar. Falando assim não parece que seria atrativo frente aos videogames e demais dispositivos móveis, não é mesmo? Mas o fato é que o Spinner virou febre entre as crianças, adolescentes e, pasme, os adultos.

O brinquedo do momento não é, exatamente, uma novidade. Criado por Catherine Hettinger no início dos anos 1990,  era destinado essencialmente a crianças com autismo ou com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), com o objetivo de reduzir o estresse e estimular a concentração. A questão é que, apesar de inicialmente ter tido esta finalidade, afirmar que o Spinner é terapêutico nos dias atuais é uma grande fraude.

Não existe remédio milagroso para o estresse cotidiano, quiçá para o TDAH. Conseguir fazer com que uma criança com déficit de atenção se concentre em algo que se move é simples, mas não produtivo, já que não tem repercussão no longo prazo. O Spinner não regula o sistema atencional, que é o que realmente precisa ser trabalhado nesses casos. Por isso, o importante é trabalhar com a criança a fim de que ela consiga se concentrar sozinha por tempo suficiente para a conclusão da tarefa - a conquista está em sua independência e em superar sua marca pessoal.

Portanto, tudo bem brincar com Spinner! Desde que não atribuamos a ele uma função terapêutica, vamos aproveitar o que ele, de fato, pode nos oferecer: diversão!

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 01/09/2017 - 14:30Atualizado há 2 horas

Desde 2014, setembro é o mês da conscientização e prevenção do suicídio. A necessidade de discutir e informar sobre se dá em virtude de que, infelizmente, não raras vezes ficamos sabendo de pessoas que adoeceram a ponto de não suportar mais seu sofrimento e, assim, deram fim a sua vida. Estima-se uma média de 45 suicídios por dia no Brasil e, no mundo, são um a cada 40 segundos. Santa Catarina é o segundo estado com maior número de suicídios no país, atrás apenas do Rio Grande do Sul, e, a partir de um levantamento realizado pelo Centro de Valorização da Vida - CVV, agora também temos os números de nossa região:

Em menos de dois anos, 110 pessoas cometeram suicídio na regiaõ da Amrec. Os números assustam, não é mesmo? E se eu lhe disser, caro leitor, que, segundo a Organização Mundial da Saúde, 9 a cada 10 casos poderiam ser prevenidos e, assim, evitados, se tivéssemos mais informação, discussão e conhecimento sobre o assunto?  Se esta fosse nossa realidade, de acordo com esta estimativa, 99 pessoas ainda estariam conosco, recebendo tratamento adequado e com condições de viverem de forma mais saudável e feliz.

Portanto, neste mês, vista-se de amarelo - não só na camiseta, vista-se de informação. Em todas as segundas e sextas-feiras de setembro você encontrará aqui no blog textos sobre o tema. Além disso, se tiver alguma sugestão ou dúvida, deixe seu comentário aqui embaixo. Vamos, juntos, falar em nome da vida.

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 31/08/2017 - 11:50Atualizado em 16/09/2017 - 19:06

O bebê sentou sozinho – click. Se lambuzou de papinha – click. Primeiro dia de escola – click.

Se, quando éramos crianças, os registros da infância eram guardados como preciosidades raras em empoeirados álbuns de família, hoje é fato que ganharam um novo espaço: as redes sociais. Acrescenta-se ai a facilidade, agilidade e gratuidade do ambiente virtual e pronto, já não é mais necessário esperar por uma ocasião especial.

A prática de compartilhar fotos dos filhos nas redes sociais se tornou tão popular e comum que ganhou até nome: sharenting, neologismo que resulta da fusão de duas palavras do inglês que significam "compartilhar" e "pais". Com o crescimento da prática, cresceram também as pesquisas sobre o sharenting, a exemplo de uma publicada recentemente, realizada nos EUA, que concluiu que 96% dos usuários do mundo compartilham suas informações na internet e 66% dos pais e mães postam nas redes sociais fotos e vídeos de seus filhos. Considerando que recentemente, o facebook anunciou que chegou ao incrível número de 2 bilhões de usuários - ou seja, 26% da população mundial - parece que misturar a vida real com a digital já é um caminho sem volta. Mas, então, como podemos agir para que não seja necessário abandonar as redes sociais, mas sem colocar nossos filhos e filhas em risco?

Primeiro: evite mostrar detalhes da rotina de seus filhos, especialmente se a foto revelar muitas informações, como o uniforme com o nome da escola, os horários de chegada e saída, a selfie em frente a placa com o nome do prédio em que mora. Os check-ins também são reveladores e podem indicar onde as crianças estão e - ainda mais perigoso - quando estarão sozinhas.

Além disso, parece óbvio, mas não é: jamais poste fotos de partes ou situações íntimas. Eu já vi postagens de fotos de crianças usando o vaso sanitário pela primeira vez ou até tomando banho (eu sei que você deve ter uma foto tomando banho, mas é bem provável que ela esteja guardada em segurança dentro de sua caixa de fotografias). Em grupos virtuais de mães, voltados inicialmente para a troca de opiniões e experiências, é comum ver fotos de genitais de crianças acompanhadas de pedidos de informações sobre assaduras ou outros problemas de pele. É simples dizer que essas fotos podem cair em mãos erradas e, assim, receber conotação maliciosa. Além do que, será que, no futuro, essa foto não poderá servir de chacota para seu filho?

Se a vontade de dividir um momento fofo de seu filho ou filha é incontrolável, tudo bem! Mas que tal postá-la no grupo da família ou então definir melhor a privacidade da postagem - apenas entre familiares e amigos próximos, por exemplo? Eu sei que seu filho é a criança mais linda e encantadora do mundo e que você quer que todos saibam disso, no entanto, será que vale o risco de nos tornarmos os criadores de situações constrangedoras ou perigosas para nossas crianças?

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