Os ônibus do transporte coletivo de Criciúma podem ser retirados de circulação por decisão judicial caso o Consórcio CriBus não regularize o pagamento do financiamento dos veículos.
A empresa já acumula duas parcelas em atraso, e uma terceira está próxima do vencimento. A instituição financeira responsável informou que, em caso de novo atraso, poderá recorrer à Justiça para solicitar a busca e apreensão dos veículos.
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O advogado do consórcio, Anderson Nazário, classificou o cenário como delicado. “Se a terceira parcela não for paga dentro do prazo, existe a possibilidade concreta de os ônibus serem retirados de circulação por determinação judicial, o que afetaria imediatamente o atendimento à população”, afirmou.
Acordo evita paralisação do transporte
Um acordo entre a Prefeitura de Criciúma e o Consórcio CriBus afastou a possibilidade de greve no sistema. A negociação ocorreu na tarde desta sexta-feira (17), com participação do Conselho Municipal de Transporte Coletivo, do consórcio e do governo municipal. Ficou definido que o município fará, na segunda-feira (20), um repasse de R$ 525 mil referente ao subsídio de abril.
O valor será utilizado para o pagamento do vale-alimentação dos cerca de 500 trabalhadores do sistema. A medida é considerada provisória e visa garantir a continuidade do serviço até a conclusão da Revisão Tarifária Extraordinária conduzida pela Agência Intermunicipal de Regulação de Serviços Públicos (Agir).
“Enquanto o acordo oficial não é concluído, essa alternativa ajuda a manter o transporte funcionando”, disse Nazário. Segundo ele, o novo relatório da Agir deve ser finalizado entre 30 e 45 dias. Após esse prazo, uma nova reunião definirá medidas para o reequilíbrio do sistema.
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Relatório aponta déficit de R$ 15,6 milhões
Durante reunião extraordinária do conselho, a Agir apresentou um relatório técnico que estima déficit acumulado de R$ 15,6 milhões no sistema. O cálculo foi feito a partir de simulação baseada no Valor Presente Líquido (VPL), utilizando a metodologia de Fluxo de Caixa Descontado aplicada na Revisão Tarifária Periódica.
O documento ressalta, no entanto, que a simulação tem caráter ilustrativo e não representa, neste momento, reconhecimento formal de desequilíbrio econômico-financeiro.
De acordo com o consultor do consórcio, Ronaldo Gilberto de Oliveira, as empresas operam com prejuízo e não conseguem manter o serviço no formato atual sem aumento no subsídio mensal.
“Para o sistema funcionar normalmente, seriam necessários R$ 1,5 milhão em subsídios. Hoje, o consórcio recebe cerca de R$ 500 mil”, afirmou.
Em fevereiro, o prefeito de Criciúma, Vaguinho Espíndola, anunciou que a tarifa do transporte coletivo seria mantida em R$ 5,25, sem reposição inflacionária, com base em parecer técnico da Agir.
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