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Como lidamos com o choro da criança? Sobre o hábito de reprimir as emoções

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 07/12/2017 - 18:00Atualizado em 08/12/2017 - 10:05

Estes dias atendi uma família e, ao final da sessão, a criança começou a chorar, aparentemente porque não queria ir embora. Os pais tiveram uma reação bastante comum, que eu tenho certeza que você já viu: diante do choro da criança, eles falaram: "Para de chorar! Você fica tão feio chorando! Se não parar, em casa te dou um motivo de verdade pro choro!". Como nosso tempo havia acabado, eu tive que guardar este assunto para a próxima sessão, mas fiquei pensando qual seria a resposta se nós invertêssemos os personagens dessa história. O que eu quero dizer é: você já experimentou chorar na frente de uma criança?

Pela minha experiência, eu arrisco dizer que a criança vai olhar para você com um rostinho preocupado e tentar lhe acalentar de alguma maneira. Pode ser que ofereça um brinquedo, um abraço ou qualquer outra forma de carinho que ela conheça. Mas eu duvido que a criança vá reprimir ou julgar o seu choro.

Esse julgamento, ou seja, esse impulso que temos em instantaneamente qualificar o sofrimento do outro como válido ou não, é ensinado geração após geração. Do mesmo jeito que costuma acontecer com os hábitos e tradições familiares, nós não nos questionamos dos porquês e das consequências dessas palavras. Ora, fomos tantas vezes desrespeitados em nossa infância, desconsiderados em nosso sentir, que desaprendemos a acolher. Claro, nossos pais e mães não fizeram de propósito para que nós sofrêssemos, assim como aquela família de quem falei também não quis o mal da criança. O fato aqui é que este dedo em riste é aprendido. Em essência, nós somos compassivos, empáticos, cuidadosos. 

E não, eu não estou aqui dizendo que você tem que atender a todos os desejos de uma criança, mas menosprezar o seu sentir certamente não é a outra única opção. Se quiser aprender a fazer diferente, aproveite a criança mais próxima pra relembrar como agir quando alguém chora. Quebre esse ciclo! Oferte um abraço, um ombro amigo! Substitua o "cale a boca" por um "eu sinto muito!".  Aí, caso sua ferida seja tão grande que lhe impede de acolher, é sinal de que chegou a hora de cuidar dela ao invés de criar novas feridas nos outros. Afinal, os outros não merecem ouvir essas palavras. Seu filho não merece. Você também não mereceu. Na verdade, bem na verdade, ninguém merece.

4oito

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