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CORONAVÍRUS - Saiba mais aqui
* as opiniões expressas neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do 4oito

Mais sobre lesões na retina causadas pelo coronavírus

Henrique Packter
Por Henrique Packter 21/05/2020 - 12:18

Rubens Belfort de Mattos Júnior, professor de oftalmologia na USP, descobriu que o Coronavírus pode produzir lesõs indeléveis na retina. Acredita que isso tornará lesões retinianas marcador biológico da doença, um indicador de contaminação pelo novo coronavírus. "Não é só uma doença aguda, um resfriadinho que você tem e, depois de duas semanas, fica bom”.

ESTUDO PIONEIRO MUNDIAL

É o primeiro estudo a identificar alterações neurológicas no olho, associadas à Covid-19.

Pergunta: os danos ocasionados pelo coronavírus nos olhos podem comprometer a visão?

O estudo detectou lesões na retina de pacientes já curados do novo coronavírus. Essas lesões estavam na região do olho onde se formam as imagens. Podem ser irreversíveis e extremamente prejudiciais à visão.

PULMÃO, RIM, PELE, CIRCULAÇÃO, OLHO  

Pesquisas mundiais sobre a Covid-19 revelam que a doença afeta inúmeros órgãos e pode sim, deixar sequelas. Belfort vê as pessoas fazendo esse acompanhamento médico. Vai exigir gasto maior para a saúde pública”.

“ (...) os efeitos da Covid-19 vão além de infecção pulmonar e podem deixar sequelas depois da fase aguda da doença por tempo indeterminado. Covid-19 exige tratamentos simultâneo para diversos órgãos, sistemas e aparelhos do corpo para evitar a morte nos pacientes em estado grave”.

Belfort, tio do célebre lutador, diz “investigamos o olho porque estudos com o zika mostraram que poderia haver alterações desse tipo. Fiz o primeiro trabalho sobre zika no olho e pensei que o coronavírus poderia talvez causar algo semelhante”.

“São alterações na retina (camada interna do olho que transforma a luz em sinais elétricos e forma as imagens). Retina é parte do sistema nervoso central. Observamos lesões em todos os pacientes, mas não detectamos perda da acuidade visual, dos reflexos; nem vimos sinais de inflamação intraocular”.

“ (...) são alterações preocupantes porque podem indicar que o cérebro foi afetado pela Covid-19. O tipo de lesão que identificamos já foi associado em estudos com animais a complicações do sistema nervoso central. Há número crescente de casos com Covid-19 que desenvolvem encefalite, convulsões (sintomas neurológicos)”.

“ (...) casos de conjuntivite em pacientes com Covid-19: conjuntivite é sintoma comum em infecções por vírus, acometendo a camada externa do olho. Pesquisadores chineses observaram multiplicação do coronavírus dentro do olho do doente, alterações da retina no coronavírus, afetando o cérebro. Lesões na retina podem ser sinal da ação do vírus no cérebro”.

“O exame foi realizado (...) por tomografia de coerência ótica (OCT). Paciente sente brilho de luzinha e o médico observa a retina como se ela estivesse sob microscópio.”.

“Belfort publicou na revista Lancet de ciências médicas semanal inglesa, quase bicentenária e mundialmente respeitada, investigação com pacientes de SP, por pesquisadores do Instituto Paulista de Estudos e Pesquisas em Oftalmologia e do Instituto da Visão, da USP. Pesquisador líder, Belfort é presidente da Academia Nacional de Medicina e professor titular da USP.

São 12 casos, mas já estamos com 20 pacientes. Observação de alterações em 12 adultos de 25 a 69 anos, seis homens e seis mulheres, examinados de 11 a 33 dias após o aparecimento dos sintomas da Covid-19. Todos tinham febre, fraqueza e falta de ar, e 11 também perda do olfato. Nenhum quadro grave e dois foram internados em enfermaria. Eram casos menos graves para evitar que as alterações pudessem ser tidas como complicações da hospitalização”.

“Com que frequência na Covid-19 a retina pode sofrer alteração? Não se sabe, mas tomografia de coerência ótica (OCT), pode passar a ser exame importante para Covid-19 quando há suspeita de distúrbios neurológicos”. “Organizo na Academia Nacional de Medicina encontros virtuais com integrantes de academias médicas do mundo. Trocamos conhecimento em reuniões muito produtivas com integrantes da academia chinesa, mas estamos longe de compreender a complexidade da infecção pelo coronavírus”.

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