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* as opiniões expressas neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do 4oito
Por Henrique Packter 15/04/2024 - 09:34 Atualizado há 7 horas

Às vezes, do nada, dona Donatila produzia frases inacreditavelmente sábias, como:

— Às vezes o corpo precisa adoecer para que a alma se cure.

Outras vezes eram pequenos diálogos:

— O que estás fazendo?

— Estou rezando...

— Rezando para quem?

— Para quem estiver ouvindo!

Outras vezes eram pequenas historietas:

Quando uma porta se fecha outra se abre. Sei como é: eu já tive um Chevette que era assim...


DONATILA TEIXEIRA BORBA nasceu em Torres/RS, 15.12.1898. Casada com Virgílio Amandio Borba, foi mãe de 10 filhos, entre eles Jurê João, casado com Alba Coelho Borba, Carlos Augusto casado com Elza Maria Meller Borba, Marlene casada com Mauro Meller, Shirley Borba Nakagaki casada com Pedro Nakagaki.

Professora desde os 16 anos de idade em Torres, depois Passo do Sertão, município de  São João do Sul. Foi bibliotecária pública em Araranguá.  A partir de 1º08.1944, em Criciúma, aposentou-se nessas funções  em 03.03.1955.

Poetisa, publicou em 1943 “Áureas Sertanejas”, em 1971 “Luz e Sonho” e em 1978 aos 80 anos “Coração”. Escreveu na Tribuna Criciumense e no jornal Independente. Também no Correio do Povo de POA. Autora de hinos de clubes de serviço e entidades assistenciais de SC. Cultivou o Teatro.

Cidadã Honorária de Criciúma em 23.10.1976, medalha de ouro do MOBRAL (Movimento Brasileiro de Alfabetização).  Faleceu em 20.03.1986. Nossa biblioteca Pública Municipal leva seu nome.

Virgílio faleceu em 26.06.1970 em Criciúma. Foi escrivão e coletor de rendas em Criciúma.

Por Henrique Packter 08/04/2024 - 10:22 Atualizado em 08/04/2024 - 10:24

Ruy Hülse completou 98 anos, lúcido e forte em 07 de fevereiro de 2024 na cidade de Criciúma. Os mais jovens vão se perguntar:

- Sim, e quem foi Ruy Hülse?

Ruy Hülse, filho do ex-governador Heriberto Hülse e de Lucy Corrêa Hülse, está recolhido à sua residência em Criciúma porém lúcido, mas com movimentação limitada pela idade, já avançada. É viúvo de Maria de Lourdes Candiota Hülse Evita atividades externas e é um exemplo de homem público. Atualmente é presidente de honra do Sindicato da Indústria de Extração de Carvão do Estado de Santa Catarina (SIECESC). Natural de Criciúma, Ruy Hülse formou-se em Engenharia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, em 1950.  Foi eleito três vezes deputado estadual pela UDN e chegou à presidência do Legislativo catarinense. Em 1965, elegeu-se Prefeito de Criciúma pela UDN, para o período de 1966 a 1970. Em 1968, criou a Fundação Educacional de Criciúma (FUCRI), atual Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC). Conseguiu, junto ao Governo Federal, implantar a BR-101 a partir de Criciúma, entre outras realizações.

Sendo Presidente da Assembleia, assumiu o cargo de Governador do Estado catarinense por 11 dias em 1960, durante o Governo de Heriberto Hülse, seu pai, que se licenciou para tratamento de saúde. Ruy foi deputado estadual em SC por 3 legislaturas pela UDN entre 1954 e 1964. Pela mesma UDN foi prefeito de Criciúma entre 1966 e 1970. Desempenhou suas atividades profissionais em empresas carboníferas de nossa região e foi assessor da diretoria da CECR ISA, Cerâmica Criciúma SA, secretário municipal em Criciúma, secretário estadual adjunto do governo de SC. Ocupou por longos anos a presidência do Sindicato da Extração do Carvão de Criciúma (Sindicato dos Mineradores).

UMA JORNADA MÉDICA DE GRANDE SUCESSO

Durante seu governo como prefeito a partir de 1966, teve oportunidade de patrocinar em grande parte, jornada médica de caráter estadual, a primeira em Criciúma e uma das primeiras não realizada em Florianópolis. Na qualidade de presidente da Regional Médica da Zona Carbonífera coube a mim presidir a Jornada Médica, instalada no Colégio Madre Tereza Michel. A Jornada da Associação Médica de Santa Catarina trouxe grandes nomes da Medicina nacional como Silvano Raia de São Paulo, Renato Faillace (hematologista dos Laboratórios Faillace), Renato Paglioli (neurologista em Porto Alegre e filho de Eliseu Paglioli, ex-ministro da Saúde e professor de Neurologia na URGS), Estela Budiansky (pediatra em Port o Alegre). O estado de SC por inteiro fez-se representar por seus nomes médicos mais expressivos.

ONDE SÉRGIO JOCKYMAN ENTRA NA HISTÓRIA

A Jornada Médica trouxe a Criciúma um espetáculo teatral de sucesso em Porto Alegre: A Mal Criação do Mundo, de Sérgio Jockyman, jornalista e noticiarista de TV. Parido a fórceps, Sergio Jockymann nasceu quase cego do olho esquerdo. Mas isso não impediu que lesse muito com o direito. Absorvia todos os livros que encontrava na biblioteca de Cruz Alta, 336 quilômetros da capital, Porto Alegre. Nascera em Palmeira das Missões, mas foi morar em Cruz Alta depois que o pai ganhou uma farmácia numa partida de pôquer. Seria a Farmácia de Érico Veríssimo?

Jockyman comentava de tudo na TV: de esportes a noticiário internacional. Lembro de uma de suas histórias a respeito de futebol. Um amigo seu, supersticioso o que dá, nervoso e irritado pelas duas últimas Copas, nas quais o Brasil fora eliminado (1950 e 1954), liga o rádio (TV ainda não estava disponível), e antes do jogo iniciar enche a banheira com água tépida e acaba por dentro dela adormecer. Quando desperta ouve que o Brasil ganhara da Áustria por 3x0. No jogo seguinte escuta a partida Brasil contra a Inglaterra na sala de refeições e a partida não sai do 0x0. Pergunta-se: o que fizera de errado? Lembra então da banheira e no jogo seguinte, mergulhado em água perfumada e quente, ganha da temível seleçã o russa por 2x0. Não sai mais da banheira até o apoteótico 5x2 contra a Suécia.

Na Copa seguinte, de 1962, no Chile, o banheiro recebera certos melhoramentos: havia um pequeno refrigerador com bebidas e um mini- fogareiro para aquecer alimentos. Rádios, agora eram dois, um deles exclusivamente para ouvir música. A Copa foi uma lavada, sem Pelé, mas com o goleador Amarildo em grande forma e um Garrincha esplendorosa.

Nosso amigo preparava-se para a Copa da Inglaterra, introduzindo melhoramentos em sua estrutura de ouvir jogos. Recebe, então, alguns amigos que vêm mostrar-lhe preocupação. Um homem culto como ele era, diretor de empresa multinacional de respeito, dera agora para conduzir-se como um moleque? Sua maneira de proceder quando dos jogos do Brasil, fazia com que todos falassem a respeito e mostrassem o absurdo de um engenheiro (como ele era), criando coisinhas supersticiosas durante jogos da Copa. Até onde iria isso?

Depois de muita conversa, declarou-se disposto a encerrar essas bobagens. Voltaria ao convívio da turma por ocasião dos jogos. Ficassem tranquilos.  E, a Copa de 1966 deu no que deu. Ouviu-se dizer que em 1970 no México ele voltaria com tudo. A banheira foi importada dos EUA!

Por Henrique Packter 01/04/2024 - 08:53 Atualizado em 01/04/2024 - 14:25

No outro dia contei neste espaço quem foi ARMY FAÍSCA. Hoje, passo a falar do Army meu cliente em oftalmologia. Em 12.03.1971, aos 47 anos atendi-o. Tinha pressão arterial e ocular normais (13x8 e PIO 14/15) e aquilo conhecemos como vista cansada, mal que afeta grande parte da humanidade que passou dos 40 anos de idade. Prescrevi lentes de óculos apenas para perto, para leitura.

Retornou em 18.04.1975 aos 52 anos para trocar as lentes que já não eram satisfatórias. Continuava com visão para longe muito normal. A pressão ocular era de 14 em ambos os olhos. Dei-lhe grau em ambos os olhos para perto: +2.25.

Em 27.12. 1977, aos 54 anos, já necessitava de óculos para longe e para perto. Os anos vão afetando a saúde e em 12.09.1990, aos 67 anos, usa Ankoron, Isordil, Procor e AAS. Evidências que o coração já não era o mesmo. A PIO se elevara para 20mm em ambos os olhos e tinha dois pontos lacrimais obstruídos, dilatados em 05.11.1990.

PIORA A VISÃO DE ARMY

A visão de Army que vinha tão bem, piora para longe, também. Surge um astigmatismo no olho direito e agora ele necessita de lentes de grau para longe e perto. Em 23.05.1995 utiliza Ankoron, Apresolina, Sustrat, Slow-K, AAS. Apresenta depósitos na córnea, complicação dos remédios que usa. Retorna em 20.06.1995 e em 18.07.1995.  Em 19.06.1995 opero Army de catarata com implante de lente intraocular. Isto, fazem 28 anos atrás. Teve vários retornos nos quais reduzíamos o astigmatismo observado no olho operado, seccionando pontos da cirurgia, então usual, até que em 10.01.1996 obtém visão normal em ambos os olhos com lentes para hipermetropia de +1.50 esférico e de -1 grau de astigmatismo em ambos os olhos. Isto, naturalmente para visão ao longe. Para perto, soma-se + 2.50 grau esférico para utilizar as chamadas lentes multifocais. Ainda v iria uma última vez em consulta, a 11.05.1996.

O COMPORTAMENTO DE ARMY

Era homem rigorosamente sério: nunca o vi rir fosse do que fosse. Permitia-se, às vezes, um sorriso e era só. Mas, desde que, sem quaisquer segundas intenções passou a fazer minha declaração de imposto de renda, nossa amizade se consolidou. Foi como já contei: recém-chegado a Criciúma fui, no final do primeiro ano de trabalho, saber como era essa tal de declaração. Nem titubeou: apanhou minha papelada e assumiu o posto de meu contabilista. Bom e velho Army! 

ARMY, AUTORIDADE MAIOR NA COLETORIA FEDERAL DE CRICIÚMA

Army foi coletor federal de 1959 (ano de minha formatura em Medicina na FMUFPR em Curitiba) a 1970, ano em que se aposenta e ano em que eu fazia estágio de 1 ano no Hospital do IPASE, RJ. Army veio a falecer em Florianópolis a 23 de julho de 1996. Nesta ocasião Eduardo Pinho Moreira estava deixando a Prefeitura de Criciúma e eu trabalhava em oftalmologia na cidade de Criciúma e em Florianópolis; aqui, no Hospital de Caridade. Vale.

Por Henrique Packter 18/03/2024 - 12:36 Atualizado em 18/03/2024 - 12:41

JORNAL LUTA DEMOCRÁTICA DO RJ - JORNAL DE MAIOR PÚBLICO LEITOR

Fundador: TENÓRIO CAVALCANTI

Ano XVIII * 7 de dezembro de 1971* Nº 5.513

Médico catarinense aprovado em 1º lugar em concurso no Hospital dos Servidores do Estado

“O Dr. Henrique Packter, médico oftalmologista, radicado em Criciúma (SC), vem de ser aprovado em primeiro lugar no concurso para provimento de cargo de oftalmologista do Hospital dos Servidores do Estado (IPASE) da Guanabara. O Dr. Henrique Packter, conhecido oftalmologista catarinense é o atual presidente do Departamento de Oftalmologia da Associação Catarinense de Medicina.

Dedica-se à especialidade no Hospital São José de Criciúma e vem de realizar estágio de um ano no RJ no Serviço de Oftalmologia do HSA, Serviço do Dr. Orlando Rebello, além de Curso na Sociedade Brasileira de Oftalmologia e Curso de Pós-Graduação em otoneuroftalmologia na Pontifícia Universidade Católica do RJ.

No HSE (IPASE) da Guanabara, o Dr. Henrique Packter foi assistente entre outros conhecidos oftalmologistas, do Dr. Aderbal de Albuquerque Alves, que é reconhecida autoridade em questões ligadas à refração ocular.  

CORREIO DO SUDESTE de 15.10.1981 e TRIBUNA CRICIUMENSE de 17.10.1981.

“Um grupo de médicos oftalmologistas e outras pessoas interessadas estão se mobilizando no sentido de criar o banco de olhos de Criciúma”. (...) “Em nossa cidade os transplantes são realizados há mais de 10 anos. A exemplo de outros locais, a imprensa falada, escrita e televisada de Criciúma tem emprestado grande apoio e incentivo a essa iniciativa”. 

Florianópolis somente teria uma Central de Transplantes de Órgãos no final de 1999, mas, o primeiro transplante de córnea em SC data de 14.05.1972 e foi realizado pelo SUS, em Criciúma, por uma equipe constituída pelos doutores Henrique Packter (cirurgião oftalmólogo), Boris Pakter e David Groisman Raskin (oftalmologistas), Sérgio Luiz Bortoluzzi (anestesista), Maria Formentim Fernandes, circulante.

Em 1998, os TC tinham listas de espera regionalizadas, Criciúma tinha a sua. Isso significa que córneas captadas na região eram implantadas na região. Graças a ALMIR FERNANDES DE SOUZA e ELIANA ANDRADE um Banco de Olhos virtual coletava córneas, principalmente no IML. O trabalho do Banco de Olhos era executado por esses dois abnegados voluntários. Com o tempo, outros voluntários se incorporaram, temporariamente, a nós. 

O Hospital Regional de São José Dr. Homero de Miranda Gomes, ativado a 02.03.1987, iniciou atividades oftalmológicas sob direção dos Drs. Otávio Nesi e Eulina T.S. Rodrigues Cunha, em 01.10.1987.  Em 1993 e 1997, SC adquiriu aparelhos de laser e microscópio cirúrgico.

Em 15.9.2007, viajando a Florianópolis a trabalho, sofri grave acidente automobilístico tendo de interromper meu trabalho e em especial cirurgias de TC e de Descolamento de retina, as mais trabalhosas. Na minha lista de candidatos a transplante de córnea constavam, então, 34 clientes à cirurgia. Em 8.1.2008 solicitei à Central de Transplantes que não mais remetessem córneas para TC tendo em vista minha situação quanto à saúde. Em 7.8.2009 e 12.8.2009 minha secretária alertou a todos os inscritos do que ocorria. Já em Fev/2010 a Central de Transplantes comunica a todos, por carta que devem migrar para outra equipe transplantadora, nos seguintes termos:

“Informamos que esta equipe (do HSJ) está indisponível para a realização de TC, sem previsão de retorno às suas atividades e que o senhor poderá solicitar transferência de sua equipe em outro serviço de transplante sem prejuízo de tempo em lista, para isso deverá marcar consulta médica com oftalmologista credenciado a uma equipe do estado”.

DO SISTEMA NACIONAL DE TRANSPLANTE

O SNT, concebido a partir do disposto no artigo 199, # 4º da Constituição da República, encontra-se estruturado na Lei nº 9.434/97 (Lei dos Transplantes) a qual foi regulamentada pelo Decreto nº 2.268/97 e, particularmente pela Portaria MS 3.407 de 05/08/98.   (...)

