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Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 10/10/2017 - 18:30Atualizado em 10/10/2017 - 19:14

Como anunciei no texto de ontem, nesta semana apresentarei trinta e cinco razões para você incentivar seu filho ou filha a ser criança através do que é mais propício nesta idade: o brincar. Abaixo, você conhecerá mais cinco motivos:

6) Tem crescido o número de adultos que chegam ao consultório reclamando de sua falta de foco. E você sabe onde desenvolvemos isto? Na estimulação do brincar na infância! Quem nunca viu uma criança de olhos cerrados e língua entre os dentes enquanto montava um quebra-cebaça ou fazia uma torre com blocos?

7) Brincar é a principal linguagem da criança, independentemente de sua cultura, meio econômico ou social. "Ouvir" a brincadeira da criança é uma excelente maneira de conhecê-la. Quem precisa de um termômetro para saber que o filho ou filha não está bem se o vê quietinho, sem brincar?

8) É também na brincadeira que a criança constrói sua identidade. Nela, interage com seu corpo, com os familiares, com os objetos, com o mundo ao seu redor. Assim, se diferencia do que a cerca, se apropria de si, se entende e vai construindo sua maneira própria de agir.

9) A Universidade de Delaware e Temple, dos EUA, descobriu que crianças de até cinco anos que brincam com blocos de montar (aqueles que doem a beça quando pisamos em cima) possuem melhores habilidades matemáticas e noção de espaço na vida adulta. Para além do ganho escolar e profissional, estas habilidades são muito úteis do caixa do supermercado ao estacionar sem câmera de ré.

10) A última razão de hoje pode ser resumida em RI-SA-DA. Eu sei, você adora ouvir a gargalhada do seu pequeno - quem não gosta, não é? A diversão da brincadeira faz sua filha ou filho sorrir e já está provado que isto contribui diretamente com o bem-estar da criança: ativa cerca de vinte e quatro músculos da face, melhora a circulação e a oxigenação das células, reduz os hormônios do estresse e libera os de relaxamento. Bônus: duvido que você segure o riso diante da gargalhada do seu pequeno. Assim, você também garante todos estes benefícios ;)

Até amanhã, com as razões de 11 à 15!

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 09/10/2017 - 20:00Atualizado em 10/10/2017 - 18:43

O dia das crianças está chegando e ele costuma me fazer pensar sobre como as crianças estão cada vez menos crianças. Enquanto as estatísticas mostram o amadurecimento e independência cada vez mais tardio entre os jovens, nós, adultos, temos nos dedicado a estimulação e ocupação cada vez mais precoce das nossas crianças: natação desde os seis meses, aula de inglês aos três anos, contra turno em atividade esportiva duas vezes por semana a partir do início da rotina escolar... ufa! Eu não sei como foi com você, mas as minhas melhores lembranças da infância tem relação com o brincar livre, ou seja, com momentos em que eu e minha turminha brincávamos do que tínhamos vontade naquele momento, sem a orientação de um adulto, sem hora marcada, sem protocolo. 

Por isso,de hoje à domingo trarei diariamente cinco motivos para você deixar seu filho "só" brincar. Ao final da semana, serão trinta e cinco razões. Leia as cinco primeiras e me dê  sua opinião  ;)

1) Brincar, especialmente em grupos, desperta vários sentimentos: alegria, medo, raiva, vergonha... Estes momentos são excelentes oportunidades para que seu filho ou filha perceba, identifique e expresse o que sente, o que é fundamental não só na infância, mas em toda a vida. Além disso, sabemos que, se precisarmos aprender isto na vida adulta, certamente será de  forma mais dolorosa do que através da brincadeira.

2) Em uma viagem há meses atrás, uma família hospedada no mesmo hotel em que eu estava acompanhou um garotinho de cerca de quatro anos, ao longo de todos os dias, hora em uma caçada por insetos, hora no catalogar de diversos tipos de folhas de plantas. A curiosidade e empolgação do menino e da familia me levam a crer que, diferente das crianças que estavam absortas em seus tablets, ele tem descoberto a beleza da natureza e aprendido a respeitar, amar e cuidar do meio ambiente.

3) A brincadeira com os amigos requer da criança o ouvir e compreender o outro. Além disso, impõe também a negociação do que farão primeiro, quais as regras, limites e responsabilidades. Importantes aprendizados para toda a vida, não?

4) Desde que a tecnologia não se torne a sua babá virtual sempre que você quiser ter um almoço tranquilo, por exemplo, seu filho ou filha pode se divertir no tablet, smartphone, computador ou videogame. Vez por outra recebo no consultório crianças com excelente raciocínio estratégico desenvolvido nos jogos de construção de cidades, por exemplo, ou ainda aquelas que falam muito corretamente por conta dos vídeos de desenhos animados. Claro, vale sempre lembrar de permitir o uso por tempo determinado, com supervisão e após os dois anos de idade, conforme recomenda a Sociedade Brasileira de Pediatria.

5) Uma pesquisa de uma Universidade Australiana confirmou o que todos os pais e mães já sabem: crianças que se movimentaram mais ao longo do dia adormeceram mais rápido,  além de dormirem mais e melhor. Ou seja: se sua pequena ou pequeno está com dificuldades para dormir, a regra é brincar até cansar!

