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Entenda por que cresce o risco de greve dos caminhoneiros no Brasil

Alta do diesel e descumprimento do piso do frete pressionam a categoria em todo o país

Por Thiago Hockmüller Criciúma, SC, 19/03/2026 - 15:12 Atualizado há meio minuto
Risco de greve dos caminhoneiros cresce com alta do diesel | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Risco de greve dos caminhoneiros cresce com alta do diesel | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

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A tarde desta quinta-feira (19) será chave diante do risco de paralisação geral dos caminhoneiros. Lideranças da categoria em diversos estados promovem assembleias para discutir as medidas anunciadas pelo Governo Federal e para deliberar se as paralisações pontuais vão evoluir para algo semelhante ao que aconteceu em 2018.

O principal descontentamento dos caminhoneiros está relacionado ao piso mínimo do frete. No dia 13, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou no Diário Oficial da União (DOU) a atualização dos valores em decorrência da variação do preço do diesel, entretanto, na prática, o reajuste não tem sido respeitado.

“A principal pauta é que seja cumprido o piso mínimo de frete. Que haja um mecanismo pontual e imediato para que se cumpra”, explica Jair Marques, presidente do Sindicato dos Transportes Rodoviários Autônomos (Sindicam) de Três Cachoeiras, cidade localizada no Litoral Norte do Rio Grande do Sul.

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O Sindicam é um dos mais influentes do Sul do país, cobrindo uma área de 27 municípios, entre Mampituba e São José do Norte. A entidade também exerce influência no Sul de Santa Catarina. Marques alerta que a categoria também pressiona para que as empresas que não estão cumprindo o piso mínimo sejam penalizadas.

Assembleias podem definir greve dos caminhoneiros | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Que através desse mecanismo, as empresas percam o direito de prestar o serviço de transporte. Não adianta eles terem o direito de recurso, tanto é que a autuação está em R$ 419 milhões até a data de ontem, porém, elas continuam descumprindo”, explica.

Esses dois pontos são considerados fundamentais para que os caminhoneiros retrocedam e não paralisem de forma geral.

Diesel caro vira estopim para greve dos caminhoneiros

Para entender como o preço do diesel pode provocar desequilíbrio no custo do frete, é preciso saber como é a composição do piso mínimo, que é composto por custo variável e custo fixo.

O preço do diesel entra no custo variável e representa mais de 50% do custo operacional dos caminhoneiros. Já o fixo incide sobre o custo de manutenção do caminhão.

Outro ponto é que a tabela do piso mínimo de frete é reajustada com base na Lei n° 13.703/2018. O texto determina o reajuste sempre que ocorrer oscilação no valor do combustível superior a 5% para baixo ou para cima. Este mecanismo é conhecido como gatilho.

Tendo como base um levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que considerou o preço final do Diesel S10 nas bombas entre 8 e 14 de março de 2026, os reajustes médios da tabela de frete foram estipulados da seguinte forma:

  • Tabela A – transporte rodoviário de carga de lotação: 4,82%
  • Tabela B – veículo automotor de cargas: 5,57%
  • Tabela C – transporte rodoviário de carga de lotação de alto desempenho: 6,15%
  • Tabela D – veículo de cargas de alto desempenho: 7,00%

“Nesse conjunto de leis, ela estabelece que aquele que descumpre com reincidência (o piso mínimo), que esse tenha a suspensão do seu registro, que é aquilo que habilita a transportadora de operar no setor de transporte. No primeiro momento, suspensão por prazo indeterminado. E na reincidência, atingindo valores de notificações e autuações, a cassação do direito de prestar serviço nesse setor”, explica Marques.

Em resumo, a alta do diesel elevou esse custo operacional dos caminhoneiros, que alertam para um efeito cascata. “Na gôndola do supermercado, a sociedade vai sofrer com esse alto custo".

Risco de greve provocou filas em postos de Criciúma | Foto: Luana Mazzuchello

Paralisação pontual em SC

Em Itajaí e em Navegantes já existem pontos dee mobilização, principalmente por pautas ligadas ao transporte de contêineres e ao setor portuário.

Marques explica que esses mesmos pontos podem aderir à paralisação nacional, caso esta seja a decisão das assembleias.

“Já está definido que, havendo a necessidade de uma paralisação, eles estarão juntos. Aqui em Três Cachoeiras, também estamos apreensivos, mas esperançosos que a MP (Medida Provisória) venha e atenda às necessidades para não haver paralisação, mas, também, vamos iniciar se precisar”, afirma.

Entre os estados que recebem assembleias nesta quinta estão Rio Grande do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro.

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