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* as opiniões expressas neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do 4oito

BDRs e como dolarizar a sua carteira

Brazilian Depositary Receipts possibilitam que você invista pelo mundo sem sair da B3
Arthur Lessa
Por Arthur Lessa 01/07/2021 - 18:46Atualizado em 02/07/2021 - 09:40

Há exatos dois anos, em 28 de junho de 2019, US$ 1 custava R$ 3,82. Se viajarmos 12 meses para a frente, para 26 de junho de 2020, o dólar estava em R$ 5,48. Valorização de 43,5% frente ao Real. Ou desvalorização de 30% do Real frente ao dólar.

Essa alta da moeda americana em 2020, que teve seu pico de R$ 5,94 em 14 de maio daquele ano, chamou atenção de muitos investidores para a ideia de dolarização da carteira, que consiste em ter parte de seus investimentos em outra moeda (normalmente o dólar) para compensar as possíveis perdas causadas pela desvalorização do Real, no caso do brasileiros.

O problema é que, graças a vieses comportamentais humanos, tal ideia se mostra uma boa ideia na hora errada. Pensar em dolarizar a carteira quando o dólar está batendo na porta dos R$ 6 é muito pior que fazê-lo quando cada Washington verdinho valia menos de R$ 4. Mas nossa cabeça funciona assim. É o mesmo que achar uma grande ideia fazer seguro do carro assim que batemos num poste. Boa ideia, péssimo timing.

Mas por que eu trago esse assunto agora? Porque alguns acontecimentos recentes têm puxado o dólar para baixo dos R$ 5. O futuro é incerto, mas podemos dizer categoricamente que o momento agora é melhor que no último ano para este movimento. So move your butt!

Um “vale” chamado BDR

Brazilian Depositary Receipts, ou BDRs, são o que o nome diz: Recibos Brasileiros de Depósito. É como se fosse uma espécie de “vale um quentão” de festa junina, só que o quentão é uma ação da Tesla (TSLA34), da Disney (DISB34), do Google (GOGL34), Mercado Livre (MELI34) ou outra que tenha essa modalidade no Brasil. Há também empresas de outros países, como a britânica Unilever (ULEV34) e a japonesa Toyota (TMCO34).

Confira no fim do texto uma tabela com alguns dos principais BDRs da B3

Em poucas palavras, um BDR surge quando uma instituição financeira compra uma quantidade de ativos na bolsa de origem (NYSE ou Nasdaq, por exemplo) e lança recibos desses papéis na B3. Com esse recibo, a ação ou parte dela (explico logo mais) é sua propriedade, até que você a passe para frente, assim como funciona com as ações.

A primeira característica você já deve ter notado, que são os números no fim de cada ticker, que podem variar de 32 a 35. Esse número é relacionado ao fato de ser um BDR patrocinado ou não, de nível I, II ou III. Essa questão é mais complexa e não vou aprofundar nesse momento. Na prática, muda pouca coisa para o pequeno investidor.

Uma segunda questão importante de saber é que cada BDR não significa, obrigatoriamente, uma stock (ação em inglês) inteira. Muitos sofrem uma espécie de desdobramento, como é o caso do GOGL34, atrelado às ações do Google na Nasdaq. Cada BDR representa 0,00666... GOOGL (ticker da empresa na Nasdaq). Ou seja, para ter uma GOOGL inteira na carteira, você precisa adquirir 150 GOGL34.

Isso é necessário por conta das regras de cada bolsa. Enquanto no Brasil temos os lotes padrão (nossas jabuticabas) de 100 ações e o fracionário para comprar ações unitárias, nos EUA é possível comprar frações ação. Por conta disso, não é necessário fazer desdobramentos de ação para gerar liquidez. Essa flexibilidade faz com que os valores nominais das ações lá sejam como da Amazon (cerca de US$ 3.400) ou Google (cerca de US$ 2.450). Se não houvesse esse fracionamento, cada BDR estaria custado algo em torno de R$ 17 mil (hoje, na fração de 1/157, está um pouco acima de R$ 105).   

Um exemplo da necessidade de desdobramento no Brasil aconteceu recentemente com a Magazine Luiza, que dividiu cada ação em 32 desde agosto de 2019, em dois desdobramentos. Se não o fizesse, hoje cada ação MGLU3 estaria custando quase R$ 700, com cada lote movimentando R$ 70 mil.

Os BDRs já existem há muito tempo no Brasil e não são exclusividade tupiniquim. A versão americana se chama ADR e existem da Petrobrás, da WEG, da Vale, entre outras. O que mudou recentemente foram novas regras de 2020 que tornaram esse ativo acessível a todos os investidores, e as novas opções de BDRs que surgiram depois dessa nova regra.

Então, se o que te impedia de investir nas empresas americanas que nos rodeiam era estar no Brasil, seus problemas acabaram!

De quem vamos ser sócios? Musk, Gates, Zuckerberg,...

 

4oito

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