Esta portaria ainda não surtira efeitos em SC, nem a CENTRAL DE TRANSPLANTES estava em operação em 7.2.1998.

“... o motivo para a não realização do procedimento foi a indisponibilidade do profissional transplantador no HSJ que se deu a partir de janeiro de 2008” (bilhete de 8.1.08). “Importante ainda asseverar que os pacientes do HSJ, sob a responsabilidade do Dr. HP, estavam inscritos para procedimentos eletivos (não urgentes)...” 

O decreto 4.02.1997– Lei 9.434 regulamentada pelo Decreto 2.268 de 30.6.1997 cria o SNT e as Centrais Estaduais de Transplantes com listas de espera regionalizadas, lista única, sendo as normas estabelecidas em Portaria nº 91 de 23.01.2001. A Lei do Transplante (9434, Fev/97), iniciativa do Legislativo, sem participação do Ministério da Saúde e associações médicas, adota consentimento presumido para doação de órgãos: se em vida não tivesse o falecido expressamente declarado que não era doador, sua córnea poderia ser removido.

Nunca adotamos este procedimento. O BOC apenas removia córneas com a concordância dos familiares. 

Desta forma, SC que vira seu primeiro transplante de córnea ser executado com sucesso em 14 de maio de 1972, veria em 07.2.1998 quando essas regulamentações ainda não se achavam implantadas no país a Portaria do Ministério da Saúde nº 263, 31.3.1999 e Portaria nº 905 de 16.8.2000 criar a Comissão Intra-Hospitalar de Transplantes de órgão.

SC TRANSPLANTES

Criada por Decreto Estadual (21.9.1999), credenciada pelo Ministério da Saúde (27.10.1999), foi inaugurado em 16.12.1999,  27 anos depois do transplante pioneiro. Muitos transplantes de córnea foram realizados em SC neste período, antes que houvesse qualquer tipo de legislação contemplando essas cirurgias!

Por Henrique Packter 11/03/2024 - 09:42 Atualizado em 11/03/2024 - 09:43

Você sabe como conceituar menores de acordo com a idade que possuem?

Pois, é bom e muito útil saber. O recém-nascido é aquela pessoinha que tem até um mês de idade; bebê é a designação para o segundo mês de vida até 18 meses; criança vai dos 18 meses a 12 anos. Já entre 12 e 18anos estamos lidando com um adolescente (aborrecente). Portanto, quando você ouve falar em ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE, já está sabendo do que estamos falando.

HISTÓRIA DE RECÉM-NASCIDO

Em meu consultório de médico oftalmologista, quando eu atendia dentro do Hospital São José, tive oportunidade de atender a um recém-nascido que vinha nos braços de uma jovem mãe. Ela se mostrava muito abalada, olhos vermelhos, mãos retorcendo um lenço de pequenas dimensões, amarrotado e com sinais de que fora muito manuseado naquele dia.

Diante do seu desespero as pessoas que aguardavam consulta abriram passagem e logo, logo eu carregava o pequenino.

-Que foi, mãe?

- Meu menino foi examinado por outro oculista em minha cidade e ele me garantiu que o menino é cego do olho direito, sem chance de tratamento.

Após submetê-lo a exame perfunctório, disse-lhe:

- Pois eu quero dar-lhe meus parabéns, mãe. Seu menino, durante a gravidez, adquiriu uma infecção intraocular, provavelmente por contato da mãe grávida com cão, mais provavelmente com gato. A doença chama-se Toxoplasmose e atingiu ambos os olhos do molequinho. Agora, num dos olhos a doença é bem periférica e acho que posso garantir, neste olho, excelente visão por toda a vida.   

Sempre conservei diante de meus olhos aquele protótipo de médico sem senso de ocasião. Basicamente dissemos a mesma coisa, mas há meios de se informar má notícia, sem ferir susceptibilidades.      

HISTÓRIA DE BEBÊ

O Hospital São José tinha nos altos de sua segunda coluna, a primeira classe. Nela a privacidade era o atributo maior. Bem na frente o ocupante do apartamento tinha visão privilegiada da cidade. Era o apartamento do bispo, onde, certa vez eu internei Dom Anselmo Pietrula para tratamento. Verdadeira romaria invadiu o hospital até que se baixasse orientação a respeito. Já da segunda vez, quando operei Dom Anselmo de catarata, ele ocupou outro apartamento no mesmo terceiro andar. Esse setor hospitalar era dirigido pela Irmã Doroteia que tivera um dos olhos extirpado e substituído por uma prótese. Pois, em certa ocasião, internou num dos apartamentos da 1ª classe, para tratamento de problema ocular uma jovem mãe que se fazia acompanhar por um belo, saudável e incansável beb&ec irc; no seu afã de mover pernas e braços, sem parar.

Não se sabe como, mas Irmã Doroteia viu sua preciosa prótese ocular cair no pequeno berço e logo sumir ao ser apanhado pelo bebê e no instante seguinte desaparecer das vistas dos circunstantes. Graças a outro pequeno que a tudo observava soube-se: o bebê engolira a prótese!  Numa das consultas anuais de Irmã Doroteia comigo, perguntei-lhe:

- Irmã, e a prótese?

- Pois tive de aguardar bom tempo até que ele se decidisse a devolver tal prótese.

Boa, alegre e sempre risonha Irmã Doroteia.

HISTÓRIA DE CRIANÇA

Esta história vem a reboque de outra também ocorrida na primeira classe da Irmã Doroteia. David L. Boianovsky, pediatra e nutrólogo internou na primeira classe do Hospital São José o filho mais velho de 3 filhos. Estava com difteria e o isolamento hospitalar estava à cunha. Perto das 11 horas ele passou no meu consultório informando que o filho do Luiz Carlos Nobre, da Justiça do Trabalho ou Junta de Conciliação, estava internado e com qual diagnóstico. Pediu-me que desse uma espiadinha no garoto, que estaria bem, antes de sair para o meu almoço. Foi o que fiz. No corredor da segunda classe da Clínica Médica próximo ao Isolamento subi pelo elevador até a primeira classe. Um pandemônio me aguardava. Torpedo de oxigênio aberto a plena capacidade, chiava alto. Cânula de latão cromado, gazes, atadura, o padre capelão entoando sua liturgia da morte. O cântico da morte. A criança, cianótica, parecia dar seus últimos estertores. A mãe chorosa e o pai a caminho, compunham o quadro clássico de desenlace fatal naquele ambiente. Sem muito tempo para pensar e com a lepidez de meus 40 anos, arrebatei a criança, apaguei as velas distribuídas entre a plateia horrorizada. Corri para o pequeno Posto de Enfermagem onde me tranquei com a Irmã Doroteia, o enfermeiro Joel e a mãe da criança.

No estojo metálico do material já esterilizado apanhei um bisturi quase sem uso, pinça, gaze e realizei a traqueostomia mais dramática que já vivenciei.

O menino sobreviveu, graças a Deus, mas, alguns meses depois, brincando na janela do apartamento de terceiro-andar no qual residia, veio a cair sobre os ferros de construção do prédio ao lado, vindo a falecer. 

HISTÓRIA DE ADOLESCENTE

(Continua na próxima semana)

Por Henrique Packter 05/03/2024 - 17:19 Atualizado em 05/03/2024 - 17:23

Tenho escrito sobre o Dr. David Luiz Boianovsky, pediatra e nutrólogo que clinicou em Criciúma entre 1958 e 1969. Casado com Rosa Nuch Boianovsky, o casal teve 4 filhos: Mauro, André, Celso e Daniela. André e Celso são oftalmologistas em Brasília. David morreu em acidente aéreo quando embarcava em SP no aeroporto de Congonhas, rumo ao RJ. O voo teve duração de 20 segundos e vitimou cem pessoas.

DAVID LUIZ BOIANOVSKY

Considero David Luiz – e sobretudo – ao programa SATC, por ele criado para minimizar os números absurdos alcançados pela mortalidade infantil em nossa região, como no país, uma das maiores, senão a maior figura humana em nosso meio. Foram 10 anos de trabalho e planejamento. Resolvido esse problema intolerável, David Luiz Boianovsky mulher e filhos, deixam Criciúma e se instalam em Brasília onde, entre outras atividades, ele cria o PAT, programa destinado a alimentar o funcionário das empresas de maneira higiênica, acessível e diária. O Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) é programa governamental de adesão voluntária, instituído em 14.04.1976. Ainda em execução é o mais longevo programa do governo federal em todos os tempos. O objetivo principal do programa é a melhoria das condições nutricionais dos trabalhadores visando promover a saúde e prevenção das doenças profissionais, por meio da concessão de incentivos fiscais. Sua gestão é compartilhada entre o Ministério do Trabalho e Emprego, a Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda e o Ministério da Saúde. Grande sucesso até hoje, nutre mais de 20 milhões de funcionários de empresas instaladas em nosso país.

SEXTA-FEIRA, 21 DE FEVEREIRO DE 2024

Nota de pesar - Morre Mauro Boianovsky

Instituto de Economia da Unicamp expressa profundo pesar pelo falecimento do Professor Mauro Boianovsky da Universidade de Brasília (UNB). Reproduzimos a seguir a mensagem escrita, a pedido da ABPHE, pelo colega Mauricio Coutinho. "Faleceu hoje (21.02.24) nosso colega Mauro Boianovsky, professor de Economia da UNB. Formado pela UNB, mestre pela PUCRJ e doutor em economia por Cambridge (1996), deixa vastíssima produção em história do pensamento econômico, com livros e artigos publicados nas principais editoras e revistas internacionais. Mauro escreveu sobre expoentes do pensamento econômico internacional: Wicksell, Domar, Joan Robinson, Tinbergen, Samuelson e produziu vários estudos sobre pensamento econômico latino-americano, incluindo Sunkel e Celso Furtado.

Mauro teve ainda atuação nas principais associações da disciplina, como a History of Economics Society (HES), a European Society for the History of Economic Thought (ESHET), a Associação Latinoamericana de História do Pensamento Econômico (ALAHPE). No período 2016-17 foi presidente da HES.

Sua presença em conferências era habitual e sempre esperada. No Brasil, participou de inúmeros encontros da ANPEC.

Neste momento de luto, expressamos nossa mais sincera solidariedade à família, amigos, colegas e a todos aqueles tocados pela vida e obra de Mauro Boianovsky.

Mauro, professor de Economia da Universidade de Brasília (UnB), morreu na manhã de quarta-feira, 21.02.2024, aos 64 anos, por câncer. Referência no campo de História do Pensamento Econômico, é considerado um dos pesquisadores mais influentes do mundo, conforme lista elaborada pela Universidade de Stanford e pelo repositório de dados Elsevier em 2023.

Formado em Economia pela UnB, em 1979, Mauro fez mestrado na PUC do RJ e doutorado em Cambridge, Inglaterra. Era professor titular na Universidade de Brasília, onde lecionava Teoria do Desenvolvimento Econômico na graduação, e História do Pensamento Econômico na pós-graduação. Com a morte de Mauro, o Brasil perde duas referências da área da economia no mesmo dia. Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central, também morreu nesta quarta-feira.

Durante o doutorado, Mauro elaborou tese sobre o pensamento do economista Knut Wicksell e aprendeu sueco para ler os textos originais. “Eu até brincava com o Mauro, comparando-o com Indiana Jones. O que ele fazia era ‘arqueologia econômica’: buscar os textos originais para colocar nuances que eram pouco conhecidas de economistas famosos”, diz José Luís Oreiro, professor de Economia da UnB e colega de Mauro. 

Professor na UnB e presidente da History of Economics Society (HES), um dos mais respeitados fóruns de discussão econômica do mundo, em 2015 foi o primeiro latino-americano a comandar o órgão. 

DO VICE-PRESIDENTE DO BANCO DE DESENVOLVIMENTO DA AMÉRICA LATINA (CAF)

Jorge Arbache, também lamentou o falecimento de Boianovsky. Em postagem no LinkedIn, o economista destacou que o professor era considerado “um dos mais brilhantes autores de todos os tempos” pelos seus pares na linha de pesquisa de História do Pensamento Econômico.

“A obra de Mauro recebeu os mais importantes prêmios nacionais e internacionais, era considerado pela academia de escola do pensamento econômico como um dos mais brilhantes autores de todos os tempos, ocupou os mais importantes cargos internacionais na área, e talvez possa ser considerado o economista brasileiro que mais prestígio e influência teve na sua respectiva área em nível internacional”. 

Publicado há poucas semanas atrás, o último artigo do professor, que era judeu, recebeu como título “Recollections of My Time at the History of Economics Society” (Lembranças do meu tempo na History of Economics Society), é um balanço da produção acadêmica, de sua atuação no órgão e uma espécie de despedida. Mauro Boianovsky foi eleito presidente da History of Economics Society (HES).

RECONHECIMENTO

Em 2007, artigo do professor sobre a teoria econômica de Don Patinkin foi premiado pela HES. A entidade reúne pesquisadores americanos, canadenses e de dezenas de outros países, com foco nas discussões sobre a história do pensamento econômico.

O artigo premiado se transformou em um dos capítulos do livro "Transforming modern macroeconomics: exploring disequilibrium microfoundations (1956-2003)", escrito em parceria com o britânico Roger Backhouse, da Universidade de Birminghan.

Publicada em 2013, a obra foi escolhida como a melhor do ano pela European Society for the History of Economic Thought (ESHET), associação europeia congênere da HES. Anunciado em 2014, o prêmio foi entregue em maio na reunião anual da ESHET, Roma.

MAURO, CRICIÚMA, 1969

Tinha 9 anos de idade e fez sua primeira consulta oftalmológica comigo. Queixava-se de cefaleia aos esforços visuais. O exame foi normal. Retornou em 27.10.1986 usando lentes de grau, fizera EEG. Tratava-se por enxaqueca. Tratara-se com vacinas por rinite alérgica. Tinha otalgias frequentes. Sensação de peso nos ouvidos. Problema de ATM. Tontura por tranquilizante. Ardume nos olhos. Receitei óculos: OD – 0.50dcil a 100º e OE – 0.75 dcil 105º, com visão normal. Tinha vermelhidão conjuntival. Prescrevi um colírio Fluovaso.

MAURO 1964

Crupe ou difteria era doença que grassava na cidade atingindo indistintamente todas as classes sociais. David Boianovsky, o pai me procura certa noite em minha casa. Tratava ele de várias crianças internadas no Hospital São João Batista, vítimas da moléstia e preocupava-se porque temia trazer consigo para casa o germe insidioso e assim, contaminar a família. Achava que Mauro estava contaminado. Levamos o menino para o Hospital São José onde eu tinha consultório. Abrimos a porta dos fundos de meu consultório e a porta de enfermaria de 4 leitos da Clínica Masculina estabelecendo comunicação entre os dois ambientes. O menino recebeu soro anti-diftérico e David e eu ficamos toda a noite cuidando de Mauro que lo go melhorou, sem qualquer sequela.

Por Henrique Packter 26/02/2024 - 08:37 Atualizado em 26/02/2024 - 14:13

Tenho escrito sobre o Dr. David Luiz Boianovsky, pediatra e nutrólogo que clinicou em Criciúma entre 1958 e 1968. Casado com Rosa Nuch Boianovsky, o casal teve 4 filhos: Mauro, André, Celso e Daniela. André e Celso são oftalmologistas em Brasília. David morreu em acidente aéreo quando embarcava em São Paulo no aeroporto de Congonhas, rumo ao RJ. O voo teve duração de 20 segundos e vitimou cem pessoas.