Amanhã teremos mais cinco motivos. Acompanhe!

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 07/10/2017 - 09:30

Bom dia!

Compartilho com vocês um texto de autoria de Rafaela Carvalho que trata sobre... bem, trata sobre você. Veja só:

Não se escuta do obstetra nem do pediatra. Passa batido pelo chá de bebê. Não está nos livros, não se aprende nas classes. Até a mais incrível das amigas falha ao tentar explicar. Não, não vim falar do amor. 
É sobre a importância. 
Bem vinda a maternidade, onde um ser de 50 centímetros que não aguenta segurar o próprio pescoço precisa de você.
Você.
Você com o abdômen recém cortado ou com o períneo extremamente magoado (leia-se puto da cara).
Você sem saber segurar direito, amamentar direito, trocar fralda direito, dormir direito.
O bebê precisa de você. 
Você.
Você com baby blues no coração, nas olheiras, no cabelo preso de qualquer jeito.
Você admirando a perfeição do rosto adormecido, com medo da falta de liberdade, soluçando ao sentir o vazio.
O bebê precisa de você. 
Você.
Você com o seio mais duro do que o seu bumbum jamais será, morrendo de medo da primeira ida ao banheiro (nº 2), e com o coração transbordando amor.
Você dormindo em pé, torcendo para o corpo voltar, e para "pelamordedeus" pararem de palpitar.
O bebê precisa de você. 
Você.
Você fazendo arrotar, andando de lá pra cá, embalando depois da mamada das ‪3:48‬. Cansada, frustrada, completa.
Você sem saber como sobreviveu a noite passada, a primeira semana, o primeiro mês, o primeiro ano.
O bebê precisa de você. 
Você.
Você tentando consolar, e amar, e fotografar, e viver, e lembrar.
A cólica precisa de você, o choro, o trocar, o alimentar, o banhar, o cuidar.
O bebê precisa de você. 
Você.
Você rezando para que a madrugada acabe, mas implorando para que o tempo passe mais devagar.
Ah o tempo... É ele quem devagarinho traz outras coisas que precisam de você.
O sorriso precisa de você, o abraço, o olho no olho, as gargalhadas precisam de você.
O "mamãe eu te amo" precisa de você, o dividir alegrias, o soprar as velinhas, o "olha mamãe" precisa de você.
O amor precisa de você, as emoções, os primeiros passos, o frio na barriga precisa de você.
E como nos filmes onde no final tem uma revira-volta, a gente cai na real.
A partir do momento que você segura o seu bebê no colo, na eternidade do sopro no ouvido "tá tudo bem, a mamãe tá aqui", acontece.
Você precisa do bebê. 
Você.

 E então, mamães, na sua casa, quem precisa de quem?

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 06/10/2017 - 16:00Atualizado em 06/10/2017 - 16:51

Outubro começou e - não podia ser diferente - falamos neste primeiro Fica a Dica do mês sobre a campanha outubro rosa e a condição psíquica em torno do câncer de mama.

Costumo dizer que doenças graves são como carimbos no nosso passaporte da vida: quem ganhou esse carimbo, passou, portanto, a conhecer outro lugar, diferente dos até então conhecidos. Assim, podemos pensar que as doenças dividem as pessoas em dois grupos: as que têm saúde e as que têm doença. A doença oncológica, neste caso, é uma ruptura no ciclo de vida planejado pela mulher e pode trazer inúmeros questionamentos: o tempo passa a correr diferente, os dias seguintes após o diagnóstico se tornam de outro tamanho... É bastante comum que a mulher inicie um processo de volta aos significantes pelos quais fez sua trajetória, ou melhor, que ela reviva e ressignifique sua história de vida.

Enquanto isso, a medicina continua se ocupando daquilo que faz bem: da utilização de instrumentos cada vez mais precisos na condução de diagnósticos das patologias orgânicas. É fato que as doenças estão nos livros, nos protocolos, nas lâminas dos microscópios e cada vez mais se descobrem avanços para o seu tratamento - e que ótimo, não é mesmo? Mas somente quando a doença encontra um corpo, produz o sofrimento, seja ele qual for. As doenças podem até ser iguais, os protocolos também, mas o sofrimento é individual, subjetivo e único. Por isso, falar de câncer de mama é falar também da psiqué daquela que o descobriu, do sofrimento que vem do diagnóstico, do convívio e até do tratamento da doença.

A mulher diagnosticada com câncer de mama convive com o medo de ser estigmatizada e rejeitada ao tomarem conhecimento de sua doença, com a possibilidade de disseminação da doença pelo seu corpo, com a queda do cabelo e o efeito disso sobre sua autoestima, com a incerteza quanto ao futuro, com o medo da recidiva... Sabemos também que uma das principais dificuldades das mulheres em tratamento oncológico é lidar com a retirada do seio. Ora, se o pênis é a parte do corpo que identifica o homem, percebemos que são os seios o símbolo da relação identidade-corpo na mulher. E, como nosso quadro no Jornal das Nove é sobre relacionamentos, vamos falar deles, que entram justamente aqui: como você, parceiro ou parceira desta mulher, tem lidado com esta ideia ou até mesmo com a mutilação que ela sofreu/sofrerá? Como você pode participar de forma positiva? É importante sempre lembrar que redes de apoio são fundamentais no enfrentamento de qualquer situação difícil, inclusive no câncer. Por isso, além de todas as recomendações que a campanha outubro rosa já faz muito bem, meu pedido hoje é: busque ajuda profissional, você, mulher, e também, vocês, familiares, para que possam oferecer adequado apoio e suportarem, juntos, o sofrimento que não está nos livros, nem na TV, mas muito fortemente dentro de vocês.

