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O Criciúma esteve onze minutos na Série C (VÍDEO)

Troca de executivo no começo do ano, três técnicos, planejamento atrasado... Mazola Júnior avalia a temporada
Denis Luciano
Por Denis Luciano 25/11/2018 - 20:15Atualizado em 25/11/2018 - 20:19

Houve até instantes que o torcedor sonhou com o acesso. Como quando daqueles 3 a 2 sobre o Avaí no Heriberto Hülse que levaram o Criciúma à sua melhor colocação na Série B ontem encerrada, quando o Tigre chegou ao 12º lugar na 27ª rodada. "Mas eu nunca deixei esse discurso se criar, pois eu sabia das dificuldades. Era uma utopia muito grande sonhar com acesso esse ano", lembrou o técnico Mazola Júnior ontem, depois dos 2 a 0 sobre o Sampaio Corrêa que livraram o Tigre do risco de cair à Série C.

Mas o Criciúma chegou a estar rebaixado. Durante onze agoniantes minutos, entre as 17h20min e 17h31min, o Paysandu vencia o Atlético Goianiense por 1 a 0 enquanto o 0 a 0 persistia no placar do Heriberto Hülse. Essa combinação derrubava o Tigre.

Fotos: Guilherme Hahn / A Tribuna

Embora o som do estádio não tenha anunciado um gol sequer dos 5 a 2 que o Paysandu tomou no seu  descenso perante ao Atlético em Belém, os jogadores sabiam do que acontecia lá. Trabalhei no segundo tempo ao lado do Wallacer, do Marcinho Júnior e de outros reservas, esses dois em especial vinham a todo momento perguntar. "Saindo gol em Belém me avisa, tá", pediu Wallacer. Atendi, claro.

E aqueles 11 minutos de rebaixamento coincidiram com o pior momento do Criciúma diante do Sampaio. Um time titubeante, pouco objetivo e que chegou a ser pressionado. O clima era pesado, sufoco que só  foi sumir com os gols de Zé Carlos e Elvis. 

As melhores rodadas do Criciúma foram a 27ª e a 30ª, nas quais ficou em 12º / CBF / Reprodução

"Gostou do seu trabalho?"

Perguntei isso ao Mazola na coletiva, se ele gostou do que fez nas 33 rodadas em que comandou o Criciúma. "Se a gente for pensar nos números. Se contar a partir da oitava rodada, que foi quando começou de verdade o meu trabalho, tivemos 50% de aproveitamento", comentou.

Algumas vezes perguntamos se ele ficaria. Mazola nunca gostou dessas perguntas. Dessa vez, não escapou e disse que nesta segunda pode ter novidade. "Para provar que nunca houve nada em relação ao futuro, eu adiei a minha viagem, tenho um sério problema familiar em Campinas, eu ia embora amanhã (hoje) para dar uma atenção especial ao presidente, que merece. Sinceramente não achei justo esse discurso do final, foi o único senão do torcedor. O Jaime não merecia".

Mazola no Criciúma

33 jogos, 11 vitórias, 14 empates, 8 derrotas, aproveitamento de 47,4%

Prioridade, o executivo

Mazola comentou a importância de, antes de contratar técnico, o Criciúma acertar com um executivo de futebol. E encheu a bola de Nei Pandolfo. "Vou ter uma conversa com a direção, a comissão técnica. É muito importante, mais que o treinador, a situação do diretor executivo. Na segunda deve sair alguma coisa, ao menos um alinhamento da nossa permanência ou não". Ele destacou que teve uma sincronia muito boa com Pandolfo.

O treinador fez um contundente alerta sobre a realidade financeira do Criciúma. "Eu sou um estudioso da Série B e tenho acompanhado. Eu sabia, desde que cheguei, que não teríamos orçamento para investir e dar a volta, como o Goiás fez. O Criciúma estava com orçamento estourado e déficit mensal de R$ 500 mil. Então criamos alternativas". E foi além.  "Série B é extremamente deficitária. O Criciúma tem que repensar muito isso, pois nos últimos anos, e esse ano de novo, a Série B adiantou um mês, então aquele projeto orçamentário de um time no Estadual e outro na Série B caiu por terra". E completou. "O Criciúma precisa resolver um problema seríssimo, gasta mais que arrecada".

Jean Mangabeira, o camisa 15, tem moral com Mazola

Sobre as razões para a difícil campanha tricolor, elencou o planejamento. "O clube tem que entender que a Série B começa a ser disputada em novembro, não em abril, muito menos em junho. Ano passado o Criciúma fez 48 pontos. Esse ano, 47. São provas, dois anos seguidos, que o planejamento esportivo tem que mudar. Administrativo e financeiro, fantástico".

Lembrou, ainda, que na montagem a Série B tem que começar já. "Em novembro. Planejamento anual. Você não pode trocar de executivo no início do ano, não pode ter três treinadores no ano, e sem críticas, os caras são bons, olha o trabalho do Lisca no Ceará, o Argel renovou no Coritiba".

Os demais técnicos da temporada:

Lisca - 4 jogos, 1 vitória, 1 empate, 2 derrotas, aproveitamento de 33,3%

Grizzo - 7 jogos, 1 vitória, 4 empates, 2 derrotas, aproveitamento de 33,3%

Argel - 14 jogos, 5 vitórias, 2 empates, 7 derrotas, aproveitamento de 40,4%

Trabalho mais difícil da carreira

Os jogadores disseram no fim da partida com o Sampaio que não comemorariam. Mazola divergiu. "Eu discordo dos jogadores. Eu vou comemorar bastante. Foi o trabalho mais difícil da minha vida. Nem no Cuiabá, onde tivemos que ir a Brasília rebaixar o Brasiliense, foi mais difícil. Vou comemorar e bem e amanhã (hoje) vou agradecer à minha Santa lá no Caravaggio".

Zé Carlos elogiado por Mazola

E Mazola reforçou o seu sonho, trabalhar na Série A. "Se eu caio no Criciúma todo o meu projeto profissional iria para o saco. Eu estou no futebol pois eu sonho e busco uma oportunidade na Série A. Se eu tiver essa oportunidade e não aproveitar, eu vou encerrar a minha carreira, eu vou sair do futebol. Sou fissurado e quero e trabalho e estudo muito por isso. Dia 4 estou enfiado na Granja Comary, dez dias com Tite, Dunga, Mano Menezes e os caras da Série A. O meu sonho é ser treinador da Série A, enquanto eu não tiver essa oportunidade eu não vou sossegar", completou.

Ouça, no podcast abaixo, a última entrevista coletiva de Mazola Júnior na temporada, que a gente acompanhou no Futebol Som Maior deste sábado.

 

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