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Aeroporto de Jaguaruna e a repetida novela dos voos suspensos

Regional Sul foi assombrado pelo mesmo risco neste início de semana, depois do impasse entre abril e junho
Denis Luciano
Por Denis Luciano Criciúma, SC, 03/09/2019 - 17:55Atualizado em 03/09/2019 - 17:59
Arquivo / 4oito
Arquivo / 4oito

A manchete de 21 de março causou susto, irritação e prejuízos: as operações do Aeroporto Regional Sul, em Jaguaruna, estavam paralisadas por falta de caminhão de bombeiros. "Se acontecer algo, não terão como socorrer, portanto a responsabilidade é dos bombeiros", justificava, na ocasião, o diretor comercial da RDL Aeroportos, André Constanzo. No dia seguinte, a Azul aterrisava mesmo sem a presença de bombeiros no aeródromo.

Já era lembrado que a existência de protocolos de segurança inviabilizava voos nas condições colocadas. No fim de março, poucos dias depois da primeira suspensão, se acusava a perda de dois terços dos passageiros que com frequência faziam uso do Regional Sul, nos voos diários da Latam e Azul. Entre idas e vindas nas semanas posteriores, os passageiros do Regional Sul foram surpreendidos por nova informação de suspensão, que veio à tona no fim da tarde desta segunda-feira, 2. Em seguida, o problema foi resolvido.

A crise de abril

Ainda no dia 11 de abril, um grupo de deputados que voltava de Brasília não conseguiu desembarcar em Jaguaruna. A Latam se mantinha sem operar no Regional Sul, por conta da falta da unidade de bombeiros habilitada. Na mesma data, a Latam emitia uma nota na qual reafirmava sua desconfiança com a falta de segurança para operar em Jaguaruna.

No início dessa nova etapa de crise, vinha à tona a informação de que o Estado preparava uma nova licitação da gestão do Regional Sul, por vencimento de contrato com a RDL. No dia 16 de abril a Latam comunicava seus passageiros que mantinha a suspensão das operações por Jaguaruna até 1º de maio. A crise se agravava. Em 18 de abril, em entrevista à Rádio Som Maior, o secretário de Estado da Infraestrutura, Carlos Hassler, comentou que “nós estamos sendo notificados por ter mais do que deveríamos. Não precisa ter o caminhão de incêndio, mesmo assim somos notificados”.

Governador fazia promessas

Em paralelo, o governador Carlos Moisés anunciava investimentos no Regional Sul. "Nossa decisão é fortalecer. Nós temos problemas com a unidade de combate a incêndio, vamos reformar o caminhão, vamos treinar o pessoal, aumentar o efetivo para que consiga desenvolver e não caminhar para trás, nós queremos caminhar para frente no sentido de fortalecer aquele aeroporto”, garantiu. O impasse envolvendo a operação dos bombeiros foi levado a uma reunião na Anac, por deputados da região, em 23 de abril. "Fomos até a Anac saber se existiam critérios e quais eram para ter o caminhão dos bombeiros que a Latam alega que tem que ter para fazer as pousagens e decolagens", disse a deputada Geovania de Sá.

Em 7 de maio o diretor comercial da RDL, André Constanzo, culpava o Estado pelo atraso da volta dos voos ao Regional Sul. No dia 15 de maio, consumidores reclamavam da venda de passagens enquanto a suspensão da Latam persistia, citando o caso como "digno de Procon". Dois dias depois, a expedição de um documento pela Anac era o passo que faltava para a volta dos voos. No dia 22 a Latam anunciava sua volta, com a resolução temporária do problema envolvendo os bombeiros e a respectiva autorização pela Anac.

Consolidada a volta das operações regulares da Latam, a notícia em 17 de junho era a intenção de reformar e ampliar o aeroporto. A perspectiva de uma nova gestão para o Regional Sul estava na pauta no fim de julho. 

Com o prazo vencendo para a tomada de providências pelo Estado para garantir a atuação permanente dos bombeiros titulares, evitando descontinuidade na segurança do Regional Sul, as lideranças da região precisaram correr, no fim da tarde desta segunda-feira, 2, para sustar a nova suspensão dos voos, que estava vindo à tona. Por enquanto, há um paliativo: a equipe de bombeiros serve à tarde, na chegada do voo da Latam, e não plenamente pela manhã, na operação da Azul, que não exige o mesmo amparo.