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 04/10/2017 - 22:00Atualizado em 04/10/2017 - 22:13

Hey! Hoje é quarta-feira, metade da semana já se foi, e eu quero te pedir para assistir a este videozinho antes de dormir esta noite. Tenho certeza que ele te fará pensar sobre o seu lugar no mundo!

Você tem mais em comum com o outro do que imagina ;)

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 03/10/2017 - 12:50

A campanha setembro amarelo acabou no sábado, junto com o mês. Ontem amanhecemos com a notícia do suicídio do Sr. Luiz Carlos Cancellier, o Cao, reitor da Universidade Federal de Santa Catarina. A comoção entorno da notícia foi grande - suicídios sempre nos chocam, não é mesmo? Ainda assim, ouvi muitos comentarios que me deram a impressão de que ainda precisamos falar muito mais sobre o assunto.

De todo modo, meu texto hoje é sobre o bilhete deixado pelo Sr. Luiz Carlos: "minha morte foi decretada no dia de minha prisão". Não sei se era o caso dele, mas a frase me fez refletir sobre nossa relação com o trabalho e sobre os autonomeados workaholics. Para além de toda exposição pública (e aqui cabe uma ampla discussão sobre as midiáticas prisões que têm acontecido nos últimos tempos), as reportagens apontam o sofrimento do Sr. Cao por ter sido afastado da Universidade Federal de Santa Catarina. Muitas, inclusive, dizem que ele foi afastado de "sua casa". Ora, em qual momento permitimos que nosso trabalho se tornasse a nossa casa? E mais: Como não percebemos, ou como aplaudimos, a inversão vida pessoal/casa - vida profissional/trabalho?

Eu sei, você ama o que faz. Que ótimo! Ainda assim, o âmbito profissional é  um papel social que desempenhamos, que não pode se confundir ou mesmo substituir nossa essência de ser, sob risco de grave adoecimento. Além do mais, se você deposita todas as suas moedas em um único cofre e este cofre lhe é tirado, como você sobreviverá? Seja generoso consigo e cuide melhor das suas moedas (lê-se tempo e energia ). Deposite-as no trabalho, mas não só lá. Cofres se perdem, quebram ou você pode até desistir do ato de guardar moedas. Só não pode desistir de si. Procure ajuda, sempre é tempo!

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 01/10/2017 - 14:00Atualizado em 01/10/2017 - 14:31

Quantos livros infantis têm na sua casa? Com que frequência você lê para o seu pequeno ou pequena?

Reconhecendo a importância da leitura para o desenvolvimento infantil, o Itaú lançou mais uma coleção de livros infantis, que você pode solicitar gratuitamente aqui.

São duas estórias. Veja:

1) Em cima daquela serra, de Eucanaã Ferraz

Sinopse: Vamos juntos ver o que passa em cima daquela serra? Às vezes parece que lá só tem boi. Será? Neste livro, outros bichos e outras coisas andam em cima Daquela serra. Entre uma coisa e outra, passa boi, passa boiada... E, às vezes, não passa nada! É só o tempo.

 

2) O menino azul, de Cecília Meireles

Sinopse: Ter um bichinho é o sonho de quase toda criança. E não é diferente com o menino deste poema de Cecília Meireles. Ele quer um burrinho para ser seu amigo de todas as horas e que o acompanhe na descoberta do mundo.

 

Entre agora, faça seu cadastro e receba em até 25 dias úteis os dois livrinhos na sua casa!

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 30/09/2017 - 20:00Atualizado em 30/09/2017 - 21:14

Setembro foi o mês de conscientização e prevenção do comportamento suicida e hoje, no último dia do mês, o tema não poderia ser outro aqui no blog. Decidi compartilhar com vocês algumas fotos de pessoas que cometeram suicídio. Qual o objetivo? Veja as imagens e descubra:

Chester Bennington, vocalista da banda de rock Linkin Park, que cometeu suicídio em julho deste ano. Esta foto foi tirada por sua esposa dias antes de sua morte, 
Foto de família que retrata um homem que, uma semana depois, cometeu suicídio.
Criança sendo criança na noite que antecedeu à sua internação por tentativa de suicídio.

 

Garoto brincando com seu cão dois dias antes de se suicidar.

Apesar de a depressão ser uma doença extremamente frequente no mundo e em nosso país, ainda é pouco conhecida. No imaginário popular, a pessoa com depressão ainda é aquela com uma expressão clara de sofrimento, em prantos, isolada - esta não é uma verdade absoluta. É provável que alguém que você conheça esteja agora sofrendo de depressão e você nem sabe. Talvez seu cansaço, sua apatia, sua tristeza, seja depressão, e nem você saiba.

Nem todos aparentam estar sofrendo, mas todos estão enfrentando uma batalha dificílima, Esta batalha, no entanto, não acaba com o mês - que tal não encerrarmos também nosso cuidado e conscientização sobre o tema?

