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Poliamor e relacionamentos abertos: o que eles têm a ensinar?

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 16/11/2017 - 16:00Atualizado em 16/11/2017 - 16:01

O sociólogo Zygmunt Bauman já anunciou: o amor moderno é líquido. Essa expressão, além de afirmar a fluidez das relações e, nas palavras do autor, "que nada é feito para durar", nos traz uma metáfora interessante, e é sobre ela que eu quero refletir com vocês hoje, ouvintes: a metáfora da água. Ora, não há uma forma exata de água, um único jeito correto de parecer água. Se colocamos água num copo, ela tem a forma de um copo; se colocamos num jarro, veremos água em forma de jarro. Mas parecer com jarro não é melhor ou pior que parecer com copo, é apenas mais uma forma de ver a água.

Dito isso, voltemos ao amor e aos relacionamentos: não há uma única forma de sentir amor. É verdade que nunca houve esta única forma, mas o fato é que estamos lidando, cada vez mais, com um processo de assumir a beleza dos diferentes tipos de amor. Mesmo a monogamia, tradicional em nossa cultura, tem se adaptado como água ao formato de recipiente em que está. Felizmente, tem extrapolado, por exemplo, os muros da heterossexualidade. Mas hoje quero conversar com vocês sobre dois formatos que tem aparecido mais nas rodas de conversa e nas notícias cotidianas: o poliamor e os chamados relacionamentos abertos.

Grosso modo, poliamor é a definição de um tipo de relacionamento simultâneo entre três ou mais pessoas e com o conhecimento de todos. Já nos relacionamentos abertos, os parceiros envolvidos concordam com uma forma de não-monogamia, ou seja, relações afetivas/sexuais com terceiros não são consideradas traição ou infidelidade. Parece estranho para você?

Sim, nós fomos educados para crescer, casar e ter filhos. Mas quem é que pode dizer que esta é a fórmula perfeita da felicidade? Trabalho com famílias e casais e sei que muitas são as possibilidades de não funcionamento deste modelo. A frequência da infidelidade é o maior exemplo de que a monogamia não está acima dos outros formatos de amar. E, só pra deixar claro, que ótimo se esta fórmula funciona para você! O que quero enfatizar é que tanto os relacionamentos abertos quanto o poliamor têm algo muito importante para ensinar aos adeptos das relações tradicionais: a importância do acordo para a felicidade familiar. A fidelidade é importante para você? Combine isso com o seu parceiro ou parceira. Acorde o que é fidelidade e quais os limites dela na relação. Infidelidade é ter relações sexuais com outra pessoa? É conversar pelo whatsapp com o colega de trabalho e esconder isso do parceiro? Enfim, o que é certo e o que é errado para este casal? Converse, esclareça e alcance um ponto comum, uma espécie de acordo final. Mas, se você quiser um amor livre, tudo bem também, desde que haja honestidade entre todas as pessoas envolvidas nesta relação. Aliás, é isto que diferencia o poliamor e o relacionamento aberto das costumeiras infidelidades conjugais: enquanto no primeiro há acordo das ações e o direito é de todos, o segundo implica em deslealdade, segredos e, com frequência, na aplicação unilateral da liberdade.

Para finalizar, já dizia a minha avó: o combinado não sai caro. Que nós consigamos então compreender que, como cantava Lulu, todas as formas de amor são justas, e aprender com o que cada uma delas tem a nos ensinar.

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