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Desembargadora não se arrepende, mas pede desculpas...

Arthur Lessa
Por Arthur Lessa 19/03/2018 - 14:34Atualizado em 19/03/2018 - 14:43

É mais ou menos isso que aconteceu mesmo. A situação é tão surreal que parece que não existe conversa dentro da Folha.

Enquanto às 13h43, no site do jornal, uma matéria manchetava “Desembargadora diz não se arrepender de declaração sobre Marielle”, nove minutos depois colunista Mônica Bergamo, em seu blog, postava que “Desembargadora que acusou Marielle diz na internet que se precipitou”.

Vamos na sequência...

Na primeira matéria citada, o terceiro parágrafo é o seguinte:

Depois de questionada, disse que não conhecia Marielle e que apenas havia replicado comentário que vira em páginas de amigos. "Em momento algum me referi ao meu cargo. Ali eu estava discutindo como uma cidadã comum que paga imposto e que lê o Facebook", disse ela a O Dia (jornal do Rio de Janeiro).

Vamos ler de novo, em negrito: "Ali eu estava discutindo como uma cidadã comum que paga imposto e que lê o Facebook".

Sabemos que o uso atual da maior rede social do mundo em países como Brasil e EUA não é aquela imaginada pelo garoto Mark Zuckerberg. É, sim, um disseminador de, entre outras coisas, notícias dolosamente falsas e endereçadas a desinformar e criar ódio.

Mas, senhora desembargadora! O argumento é que você é “uma cidadã que lê o Facebook”? Se esse é o nível de informação de alguém nos altos níveis do Judiciário, o que posso esperar da planície?

Nem Umberto Eco, grande pensador da comunicação, que afirmou que “as mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade”, podia esperar que a preguiça intelectual chegasse a tal ponto.

Como seres pensantes que somos temos a obrigação de pensar! De ter certeza do que estamos falando!

A internet é uma ferramenta de informação facilitada. Lembro quando ela começou a se popularizar, por volta de 1996, quando eu entrava na segunda metade do ensino fundamental. Era fascinante conversar com pessoas de outros lugares do mundo pelo IRC, ver fotos do mundo digitando as palavras certas, ter qualquer pergunta respondida em tempo real.

Aí hoje, que a internet está até nas geladeiras, é usada pra ver desafio da canela, adolescente berrando pra ganhar likes, haters hateando os famosos e, o pior de tudo, as redes sociais e suas fakes News deixando as pessoas atordoadas, mal informadas e, por que não, menos inteligentes...

Ah... E na segunda postagem, a colunista Monica Bergamo reproduz parte manifestação de mea culpa da desembargadora, que afirma que “no afã de defender as instituições policiais, ao meu ver injustamente atacadas, repassei de forma precipitada, noticias que circulavam nas redes sociais. A conduta mais ponderada seria a de esperar o término das investigações para então, ainda na condição de cidadã, opinar ou não sobre o tema”.  

4oito

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