 

P.S.: Você pode ver mais imagens aqui.

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 28/09/2017 - 21:00Atualizado em 28/09/2017 - 21:50

 

Casamentos - assim como todos os relacionamentos - possuem, de forma dita ou velada, um determinado acordo sobre o que é permitido e o que não é, sobre o que é bem vindo e o que não é. Por isso, não há como falar dos limites da fidelidade sem falar deste acordo, afinal, o que seria a traição? Recebo casais no consultório onde uma das partes se sente traída porque o parceiro fotografou outra pessoa; ao mesmo tempo em que outros casais lidam muito bem com relacionamentos abertos. O fato é que os relacionamentos mudaram e a liquidez moderna, da qual Bauman nos fala muito bem, alcançou até mesmo os casamentos. Isso significa dizer que, apesar de ser possível estabelecer normas próprias para a sua relação, independente de elas se adequarem ou não ao modelo tradicional de casamento, ainda existem pessoas que optam, por diversas razões, por quebrar as regras e cometer uma infidelidade - seja ela qual for.

Ao entrarmos neste assunto, algumas afirmações de verdade apareçam. A primeira delas costuma ser “trair é coisa de homem”, ou “todo homem trai”. De fato, as pesquisas indicam que homens traem mais do que mulheres, mas me parece que esta é muito mais uma questão cultural do que biológica. Ainda aceitamos muito melhor a traição masculina do que a feminina - é só pensarmos um pouquinho nos adjetivos que oferecemos aos homens e às mulheres que traem. Mas, é claro, isto não é um avalpara a infidelidade masculina: costumo dizer que assim como ir à igreja não te torna um fiel e ir ao Mc Donalds não te torna um hambúrguer, nascer homem não te torna um traidor.

O segundo ponto é que trai aquele que “não recebe assistência em casa” - mentira. A imensa maioria das traições acontecem por carências afetivas, e não sexuais. Não são raros os casos em que as pessoas não se sentem mais amadas pelo esposo ou esposa e, combinado a uma dificuldade de comunicar, buscam fora do casamento o acolhimento, o carinho, a atenção que não estão encontrando com seu parceiro.

Outra coisa que escuto com frequência é que “a traição melhorou nossa relação” - errado. Trair o outro, ser desleal, nunca melhora a relação. O que pode acontecer é que após uma traição-arrependimento-mudança-perdão-reconciliação, o relacionamento tome nova direção: o casal fica mais atento ao que levou ao erro cometido e fortalece a comunicação entre os dois. Mas dizer que a traição em si é positiva seria o mesmo de dizer que um câncer é bom - fazer um tratamento da doença e ser bem-sucedido ao final, mesmo passando por cirurgias, quimioterapias, é um verdadeiro sucesso. Porém só quem passou pelo tratamento saberá das dores envolvidas no processo.

Por fim, costumam me perguntar se é possível ser feliz de novo no casamento após uma traição. Minha resposta é: traições costumam levar as pessoas traídas a estados de baixa auto estima e falta de amor próprio. Se você está se sentindo assim, não retome esta relação agora, não vale a pena permanecer junto se no lugar dos dias alegres e afetuosos, ficaram os dias tristes e cinzentos por causa da sombra de uma traição. De todo modo, que tal fazermos melhor? Aproveite o sábado e sente com o seu parceiro ou parceira para tornar claro os limites deste contrato de fidelidade, estabeleça um acordo sobre o que pode ou não pode de forma bastante transparente, sendo fiel, sobretudo, a você mesmo. Como diz o sábio, o combinado não sai caro ;)

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 27/09/2017 - 11:30

Você conhece o TED Talks? São palestras bem curtinhas que você pode ver no youtube rodam o mundo, geralmente com assuntos inspiradores ou ligados a inovação. Tenho algumas preferidas, mas hoje quero compartillhar com vocês a palestra do norte-americano Will Stephen, que ensina como parecer um gênio em apresentações - mesmo que você não faça ideia do que está falando.

São menos de seis minutos de vídeo e está legendado, então dê play e divirta-se!

PS: eu já usava óculos antes de conhecer este vídeo, juro!

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 26/09/2017 - 17:00

Facebook, instagram, snapchat, whatsapp... são tantos aplicativos com notificações que fica difícil manter o foco com o celular ao nosso lado, não é mesmo? Mas, e se eu te disser que o celular pode te ajudar a manter o foco?

Não só de aplicativos distratores é feita a PlayStore ou a AppStore, e o Forest: Stay Focused é a prova disso. De origem chinesa, traz alguns elementos de jogos como “Farmville” e “Colheita Feliz”, misturados a um sistema que força as pessoas a ficarem longe de qualquer aparelho eletrônico. 

Neste game, cada jogador precisa fazer com que plantas cresçam em diversas situações, mas não é necessário ter qualquer interação com elas.  Na verdade, o melhor mesmo é não ter interação nenhuma: quanto mais tempo o smartphone permanecer sem uso, mais as plantas vão crescer e você conseguirá acumular pontos em sua fazenda. Vale enfatizar que você pode programar o tempo de crescimento de cada semente mas, se usar o celular antes disso, as consequências serão desde a morte da planta até o toque de músicas constrangedoras em alto som.

