Flávio Bolsonaro, mesmo morando nos Estados Unidos, deve liderar o bolsonarismo no Brasil. Mas, provavelmente perderá o protagonismo de toda a direita. O governador reeleito Tarcísio de Freitas deve a assumir a posição de comando da direita.
Se ficasse no país, com o cacife de praticamente 60 milhões de votos, e se dedicasse a liderar a direita, fazendo oposição ao Governo Lula e o enfrentamento ao STF, seria muito dificil tirar de Flávio o comando de toda a direita.
Distante, fica mais difícil.
Tarcísio de Freitas reconheceu o resultado, mesmo enfatizando as criticas do Governo e destacando equivocos, mas fez o discurso de "vida que segue, agora buscar um projeto de país".
Flávio, já nos Estados Unidos, se declarou presidente eleito e passou a trabalhar a tese do golpe.
É a primeira divisão na direita.
O próprio partido de Flavio, o PL, reconheceu o resultado da eleição e não respalda suspeita de fraude.
Além disso, com a distância, tem mais espaço para discussão de problemas da campanha, especialmente no segundo turno.
No primeiro turno, a campanha de Flávio foi muito ativa, viva, dinâmica, propositiva. A ponto de surpreender a atropelar a campanha de Lula, que parecia seguro que iria vencer.
No segundo turno foi o contrário. A campanha de Flávio ligou o "já ganhou" e a de Lula foi para as ruas e para as redes, e colocou no campo jovens e idosos.
Flavio se dedicou a atrair apoio de candidatos que ficaram no primero turno, passou a tratar de mapeamento de ministérios e quando se deu a campanha de Lula estava formando um tsunami.
No primeiro turno, a campanha de Flávio descontruiu Lula. No segundo, Flávio foi descontruído pela campanha de Lula.
Tanto que pela primeira na campanha, Lula teve maior aprovação do que rejeição e o medo de volta dos Bolsonao ao poder foi maior que a continuidade de Lula.
Para completar o quadro, dois personagens tiveram participação destacada nas campanhas no segundo turno, produzindo efeitos distintos.
Pablo Marçal, na de Flávio. Janones, na de Lula.
Marçal puxou Flávio para baixo, Janones ajudou muito a catapultar Lula.
A eleição deste ano já é a mais longa historia, porque não terminou quando acabou.
E a campanha vai para a história como a de mais fraco conteúdo, mas a mais disputada e acirrada.
Foi uma campanha com dois turnos, que foram praticamente duas campanhas plebiscitárias.
Contra Lula no primeiro turno, e contra os Bolsonaro no segundo.
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