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Presidente do MDB critica encontro de prefeitos com Jorginho

Em carta aberta ele defende aliança com PSD/PP/UB e diz que o MDB foi "esnobado" pelo Governador

Por Adelor Lessa 28/04/2026 - 15:16 Atualizado há 1 hora

O presidente estadual do MDB, deputado federal Carlos Chiondini, reagiu com uma carta aberta ao encontro feito ontem por prefeitos, vice-prefeitos, deputados e a senadora do partido, em Florianópolis, para anunciar apoio ao governador Jorginho Mello (PL), candidato à reeleição.

É a primeira vez que a divergência interna sobre o assunto leva a um confronto, que, pela contundência da "carta" de Chiondini, deve produzir desdobramentos. 

Ontem, 56 dos 70 prefeitos do MDB no estado, mais 25 vice-prefeitos, três deputados estaduais (dos seis no total), um deputado federal (dos três no total) e a senadora Ivete da Silveira, mais dezenas de filiados do partido, lotaram o salão de atos do Majestic Hotel para o ato com o governador Jorginho Mello.

Hoje pela manhã, Chiodini conversou com os deputados para manifestar sua posição.

Ao meio dia, ele e os deputados Thiago Zilli, Mauro de Nadal e Volnei Weber não participaram do almoço de todas as terças feiras da bancada na Assembléia.

No início da tarde, Chiodini fez circular o documento, onde começa afirmando que "chegou a hora de falar com clareza, sem rodeios e sem medo", e arremata: "O momento que o MDB de Santa Catarina atravessa exige coragem, não silêncio".

Ele lembra que está filiado no partido desde 1999, e que o MDB sempre foi grande porque pensava grande, e destaca o desempenho do partido nas ultimas eleições: "Os números recentes mostram uma realidade que não pode ser ignorada. Em 2018, ficamos fora do segundo turno do Governo do Estado. Em 2022, novamente não chegamos ao segundo turno. O reflexo foi direto: redução das nossas bancadas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados, perda de espaço político e enfraquecimento da nossa capacidade de liderar Santa Catarina".

Chodini diz que o "caminho natural seria a reconstrução com protagonismo", o implicaria em vaga em uma chapa majoritária em 2026, ou candidatura própria.

Enfatiza, no entanto, que o MDB foi "esnobado e preterido" pelo governador Jorginho Mello no início do ano, e critica a postura de quem está demonstrando aceitar uma posição subalterna: 

"O MDB, em vez de se posicionar com firmeza, assiste à construção de um movimento conduzido por pessoas que, até ontem, não tinham qualquer compromisso com a nossa história. Um movimento que tenta empurrar o partido para uma aliança subordinada, baseada em interesses pontuais, como uma eventual suplência ao Senado, e não em um projeto real que respeite o tamanho de uma sigla que ajudou a construir Santa Catarina. Isso não é estratégia", pontua.

Ele defende a aliança com PSD, PP e União Brasil, em torno da candidatura de João Rodrigues, e deu recado aos lideres do encontro de ontem:

 "Aos líderes partidários que promoveram o episódio de ontem, deixo um alerta: se não enfrentarmos esta batalha hoje, em dois, quatro, seis anos, não teremos nada para disputar".

Abaixo, a "carta aberta", na integra, do presidente estadual do MDB:

"Caro amigo emedebista,

Chegou a hora de falar com clareza, sem rodeios e sem medo. O momento que o MDB de Santa Catarina atravessa exige coragem, não silêncio. 

Em 1999, filiei-me ao PMDB com apenas 17 anos. Não foi um movimento oportunista; foi uma escolha de vida. De lá para cá, enfrentamos batalhas duras, disputamos eleições difíceis, ajudamos a construir governos e fomos protagonistas em momentos decisivos do nosso Estado. O MDB sempre foi grande porque pensava grande. Mas os números recentes mostram uma realidade que não pode ser ignorada. Em 2018, ficamos fora do segundo turno do Governo do Estado. Em 2022, novamente não chegamos ao segundo turno. O reflexo foi direto: redução das nossas bancadas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados, perda de espaço político e enfraquecimento da nossa capacidade de liderar Santa Catarina. Diante disso, o caminho natural seria a reconstrução com protagonismo: retomar o nosso espaço, organizar o partido, fortalecer lideranças e preparar o MDB para voltar à majoritária, mas não como coadjuvante. Após ser esnobado e preterido pelo atual Governo no início deste ano, o MDB, em vez de se posicionar com firmeza, assiste à construção de um movimento conduzido por pessoas que, até ontem, não tinham qualquer compromisso com a nossa história. Um movimento que tenta empurrar o partido para uma aliança subordinada, baseada em interesses pontuais, como uma eventual suplência ao Senado, e não em um projeto real que respeite o tamanho de uma sigla que ajudou a construir Santa Catarina. Isso não é estratégia. Isso é apequenamento. É preciso dizer com todas as letras: o MDB não nasceu para ser figurante. Não nasceu para aceitar migalhas. Não nasceu para ser linha auxiliar de um governo que não nos respeita, não na minha gestão como presidente. Quero deixar claro: se estivesse pensando em um projeto pessoal, já teria ocupado espaços, cargos ou feito qualquer composição conveniente. Caminhos não faltaram. Porém, nunca foi esse o meu compromisso. Tenho uma trajetória de lealdade ao partido, não de conveniência pessoal. O que está acontecendo hoje é grave. Aos 60 anos, o MDB de Santa Catarina corre o risco de se transformar em um partido fragmentado, de decisões isoladas, onde interesses individuais se sobrepõem ao projeto coletivo. Um partido que deixa de liderar para apenas acompanhar. Precisamos reagir. O MDB tem tamanho, história, capilaridade e liderança para disputar a majoritária. Vamos respeitar os diretórios municipais que decidiram estar em um projeto de verdade, que votaram a favor de compor a chapa com PSD e União Progressista. Aos líderes partidários que promoveram o episódio de ontem, deixo um alerta: se não enfrentarmos esta batalha hoje, em dois, quatro, seis anos, não teremos nada para disputar. Ou o MDB volta a ser grande, ou aceitará, pouco a pouco, a irrelevância. Essa é a escolha que está diante de todos nós"

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