Além de lhe manter longe do celular, com o tempo é possível mensurar o tempo real em que você esteve em determinada atividade. Além disso, com base no gamification, é provável que você sinta uma incontrolável vontade de plantar mais e mais árvores - ou seja, ficar mais e mais focado naquilo que precisa ser feito e longe do celular.

Ah! A versão básica é gratuita! Baixe logo e depois me conte o que achou ;)

 

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 25/09/2017 - 19:30Atualizado em 25/09/2017 - 20:03

Para além de todas as causas de adoecimento psíquico que podem levar à ideação suicida, a população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) precisa lidar com mais uma: a LGBTfobia. Já sendo o Brasil o país que mais mata LGBTs no mundo, em tempos em que a "cura gay" voltou a ser pauta e, ainda mais, durante o setembro amarelo, precisamos falar sobre os assombrosos números de suicídios entre LGBTs.

Um estudo realizado em 2012 pela Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, revelou que jovens gays são cinco vezes mais propensos a tentar o suicídio, comparativamente aos jovens heterossexuais. Além disso, 30% dos suicídios juvenis por ano são cometidos por jovens gays. A mesma pesquisa concluiu ainda que o convívio social é determinante: quando a família, a escola, o círculo social do indivíduo receberam de forma natural a homossexualidade, foram registrados menos casos de suicídio. Em outras palavras, não é a condição homoafetiva que leva ao suicídio, mas a maneira como é encarada pela sociedade e o convívio em ambientes opressores.

Dados de países associados à ONU foram analisados em 2015 por uma organização inglesa e aferiram que 3% dos homossexuais homens e 5% dos bissexuais homens tentaram cometer suicídio, contra 0,4% da população masculina heterossexual; e que, entre jovens de 16 a 24 anos, 1 a cada 16 homossexuais já tentou cometer suicídio, para apenas 1 a cada 100 héteros.

Nesta esteira, um estudo da Universidade Federal de Alagoas, realizado no ano de 2013 com 1.600 pessoas (59% do sexo masculino e 41% do sexo feminino, entre 12 e 60 anos, 72% homossexuais e 28% bissexuais), concluiu que 78% dos entrevistados já desejaram “sumir”, enquanto 49% disse já ter desejado não viver mais. Paralelo a isso, 15% dos entrevistados revelaram ter coragem de tirar a própria vida e 10% já tentaram cometer suicídio. 

A luta contra a LGBT fobia é, sim, uma questão de vida. O que você fez hoje para combatê-la? Aproveite e participe aqui da consulta pública para a criminalização da discriminação por orientação sexual e identidade de gênero.

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 24/09/2017 - 21:00Atualizado em 24/09/2017 - 21:09

O Setor de Atenção Integral ao Estudante - SATIE da Universidade Federal de Santa Maria lançou uma campanha interessantíssima sobre saúde mental na universidade. Veja alguns cartazes abaixo:

Entre aqui e conheça as outras imagens!

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 22/09/2017 - 11:00

Você sabia que dormir com luzes acesas – seja da televisão, do smartphone ou do corredor – pode provocar problemas de saúde como câncer de mama, distúrbios do sono, ganho de peso e até depressão? Foi o que indicou a Universidade do Estado de Ohio a partir de uma pesquisa envolvendo 16 hamsters que relacionou exposição à luz e depressão.

No experimento, todos os animais passavam 16 horas por dia sob luzes fortes e, durante as oito horas restantes do dia, metade ficava na escuridão total e a outra metade ficava sob luzes fracas, semelhante às emitidas por uma televisão ligada. Após 8 semanas, os hamsters que estavam em constante exposição à luz tiveram o desempenho significantemente prejudicado em uma série de testes de humor – por exemplo, eles beberam 20% menos açúcar que o resto do grupo e desistiam muito mais cedo em uma atividade de natação. Além disso, os pesquisadores notaram menos comunicação entre as células nervosas no cérebro, algo que também é observado em pessoas com depressão grave.

A explicação destas diferenças pode estar ligada à melatonina, que é produzida quando estamos no escuro. Mesmo com pouca quantidade de luz durante a noite, o corpo libera a quantidade errada de melatonina, importante hormônio que age como um regulador do nosso ciclo biológico e nos ajuda a adormecer, além de estar relacionado a liberação de outros hormônios, inclusive o hormônio da felicidade e do prazer. Apesar de a pesquisa ainda não ter sida realizada com humanos, que tal, caro leitor, deixar o celular de lado e desligar a TV antes de dormir?

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 21/09/2017 - 21:30Atualizado em 21/09/2017 - 22:38

Se você respondeu que precisa, me diga, por que? São os filhos? Já foi constatado em diversas pesquisas que um lar sem afeto ou com constantes brigas é pior para a criança do que o contato com pai e mãe (ou mãe e mãe, ou pai e pai)  em lares diferentes. A dependência é financeira? Estabeleça um plano para ter autonomia. Mas, e se a dependência for emocional? Se você está com uma pessoa que não lhe faz mais feliz, e que você também não faz feliz, e acredita que não consegue viver longe? Neste ponto, entramos numa outra questão: ninguém consegue viver bem com o outro se não estiver bem consigo; ninguém consegue amar o outro se não ama a si mesmo. Procure compreender porque você deu a chave da sua felicidade na mão de outra pessoa e pegá-la de novo para si; procure descobrir o que lhe faz bem e faça isso por você: abra, você mesmo, a porta do seu bem estar.

