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Cinemas de rua de Santa Maria

Henrique Packter
Por Henrique Packter 13/11/2020 - 08:55Atualizado em 13/11/2020 - 08:57
Cine Independência com a velha sede de A Razão ao lado

Residi em Santa Maria até 1953, quando conclui o Curso Científico no Colégio Marista, e ingressei na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Paraná.  Havia dois cinemas de rua na cidade na década de 50, : Independência e Imperial, este o cinema da elite. Claro, tivemos antes outros cinemas, como Theatro Treze de Maio onde ocorreu a primeira sessão cinematográfica da cidade em 17.2.1898 graças a Germano Alves responsável por levar a magia do cinema a várias cidades gaúchas. A programação do Theatro, publicada no jornal O Combatente daquele dia, dava ênfase à estreia do Cinematógrafo Lumiére. 

Até início da década de 1910 apresentações de filmes na urbe eram em lugares improvisados, surgindo em 1908 espaço que mantinha programação contínua: o Cinematógrafo Seyfarth, esquina da rua dos Andradas com Rio Branco, antiga Cervejaria Seyfarth. Cinema Recreio Ideal (1911) segundo andar do Theatro Treze de Maio teve curta existência.

O Cine-Theatro Coliseu Santamariense (dezembro de 1911), construído em acomodações de madeira ofuscou o nosso Treze de Maio. As projeções vão ganhando espaço sobre as apresentações teatrais e musicais. Apenas em 1918, surge Cine Odeon, com capacidade para 350 pessoas, localizado onde fica a Caixa Econômica Federal no calçadão, durando apenas 1 ano. Nessa época e até início da década de 30  possuíamos cinema ao ar livre. 

Em 1935 foi inaugurado o Cine-Theatro Imperial que funcionou até 1979, 44 anos,  quando os herdeiros do proprietário do prédio, alugado à empresa Cupello, também proprietária do Cine Independência, retomam o prédio. Já em 1937, surge o novo Cinema Odeon, numa sala do Clube Caixeiral, de mesmo dono do Coliseu, ambos fechados em 1940.

O Cine-Theatro Independência abriu suas portas em 15.8.1922 nos fundos da Praça Saldanha Marinho e recebeu este nome em comemoração ao Centenário da Independência do Brasil, 48m de profundidade por 40m de frente. Exibia filmes mudos, o cinema sonoro é de 1926. Suas primeiras exibições de filmes mudos contavam com acompanhamento de música orquestral. Possuía duas entradas, uma pela praça (para a elite da cidade) e outra na lateral da rua do Comércio para os menos abastados. Em 1946, este cinema e o Imperial são adquiridos pelo Circuito Cinematográfico Gloria, que foi o responsável pela inauguração do Cine Glória, no local onde ficava o antigo Cine Coliseu, rua Roque Calaje, tornando-se detentor das três salas de cinema da cidade.

Cine Glória, na década de 90, chegou a ter 2.000 cadeiras, passando a 1.350 poltronas estofadas dobráveis, aumentando a área do palco para teatro. Feito maior da petizada nas sessões vespertinas era burlar a vigilância do lanterninha e assistir ao filme do mezanino e dê-lhe jogar pipocas no público do andar inferior. Já próximo de encerrar suas atividades, o Independência  apresentava peças e filmes adultos. Sua última sessão (27.9.1995, 73 anos de atividade), às 8:30h. Depois disso o prédio abrigou templo religioso, mesmo com a pressão da população para preservar esse patrimônio cultural.

Cine Independência (1922, ano de sua fundação)

O Cine-Theatro Independência abriu suas portas em 15.8.1922 nos fundos da Praça Saldanha Marinho e recebeu este nome em comemoração ao Centenário da Independência do Brasil, 48m de profundidade por 40m de frente. Exibia filmes mudos, o cinema sonoro é de 1926. Suas primeiras exibições de filmes mudos contavam com acompanhamento de música orquestral. Possuía duas entradas, uma pela praça (para a elite da cidade) e outra na lateral da rua do Comércio para os menos abastados. Em 1946, este cinema e o Imperial são adquiridos pelo Circuito Cinematográfico Gloria, que foi o responsável pela inauguração do Cine Glória, no local onde ficava o antigo Cine Coliseu, rua Roque Calaje, tornando-se detentor das três salas de cinema da cidade.

Cine Glória, na década de 90, chegou a ter 2.000 cadeiras, passando a 1.350 poltronas estofadas dobráveis, aumentando a área do palco para teatro. Feito maior da petizada nas sessões vespertinas era burlar a vigilância do lanterninha e assistir ao filme do mezanino e dê-lhe jogar pipocas no público do andar inferior. Já próximo de encerrar suas atividades, o Independência  apresentava peças e filmes adultos. Sua última sessão (27.9.1995, 73 anos de atividade), às 8:30h. Depois disso o prédio abrigou templo religioso, mesmo com a pressão da população para preservar esse patrimônio cultural.

Interior do Cine Independência na reinauguração em 1956

Desde 1959 Santa Maria ficara apenas com o ótimo Cine Glória, contando com mais de 2.000 lugares em suas duas salas. Pouca demora e a cidade fica órfã de cinema, com o encerramento das atividades do Glória em 1997 exibindo 2 filmes em sua última semana. A festa do vestibular de 1997 foi lá, utilizando algumas poucas cadeiras remanescentes, um misto de alegria e tristeza.  O que parecia ser o ponto forte do cinema, quantidade de lugares e tamanho, se tornou um empecilho. As salas não lotavam em consequência das locadoras de VHS e pela falta de segurança no entorno dos cinemas. Não é de hoje que a praça Saldanha Marinho à noite  não é segura. A  cidade amargou quase um ano sem cinema até a inauguração do Cine Big, no Shopping Monet, com míseros 400 lugares.

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