Considero David Luiz   – e sobretudo – ao programa SATC, por ele criado para minimizar os números absurdos alcançados pela mortalidade infantil   em nossa região, um dos maiores índices, como no país uma das maiores, senão a maior figura humana em nosso meio. Foram 10 anos de trabalho e planejamento. Resolvido esse problema intolerável, David Luiz Boianovsky mulher e filhos, deixam Criciúma e se instalam em Brasília onde, entre outras atividades, ele cria o PAT, programa destinado a alimentar o funcionário das empresas de maneira higiênica, acessível e diária. 

O Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) é programa governamental de adesão voluntária, instituído em 14.04.1976. Ainda em execução é o mais longevo programa do governo federal em todos os tempos. O objetivo principal do programa é a melhoria das condições nutricionais dos trabalhadores visando promover a saúde e prevenção das doenças profissionais, por meio da concessão de incentivos fiscais. Sua gestão é compartilhada entre o Ministério do Trabalho e Emprego, a Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda e o Ministério da Saúde. Grande sucesso até hoje, nutre mais de 20 milhões de funcionários de empresas instaladas em nosso país.

A FAMÍLIA BOIANOVSKY EM CRICIÚMA E BRASÍLIA
 
O pediatra e nutrólogo David Luiz Boianovsky clinicou em Criciúma entre 1958 e 1968. Como já foi dito, David era casado com Rosa Nuch Boianovsky; o casal teve 4 filhos: Mauro, André, Celso e Daniela. André e Celso são oftalmologistas em Brasília.
David morreu em acidente aéreo quando embarcava em SP no aeroporto de Congonhas, rumo ao RJ. O voo teve duração de 20 segundos e vitimou cem pessoas.

Considero David Luiz Boianovsky uma das mais importantes figuras da história de Criciúma, graças – sobretudo – ao programa SATCE, por ele criado para minimizar o número absurdo de crianças mortas, um dos maiores índices de mortalidade infantil em nosso país. Resolvido esse problema intolerável, David Luiz Boianovsky mulher e filhos, deixam Criciúma e se instalam em Brasília onde, entre outras atividades, ele cria o PAT, programa destinado a alimentar o funcionário das empresas de maneira higiênica, acessível e diária. O programa é grande sucesso até hoje, nutrindo mais de 20 milhões de funcionários de empresas instaladas em nosso país.

SEXTA-FEIRA, 21 DE FEVEREIRO DE 2024

Nota de pesar - Morre Mauro Boianovsky

O Instituto de Economia da Unicamp expressa profundo pesar pelo falecimento do Professor Mauro Boianovsky da Universidade de Brasília (UNB). Reproduzimos a seguir a mensagem escrita, a pedido da ABPHE, pelo colega Mauricio Coutinho. "Faleceu hoje (21.02.24) nosso colega Mauro Boianovsky, professor de Economia da UNB. Formado pela UNB, mestre pela PUCRJ e doutor em economia por Cambridge (1996), deixa vastíssima produção em história do pensamento econômico, com livros e artigos publicados nas principais editoras e revistas internacionais. Mauro escreveu sobre inúmeros expoentes do pensamento econômico internacional: Wicksell, Domar, Joan Robinson, Tinbergen, Samuelson e produziu vários estudos sobre pensamento econômico latino-americano, incluindo Sunkel e Celso Furtado.

Mauro teve ainda atuação nas principais associações da disciplina, como a History of Economics Society (HES), a European Society for the History of Economic Thought (ESHET), a Associação Latinoamericana de História do Pensamento Econômico (ALAHPE). No período 2016-17 foi presidente da HES.

Sua presença em conferências era habitual e sempre esperada. No Brasil, participou de inúmeros Encontros da ANPEC e se esforçou pela difusão das contribuições de vários colegas brasileiros.

Neste momento de luto, expressamos nossa mais sincera solidariedade à família, amigos, colegas e a todos aqueles tocados pela vida e obra de Mauro Boianovsky.

O professor de Economia da Universidade de Brasília (UnB) Mauro Boianovsky morreu na manhã desta quarta-feira (21.02.2024), aos 64 anos, em decorrência de câncer. Referência no campo de História do Pensamento Econômico, foi considerado um dos pesquisadores mais influentes do mundo, conforme lista elaborada pela Universidade de Stanford e pelo repositório de dados Elsevier em 2023.

Formado em Economia pela UnB, em 1979, Mauro fez mestrado na PUC do RJ e doutorado em Cambridge, na Inglaterra. Era professor titular na Universidade de Brasília, onde lecionava Teoria do Desenvolvimento Econômico na graduação, e História do Pensamento Econômico na pós-graduação. Com a morte de Mauro, o Brasil perde duas referências da área da economia no mesmo dia. Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central, também morreu nesta quarta-feira.

Durante o doutorado, o professor   elaborou tese sobre o pensamento do economista Knut Wicksell e aprendeu sueco para ler os textos originais. “Eu até brincava com o Mauro, comparando-o com Indiana Jones. O que ele fazia era ‘arqueologia econômica’: buscar os textos originais para colocar nuances que eram pouco conhecidas de economistas famosos”, diz José Luís Oreiro, professor de Economia da UnB e colega de Mauro. 

Mauro foi professor na UnB e, também, presidente da History of Economics Society (HES), um dos mais respeitados fóruns de discussão econômica do mundo, em 2015, sendo o primeiro latino-americano a comandar o órgão. 

“Foi grande perda para a Universidade de Brasília e para a linha de pesquisa. Primeiro, porque foi pessoa com notável conhecimento na área, uma das grandes referências do mundo. Sua publicação científica foi muito importante para o programa de pós-graduação em Economia na Universidade de Brasília e era especialista num assunto que poucas pessoas têm domínio”, lamenta Oreiro. 

DO VICE-PRESIDENTE DO BANCO DE DESENVOLVIMENTO DA AMÉRICA LATINA (CAF)

Jorge Arbache, também lamentou o falecimento de Boianovsky. Em postagem no LinkedIn, o economista destacou que o professor era considerado “um dos mais brilhantes autores de todos os tempos” pelos seus pares na linha de pesquisa de História do Pensamento Econômico.

“A obra de Mauro foi imensa e intensa, e muito influente. Mauro recebeu os mais importantes prêmios nacionais e internacionais, era considerado pela academia de escola do pensamento econômico como um dos mais brilhantes autores de todos os tempos, ocupou os mais importantes cargos internacionais na área, e talvez possa ser considerado o economista brasileiro que mais prestígio e influência teve na sua respectiva área em nível internacional”. 

Publicado há poucas semanas atrás, o último artigo do professor, que era judeu, recebeu como título “Recollections of My Time at the History of Economics Society” (Lembranças do meu tempo na History of Economics Society), é um balanço da produção acadêmica, de sua atuação no órgão e uma espécie de despedida. Mauro Boianovsky foi eleito presidente da History of Economics Society (HES).

Homem com camisa verde

Descrição gerada automaticamente

Professor de Teoria do Pensamento Econômico da Universidade de Brasília, Mauro Boianovsky (Foto: Isa Lima/UnB/Divulgação)

Reproduzido de G1-DF

O professor da Universidade de Brasília Mauro Boianovsky foi eleito presidente da History of Economics Society (HES), um dos fóruns mais renomados de discussão econômica em todo o mundo. Graduado em economia pela própria UnB, ele será o primeiro acadêmico latino-americano a comandar o órgão, sediado nos EUA.

Com duração de um ano, o mandato terá início na próxima Conferência Anual da HES, marcada para 26.06.2024 de junho na Universidade Estadual de Michigan. "Pode ser uma oportunidade de dar visibilidade para pesquisas feitas na região e de trazer mais brasileiros para os encontros", afirma Boianovsky em matéria divulgada pela UnB.

Boianosky é professor de Teoria do Desenvolvimento Econômico e de História do Pensamento Econômico na UnB. Vice-presidente do Comitê Executivo da HES em 2009, ele também foi membro do colegiado entre 2002 e 2005. No Brasil, foi premiado pela Associação Nacional dos Centros de Pós-Graduação em Economia (Anpec) em 2011, por artigo acadêmico sobre Celso Furtado.

RECONHECIMENTO

Em 2007, artigo do professor sobre a teoria econômica de Don Patinkin foi premiado pela HES. A entidade reúne pesquisadores americanos, canadenses e de dezenas de outros países, com foco nas discussões sobre a história do pensamento econômico.

O artigo premiado se transformou em um dos capítulos do livro "Transforming modern macroeconomics: exploring disequilibrium microfoundations (1956-2003)", escrito em parceria com o britânico Roger Backhouse, da Universidade de Birminghan.

Publicada em 2013, a obra foi escolhida como a melhor do ano pela European Society for the History of Economic Thought (ESHET), associação europeia congênere da HES. Anunciado em 2014, o prêmio foi entregue em maio na reunião anual da ESHET, Roma.
 

Por Henrique Packter 19/02/2024 - 09:17 Atualizado em 19/02/2024 - 09:18

“As pessoas que significaram tanto para tantos precisam ter as memórias preservadas, agora que já não estão mais aqui. E as histórias que construíram com perspicácia, ironia e bom-humor precisam ser armazenadas no bazar das letras definitivas para que o tempo, esse triturador de memórias, não alcance destruí-las.” JJ Camargo, cirurgião torácico, diretor do Centro de Transplantes da Santa Casa de POA, membro titular da Academia Nacional de Medicina, em BAÚ DAS MEMÓRIAS, Jornal Zero Hora, 17 e 18 de fevereiro de 2024.

BENEDITO NARCISO DA ROCHA, natural de União (Piauí); você sabia que a palavra em língua portuguesa, com mais vogais, uma após a outra, sem interposição de consoante, é piauiense?

Filho de João Narciso da Rocha e de Maria Dolores Bona da Rocha, era casado com Amélia Alygia Tonon da Rocha, filha de Teodoro Tonon e Maria de Oliveira Tonon. Teria chegado em Criciúma em 1958, embora tenhamos comprovado sua presença na cidade já em 1957. Teve o casal 3 filhos: Eduardo, Paulo Henrique e Maria das Graças. Bacharel em Direito e professor, na área jurídica prestou assistência a várias entidades públicas e privadas (Parnaíba, PI, Carlópolis, Imbituba, São José dos Pinhais, e Criciúma). No magistério lecionou e foi diretor em Recife , PE,  do Ginásio Castro Alves,  professor de História Administrativa e Econômica  do Brasil e de Prática Jurídica e Comercial na Escola Técnica de Comércio Nossa Senhora das Graças em Parnaíba , PI; professor de Física e Química e Prática Jurídica e Comercial na Escola Técnica de Comércio da União Caixeira  também em Parnaíba , PI; professor de História no Colégio Madre Tereza Michel, de Criciúma, professor de História Administrativa e Econômica e Comércio de Criciúma do Brasil, de Direito Usual    e de outras disciplinas na Escola Técnica de Criciúma e professor de Fundamentos da Política na FUCRI, Fundação Universitária de Criciúma.

Fundador da CNEC – Campanha Nacional de Escolas da Comunidade, entidade à qual deve a concessão do título de Sócio Benemérito; presidente da APAE  e diretor do Círculo Operário Criciumense; membro e dirigente da Liga Católica Jesus, Maria, José (Cizeski, ordenado padre em Orleans 21.12.1947, com Padre Santos Sprícigo, construiu e habitou a Casa Paroquial de Criciúma.  Paróquia São José de Criciúma, criada-erigida-confirmada por Dom Joaquim, arcebispo metropolitano. Isso em 21.12.1950. Cizeski, em 23.02.1951, era vigário cooperador de Criciúma.  Em 17.06. 1951 após missa campal, foi instalada a LIGA CATÓLICA JESUS, MARIA, JOSÉ, cuja 1ª diretoria foi: presidente: PAULO PREIS, 1º secretário: ERNESTO BIANCHINI GÓES; 2º secretário: RUY HULSE, conselheiros: JORGE DA CUNHA CARNEIRO e OSVALDO HULSE; Assistente Eclesiástico: Pe. ESTANISLAU CIZESKI (Do livro de JORGE DAROS, PADRE ESTANISLAU, UM LÍDER EM SEU TEMPO).

Benedito foi membro da Sociedade Teosófica de Criciúma, do Rotary Club de Criciúma e da loja Maçônica Presidente Roosevelt. Membro da Associação Ecológica Mina Verde. Cidadão Honorário de Criciúma em 29.07.1972, aqui faleceu em 09.03.1994 aos 75 anos de idade.

PRONTUÁRIO MÉDICO DE OFTALMO E OTORRINO DE BENEDITO NARCISO DA ROCHA

Em 08.01.1957: surdez fazia 5 anos, pior à direita. Estava pedido um Rx seios da face (quando voltasse o Dr. Perez, único radiologista da cidade). Tinha indicação para amigdalectomia e depois cirurgia do desvio de septo. Em 1964 receitei-lhe lentes bifocais e tratamento para otite média aguda com Ledermicina, Conmel e Berlison gotas auriculares.

Em 30.12.1964 após gripe e viagem de avião, tinha surdez e rouquidão.  Dei Rinofen, Otonal, Omcilom nasal, Lisocilina anticatarral. Em 24.01.1972 receitei-lhe óculos tinha PA de 10,5 x 8 e PIO 14/14.

Em 29.12.1975   aos 56 anos referia ter sido soqueado na orelha esquerda ficando mais surdo fazia 2 dias. Um audiograma mostrou disacusia de transmissão em AO; disacusia mista, uma perda de audição.  O caso foi para a justiça e tive de responder questionário.

  1. Houve lesão da MT do OE com o impacto? R.: Sim Deslocamento de pressão sobre o conduto auditivo externo OE. R.: Impacto de instrumento rombo sobre o ouvido 3. Não 4. Resultou queda da audição e possibilidade de infecção, otite média? Sim; 5. Perda apreciável de 25 dB na audição.  6. É cedo para avaliar; 7. Sim. Só parcialmente recuperável através de cirurgia.
  2. ORL: História: zumbido AO como antes. Não nota diferença na audição em AO. Nega purgação pelo OE.

Exame: OD continua idêntico. OE traumatizado com ruptura de MT, cicatrização quase completa, permanecendo pequeno pertuito. O audiograma fechou o GAP. Apresenta só disacusia neurossensorial bilateral simétrica c/ queda em sons agudos devido à presbiacusia. Conduta: prótese otofônica bilateral.

Em 17.12.1981 Dr. Silvestre receitou-lhe óculos; a PIO era 14/14 a visão OD cc era 0,7 e a visão do OE era normal e igual a 1.0. Tinha catarata incipiente OD.

Retornou em 05.03.1984: perdera os óculos: Silvestre receitou novas lentes.

O CALVÁRIO DE OUTRO SURDINHO, TANCREDO NEVES, RECÉM-PRESIDENTE. A MORTE DE TANCREDO NEVES.

Velório de Tancredo foi no Senado Federal resultando a posse de José Sarnei como presidente efetivo.

A morte de Tancredo Neves, então presidente eleito do Brasil, ocorreu em 21.04.1985. A versão oficial informava que a causa da morte foi uma diverticulite, mas, estudos posteriores indicaram que se tratava de um leiomioma benigno, tumor intestinal benigno, mas infectado; a verdadeira causa do óbito não foi divulgada para evitar comoção popular pelo impacto que o termo "câncer" poderia provocar à época.

A doença do carismático político prestes a assumir a presidência causou grande apreensão na população, sendo até publicada foto do presidente eleito ao lado de médicos para acalmar o país, sua morte teve acompanhamento de cerca de duas milhões de pessoas em cortejo fúnebre. Ao longo dos anos descobriu-se uma série de erros médicos, diagnósticos apressados, cirurgias malsucedidas, corrida de cirurgiões a Brasília atrás de publicidade gratuita.

