No dia 17 de julho, o deputado Rodrigo Minotto telefonou para consultar se eu gravaria o áudio sobre Manoel Dias, que seria apresentado na convenção estadual do PDT, quatro dias depois. Aceitei na hora. Mas, não imaginava que seria uma despedida.
Acabo de ser informado que o "Nelinho Dias", ou "Maneca Dias", faleceu, em Florianópolis, aos 88 anos (completados no dia 13 de agosto).
Ele teve um AVC em abril de 2025 e não se recuperou plenamente. Saiu da UTI, foi para casa, mas o seu quadro piorou nas últimas semanas.
Manoel Dias fez uma biografia respeitável.
O velório acontece nesta segunda-feira, a partir de 10h, na Assembleia Legislativa.
Nascido em Criciúma, em 1938, foi vereador em Içara em 1962 (aos 24 anos) e deputado estadual em 1967 (aos 29 anos). Teve os direitos politicos cassados pela ditadura e foi preso político.
Na redemocratização do país, quando teve os direitos políticos restabelecidos, tinha portas abertas e tapete vermelho estendido pelo MDB para retomar a carreira politica, mas preferiu se colocar ao lado de Leonel Brizola para construir um novo partido trabalhista, o PDT. E alí ficou até o fim.
Foi presidente estadual do partido, secretário nacional, presidente da Fundação Leonel Brizola e foi ministro do trabalho, indicado pelo partido.
Foi político de posições firmes, mas sempre respeitoso.
Era cunhado do ex-deputado Walmor de Luca, genro do ex-vereador e um dos fundadores de Içara, Jorge Elias de Luca, e marido de Dalva de Luca Dias, ex-secretária de estado.
O deputado estadual Rodrigo Minotto, presidente estadual do PDT, definiu Maneca como "eterno líder" e "pai político", e disse que ele teve contribuição decisiva na sua trajetória.
Abaixo, nota distribuída por Minotto:
"Recebo com profunda tristeza a notícia da partida do nosso eterno líder, Manoel Dias.
Hoje, não me despeço apenas de um dos maiores nomes da história do trabalhismo catarinense e brasileiro. Despeço-me do meu pai político, amigo, companheiro, conselheiro e mestre, de alguém que teve uma contribuição decisiva na minha vida e na minha trajetória.
Foi com Manoel que aprendi a fazer política com responsabilidade, ética e compromisso. Foi ao seu lado que conheci Brasília, a Câmara Federal e o Senado. Foi com ele que fiz minha primeira viagem internacional e vivi tantas outras experiências que ajudaram a formar não apenas o homem público que me tornei, mas também a pessoa que sou.
Manoel carregava consigo uma história que se confundia com a própria história do PDT. Uma vida inteira dedicada à democracia, aos trabalhadores e às causas em que acreditava. Enfrentou tempos difíceis, perseguições e injustiças, mas jamais permitiu que lhe tirassem a coragem, as convicções ou a capacidade de seguir em frente.
Para mim, porém, seu legado vai muito além da vida pública. Ficam as conversas, os conselhos, a confiança, a cumplicidade construída ao longo dos anos e as lembranças de tantos momentos compartilhados. Fica o amigo generoso, o companheiro firme, o mestre que me ensinou tanto e que sempre soube olhar para a própria caminhada com orgulho, sem deixar de pensar no caminho que ainda precisava ser percorrido.
Manoel foi daqueles que deixam marcas nas instituições, na política e, principalmente, nas pessoas. E talvez essa seja a forma mais bonita de alguém permanecer: seguir presente nas ideias que plantou, nos valores que transmitiu, nas pessoas que formou e nas causas que ajudou a manter vivas.
Que Deus conforte especialmente sua companheira Dalva, seus filhos Rodrigo e Marcelo, noras e netos, todos os familiares, amigos, companheiros do nosso PDT e cada pessoa que teve o privilégio de conviver com ele.
Sua história seguirá conosco. E a minha caminhada também levará, para sempre, muito do que aprendi com você.
Obrigado por tudo e descanse em paz, Manoel!"