Até que enfim alguém do ambiente dos políticos e candidatos teve a coragem de desnudar um dos maiores absurdos dos tempos de hoje na da política nacional que é a "farra das emendas parlamentares", por onde são drenados milhões (ou bilhões) dos cofres públicos.
Na entrevista desta sexta-feira, ao vivo, exclusiva para a rádio Som Maior, o ex-governador Ronaldo Caiado definiu bem - "o Congresso Nacional virou um despachante de emendas".
A fragilidade política dos últimos Presidentes, e a falta de capacidade de gestão política, levou ao caminho que parecia mais facil. Entrega de parte do orçamento para garantir a governabilidade (e manutenção no poder).
Caiado disse: "Para conter as crises, e garantir votação de projetos, o Presidente foi abrindo mão das suas funções. Isso nao é presidencialismo, nao é parlamentarismo, não é semi-parlamentarismo. Isso não é nada. Isso é uma desordem".
Outro ponto fora da curva da entrevista foi descartar a possibilidade de reeleição: "Vou cumprir só um mandato, não serei candidaro a reeleição. Quem assume pensando em reeleição, não vai tomar certas decisões para não desagradar aqui ou ali, para não perder apoios, e aí não governa direito".
A entrevista de Caiado foi de bom conteúdo, conversa inteligente, de quem tem o que contar, e tem idéias e planos bem definidos do que fazer. É evidente que ele não diz o que todos pensam e concordam, ele é polêmico, tem posição ideológica, mas nas suas concepções, é claro em tudo que apresenta, justifica e fundamenta bem, com dados e números.
Ele falou do enfrentamento ao crime organizado, da taxa de juros ("e de uma maldade ímpar"), do Caso Master, da eleição, e falou bem do que viu (e gostou muito) quando esteve em Criciúma, em outubro de 2025, para fazer palestra na Acic, e visitou o Bairro da Juventude, a Satc e a Unesc.
Abaixo, a entrevista na íntegra :
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