A versão oficial, inserida no laudo médico, é que a morte foi por infecção generalizada. Porém, em 2005, médicos admitiram que o laudo estava incorreto, errado, e que a verdadeira causa seria síndrome da resposta inflamatória sistêmica.

Morrendo Tancredo, presidente eleito da República Federativa do Brasil, José Sarney, vice-presidente, até então presidente interino, assumiu a presidência de forma definitiva.

VOCÊ LEMBRA?

Após 21 anos de regime militar, grande era a expectativa de ter-se no país o primeiro presidente civil em décadas. Eleito indiretamente pelo Congresso, Tancredo de Almeida Neves e seu vice, José Sarney tomariam posse em 15.03.1985. Tancredo havia se submetido a extenuante agenda de campanha, articulando apoios do Congresso Nacional e com governadores, viajando ao exterior na qualidade de presidente da República. Tancredo vinha sofrendo de fortes dores abdominais durante os dias que antecederam a posse. Aconselhado por médicos a procurar tratamento, teria dito:

“Façam de mim o que quiserem - depois da posse!”

Tancredo temia que os militares da chamada "linha-dura" se recusassem a passar o poder ao vice-presidente. Decidiu só anunciar a doença no dia da posse, 15 de março, quando já estivessem em Brasília os chefes de Estado esperados para a cerimônia, com o que ficaria mais difícil uma ruptura política. A sua grande preocupação com a garantia da posse era respaldada pela frase que ouvira de Getúlio Vargas a esse respeito:

“No Brasil, não basta vencer a eleição, é preciso ganhar a posse!”

Adoeceu com fortes e repetidas dores abdominais durante cerimônia religiosa no Santuário Dom Bosco, em Brasília, véspera da posse em 14.03.1985. Internado às pressas no Hospital de Base do DF, Tancredo disse a seu primo Francisco Dornelles, indicado à época para assumir o Ministério da Fazenda, que não se submeteria à operação caso não tivesse garantia de que Figueiredo empossaria Sarney. Dornelles garantiu ao primo que Sarney seria empossado. Articulações para a posse de Sarney, segundo informações compiladas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), já estavam, naquele momento, sob a condução do então presidente da Câmara Ulysses Guimarães (PMDB-SP) e do ex-ministro-chefe da Casa Civil, Leitão de Abreu.

Causa da morte

Devido às complicações cirúrgicas ocorridas — para o que concorreram as péssimas condições ambientais do Hospital de Base do DF, com a Unidade de Tratamento Intensivo demolida, em obras —, o estado de saúde presidencial se agravou, tendo de ser transferido em 26.03.1985 para o Hospital das Clínicas de SP. Um dia antes da transferência, foram divulgadas fotos de Tancredo no hospital, produzindo a impressão de que ele melhorava, mas, horas depois vem a notícia de que Tancredo estava com grave hemorragia intestinal. Em SP, debilitado e sofrendo, Tancredo teria dito:

“Eu não merecia isso”

Sofre, então, sete cirurgias em 27 dias, mas não resiste e vem a falecer em 21.04, aos 75 anos, sem assumir a presidência da República. Num enterro no RJ, mesma data, alguém chegou a informar que Tancredo estaria sendo operado mais uma vez, a oitava.

— Coitado! Mais uma vez?

Pessoas condoídas perguntavam:

— Do que?

— Do ouvido! Jesus tá chamando o homem faz horas e ele não escuta!

A PRETENSA SURDEZ DE TANCREDO E O IMAGINÁRIO ANEDÓTICO POPULAR DA ÉPOCA

Piadas sobre surdez, audição e coisas que tais tiveram grande popularidade em Criciúma na oportunidade. O delegado regional de polícia em Criciúma, Helvídio de Castro Veloso Filho, era surdo como uma porta surda. Benedito também e, ao que parece, Tancredo Neves não ficava muito atrás.

Sua morte foi anunciada à população pelo então porta-voz oficial da presidência, Antônio Britto, logo governador do RS:

“Lamento informar que o Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Tancredo de Almeida Neves, faleceu esta noite no Instituto do Coração, às 10 horas e 23 minutos (...)”

Teria sido vítima de diverticulite, mas, apurações posteriores indicaram que se tratava de um leiomioma benigno, mas infectado. Grande parte da população acreditava que Tancredo morreu de infecção generalizada, mas em 2005 médicos de SP negaram isso.

Em 2010, o pesquisador Luís Mir lançou livro com depoimentos dos médicos e documentos obtidos no Hospital de Base de Brasília e no Instituto do Coração, SP, onde Tancredo morreu. O autor do livro concluiu que Tancredo Neves foi vítima de vários erros médicos e que ele poderia ter tomado posse. Segundo as pesquisas de Luís Mir, na noite de 14/março, jatinho estava preparado para levar Tancredo a SP, mas os responsáveis em Brasília vetaram a viagem. Ainda segundo o pesquisador, quando foram registradas as fotos de Tancredo no dia 25, destinadas a dar tranquilidade ao país, já havia um forte sangramento, devido a erro técnico na sutura da primeira cirurgia. Segundo apurou também, técnica equivocada atingira vaso arterial, causando hemorragia interna intestinal.

Em 2012, filhos de Tancredo Neves entraram com pedido de Habeas Data na Justiça Federal de Brasília para que o Conselho Federal de Medicina e o Conselho Regional do DF, entregassem todas as sindicâncias, inquéritos ético-disciplinares, documentos e depoimentos dos médicos referentes ao atendimento prestado ao presidente. A família Neves foi representada pelo historiador e pesquisador Luís Mir, escritor do livro O paciente, o caso Tancredo Neves, e por três outros advogados. Segundo eles, a documentação requerida permitiria investigação histórica do que efetivamente ocorrera, inclusive com identificação dos médicos responsáveis pelo atendimento do presidente. Três anos depois, a documentação ainda não havia sido liberada e Luís Mir disse que iriam pedir reabertura do processo ao Conselho Federal de Medicina e aos conselhos regionais de Brasília e de SP.

ENTERRO E SEPULTAMENTO

O epitáfio jocoso que Tancredo previra certa feita, em roda de amigos no Senado, não chegou a ser esculpido em lápide do cemitério, ao lado da Igreja de São Francisco de Assis, São João del-Rei:

“Aqui jaz, muito a contragosto, Tancredo de Almeida Neves!”

Seu enterro, em São João del-Rei, foi transmitido em rede nacional de televisão, tendo discursado, à beira do túmulo 85 (que lembra tanto o ano em que foi eleito presidente, quanto o de seu falecimento) o deputado federal Ulysses Silveira Guimarães, na época presidente da Câmara dos Deputados. No cemitério da Igreja de São Francisco há placa comemorativa da visita do presidente francês François Mitterrand que conhecera Tancredo, quando este viajara à Europa. Em março de 2008 a sepultura de Tancredo foi violada e a peça de mármore da parte superior do túmulo foi quebrada.

SUCESSÃO E POSSE PRESIDENCIAL

Existia grande tensão na época pela possibilidade de interrupção na abertura democrática em andamento. Não assumindo Sarney, caso muito pouco provável, deveria ser empossado em seu lugar o então presidente da Câmara dos Deputados, Ulysses Guimarães do PMDB, pouco aceito pelos militares.Na época os setores militares mais conservadores, a chamada linha-dura, tentava desestabilizar a redemocratização e manter o regime militar.

Na madrugada de 14 para 15.03.1985, numa reunião, presentes Ulysses Guimarães, Fernando Henrique Cardoso, Sarney e o ministro do Exército Leônidas Pires Gonçalves, venceu a interpretação da Constituição de 1967, que o vice presidente deveria assumir. Na manhã de 15.03.1985 , às 10 horas, o Congresso Nacional deu posse a Sarney, que  jurou a Constituição de 1967, aguardando o restabelecimento de Tancredo. Leu o discurso de posse que Tancredo havia escrito e que pregava conciliação nacional e a instalação de uma assembleia nacional constituinte. O discurso permanece atual.

“Ao assumir esta enorme responsabilidade, o homem público se entrega a destino maior do que todas as suas aspirações, e que ele não poderá cumprir senão como permanente submissão ao povo.

 

A grandeza de um povo pode ser medida pela fraternidade. A coesão nacional, que não deve ser confundida com as manifestações patológicas do nacionalismo extremista, resulta do sentimento de solidariedade da cidadania. Essa solidariedade se expressa na consciência política. Não basta, porém, a consciência da responsabilidade coletiva, se não houver a oportunidade de participação de todos na vida do Estado, que é o instrumento comum da ação social.

 

Não celebramos, hoje, uma vitória política. Esta solenidade não é a do júbilo de uma facção que tenha submetido a outra, mas festa da conciliação nacional, em torno de um programa político amplo, destinado a abrir novo e fecundo tempo ao nosso País. A adesão aos princípios que defendemos não significa, necessariamente, a adesão ao governo que vamos chefiar. Ela se manifestará também no exercício da oposição. Não chegamos ao poder com o propósito de submeter a Nação a um projeto, mas com o de lutar para que ela reassuma, pela soberania do povo, o pleno controle sobre o Estado. A isso chamamos democracia!”

Na cerimônia de transmissão do cargo, no Palácio do Planalto, o presidente João Figueiredo, seguindo sugestão de Leitão de Abreu, então chefe da Casa Civil, não compareceu, não passando a faixa presidencial a José Sarney. Isto, porque Sarney entraria no exercício do cargo como substituto e não como sucessor. Gervázio Batista, então fotógrafo oficial do Palácio do Planalto, foi responsável pela entrega da faixa ao novo presidente.

Em 28.06.1985, Sarney cumpriu promessa de campanha de Tancredo Neves e encaminhou mensagem ao Congresso Nacional propondo convocação da Constituinte, que resultou na Emenda Constitucional 26, de 27.11.1985. Eleitos em novembro de 1986 e empossados em 1º.02.1987, os constituintes iniciaram a elaboração da nova Constituição brasileira de 1988.

Em meio a grande comoção nacional, em especial porque Tancredo Neves era o primeiro civil eleito presidente da república desde 1960, quando Jânio Quadros foi eleito presidente, e era o primeiro político de oposição ao regime militar a ser eleito presidente da república desde o Golpe Militar de 1964. Assumiu a Presidência da República o vice José Sarney, encerrando período de seis governos conduzidos por militares. O Brasil, que acompanhara tenso e comovido a agonia do político mineiro, promoveu um dos maiores funerais da história nacional. Calculou-se na época que, entre SP, Brasília,  e São João del-Rei, mais de dois milhões de pessoas viram passar o esquife. Coração de Estudante, canção do cantor mineiro Milton Nascimento, marcou o episódio na memória nacional. Em 21.04. 1986, exatamente um ano após a morte de Tancredo, foi sancionada a lei 7465/1986, determinando que Tancredo Neves deve estar na galeria dos Presidentes do Brasil, para todos os efeitos legais. Assim, apesar de Tancredo não ter tomado posse, a lei garantiu a ele o título de Presidente da República.

(Conclui na próxima semana)

Por Henrique Packter 05/02/2024 - 10:45 Atualizado em 05/02/2024 - 10:47

Pedro Milanez nasceu em Criciúma a 24.07.1909 e foi casado com Virgínia Furghesti Milanez. Ela era neta por parte de pai de um dos fundadores de Criciúma, Giovanni Milanese. Pedro foi guarda-livros no RJ em 07.01.1932 e sócio cotista da Cooperativa Victória Ltda. Minerador do ramo de carvão mineral entre elas A Carbonífera Brasil Ltda., e a Companhia Brasileira de Indústria S.A., em 1932 instalou a primeira tipografia criciumense vendida depois a César Lodetti.

Foi dono da Casa Moto Parque estabelecimento situado na Pça. Nereu Ramos especializado em motores e fornecedor de equipamento de mineração.  Foi sócio de mina e da Força e Luz. Construiu e foi de sua exclusiva propriedade o Cine-Teatro Milanez na Rua 6 de Janeiro. Como sócio da Empresa Cinematográfica Sul-Catarinense, construiu o Cine Ópera na Rua Cel. Pedro Benedet. Desde 06.11.1972 correspondente do Consulado Geral da Itália passou, mais tarde, à categoria de agente consular, função em que se manteve até a morte.

Pertenceu ao grupo de fundadores do Bairro da Juventude e foi eleito presidente da LARM (Liga Atlética da Região Mineira) em 25.05.1948.

Sócio fundador e dirigente do Rotary Clube de Criciúma criado em 18.04.1948, foi seu primeiro governador indicado do Distrito 465, no ano rotário de 1958-1959.

Participou em 21.11.1942 da criação da Banda Musical Cruzeiro do Sul.  Conhecedor profundo da história de nossa comunidade lançou em 1991, Fundamentos Históricos de Criciúma. Possuía como relíquia a escrivaninha que pertencera ao primeiro prefeito de Criciúma, o velho Marcos (Marcos Rovaris), como dizia. Seus belos móveis da sala de jantar haviam pertencido ao engenheiro Paulo Marcus.

Foi o empresário que mais viajou pelo mundo entre todos quantos empresários conhecemos. Dominava o inglês e o italiano idiomas nos quais era excelente articulador.

Faleceu em Criciúma a 1º.08.1992.

MINHA PRIMEIRA VIAGEM A CONGRESSO NO EXTERIOR

Eu e Frida nos preparávamos. Eu já anunciara na Rádio Eldorado, então única na cidade e no semanário Tribuna Criciumense que estaria ausente da cidade em final de 1965, de tanto a tanto. Iria substituir-me meu irmão, sextoanista de Medicina em Santa Maria, RS.

Dona Virgínia bate à nossa porta, inesperadamente. Vestida com extrema singeleza, como era seu hábito. A única joia que sempre portava, grande aliança de ouro, reluzia no anular da mão esquerda. No mais, eram sapatos de salto baixo, bolsa de cor indefinida pelos anos de uso, tailleur cinza, cabelos curtos, limpos e sem penduricalhos.

- Dona Frida, falou, soube que vocês vão viajar para o exterior. Como tenho muita experiência em vagens ao exterior e como a considero como amiga muito querida, tomei a liberdade de vir visitá-la e contar algo do que já vivi, do que já vi em minhas viagens. Eu me visto como a senhora está vendo: com grande simplicidade. Nada ostento. Minhas amigas já foram quase todas assaltadas lá fora. Eu, até esmola já recebi.

Por Redação 29/01/2024 - 06:49 Atualizado em 31/01/2024 - 06:55

Tenho, com a graça de Deus, muitos amigos octogenários e até alguns que ultrapassaram este marco e já palmilham os anos noventa em suas vidas. Disso me dei conta ao ler no jornal ZERO HORA de Porto Alegre em sua edição de fim de semana, 27 e 28 de janeiro. Há nele um artigo de Larisa Roso que trata exatamente deste assunto. Durante os meus muitos anos de prática médica, dediquei bom tempo das consultas oftalmológicas que realizei a indagar de meus velhinhos a causa de suas longevidades. Não foi em vão. Larisa (perdoe-me a intimidade), chegamos praticamente aos mesmos resultados!.

