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Fim do Ano Letivo: Aprovado ou Reprovado?

Grayce Guglielmi Balod
Por Grayce Guglielmi Balod 29/11/2018 - 16:58Atualizado em 29/11/2018 - 17:02
Com a proximidade do final do ano letivo pais e filhos se envolvem diretamente com a questão da aprovação e reprovação.
Nessa época alguns pais folgam em saber que seus filhos já estão aprovados. 
Estes alunos foram aprovados diariamente no decorrer do ano letivo, pois sabe-se que aprovação não é apenas a nota da média final. 
Aprovação, neste caso, é o reconhecimento da escola, da família e da sociedade na forma de elogios e incentivo pelo desempenho do aluno.
Mas muitos pais ainda anseiam pela nota que dirá se seu filho foi aprovado ou reprovado.
 
Entende-se que o aluno saudável do ponto de vista físico e psicológico é livre para decidir, a cada dia, como vai enfrentar os desafios escolares.
Livre para decidir de que forma vai se comportar diariamente na escola.
Sim, os alunos são diferentes. Não há dois alunos iguais e existem, também, diferentes tipos de inteligência.
E sim, via de regra, a escola está organizada para acolher e avaliar o aluno com mais facilidade na inteligência lógico-matemática.
Porém, muitos alunos com a referida facilidade não tem um comportamento necessário para o bom aproveitamento desta organização escolar.
Outros, carecem desta facilidade mas compensam esta carência com dedicação, disciplina, empenho, esforço, atenção nas aulas, execução das tarefas e muito estudo.
Há diferentes combinações entre perfil e comportamento de alunos. Por exemplo:
Alunos com dificuldade de aprendizagem e comportamento relapso ou rebelde e alunos com facilidade de aprendizagem e comportamento exemplar - em termos de aproveitamento escolar.
No final do ano letivo todos querem ser aprovados.
Para a grande maioria, a aprovação virá.
Mas virá de diferentes maneiras para os diferentes tipos de alunos.
Enquanto uns folgam em saber que já estão aprovados, outros esperam ansiosamente pela aprovação fazendo cálculos mentais mirabolantes, contando com décimos daqui e dali que lhes ajudarão a conseguir a nota suficiente para escaparem dos exames finais.
Há os que sabem antecipadamente que farão os exames e investem todos seus esforços para conseguirem, nessa etapa, a aprovação que não buscaram ou não conseguiram durante o ano todo.
Não importa como a aprovação virá, ela é sempre vista como uma premiação.
A reprovação, por sua vez, é recebida como punição.
Dificilmente ela é aceita pelo aluno como consequência de suas escolhas.
 
Buscamos a aprovação em quase tudo que fazemos. 
Ninguém gosta de ser reprovado. 
Fazemos escolhas e optamos por determinados comportamentos mas, quando somos reprovados pelos mesmos, passamos a questioná-los.
A reprovação externa nos leva a questionar nossa  auto-aprovação – que é um processo interno.
A reprovação escolar, quando acontece, não tem outro sentido a não ser o de levar todos os envolvidos no processo ensino-aprendizagem a refletirem sobre suas ações.
Os pais, a escola e a sociedade também são passíveis de aprovação ou reprovação.
Mas, em última análise, este processo pertence ao aluno e diz respeito a sua própria vida.
Nesse sentido, aprovação ou reprovação são sinalizadores da caminhada indicando o momento de comemorar ou refletir sobre estratégias de recomeço.
  
Ansiando pela aprovação dos filhos ou temendo sua reprovação os pais cobram excessivamente um bom rendimento escolar.
Mas muitos esquecem de facilitar a autonomia e a responsabilidade que levará seus filhos a caminharem sozinhos. 
A autonomia e a responsabilidade leva os filhos a arcar com as consequencias de suas escolhas.
Quando o aluno se responsabiliza por suas escolhas ele tem a autocobrança necessária e suficiente para administrar as variações das notas escolares buscando um equilíbrio no seu desempenho que o leva a aprovar-se, além de receber aprovação externa.
Este período de provas, recuperações e exames finais desperta esta autocobrança em quase todos os alunos. 
Não tenham pena, queridos pais.
Esta é a ideia.
Que cada vez mais nossos filhos sejam responsáveis por suas escolhas e pelas consequências das mesmas em suas vidas.
 
 
Artigo escrito para o Jornal A Tribuna 
Grayce Guglielmi Balod
Pedagoga e Psicóloga
Especialista em Orientação Profissional

 

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