Agora, se você respondeu que está casado porque quer estar, que ótimo! Neste cenário, vamos fazer uma reflexão: imagine que seu casamento é uma conta poupança. O primeiro ponto desta analogia é que, para que você possa sacar algum dia, tem que depositar periodicamente - eu só consigo sacar aquilo que depositei. Em outras palavras, quais investimentos você tem feito na sua relação? Você, que cobra carinho, tem dado carinho? Você, que quer atenção, tem depositado sua atenção no seu companheiro ou companheira? O segundo ponto é que, perceba, não falamos em uma conta corrente, mas sim de conta poupança. Ou seja, você não deposita agora para sacar amanhã! Poupanças são investimentos a longo prazo, então não faça aqui para cobrar logo ali. Neste ponto, muitos pacientes me dizem que nem sabem o que fazer ou por onde começar "seus depósitos", então vamos lá:

1) Comunique com clareza o que sente: diga abertamente quando não está bem, mas também diga a importância que o outro tem para você;

2) Construa e cultive a intimidade: encontrar um amor não garante felicidade eterna, assim como ser contratado para a vaga dos seus sonhos não lhe assegura o emprego para sempre - é necessário batalhar diariamente por aquilo que se quer;

3) Pesquisas indicam que quem consegue ver felicidade no passado da relação, vive melhor junto do outro. Mesmo que agora esteja sendo difícil, vocês não estão juntos até hoje sem terem vivido momentos de felicidade, não é mesmo? Então, sente ao lado do seu esposo ou esposa, reconstrua com ele a linha do tempo de vocês relembrando tudo de bom que viveram. Se não for possível, faça você, individualmente, este exercício.

4) Por fim, vou compartilhar com vocês um exercício que recomendo aos meus pacientes de terapia de casal:  escreva uma "carta de gratidão" ao seu parceiro. Agradeça pelos bons momentos, pelos aprendizados, pelos prazeres e sucessos, pelas conquistas, pelos sonhos. Este exercício, que foi desenvolvido originalmente por Martin Seligman, geralmente tem efeito profundo tanto em quem escreveu, quanto em quem recebeu a carta e, consequentemente, na relação.

Com tudo isso, baseado em boas memórias, eu tenho certeza que você descobrirá porquê me respondeu que quer estar casado.

 

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 20/09/2017 - 12:00Atualizado em 20/09/2017 - 12:19

A "cura gay" tem sido o assunto dos últimos dias e, como algumas pessoas insistem em questionar as muitas décadas de pesquisas na área, decidi compartilhar com vocês um texto que conheci durante minha formação: a carta resposta de Freud para uma mãe que o escreveu com a intenção de que seu filho fosse “curado” pelo psicanalista. Segue:

“Cara Senhora,

Lendo a sua carta, deduzo que seu filho é homossexual. Chamou fortemente a minha atenção o fato de que a senhora não menciona este termo na descrição que me enviou acerca dele. Poderia lhe perguntar por qual razão? Não tenho dúvidas que a homossexualidade não representa uma vantagem, no entanto, também não existem motivos para se envergonhar dela, já que isso não supõe vício nem degradação alguma.

Não pode [a homossexualidade]  ser qualificada como uma doença, nós a consideramos como uma variante da função sexual, produto do desenvolvimento sexual. Muitos homens de grande respeito da antiguidade e atualidade foram homossexuais e, dentre eles, alguns dos personagens de maior destaque na história, como Platão, Miguel Ângelo, Leonardo da Vinci, etc. É uma grande injustiça e também uma crueldade perseguir a homossexualidade como se esta fosse um delito. Caso não acredite na minha palavra, sugiro-lhe a leitura dos livros de Havelock Ellis.

Ao me perguntar se eu posso lhe oferecer a minha ajuda, imagino que esta seja uma tentativa de indagar acerca da minha posição em relação à abolição da homossexualidade, visando substituí-la por uma heterossexualidade que segue a norma. A minha resposta é que, em termos gerais, nada parecido podemos prometer. Em certos casos conseguimos desenvolver rudimentos das tendências comportamentais de heterossexuais presentes em todo homossexual, embora na maioria dos casos não seja possível. A questão fundamenta-se principalmente, na qualidade e idade do sujeito, sem possibilidade de determinar o resultado do tratamento.

A análise pode fazer outra coisa pelo seu filho: se ele estiver experimentando descontentamento por causa de milhares de conflitos e inibição em relação à sua vida social, a análise poderá lhe proporcionar tranquilidade, paz psíquica e plena eficiência, independentemente de continuar sendo homossexual ou de mudar sua condição. Se vocês decidirem, podem me procurar - eu não espero que você venha - ele deve vir a Viena, pois não tenho a intenção de sair daqui. No entanto, não deixe de me responder. 

Atenciosamente,

Sigmund Freud, 19 de abril de 1935"

O manuscrito da carta está no museu da sexologia, em Londres, mas pode ser acessado aqui, em sua versão digital, de onde traduzi. Eu entendo que alguns discordem de mim e dos demais colegas, mas, como sabem, #Freudexplica.