1. Evitar a solidão. O próprio Jeovah disso falou ao declarar a Adão: não é bom que o homem viva só. Mas, essa história é um pouco longa e pretendo contá-la sexta-feira logo depois das nove horas no Programa de Adelor Lessa.
2. Largue do celular, da internet e das redes sociais. Nada substitui o contato pessoal, mesmo considerando o grande avanço que representou para a comunicação entre as pessoas essas modalidades de saber da vida dos outros.
3. Viva bem a fase da vida a que  você pertence. Se te oferecerem um bilboquê vais ficar enjoado, virar a cara. Mas se oferecerem meu último livro, prestes a sair e destinado a leitores da nossa idade, sei que ficarás feliz com a leitura que ele promete. Cada qual na sua! 
4. Cuide da Saúde Física: movimente-se, faça exercícios, caminhe, nade. Estas atitudes reduzirão a ansiedade e a depressão.
5. Tenha um hobby: aumente seu nível de felicidade com atividades que proporcionem alegria e satisfação
6. Sinta-se de utilidade: se você está aposentado e tente organizar sua vida, pense no voluntariado. O policial ALMIR tem seu nome associado a realizações notáveis seja no campo das voltas ciclísticas, nas campanhas do agasalho, seja na doação de órgãos para transplantes.
7. Alimentação saudável; busque orientação adequada com nutrólogo
8. Adote práticas de meditação
9. Bote a cabeça para funcionar com filmes, livros, jogos..
10, Durma bem. Acorde com a sensação de estar descansado. Prepara-se e prepare o ambiente para dormir.
 
BOA SORTE! 

Por Henrique Packter 08/01/2024 - 08:57 Atualizado em 08/01/2024 - 09:02

Virá o dia em que alguém escreverá sobre os nomes maiúsculos da Medicina carvoeira, nomes que desbravaram caminhos e que foram autores dos diagnósticos fundamentais. Não foram muitos esses médicos que podem ser reduzidos apenas a quatro profissionais.

Lá, bem no início, avultam dois nomes, pai e filho, Francisco de Paula Boa Nova e o médico Boa Nova Júnior. Eles apontaram o problema. O terceiro, Manif Zacharias, investigou o problema e quantificou-o. Coube ao último, David Luiz Boianowski, dar solução à questão, da mesma forma, como alguns anos depois, criaria, em Brasília o PAT (Projeto de Alimentação do Trabalhador), solucionando outro problema crucial: aquele da alimentação do trabalhador na empresa.

  1. Engenheiro civil Francisco de Paula Boa Nova, chefe do escritório em nossa cidade do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral) em 1942 e 1943.
  2. Médico Francisco de Paula Boa Nova Júnior Também funcionário do DNPM,- exercendo também clínica particular, de 1946 até o fim da década de 50. Em 18.04.1948 participou da criação do Rotary Clube de Criciúma.
  3. Manif Zacarias médico, intelectual, escritor, empresário, maçom, jornalista, radialista, comunista, ateu.
  4. Pediatra e nutrólogo Davis Luiz Boianowski.

OS 4 DE OURO

MANIF (do árabe, ser privilegiado) nasceu em Curitiba (05.08.1918), plena epidemia de gripe espanhola. Na Saldanha Marinho moravam e labutavam seus pais – Assad e Zalfa, – tocando fabriqueta de acolchoados e uma lojinha de turco. De calças curtas, MANIF subia a rua para estudar no Gymnásio Paranaense. Mostrava inclinação para os livros, mas, decidiu-se pela Medicina. Graduou-se Médico pela FMUPR em 12.12.1940, 22 anos. 

Discutindo assunto relevante, falava às pessoas como professor paciente que ensina aluno pouco dado ao estudo. Às vezes, ignorava o interlocutor e falava a outra pessoa do grupo, em geral pouco interessada no fato em questão. Essas artimanhas de oratória funcionavam quase sempre.

O casal, Manif Zacarias e Dulce Rovaris terá três filhos, as professoras MIRIAM e DORIS e MIGUEL ZACHARIAS Sº, este, médico como o pai, e também funcionário do IML em Curitiba. DULCE faleceu em Curitiba a 29.12.1996. Manif virá a Criciúma em 1º.05.1944. Exerceu clínica geral, cirurgia e obstetrícia. Médico do IAPETC e um dos criadores do Hospital Santa Catarina foi membro fundador da Loja Maçônica Presidente Roosevelt e do Rotary Clube de Criciúma. Preso pelo governo militar em 1964 transfere residência para Curitiba (setembro de 1965). Intelectual, tinha bem fornida biblioteca, doada integralmente para entidades criciumenses.

A BIBLIOTECA DE MANIF

MANIF reuniu respeitável acervo de literatura sacra (livros médicos) e profana (todos os demais livros). Em 20.11.1987 doou 823 obras (900 volumes) à Biblioteca Pública Municipal DONATILA TEIXEIRA BORBA, Criciúma. Doou 360 livros à Biblioteca da FUCRI, futura UNESC, a 14.6.1988. Os restantes livros sacros foram doados ao Hospital São José quando de sua transformação em Hospital-Escola. O manuseio dos livros da vasta biblioteca de MANIF permitia ver comentários, observações, críticas, contestações -, rabiscadas nas margens, orelhas, páginas em branco, tudo na sua inconfundível e miúda caligrafia.

JORNALISTA, RADIALISTA, MAÇON, ESCRITOR, EMPRESÁRIO, COMUNISTA

Em Criciúma publicaria crônicas nos jornais locais baseadas em causos do consultório. Foi clínico geral, cirurgião, obstetra e pediatra. Chefiaria os serviços médicos do IAPTEC e SAMDU e seria um dos criadores (1961) do Hospital Santa Catarina, além ser seu diretor administrativo

Grandalhão, de guarda-pó, culto, vozeirão de locutor, defende os operários das minas de carvão, Émile Zola caboclo, sem Germinal. “Papai arrumou briga até com um padre polaco”, provoca a filha Dóris. A irmã Nabia: “Até de carroça atendia o povo.”

Maçom há 70 anos (1945), membro fundador da Loja Maçônica Presidente Roosevelt, elaborou os anteprojetos de Constituição e Regulamento Geral. Membro honorário dessa Potência Maçônica e membro fundador, benemérito e honorário de Lojas de Florianópolis e do sul do estado. Membro fundador do Rotary Club de Criciúma.

CRICIÚMA ANOS 40   

MANIF chega a Criciúma em 1º.05.1944, data natalícia de MAX FINSTER, comerciante e maçom, de quem se torna amigo irremediável. Vinha para trabalhar, sob contrato, no atendimento dos operários da Mineração Geral do Brasil, empresa do Grupo Jafet. Pouco se sabe das atividades profissionais de MANIF, anteriores a Criciúma. Certo é que seu espírito inquieto, sensível, culto, encontraria aqui refúgio em ideologias de esquerda e em sociedades fraternais. Um mês e dias antes de chegar à cidade é criada a Comarca de Criciúma (20.3.1944) e quase 3 meses depois (18.06.1944), vem a ACIC, Associação Comercial e Industrial de Criciúma. Discursará na UNIÃO MINEIRA, apo ntando para bairros ricos: Ó estulta ignorância da mediocridade enfatuada! Parece que teria falado da vagarosa noite da cultura criciumense...

CRICIÚMA É COMARCA. O CINQUENTENÁRIO.

A cidade recebia seu primeiro juiz, EUCLIDES CERQUEIRA CINTRA. Em 1994, 50 anos depois, coube a mim, Diretor Presidente da Fundação Cultural de Criciúma, homenageá-lo (pois ainda vivia) e ouvir seu discurso (que ainda tenho), no antigo Fórum da cidade, na Getúlio Vargas.  Ele leva seu nome por sugestão do Desembargador FRANCISCO May F°, Juiz por muitos anos em Criciúma. O primeiro promotor público da cidade, FRANCISCO JOSÉ RODRIGUES de OLIVEIRA Fº era falecido, mas seu filho, homônimo e Desembargador, participou do evento.

A CHEGADA

MANIF chegava em meio a grande efervescência política e econômica. Era o Estado Novo (1937-1947), da censura aos meios de comunicação, centralização do poder, dissolução do Congresso e dos legislativos. MANIF descrevia no único jornal semanário ruas esburacadas em cujas crateras a água das chuvas se acumulava e as raras ruas pavimentadas a macadame. Seis meses antes (24.10.1943), inaugurado o prédio da Prefeitura (hoje Casa da Cultura, Praça Nereu Ramos), onde logo se alojariam Fórum e Câmara de Vereadores.

O Colégio Casa da Criança, hoje Colégio São Bento e o prédio do DNPM, hoje Centro Cultural Jorge Zanatta são de 1945. Movimentos reivindicativos dos mineiros locais, materializam-se na fundação do Sindicato dos Trabalhadores das Minas de Carvão em Criciúma e na greve da Carbonífera Próspera (1945). Polícia civil, lideranças patronais, políticas e religiosas atuam afanosamente para controlar as inquietas populações mineiras. MANIF faz amigos rapidamente na aberta sociedade criciumense, sociedade na qual todos eram forasteiros bem-vindos, desde que viessem para somar. HERMÍNIO DELAVI (São Jerônimo, RS, 1910), 8 anos mais velho que MANIF, industrial, administrador (depo is proprietário de mina de carvão), comerciante, era um desses. Casou-se com MARCOLINA, filha de MARCOS ROVARIS, primeiro prefeito.

MARCOLINA ROVARIS era tia de DULCE, esposa de MANIF. Ela e DELAVI eram proprietários da loja LINAMAR (Lina de Marcolina e Mar de Marta, sua sócia). Na LINAMAR trabalhava Meigi, filha de TUFFI JOÃO SCHEAD funcionário da PRÓSPERA, bom enxadrista e membro fundador da Loja Maçônica Presidente Roosevelt de Criciúma.  Para MANIF, DELAVI, ao lado do dentista ALEXANDRE HERCULANO DE FREITAS, seriam as pessoas mais espirituosas da cidade.

E contava causos: do cavalo que DELAVI cavalgara fugindo de tempestade. O animal disparou desde a praia do Rincão à cidade, com a chuva em seu encalço, molhando apenas e tão somente e durante todo o percurso sua cauda! Quanto a DELAVI, nenhum respingo o atingira! Este soberbo animal morreria vitimado por dose excessiva de medicamento. Piscando um dos olhos, DELAVI dizia que fora ministrado pelo farmacêutico ad hoc ADAMASTOR ROCHA. Que ADAMASTOR aplicara em seu cavalo dose de remédio para elefante. A expressão correu mundo. Foi adotada em todo o país, talvez mais. Então, DOSE PARA ELEFANTE é coisa nossa, de criciumenses e de HERMÍNIO DELAVI!

Por Redação 01/01/2024 - 06:35 Atualizado em 03/01/2024 - 06:36

O curso de Medicina da Universidade Federal de Curitiba, no Paraná, abrigava bem mais de 700 alunos quando fui admitido em seu curso em 1954, após exame vestibular escrito e oral. A convivência entre esse agrupamento humano, gente vinda de toda parte, era mais harmonioso e afetuoso do que se possa imaginar. O simples fato de sermos alunos da mesma escola médica servia de senha para tratamento recíproco amistoso. Trocávamos informações, conhecimento e nos auxiliávamos a todo e qualquer momento.

A título de exemplo recordo o colega Nazir Soubhia, formado em 1960, um ano após minha turma, e que, para poder estudar Medicina trabalhava como locutor da Rádio Marumby altas horas da noite no programa Tangos e Poemas. Com o salário assim obtido, ele se mantinha. Era de Monte Aprazível, SP e vivia como Deus é servido. No auge de problemas financeiros insolúveis, aparece certa noite em nosso apartamento, república melhor dito, um colchão de muitos anos de uso, amarrado toscamente com barbante idem e outro pacote que anunciou conter alguns (poucos) livros e roupas (bem poucas). Declarou que estava se mudando e se juntando a nós. Diante da declaração de que todas as vagas estavam ocupadas no apartamento, decidiu colocar o colchão na (minúscula) sala de visitas e nele deitou-se.

Em pouco tempo, já enturmado, perguntava:

- Dinheiro, não tenho; pagar lavadeira – como vocês – nem pensar. Posso utilizar os serviços desta funcionária, para acertar mais tarde?

Barretinho fez um gesto incompleto, como quem se arrepende. Ia perguntar – na mesma ordem de ideias – sobre compartilhamento de despesas (aluguel, café da manhã, energia, água etc).

Nazir Soubhia, o Turquinho, em seu programa na rádio, focava no horóscopo das pessoas e por isso, logo todos nós participávamos das atrações do programa, vaticinando-nos (para exemplificar) o que nos reservava o dia a dia da cidadania curitibana.

Aprendi que meu signo era Touro e tratei de mimoseá-lo com todas as benesses possíveis. Reservei para este signo as namoradas mais bonitas, sucesso nos estudos, premiações fantásticas. Os colegas detentores de outros signos não deixavam por menos e em breve havia uma competição entre nós para determinar qual o signo revestido das maiores glórias.

Foi quando passamos a perceber que nossas melhores roupas, misteriosamente sumiam em determinados períodos.     Se houvesse reunião dançante na Medicina (Diretório Acadêmico Nilo Cairo), ou na Engenharia (os melhores) sempre havia alguém a reclamar:

- Cadê calça e camisa arretadas que comprei para o arrasta pé da Engenharia?

Dona Rosita suspendia por momentos seu trabalho, coçava o cocoruto protegido por lenço improvisado, sacudia a cabeça e apontava para o colchão estendido na sala. Nazir só não usava nossos sapatos: não cabiam em seus enormes pés.

Certa noite, terminado seu programa diário-noturno na Rádio Marumby, Turquinho (ó surpresa!), anuncia que na manhã seguinte deixaria nosso convívio, trocado por cobiçada vaga na Casa do Estudante, gratuita como nosso curso em Faculdade Federal e nosso alugado apartamento, gratuito para ele. Turquinho foi nosso calouro, formando-se em 1960.

Na mesma ocasião estudava Medicina na nossa Faculdade, jovem oriundo da Pauliceia Desvairada, cuja principal característica era uma grande, enorme, cabeça óssea. À primeira vista chegava a assustar. Logo, Joaquim de Paula Barreto Fonseca, de Campinas SP, sobrinho do Professor Barreto da Histologia e Embriologia, inventava uma história para ele. Consta – dizia Barretinho – que nosso cabeçudo calouro andava queixando-se à mãe que a Turma pegava no seu pé, que ganhara muitos apelidos (Cabeça, Cabeção, Head). A mãe, é claro, defendia-o.

- É pura inveja. Você é aluno brilhante, estudioso, figura impoluta, caráter sem jaça. Tua cabecinha é quase igual às demais. A propósito: vai para a mãe até o mercadinho e traz 1 dúzia de bananas, 1 dúzia de ovos, 1 lata de azeite, leite, café, pão, manteiga, queijo, 1 garrafa de álcool, algumas laranjas, uma melancia. Leva a caderneta do Haver para anotar a despesa.

- Mãe, tudo bem. Cadê o carrinho para trazer as compras? 

- Precisa não, filho. Traz tudo no teu bonezinho!

José Fabrício Alves Pereira, o Boazinha, de Santos SP, participava do excelente time de basquete da Faculdade/Universidade. Era, também, aluno exemplar. Seu único problema era um sono invencível que surgia nas piores ocasiões: na sala de provas, nas aulas, ao encontro das aulas em pleno itinerário através de condução pública, no cinema, no banco de reservas nos jogos. Uma droga. Fez o propósito de dormir apenas nas horas consagradas para tal. Também prometeu acordar mais cedo, já perdera muitas aulas pelo sono fora de propósito que o atormentava. O assunto era tão envolvente que dele participavam professores, bedéis, a faculdade toda.

O assunto chega aos ouvidos de Mário Braga de Abreu, o grande mestre de Clínica Cirúrgica do 5º ano de Medicina. Fazendo pouco caso disse:

- Vai acordar cedo para ficar mais tempo sem fazer nada...

