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Há 18 anos, o rádio perdia Clésio Búrigo

Marco Búrigo
Por Marco Búrigo 05/11/2017 - 15:23Atualizado em 06/11/2017 - 08:54

Dizer que somente parentes e amigos, há exatos 18 anos, em 5 de novembro de 1999, perderam Clésio Búrigo, chega a parecer egoísmo. O “Capela”, como era conhecido pelos mais próximos, por ter se casado na Capela do Colégio Madre Tereza Michel, não era apenas um cidadão criciumense, criado no bairro Operário Nova, filho de João Búrigo e Hilda Meller, irmão de Cláudio Roberto, Marcos, Claudete e Maria de Fátima.

Clésio era um verdadeiro vendedor de emoções. Através das ondas do rádio, como repórter e apresentador, se tornou em pouco tempo um dos melhores profissionais do país, mesmo que as vezes tivera que conciliar com a função de bancário, no extinto Banco Indústria e Comércio de Santa Catarina (INCO), e com os jogos de futebol pelo Atlético Operário, time do coração. Tudo isso entre o final da década de 50 e meados dos anos 60.

A escolha em definitivo pela “latinha” viria depois de um lesão séria, que o tirou dos gramados. A última lesão foi contra o Próspera. Clésio era driblador, ponteiro direito nato, o que causava certa revolta dos marcadores, o que não foi diferente com o zagueiro prosperano. Foram duas fraturas de “tíbia e perônio”, atualmente apenas “fíbula” na medicina moderna. A lesão que o afastaria da bola, prejudicou até o seu andar, que ficaria depois característico por aquela “mancadinha”.

Clésio Búrigo iniciou a trajetória no rádio no final do anos 50 (Foto: Arquivo)

À partir daí, o que era brincadeira dos tempos do Colégio Lapagesse, virou profissão de verdade. Foi então que Clésio iniciou a carreira como radialista. Trabalhou na extinta rádio Difusora de Criciúma, onde logo após o inicio da trajetória profissional já se tornava um crítico ferrenho dos times de futebol da região mineira. Aliás, um tempo depois um dos jargões ou bordões, na abertura dos programas, era: “Boa tarde plateia esportiva da região mineira”. Era emocionante ouvir aquelas palavras, e ainda mais naquele timbre de voz.

Certa vez, justamente pelas críticas que fazia ao Comerciário, “Capela” foi demitido da Difusora, e logo depois acertou com a rádio Eldorado, também de Criciúma. Ali iniciava uma parceria de sucesso, e o povo conheceria vários outros jargões como “o futebol que Santa Catarina conhece e confia”, ou então “boa tarde para quem é de boa tarde. Saravá para quem é de sarava”, esse último mais para os programas musicais. Depois vieram outros como “deu de quengo na bola”, “do fiozinho da atenta”, principalmente nas transmissões esportivas.

Entre mais de 30 anos de Eldorado, Clésio ainda se aventurou na rádio Bandeirantes de São Paulo, onde ficou por apenas alguns meses e voltou por sentir falta da família. Segurou também o microfone da rádio Cultura de Joinville, mas sempre com a “capital do carvão” como a cidade preferida.

Clésio não atuou apenas no rádio. Foi um grande cronista nos periódicos da região, como “A Tribuna Criciumense”, “Jornal da Manhã”, entre outros. A postura profissional era levado a sério, onde as grandes virtudes eram realmente a seriedade e a franqueza.

Quem não lembra os inesquecíveis programas da extinta TV Eldorado, como “Os Comentaristas” ou ainda os noticiários, em certa época, com Luiz Carlos Prates, que até hoje milita na TV. Clésio narrou a inesquecível final da Copa do Brasil, no Heriberto Hulse. Mesmo como torcedor do Atlético Operário, ou o “Rolo Compressor”, Búrigo se emocionava ao ver toda região vibrar com uma conquista tão singular.

Mas no rádio é que estava a grande paixão. Clésio foi repórter, narrador, apresentador, comentarista e plantão esportivo. Justamente como “plantão”, foi a sua última missão como radialista. Além de tudo isso, Clésio foi um dos melhores técnicos da “bola pesada”, naquele tempo futebol de salão, hoje futsal. Alcançou o único título que Criciúma tem na história do futsal, no comando da Cecrisa.

Mas naquele dia 5 de novembro de 1999, o rádio parece ter ficado órfão. Foi como se tivesse caído uma transmissão. O vazio que começava ali, até hoje nunca preenchido. Hoje, Césio Búrigo empresta o nome à Sala de Imprensa do Estádio Heriberto Hulse, além da cabine da rádio Eldorado de Criciúma. Búrigo nasceu em 5 de setembro de 1939, e faleceu no dia 5 de novembro de 1999, aos 60 anos de idade.

O rádio nunca esquecerá de Clésio Búrigo.

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