 

 

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 18/09/2017 - 20:50Atualizado em 18/09/2017 - 20:52

1990: a homossexualidade deixa de ser considerada doença pela Organização Mundial da Saúde.

1999: o Conselho Federal de Psicologia publica uma resolução proibindo que psicólogos colaborem com eventos e serviços que propõe tratamento e cura das homossexualidades.

2017: o juiz Waldemar Cláudio de Carvalho (quem?) determina que o Conselho Federal de Psicologia não impeça os psicólogos de atuar com reorientação sexual.

Homossexuais existem desde sempre. Sócrates, o filósofo, e Alexandre, o Grande, tinham relacionamentos sexuais com pessoas do mesmo sexo em uma época que o conceito de homossexualidade ainda nem existia. Leonardo da Vinci, Oscar Wilde, William Shakespeare e tantos outros estão ai para provar a qualquer um que sua saúde era tão boa que não lhes impediu de realizarem grandes feitos e influenciarem a humanidade por séculos, até hoje. Mas, o juiz Waldemar Cláudio de Carvalho (quem?) acha que não.

A resolução do CFP foi traduzida em três outras línguas, já que a comunidade internacional compartilha de seu posicionamento e declara que ela assegura a atuação do profissional psicólogo de forma ética. Mas, o juiz Waldemar Cláudio de Carvalho (quem?) se opõe.

A Associação Norte-Americana de Psicologia (APA) reitera continuamente que não há qualquer evidência que apoie a afirmação de alguns de que a orientação sexual pode ser alterada por terapia. Mas, o juiz Waldemar Cláudio de Carvalho (quem?) discorda.

Dito isso, só tenho uma declaração a fazer: meu querido e minha querida, psicólogos sérios vão continuar tratando do sofrimento que essa sociedade doente lhe causa, mas nunca de sua homossexualidade, tá? Quem determina um formato para você se adequar é o juiz Waldemar Cláudio de Carvalho (quem?), o Bolsonaro, a igreja, não somos nós. Aqui no consultório, continuamos no Séc XXI, pode vir sem medo <3

 

ATUALIZAÇÃO:

Esta é a ata da audiência. Destaco o seguinte trecho:

“Sendo assim, defiro, em parte, a liminar requerida para, sem suspender os efeitos da Resolução nº 001/1990, determinar ao Conselho Federal de psicologia que não a interprete de modo a impedir os psicólogos de promoverem estudos ou atendimento profissional, de forma reservada, pertinente à (re) orientação sexual, garantindo-lhes, assim, a plena liberdade científica acerca da matéria, sem qualquer censura ou necessidade de licença prévia por parte do C.F.P., em razão do disposto no art. 5º. inciso IX, da Constituição de 1988”.

Como podem ver, a determinação do juiz proibe o Conselho Federal de Psicologia de impedir o atendimento de reorientação sexual. 

Primeiramente, conselhos profissionais existem para regular as ações de uma dada profissão a fim de mantê-la atrelada à ética e à ciência. Dado que são constituídos por profissionais da área, são os próprios saberes da profissão que constróem os limites profissionais e asseguram que a comunidade receba atendimento em consonância com os princípios éticos. 

Em segundo lugar, o prefixo "re" remete a "retomar a um estado anterior". Mas a heterossexualidade não é um estado anterior à homossexualidade, ou seja, ninguém deixa-de-ser-hetero-para-ser-gay, apenas se é.

Em terceiro lugar, não há, na psicologia, na medicina, ou em qualquer outra área, tratamento para aquilo que não é doentio. A palavra, que vem do latim, significa etimologicamente "lidar, manejar, administrar". Ou seja: nossos consultórios permanecem abertos tratando daquilo que realmente é doentio: seu preconceito. Como a ciência já provou, você não nasceu assim, então (acredite!) há manejo para "re"tomar seu estado anterior <3

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 18/09/2017 - 14:00Atualizado em 18/09/2017 - 14:57

Hoje inicia a Semana Nacional do Trânsito. Coincidentemente (ou não), sai de casa hoje ao som de Dezesseis, do Legião Urbana. Se você não lembra da música, dê play no vídeo abaixo e conheça a história de Johnny:

João Roberto, o Johnny, "era o maioral". Tinha dezesseis anos, um carro, popularidade e meninas: uma vida aparentemente perfeita. Mesmo assim, Johnny andava quieto, com um sorriso estranho, e quase ninguém percebia. Aqueles que perceberam, no entanto, nada fizeram. Até que tem um grave acidente de trânsito, ao qual não sobrevive. Mas "Johnny era fera demais pra vacilar assim".

Johnny é mais um caso que entraria na estatística como acidente de trânsito - é um acidente, mas não somente isso. O carro deu a Johnny, na música, e a muitas outras pessoas, na vida real, a possibilidade de fazer mal a si e/ou aos outros.

Que a poesia de Renato nos lembre de olhar com carinho e atenção para os nossos. Se a arte imita a vida, que a vida não imite a arte.

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 17/09/2017 - 11:00

Outro dia, fuçando o catálogo da Netflix, deparei-me com o Sete minutos depois da meia-noite, classificado como "filmes para famílias e crianças". Como estava buscando um filme para relaxar, comecei a assistir. No entanto, não foi só isso que encontrei.