O apelido Boazinha tem origem no esporte praticado por Fabrício, o basquete. A cada lance empolgante ou cesta de grande categoria individual ele se voltava para o público e dizia:

- Boazinha essa...

Da Turma 1961 eram os irmãos Orestes e Osires Florindo Coelho. Osires era notável cestobolista, o Jimmy. Brilharia em qualquer lugar do mundo praticando o que muito sabia fazer como atleta do esporte da cesta. Havia mais: nossos colegas de Turma, Roberto Lencastre Maudanet, José Maria Del Claro, Roberto Quintanilha Braga -, todos grandes atletas.

Fica para outra vez contar histórias de colegas como Nelson Salomé, ao lado do lateral da seleção Roberto Carlos, grandes nomes da cidade de Araras, SP.  Também Osvaldo Doreto Campanari (de Marília), Joaquim de Paula Barreto Fonseca (Campinas), Luiz Alencar de Moraes (Dracena, SP), o Ministro da Saúde Valdir Mendes Arcoverde (do Piauí), Zilda Arns (de Forquilhinha, SC) -, todos colegas da Turma 1959 da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Paraná.  

 FELIZ ANO NOVO DE 2024, GENTE!

Por Henrique Packter 23/10/2023 - 09:28 Atualizado em 23/10/2023 - 09:51

Manuel Bandeira publicou vasta obra até a morte, em contos, poesias, traduções e críticas literárias. No segundo dia da Semana de Arte Moderna, seu poema Os Sapos foi lido por Ronald Carvalho.

A CAMÕES, poema de Manuel Banxdeira

Quando n’alma pesar de tua raça

A névoa da apagada e vil tristeza,

Busque ela sempre a glória que não passa,

Em teu poema de heroísmo e de beleza.

Gênio purificado na desgraça,

Tu resumiste em ti toda a grandeza:

Poeta e soldado... Em ti brilhou sem jaça

O amor da grande pátria portuguesa.

 E enquanto o fero canto ecoar na mente

Da estirpe que em perigos sublimados

Plantou a cruz em cada continente,

 Não morrerá, sem poetas nem soldados,

A língua em que cantaste rudemente

As armas e os barões assinalados.

Academia Brasileira de Letras
Na Academia Brasileira de Letras (ABL), Manuel Bandeira foi o terceiro ocupante da Cadeira 24, eleito em 29.8.1940.  Sua trajetória laboral destaca atuação como professor de Literatura Universal no Externato do Colégio Pedro II, 1938. Foi também professor de Literatura Hispano-Americana (1942 a 1956)​, da Faculdade Nacional de Filosofia, onde se aposentou. Faleceu no RJ, aos 82 anos, em 13.10.1968, vítima de hemorragia gástrica.

Pneumotórax, poema de Manuel Bandeira
Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos. A vida inteira que podia ter sido e que não foi. Tosse, tosse, tosse. Mandou chamar o médico:

- Diga trinta e três.

-Trinta e três… trinta e três… trinta e três…

- Respire.

- O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.

- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?

-  Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

(Comentário: tango argentino só na hora da morte...)

Vou-me Embora pra Pasárgada, poema de Manuel Bandeira
Vou-me embora pra Passárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Passárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Passárgada

Em Passárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcaloide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Passárgada.

GYRÃO, SÍLVIO DAMIANI BÚRIGO, IVO NESRALLA: PIONEIROS EM CIURGIA CARDÍACA

O Dr. Sérgio Hertel Alice, primeiro patologista da região, foi especializar-se em 1970 no Hospital dos Servidores (IPASE) no RJ, estimulado por Gyrão. Sérgio trabalhava em Siderópolis juntamente com Gyrão na CSN.

Uma das primeiras cirurgias de coração em SC e no Brasil, senão a primeira, deve-se a Gyrão e Sérgio Alice, rivalizando com Nesralla no RS. Sérgio Alice  sempre foi muito forte pela prática de esportes. Vinha, certo dia, para o Hospital São José quando presenciou o término de acalorada discussão entre funcionário da Caixa Econômica e um popular, em plena via pública. A contenda findou com o popular empunhando uma arma branca e apunhalando o funcionário da Caixa. Ferimento na área do coração fazia com que o sangue jorrasse no ritmo cardíaco: uma sístole um esguicho. Sem hesitar, Sérgio apanha o corpo do homem ferido e carrega-o para o Centro Cirúrgico do Hospital São José, onde Gyrão e o urologista Sílvio Búrigo terminavam o atendimento de outra emergência. Sem mais delongas o ferimento é exposto, anestesista - que se preparava para deixar o Centro Cirúrgico - é reconvocado, Gyrão e Sílvio Búrigo calçam luvas sem escovar-se (pela premência do atendimento) e a sutura da brecha no coração é realizada.

O paciente fica internado alguns dias e restabelece-se miraculosamente.

O grande progresso médico verificado com a admissão de Gyrão no corpo clínico hospitalar, deve-se ao seu temperamento generoso e ao seu desejo de evoluir, medicamente falando. Foi, graças a Gyrão que as lacunas então existentes no corpo clínico hospitalar foram sendo eliminadas porque ele convidava médicos de especialidades não existentes na cidade para aqui trabalhar e encaminhava, não raro trazendo clientes pelo braço ao novo especialista. Ele e Emília eram cristãos praticantes.

DRAMA COMUM A MUITOS CIRURGIÕES

Muito sofreu pelo desfecho de caso de paciente que operou e que veio a falecer. Os filhos da paciente falecida montaram ronda em torno de sua casa, impedindo-o de trabalhar ao mesmo tempo em que proferiram ameaças contra Gyrão. Eu estava em viagem participando do Congresso Médico de Oftalmologia. Era inverno e inverno muito frio. Mal eu chegara e já era intimado a correr à casa do Gyrão localizada na Praça do Congresso. Fui até lá, altas horas de noite gélida. General Bragança, olhos muito claros, perscrutadores, fitavam-me demonstrando decepção, desesperança talvez. Perguntei se tinham procurado pelo Dr. Ernani Palma Ribeiro, juiz da Comarca. Não tinham. Propus-me a procurá-lo no dia seguinte. Fui e ele marcou visita, no Rio Maina, à família enlutada, naquele mesmo dia. Sua atuação foi decisiva resolvendo o problema e demonstrando grande coragem. Acompanhei-o na condição de motorista.

IVO NESRALLA

Pioneiro em transplantes cardíacos no RS, Ivo Nesralla morreu aos 82 anos. O falecimento do ex-presidente do Instituto de Cardiologia e da Orquestra Sinfônica de POA foi às 10h30min de quarta-feira, 16.12.2020.

Nesralla foi presidente do Instituto de Cardiologia e fundador da Fundação Universitária de Cardiologia do RS. Pioneiro em transplante cardíacos no RS é referência em cirurgia cardiovascular em toda a América Latina, Ivo Abrahão Nesralla morreu em Porto Alegre de parada cardíaca. Estava em casa e chegou a ser socorrido no Hospital Moinhos de Vento, mas veio a falecer.

Além de ter sido fundador, cirurgião e presidente do Instituto de Cardiologia - Fundação Universitária de Cardiologia (IC-FUC), também presidiu a Bienal de Artes Visuais do Mercosul por anos e a OSPA, Orquestra Sinfônica de POA, durante 23 anos.

O primeiro transplante de coração feito no RS, liderado por Ivo Nesralla

Nesralla tinha paixão por música clássica e enquanto operava corações, dentro da sala de cirurgia, escutava Johann Sebastian Bach em fita cassete, no número 395 da Avenida Princesa Isabel. Embalado pelas sinfonias de Bach, foi responsável por nova era de transplantes cardíacos no país. 

Foi Nesralla quem retomou esse tipo de cirurgia no Brasil — houve pausa no procedimento em razão de problemas da rejeição do órgão. Fez o primeiro transplante de coração no RS (1984), o quarto do Brasil. O cirurgião cardiovascular Paulo Prates, 80 anos, estava com ele. 

— Ele foi um pioneiro em tudo, numa época muito difícil. Impressionava nele o espírito corajoso: a verdadeira coragem de quem tem medos e os enfrenta — destaca. 

Formado em 1962 pela UFRGS, Nesralla fez, oito anos depois, a primeira operação de ponte de safena no RS (1970). Foi também uma das primeiras no Brasil. 

Em 1973, Nesralla empregou pela primeira vez no país a técnica da hipotermia profunda para cirurgias cardíacas, e implantou o primeiro coração artificial na América Latina em 1999. Em 2.000 realizou a primeira cirurgia robótica cardíaca da América Latina. Chamado de professor até por colegas, foi docente titular de cirurgia cardíaca da UFRGS. Foi também membro titular das academias Sul-Riograndense e Nacional de Medicina. Nesralla recebeu a Comenda da Ordem do Mérito Cultural das mãos do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso (2001), e, em 2015, a Medalha do Mérito Farroupilha, distinção máxima da Assembleia Legislativa gaúcha. 

Presidente da Ospa por 23 anos

Nersralla presidiu a Fundação OSPA em dois períodos (1983 a 1991 e de 2003 a 2018).  O maestro Evandro Matté teve seu ingresso referendado na orquestra, como trompetista, por Nersalla há 30 anos. Foi uma das principais vozes contra o projeto de extinção da Fundação Ospa; lutou pela construção da sede da orquestra.

— Ele deixa como mensagem a importância da cultura para nossa sociedade. Quando visitava outros Estados, repetia a frase do Erico Verissimo para se apresentar: "eu venho de uma cidade que tem uma orquestra sinfônica". 

Atual presidente da Fundação OSPA, Luis Roberto Andrade Ponte, afirma que Nesralla "foi um apaixonado pela OSPA e pela música de concerto" e que "durante os 23 anos em que esteve à frente da Fundação, dedicou-se intensamente a consolidar a orquestra como uma das mais importantes do nosso país". Ivo deixou a mulher, Paulita, os filhos Ivo, Carlos e Paula (também cirurgiã cardíaca), e netos.

HISTÓRIAS DE GYRÃO

1.     “Uma estrela é um pedaço de luz no Universo perdido, é poeira de sol no infinito escondido, é a paz verdadeira, é esperança de amor”. De um escrito de Girão.

2.     Certo dia´, enquanto cursava o segundo ano de residência em Clínica Cirúrgica em Niterói, Gyrão precisa se ausentar para tratar de assuntos pessoais. Pede a um residente do primeiro ano que cuide de paciente seu, internado em enfermaria. Insiste em que faça esta observação médica e que a inicie naquele mesmo instante. Com certa relutância o residente vai. Volta para informar:

- Ele está ótimo! Não precisa se preocupar! Está até sorrindo!

Gyrão, intrigado, vai ver o que está havendo. Não dá outra: tratava-se do riso sardônico que denuncia o tétano! 
 

Por Henrique Packter 25/09/2023 - 08:37 Atualizado em 25/09/2023 - 08:42

Mary of Tech nasceu em 26.5.1867, no Palácio Kensington, Londres, filha de Duke of Tech, Prince Francis, e Mary Adelaide, princesa de Cambridge. Maria tinha três irmãos, todos mais novos para ela. Os quatro irmãos passaram algum tempo juntos com os primos, filhos do príncipe de Gales. Ela foi instruída em casa pelas governantas e sua mãe. A mãe de Mary possuía o título de Duquesa de Teck por casamento, e o pai de Mary era descendente de um casamento morganático; ele não herdou nenhuma riqueza ou propriedade.

NIERO, sabes o que é um casamento morganático? Nem eu. Parece tratar-se de casamento entre pessoas de classes sociais diferentes. O cônjuge menos abastado não vai fazer jus às benesses da lei, especialmente no tocante às polpudas mesadas.  

A duquesa de Teck, descendente direta do rei George III, recebia anuidade do Parlamento britânico mais quantia anual da duquesa de Cambridge, sua mãe. Para economizar visitavam parentes europeus. Depois de peregrinar de 1883 a 1885, voltaram para Londres e fixaram residência no Richmond Park, White Lodge. Apesar das dívidas contraídas, a mãe de Mary não se intimidava e dava festas extravagantes.

Compromissos que fizeram dela um membro da mais alta ordem

A rainha Vitória, avó do príncipe Albert Victor, duque de Clarence e Avondale, gostava de Maria de Teck por sua coragem, e agradava-lhe que ela estivesse noiva de seu neto mais velho. Porém, seis semanas após o noivado de Mary com o príncipe Albert, este morreu de pneumonia. O príncipe George, duque de York, irmão mais novo do príncipe Albert tornou-se o pretendente natural ao trono britânico, após a morte deste. A rainha Vitória aprovou o casamento de Mary com o príncipe George. Casaram-se em 6.7.1893 na Chapel Royal, no St. James's Palace.

Maria como Duquesa de York e Cornwall e Princesa de Gales

Mary tornou-se Duquesa de York após casamento com o príncipe George, duque de York. Residiram no St. James Palace e também passaram algum tempo no chalé de York, condado de Norfolk. Tiveram seis filhos, Edward, Albert, Mary, Henry, George e John. Apenas uma babá, Charlotte Bill, continuou trabalhando a longo prazo, pois compartilhava um bom relacionamento com as 6 crianças. Charlotte foi especialmente contratada para cuidar do príncipe John, que, ao que parece, sofria de epilepsia. Mary instilou bons valores nos filhos dando-lhes aulas de música e história.

Após a morte da sogra e chefe de estado, rainha Vitória (1901), seu sogro reinou como Eduardo VII. Mary e George embarcaram em prolongada excursão a alguns países sob domínio britânico como Duquesa e Duque de York e Cornualha. Voltando, George e Mary foram ungidos como Príncipe de Gales e Princesa de Gales em 1901, após o que mudaram para a Casa Marlborough do St. James Palace. Em 1905, John, último filho de Mary, nasce com problemas respiratórios.

Em 1905, Duque e Duquesa de York parte novamente para viagem de 8 meses ao subcontinente indiano. Vão à Noruega para coroação do rei Haakon VII. Recém-chegados de volta, partem para a Espanha e assistem ao casamento do rei Alonso III e Victoria Eugene de Battenberg.

Maria de Teck torna-se rainha Maria

Depois que o sogro de Mary, o rei Edward VII faleceu em 6.5.1911, seu marido é coroado rei George V, tornando-a rainha consorte. A cerimônia de coroação, tornando George chefe soberano do Reino Unido, das Ilhas Britânicas, e Índia britânica - e Mary, a rainha consorte, ocorreu na Abadia de Westminster em 22.6.1911. O recém-coroado rei e rainha visitaram a Índia para comemorar a coroação em Delhi Durbar.

Mary, apesar de ter relacionamento agradável com a rainha Alexandra, sua sogra, muitas vezes esteve em desacordo com ela. Por exemplo, a rainha Alexandra permaneceu intencionalmente no Palácio de Buckingham, muito depois da morte do marido Edward VII e reteve muitas das joias da coroa que deveriam ter sido legadas à rainha Maria. Maria de Teck, durante todo o período da Primeira Guerra Mundial, visitou soldados feridos em hospícios e enfermarias até o término das beligerâncias em 1918, com a rendição da Alemanha e a renúncia ao trono por Guilherme II, o imperador alemão.

João, filho mais novo de Maria, morre aos 13 anos. Ela auxiliou o marido no desempenho de seus deveres oficiais como rei da Inglaterra. A rainha Mary cuidou de George V quando ele ficou incapacitado por doença na década de 1920, impedindo-o de trabalhar. George V sucumbiu à doença em 20.1.1936, abrindo caminho para que Edward, príncipe de Gales, subisse ao trono.

Rainha Mãe de Dois Reis

Coroado  o filho mais velho de Maria como rei Eduardo VIII, ela se torna a rainha-mãe. Logo após a coroação de Edward, ele tornou público seu relacionamento com Wallis Simpson, americana divorciada. Maria objetou que o rei se casasse com um plebeu, e que também se divorciasse.

Edward, então, deixa o trono de rei para se casar com Wallis. Príncipe Albert, o duque de York, segundo filho de Maria e irmão mais novo de Edward, foi coroado o novo rei. Albert assumiu o nome, George VI, ao se tornar rei. Ele era gago e muito penou até fazer-se entender sem despertar risos ao falar.

Iniciada a Segunda Guerra Mundial, Mary muda-se para Badminton House em Gloucestershire Durante a Guerra ela apoiou o país visitando as frentes de batalha. O príncipe George, um dos filhos de Mary, morreu em acidente aéreo. O rei George VI morreu em 1952 e, a neta mais velha de Mary, a princesa Elizabeth sucedeu-o no trono, tornando-se a rainha Elizabeth II. Maria de Teck ficou muito justamente abalada com a morte de três de seus filhos, John, George e Albert. Faleceu em 24.3.1953 aos 85 anos, 75 dias antes da coroação da neta. Ela e o marido estão enterrados lado a lado no castelo de Windsor, capela de São Jorge.

As festas no Elettra, barco de Marconi, eram célebres pelas músicas transmitidas diretamente de Londres pelo rádio. A companhia Marconi montou o novo Imperial Wireless Scheme, destinado a montar estações de ondas curtas em todo o território britânico. Em 1929 recebeu do rei Vítor Emanuel III da Itália o título de marquês. Em 12.10.1931, apertando um botão em Roma, acendeu as luzes do Cristo Redentor na noite de inauguração da estátua no RJ.

MARCONI NA JUSTIÇA

.Em outubro de 1943, a Suprema Corte dos EUA considerou falsa reclamação de Marconi afirmando nunca ter lido as patentes de Nikola Tesla e determinou não haver nada no trabalho de Marconi que não tivesse sido antes descoberto por Tesla. Infelizmente, Tesla morrera fazia 9 meses.

No entanto, muito embora Marconi não tenha sido o inventor de nenhum dispositivo em particular (ao usar a bobina de Ruhmkorff e um faiscador, como antes o haviam feito De Forest e Tesla na emissão), repetiria Hertz, gerando ondas hertzianas - Experimento de Hertz com um "Ressoador de Hertz - usou o radiocondutor-detetor Coesor de Branly na recepção, adicionando a antena de Popov a ambos os casos, parece possível afirmar que Marconi é, na verdade, o inventor da rádio. Isso, como Radiotelegrafia e Radiotelefonia; Telefonia sem fio, visto que ninguém, antes dele, tivera a ideia de usar ondas hertzianas com os objetivos de forma prática ou rotineira, de comunicação. Exceto o padre Landell de Moura.

Lee de Forest o havia feito, mas apenas para testar sua válvula eletrônica.

Marconi foi agraciado em 1909, juntamente com o alemão Karl Ferdinand Braun com o Nobel de Física. Braun, descobridor dos semicondutores, dentre eles o sulfeto de chumbo natural, mineral conhecido como galena, base do histórico rádio de galena. Lembram da galena, aparelho rudimentar, fabricado em casa e avô dos modernos aparelhos de rádio?

Costuma-se dizer que o homem é um animal político e Padre Agenor o foi em altíssimo grau. Aderiu às doutrinas do PSD e do PTB, numa época em que a maioria do clero aderia à UDN, doutrinariamente ultraconservadora. Não raras vezes Monsenhor utilizava o púlpito para desancar seus opositores políticos e defender Getúlio Vargas, a quem nutria forte admiração.

A RÁDIO MARCONI. A ANDORINHA MENSAGEIRA

Em 10.2.1951 Monsenhor funda a Rádio Marconi, a Rádio Difusora de Urussanga Ltda., que em 19.10.1951 obteve permissão para operar. Logo vem a Andorinha Mensageira, programa mais longevo do rádio catarinense. Hoje são 72 anos no ar. Nos domingos, Rosa Miotello, desde 1975, responde pelo programa de rádio e pelo Paraíso da Criança.

MONSENHOR, O ESCRITOR

Escreveu vários livros. O Catequista Ideal é de 1955, ano em que foi nomeado Diretor de Ensino da Arquidiocese de Florianópolis. Escreveu entre outros livros História de Urussanga (1990), Imigração Italiana (1977), Magnólia Branca (1978), Agricultor em Marcha (1980), Magos (1980), Abelha Maravilha (1993), Clarice em branco, Clarice em preto (2005). Desde 1977 Magnólia Branca é a flor oficial de Urussanga. Bandeira, brasão, e hino Urussanguense são de sua autoria. Segundo Maestrelli, POLÍTICA, no entendimento de Monsenhor, seria o único caminho para realizar as coisas.

Monsenhor escreveu os hinos de Urussanga, Jaguaruna, Morro da Fumaça, Grão-Pará, Cocal do Sul, Timbé do Sul. Também o Hino do Imigrante e o Hino da Agricultura com o qual ganhou concurso nacional. É autor, do Hino da Agricultura de SC. Ampliou o perímetro urbano de Urussanga, participou de vários grupos de intelectuais como a Academia Internacional dos Poetas, Academia Urussanguense de Letras, Academia São José de Letras. Criou em 1988 o Museu de História Municipal de Urussanga. Esteve nas origens do Jornal Vanguarda, mesmo nome do primeiro jornal fundado na cidade.

A SAGA OFTALMOLÓGICA DE AGENOR NEVES MMARQUES

Em 03.3.1960, quando o futuro Monsenhor contava 45 anos, procurou-me ele para troca de lentes. Era míope. Tinha 2 graus de miopia no olho direito (OD) e 1,75 no olho esquerdo (OE). Receitei-lhe lentes bifocais, trocadas depois em 21.6.1965. Voltou em 15.4.1975, com 60 anos de idade. Posteriormente esteve em meu consultório em 25.8.1980, 10.3.1981, 26.11.1984 (70 anos), desta última vez com queixa de nuvem no OD. Tinha crises de bronquite asmática e tomou cortisona por longos anos. Sabia ser diabético e para esta moléstia estava medicado. Tinha catarata em ambos os olhos, mais densa no OD. Sua pressão intraocular era 14 nos dois olhos (AO). Entre outros medicamentos tomava Diabinese e Meticorten. A visão era 0,1 no olho direito e 0,4 no olho esquerdo com uso de lentes de grau. Em 3.4.1987 operei seu OD de catarata, implantando-lhe lente intraocular (MODIFIED J: BLUE FLEXFIT 10 Degrees 13.50mm Power: 17.00 Ster.Exp:91/07/01 N0.17.00 071782 J 07 5812). Em 01.11.1989 teve hemorragia intraocular pelo diabetes. Depois, operei sua catarata do OE com implante de lente intraocular (12.12.1989) com bom resultado visual. A lente era IOLAB de 16.0 dioptrias Nº de controle 26E07 - 085 Em 02.7.1991 teve hemorragia no branco do olho (conjuntival) quando indiquei procedimento cirúrgico ocular no OD, uma capsulotomia posterior. Em 26.8.1993 queixava-se de ver as imagens em diplopia (visão dupla), tinha paralisia de músculo do olho, pelo diabetes. Em 26.08.1993 atendi-o pela última vez. Monsenhor Agenor Neves Marques faleceu em 31.8.2006, aos 91 anos de idade e 66 de sacerdócio. Foi sepultado no Cemitério Municipal de Urussanga. Já Natalino Neves Marques, pai de Monsenhor e surdo, operei de catarata em 8.2.1979, OE, aos 94 anos de idade. Seu último exame foi em 26.11.1984, estava bem, tinha catarata madura no OE, pressão intraocular normal, 14/14.

O FINAL

Também tem a história dos 4 sinos de Bassano para a igreja matriz de Urussanga de 1904, mas esse relato já se alonga em demasia e vamos deixar esse restante para outra ocasião.

Fim de Padre Agenor e Juiz Varella.

Por Henrique Packter 18/09/2023 - 08:30 Atualizado em 18/09/2023 - 08:32

Para Edgar Roquete Pinto, célebre radialista carioca, o rádio queria atingir os excluídos, seria o “jornal de quem não sabe ler, mestre de quem não pode ir à escola, diversão gratuita dos pobres, animador de novas esperanças, consolador dos enfermos, guia dos sãos”.  Esse o papel do rádio.

Em sua infância, Guglielmo e a mãe Anna, passavam muito tempo viajando pela região do porto de Livorno, costa oeste da Itália, onde vivia uma tia. Dessas viagens a Livorno, vem a atração de Marconi pelo mar. Em Livorno estava instalada academia da marinha real italiana, a Regia Marina. Marconi tinha o incentivo do pai (Giuseppe) para entrar na academia naval, coisa que não conseguiu; no entanto, seu encanto pelo mar o acompanhou pela vida.

Inventor do primeiro sistema prático de telegrafia sem fios (TSF -1896), Marconi baseou-se em estudos elaborados em 1897 por Nikola Tesla para, em 1899, realizar a primeira transmissão através do Canal da Mancha. A teoria de que as ondas eletromagnéticas poderiam propagar-se no espaço, (James Clerk Maxwell e comprovada por Heinrich Hertz, 1888), foi utilizada por Marconi entre 1894 e 1895. Em 1894, contando apenas vinte anos, transformou o celeiro de sua casa em laboratório e estudou os princípios elementares da transmissão radiotelegráfica: bateria para fornecer eletricidade, bobina de indução para aumentar a força, faísca elétrica emitida entre duas bolas de metal, gerando oscilação; um Coesor, como inventado por Édouard Branly, situado a alguns metros de distância que, ao ser atingido pelas ondas, acionava uma bateria e fazia uma campainha tocar.

1896 e está na Inglaterra, após constatar que não havia interesse por suas experiências na Itália. Em 1899 é bem sucedido na transmissão sem fios do código Morse através do Canal da Mancha. Dois anos após consegue que sinais radiotelegráficos (letra S do código Morse) emitidos de Inglaterra, fossem ouvidos claramente em St. John's (Terra Nova, hoje no Canadá), cruzando o Atlântico Norte. Faz, então, descobertas básicas na técnica rádio.

Em 1909, 1700 pessoas salvam-se de naufrágio graças ao sistema de radiotelegrafia Marconi. Em 1912 a companhia Marconi produzia aparelhos de rádio em larga escala, especialmente para navios. Em 1915, durante e após da Primeira Guerra Mundial assumiu várias missões diplomáticas pela Itália; em 1919 é delegado italiano na Conferência de Paz em Paris.

Em 1920, parte para sua primeira viagem no Elettra, navio de 61 metros, comprado e equipado para ser seu lar e laboratório no estudo de ondas curtas. Além da família, as cabines do Elettra recebiam visitas ilustres, como os reis da Itália, da Espanha e Jorge V e sua rainha Mary of Tech.

A RÁDIO MARCONI. A ANDORINHA MENSAGEIRA

Em 10.2.1951 Monsenhor funda a Rádio Marconi, a Rádio Difusora de Urussanga Ltda., que em 19.10.1951 obteve permissão para operar. Logo vem a Andorinha Mensageira, programa mais longevo do rádio catarinense. Hoje são 72 anos no ar. Nos domingos, Rosa Miotello, desde 1975, responde pelo programa de rádio e pelo Paraíso da Criança.

MONSENHOR, O ESCRITOR

Escreveu vários livros. O Catequista Ideal é de 1955, ano em que foi nomeado Diretor de Ensino da Arquidiocese de Florianópolis. Escreveu entre outros livros História de Urussanga (1990), Imigração Italiana (1977), Magnólia Branca (1978), Agricultor em Marcha (1980), Magos (1980), Abelha Maravilha (1993), Clarice em branco, Clarice em preto (2005). Desde 1977 Magnólia Branca é a flor oficial de Urussanga. Bandeira, brasão, e hino Urussanguense são de sua autoria. Segundo Maestrelli, POLÍTICA, no entendimento de Monsenhor, seria o único caminho para realizar as coisas.

Monsenhor escreveu os hinos de Urussanga, Jaguaruna, Morro da Fumaça, Grão-Pará, Cocal do Sul, Timbé do Sul. Também o Hino do Imigrante e o Hino da Agricultura com o qual ganhou concurso nacional. É autor, do Hino da Agricultura de SC. Ampliou o perímetro urbano de Urussanga, participou de vários grupos de intelectuais como a Academia Internacional dos Poetas, Academia Urussanguense de Letras, Academia São José de Letras. Criou em 1988 o Museu de História Municipal de Urussanga. Esteve nas origens do Jornal Vanguarda, mesmo nome do primeiro jornal fundado na cidade.

A SAGA OFTALMOLÓGICA DE AGENOR NEVES MMARQUES

Em 03.3.1960, quando o futuro Monsenhor contava 45 anos, procurou-me ele para troca de lentes. Era míope. Tinha 2 graus de miopia no olho direito (OD) e 1,75 no olho esquerdo (OE). Receitei-lhe lentes bifocais, trocadas depois em 21.6.1965. Voltou em 15.4.1975, com 60 anos de idade. Posteriormente esteve em meu consultório em 25.8.1980, 10.3.1981, 26.11.1984 (70 anos), desta última vez com queixa de nuvem no OD. Tinha crises de bronquite asmática e tomou cortisona por longos anos. Sabia ser diabético e para esta moléstia estava medicado. Tinha catarata em ambos os olhos, mais densa no OD. Sua pressão intraocular era 14 nos dois olhos (AO). Entre outros medicamentos tomava Diabinese e Meticorten. A visão era 0,1 no olho direito e 0,4 no olho esquerdo com uso de lentes de grau. Em 3.4.1987 operei seu OD de catarata, implantando-lhe lente intraocular (MODIFIED J: BLUE FLEXFIT 10 Degrees 13.50mm Power: 17.00 Ster.Exp:91/07/01 N0.17.00 071782 J 07 5812). Em 01.11.1989 teve hemorragia intraocular pelo diabetes. Depois, operei sua catarata do OE com implante de lente intraocular (12.12.1989) com bom resultado visual. A lente era IOLAB de 16.0 dioptrias Nº de controle 26E07 - 085 Em 02.7.1991 teve hemorragia no branco do olho (conjuntival) quando indiquei procedimento cirúrgico ocular no OD, uma capsulotomia posterior. Em 26.8.1993 queixava-se de ver as imagens em diplopia (visão dupla), tinha paralisia de músculo do olho, pelo diabetes. Em 26.08.1993 atendi-o pela última vez. Monsenhor Agenor Neves Marques faleceu em 31.8.2006, aos 91 anos de idade e 66 de sacerdócio. Foi sepultado no Cemitério Municipal de Urussanga. Já Natalino Neves Marques, pai de Monsenhor e surdo, operei de catarata em 8.2.1979, OE, aos 94 anos de idade. Seu último exame foi em 26.11.1984, estava bem, tinha catarata madura no OE, pressão intraocular normal, 14/14.

O FINAL

Também tem a história dos 4 sinos de Bassano para a igreja matriz de Urussanga de 1904, mas esse relato já se alonga em demasia e vamos deixar esse restante para outra ocasião.

Por Henrique Packter 11/09/2023 - 08:50

O Aeroclube Albatroz possui 3 hangares, oferece oficina homologada para aeronaves experimentais e serviços de hangar. Waldir avisou: vamos descer e pousar! E foi o que fez, com grande perícia. Mal descemos, um empresário de sobrenome Raupp correu ao nosso encontro indagando como chegáramos a pousar ali. Não havia teto que possibilitasse a proeza!