Você há de convir que a vida é repleta de monstros: o da vergonha, da frustração, da solidão... Eles crescem ou somem, simplesmente, de acordo com o momento. Uma dessas criaturas, porém, permanece nos assombrando: o monstro da verdade. O medo de dizer o que pensamos e o que sentimos cresce conforme aprendemos a viver e a conviver em sociedade, tomando conta dos nossos sentimentos. E é este medo - e este monstro - que é tema central do filme. 

O protagonista, Conor (Lewis MacDougall), é uma criança que precisa enfrentar dois grandes problemas na sua vida: bullying na escola e familiares que não conseguem dar o afeto que ele deseja e precisa– um pai (Toby Kebbell) ausente, uma mãe (Felicity Jones) doente em fase terminal e uma avó (Sigourney Weaver) muito severa e nada carinhosa. Conor passa a ter sonhos com uma gigantesca e monstruosa árvore, que lhe impõe um trato: o garoto deve ouvir três contos narrados por ela e, em troca, narrar a sua história para a árvore. O andamento das conversas tem consequências ruins para a vida de Conor, todavia, são elas que permitem a ele lidar com os seus monstros.

Não vou dar spolier, é claro, mas sugiro que, se você não está procurando um filme só para relaxar e quer se deleitar com uma fabulosa reflexão sobre seus medos e dificuldades, aproveite o dia de hoje para assistir Sete minutos depois da meia-noite. Ao final do filme, enxugue as lágrimas e volte aqui para compartilhar comigo as suas reflexões. Estou te esperando ;)

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 16/09/2017 - 14:00

"Desculpe-me pelo que a minha ansiedade me levou a fazer.

Quero que você saiba que não fui eu, foi minha ansiedade. Não sou eu, é um desequilíbrio químico em meu cérebro.

Não é quem eu sou totalmente, é apenas uma parte de mim.

A ansiedade me faz falar rapidamente, ou apenas não falar. Ela me faz ficar acordado até tarde, perambulando até as 3 da manhã enquanto minha mente ainda corre uma maratona.

A ansiedade me faz ter olheiras tão escuras que nem o mais caro dos corretivos pode combatê-las. Ela faz meus olhos queimarem enquanto eu olho para o Sol da manhã e tento me livrar da exaustão.

Ela me deixa realmente cansado.

Me desculpe pelo que minha ansiedade me levou a fazer. Você precisa saber que esse não sou eu. Não é quem eu sou ou quem eu quero ser. É a ansiedade.

A ansiedade faz com que eu vá sem parar. Ela faz com que eu vá vá e vá até acabar meu gás. Ansiedade me faz recomeçar de novo, e de novo, e de novo.

Ela me faz falar coisas que eu não deveria dizer. Ela faz com que eu espalhe segredos que não deveriam ser compartilhados. Ela me faz falar sobre a personalidade das outras pessoas pelas costas, apenas para que eu me sinta um pouco mais vivo.

A ansiedade me transforma em alguém que eu não quero ser.

A ansiedade me faz perder alguns amigos. Ela me deixa paranóico sobre ninguém me amar de verdade. Ela me faz cancelar encontros porque tenho medo. Ela faz minhas mãos tremerem por motivo algum. Ela me faz achar que estou ficando louco.

A ansiedade me faz ficar em casa quando o tempo está lindo e ensolarado. Ela me faz não encontrar meus amigos ou parentes, mesmo que eu queria encontrá-los.

Ela me faz tomar uma pílula toda manhã para combater os demônios na minha cabeça.

A ansiedade me faz pensar as piores coisas sobre mim mesmo.

A ansiedade me diz que não sou bom o bastante, que não sou forte o bastante. Ela me diz que sempre estarei sozinho e que sempre será assim. Ela me diz que meus amigos não são meus amigos de verdade e que ninguém nunca irá me amar.

Me diz que nunca superarei meus antigos relacionamentos, não importa quanto tempo passe.

A ansiedade faz com que eu me torne uma versão mais triste de mim.

Ela faz com que eu gagueje e não possa beber muito café. Ela me deixa com medo do amor. Ela me faz cancelar meus planos.

A ansiedade faz com que eu me isole de todas as pessoas que amo.

Ela me deixa cansado, ela faz com que seja tão difícil respirar quando tudo que eu quero é respirar.

A ansiedade faz com que eu esconda minhas mãos das pessoas para que elas não possam ver minhas unhas pintadas.

Ela me faz odiar a todos e a tudo. Ela me faz pensar que não há sentido algum na luz do dia, que há muito mais escuridão no mundo do que eu possa imaginar.

Então, me desculpe pelo que minha ansiedade me levou a fazer. Eu lamento pelo que minha ansiedade me diz.

Me desculpe por cancelar com você. Me desculpe pelas mensagens que mandei bêbado. Me desculpa por morder meus dedos até sangrarem. Me desculpe por tentar respirar. Me desculpe por cuspir as palavras ao invés de deixar que meu cérebro acompanhe meus pensamentos.

Me desculpe por pensar demais, me desculpe por não conseguir mudar isso. Me desculpe pelo meu cérebro. Me desculpe, mas você tem que lidar com isso.

Espero que você entenda: a culpa é da ansiedade, não minha."

Texto originalmente publicado com o título "I’m Sorry For What My Anxiety Makes Me Do" em Thought Catalog

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