Raupp, ao saber do que se tratava, orientou-nos sobre como chegar a Porto Alegre. As instruções eram todas de caráter visual, portanto o valente avião não poderia elevar-se, tornando a viagem bastante desconfortável. Mas, assim, chegamos a Porto Alegre, onde uma ambulância nos esperava. Levados à Santa Casa, fomos atendidos pelo Dr. Paglioli. Ele examinou o paciente e ao final do exame declarou que à primeira vista ele estava bem, que nada tinha. Pedi-lhe que visse seu fundo de olho. Foi o que fez e, sem nada dizer, ele mesmo empurrou maca e doente com rapidez para o centro cirúrgico. Lá, foi submetido a cirurgia para remoção de grande coágulo e contenção da hemorragia cerebral. Ele se restabeleceu, sem sequelas. 

VOLTANDO À VACA FRIA. O JOVEM EM ASFIXIA POR SEMENTE DE MELANCIA

Dois médicos atendiam e tinham residência em Urussanga na era de ouro de Padre Agenor e Varelinha. Eram eles Aldo Caruso Mac Donald (o mais antigo) e Raul do Nascimento Athayde da Rosa. Este sempre foi grande amigo meu, também formado em Curitiba na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Paraná. Raul formou-se em 1956. Ele foi colega de Edmundo Castilho, o fundador da Unimed no Brasil. De José Ramos May, irmão do Juiz em Criciúma, Francisco May Filho e depois desembargador em Florianópolis, Joubert Barros de Almeida (ORL em Lages), Luiz Fernando Bittencourt Beltrão (ORL em Joaçaba), o grande Kit Abdalla (brilhou intensamente no oeste do Paraná), Octávio Bessa   Júnior (da Laguna, teve notável carreira em cl& iacute;nica médica nos EUA), Paulo Dias Fernandes (Pablo Diaz Hernandes, contemporâneo meu em Santa Maria, RS; poeta, escritor e ORL radicado em Erechim), Thomaz Reis Mello (cirurgião, trabalhou sempre no Hospital São José de Criciúma, João Conrado Leal (anestesista do hospital São João Batista em Criciúma), Klaus Wolffenb:uttel (foi casado, por alguns meses, com nossa colega da turma 1959, Ayesha Batista), Francisco Ernesto Saboia (médico em Sombrio, SC, e já aposentado, plantonista no Hospital Regional São José), Doral Bomfim (ortopedista, professor de ortopedia).

Nas décadas de 1960 e 1970, quando o pároco de Urussanga era Padre Agenor Neves Marques e Minervina Bez Batti Simões tornara-se a primeira mulher a administrar o hospital mostrando coragem e determinação, o hospital de Urussanga ganhou grande reforma e ampliação. Novos equipamentos foram adquiridos e inaugurados novo centro cirúrgico, nova maternidade e nova pediatria.

MAIS UM RETORNO À VACA FRIA

Solicitado, Varelinha não titubeou: reúne os irmãos José e Aurélio Trento e Padre Agenor Neves Marques, inseparáveis amigos, para que iluminassem o irregular potreiro do Meneghel. Três automóveis seguiram para lá e se postaram estrategicamente em ambas as cabeceiras da improvisada pista. Varella e o arquejante menino ocupavam os dois únicos assentos do pequeno Paulistinha. Noite fechada. Ar pesado. Expectativa. Apreensão. Olhares preocupados. Contrariando tudo isso, ali estava o Rutinha, focinho ligeiramente empinado, ar arrogante, aguardando orgulhoso e impassível sua missão. Acionado o start, facho de fumaça-rica explodiu luminoso, expelido pelos escapamentos laterais. Sorte lançada: destino final: São Paulo. Sem iluminação alguma a não ser a tênue luz do painel a aeronave alçou voo e sumiu na densa escuridão.

Na lembrança dos que presenciaram a subida, ficou, por alguns minutos, o roncar firme exibindo a saúde do confiável motor Continental que equipava o valente PP-RUT, o Rutinha, como era chamado. Claro é que, ao invés de uma vida, a partir daquele momento extremo, vidas estavam em jogo com pequeno percentual de chance de sobrevivência para ambas. Nada difícil avaliar a gravidade do momento, daí a apreensão dos que ficaram, especialmente pelo que Varelinha representava. Na escuridão que se seguiu logo após a decolagem houve quem comentasse, a título de consolo, que, se o pior viesse a acontecer, Varella se despediria do mundo certamente como mais almejava: empunhando o manche de seu avião. Varella era mais que um simples piloto: era um mito da aviação civil no in terior do Brasil. Seu nome era uma lenda viva, tanto como aviador como magistrado. Era o Juiz alado. Tomou a rota marítima, guiado pelas constelações e eventuais cidades litorâneas que conhecia detalhadamente, até pelos escassos luminosos de néon que eventualmente possuíssem. Para abastecimento, programou o primeiro pouso em Florianópolis, onde não teve problemas devido à quase total ausência de fiscalização das autoridades aeroviárias naquela hora da noite. Abastecido, logo decola. Em Curitiba, após enfrentar violenta turbulência, comum na região do Vale do Itajaí, oficiais da aeronáutica civil já o aguardavam, alertados posteriormente à decolagem de Florianópolis, por alguém que não entendera o que acontecia e denunciara o piloto, via rádio. Ao descer no aeroporto Afonso Pena, em cujas proximidades, ano 1958, mo rreriam, Nereu Ramos, Leoberto Leal, Jorge Lacerda e Sidney Nocetti (quando da queda de um Convair 440 da Cruzeiro do Sul), Varella foi interceptado e ameaçado de detenção e de apresamento da aeronave. Identificou-se como juiz, o que de pouco adiantou. Então, implorou que lhe concedessem a oportunidade de salvar aquela vida. A vida de um adolescente que merecia viver e estava às portas da morte, no interior do avião. Um oficial checou a exígua cabina do Rutinha e a veracidade do que se dizia, permitindo a decolagem. Novos perigos na rota seguinte, em face de irregularidade geográfica do terreno que propiciava mais e violentas turbulências. Na noite cerrada, Varella sobrepujou a todos os percalços.

Quase manhã, pousava, ainda clandestinamente, no movimentado aeroporto de SP. De novo problemas com o controle de pousos e decolagens. Afinal, um penetra furara o movimentado espaço aéreo e burlara a lei, arriscando-se em meio a dezenas de aviões de carreira! Vem a ambulância e Varella passa as necessárias instruções aos paramédicos. O paciente, no centro cirúrgico hospitalar, passará por procedimento médico destinado à remoção de corpo estranho brônquico.  Varella, então, oferece as duas mãos para ser algemado e preso. Estendeu a chave de partida de seu avião. Voz embargada, teria dito: “Agora sim - prendam-me! Façam-no em nome da Lei”.

AGILMAR MACHADO ASSIM CONCLUI A NARRATIVA

Autoridades aeroportuárias, no episódio noturno, haviam passado à imprensa, informação de pequeno avião vindo clandestinamente do sul, pretendendo chegar a SP. À chegada de Varella, a imprensa invade o aeroporto. Sabendo dos motivos que o levaram àquela temerária aventura, tudo muda: a partir daquele momento, estava escrita, no honroso currículo de Newton Varella, uma das mais emocionantes histórias da vida de um piloto particular, de um homem de bem. Talvez o mais comovente registro da epopeia da longa trajetória de heroicos feitos da aviação civil deste país.

Esta singela homenagem tributada à figura de Newton Varella, é dedicada aos seus familiares, às memórias de João Pacheco dos Reis, o Pachequinho, Valdir Neves, Nelinho, Dego Orige, Aurélio, e José Trento; à sensibilidade do Monsenhor Agenor Neves Marques, a Adamastor Rocha, amigos inseparáveis de Varelinha, e, de forma especial ao Desembargador Newton Varela Filho e ao major paraquedista, Clavius Varella, irmão de Newton. A história da aviação civil, precursora no sul catarinense, registrará duas fases referenciais distintas. Tudo que se relaciona à aviação no sul, será ilegítimo se não se tomar como parâmetros básicos, dois únicos períodos: o que antecedeu e o que sucedeu à empolgante traje tória de Newton Varella.

Seus exemplos na arrojada forma de voar, no total desprendimento e na sempre presente solidariedade humana, são marcantes. Pena é que nossa memória em geral não busque guardar exemplos grandiosos como este e de tantos outros heróis, anônimos ou não, que passaram pela vida legando-nos assinalados e sábios ensinamentos! É pena...

Nossos respeitos, velho pintacuda e nobre Monsenhor, onde estiverem, sobrevoando ou não a imensidão do agora perene céu de brigadeiro. Lembremos do passado e nos certifiquemos, através deles e seus legados, do que é capaz a ousadia, a determinação e o amor por nossa terra. Ao Padre Agenor e ao Juiz Varella, nossa homenagem e respeito.

 MONSENHOR AGENOR NEVES MARQUES: MEU CLIENTE

Natural da Palhoça, como o governador Ivo Silveira, de quem era amigo. Sagrado padre em 29.12.1940, Tijucas/SC. Em 29.9.1947 está em Urussanga onde permanece até 2006 aos 91, quando morre. Pároco entre 1948 a 1987. Segundo Maestrelli (2019) era dono de oratória infernal, de improviso. Sacerdote-escritor, agricultor, aviador, acadêmico, padre, pai, pesquisador, poliglota, político, poeta, motoqueiro, radialista, rotariano, soldado, sociólogo, orador, escritor, pediatra, historiador, sacerdote, escritor (20). 

Em 1942 fundou a Casa da Criança de Criciúma, hoje Colégio São Bento. Já em Urussanga funda o Paraíso da Criança entregue às Irmãs Beneditinas e com capacidade para abrigar até 150 crianças. Funcionou 55 anos, sendo hoje Casa de Passagem.  Para manter essa instituição criou organismos como a Sociedade das Damas de Caridade, a Gráfica Paraíso, a Malharia – todas com objetivo de arrecadar fundos destinados àquela iniciativa.

Em 1951 fundou a Rádio Marconi, a voz de veludo (de tecido aveludado) ou a voz dos vinhedos, que, durante um ano funcionou na Igreja Matriz! Marconi, para homenagear o físico e inventor italiano Guglielmo Marconi (Bolonha, 25.4.1874-Roma, 20.7.1937).

Segundo Maestrelli o programa de rádio de Monsenhor teria o pretensioso nome de microfone de Deus, depois trocado para Andorinha Mensageira.Com a morte de Monsenhor, Rosa Miotello assumiu o programa que acontece todos os domingos e quando ele ocorria, desde 2.4.1975. O bispo da diocese compreendida na paróquia de Urussanga, não poucas querelas teve com Monsenhor. Era Dom Anselmo Pietrula e considerava ser sacrilégio expandir a palavra de Deus para fora da Igreja.

Por Henrique Packter 04/09/2023 - 10:00 Atualizado em 04/09/2023 - 11:33

Juiz em várias comarcas do sul catarinense, por onde passou Newton Varella manifestava especial apreço à aviação civil. Muito piloto obteve brevê graças à orientação e ensinamentos de Varelinha. Dentre muitos, pode-se citar: José Francioni de Freitas (o Dite), Adamastor Rocha, Waldir Neves, Frederico (Lila) Casagrande (Criciúma), Omero Clezar, Manoel Salvato (Nelinho), Edgar Orige (Araranguá), José e Aurélio Trento (Urussanga). Prestaram eles significativos serviços à comunidade, com seus pequenos monomotores.

José Trento foi continuador da obra de Varella na região de Urussanga por volta de 1953, quando o juiz deixou aquela Comarca.

Varella ministrava aulas de pilotagem num improvisado campo de pouso em propriedade de Estação Cocal. Na verdade o campo de pouso era pastagem cedida pela família Meneghel, onde, antes de cada procedimento de pouso-decolagem, cumpria ao piloto ou aspirante a, espantar o gado para um só lado do gramado, deixando livre o trilho já definido pelos pneumáticos dos muitos paulistinhas que ali operavam. Quando em terra, taxiava-se pelo pasto para repontar os bichos; se no ar, os rasantes eram a forma de fazê-lo. Com a transferência de Newton e, consequentemente, do eficiente e sempre disponível Rutinha, o modesto aeroclube de Urussanga recebe aparelho que estivera a serviço de instrução em Itajaí. Estava no aro!

Graças aos conhecimentos mecânicos de José e Aurélio Trento, esse potencial gerador de panes foi todo reformado, não sem antes terem alguns destemidos nele voarem, da forma que chegou: motor baleado, fuselagem remendada com adesivos, circuito elétrico comprometido e sistema de combustão deficiente; alguns pontos dos condutos exibiam mechas, usadas para sanar vazamentos. A boia do reservatório de combustível não funcionava. Qualquer varinha servia para medir a gasolina e certificar-se de que havia reserva suficiente para alguns minutos no ar.

Varella era natural de Laguna. Ao se aposentar, estagiou por período considerável como observador brasileiro junto à NASA. Depois de cair 28 vezes, ele, como José Trento, vieram a falecer em acidentes rodoviários... Ironia do destino!

HONRA AO MÉRITO

A Standard Oil do Brasil (ESSO), conhecida multinacional de petróleo e derivados, por anos manteve nas rádios Farroupilha (POA), Tupi (SP), Nacional (RJ), e algumas poucas outras o famoso noticiário Repórter Esso. Herón Domingues, gaúcho de São Gabriel, foi o mais correto apresentador do impecável noticioso de 5 minutos, na Rádio Nacional, além de ter chegado à direção da privilegiada emissora estatal com a saída de Vitor Costa. A ele foi confiado quadro-homenagem do conceituado patrocinador (ESSO), que constituía na outorga periódica de medalhas de ouro de Honra ao Mérito a brasileiros que se destacassem. Foram poucos os aquinhoados com tal distinção pela minu ciosa pesquisa e acuradas análises procedidas aos aspirantes à honraria pela rígida comissão de julgamento.

Newton Varella foi um destaque e talvez, entre os agraciados, o mais citado, especialmente pelo feito que o levou a ser selecionado para a honraria. Mereceu grande destaque no RJ na festa de entrega, frente a autoridades nacionais. Na época, operações aéreas noturnas nessa região simplesmente inexistiam, pela carência de segurança nos campos de pouso, pela precariedade dos próprios equipamentos de voo. O teco-teco, como era conhecido o popular monomotor paulistinha, possuía apenas manche, cabo de aceleração, altímetro e controle de combustível por gravidade. O tanque ficava localizado exatamente à frente do para-brisa, no nariz do avião, com uma boia de cortiça na parte interna do reservat ório, ligada por filete de aço à parte superior externa. Na extremidade superior uma bolinha vermelha (como boia de pesca), marcava a disponibilidade de combustível, na base do olhômetro... Com equipamento dessa categoria, seria humanamente impossível procedimentos de subida ou descida em qualquer aeroporto, durante a noite. Mas, não para Varella, que nunca acreditou no impossível, enquanto pilotava seu avião. De todas as 28 vezes que veio ao solo em queda livre, somente um osso de costela quebrado foi o saldo dos acidentes sofridos. Ria-se, contando até episódios de suas quedas! Ele não soube somente voar; foi exímio também no cair...  Aos discípulos prevenia nas informais aulas teóricas e mesmo em voo: “em caso de pane irreversível, quando a última esperança se anunciar, abra a sanefa e caia fora, faça de conta que voc& ecirc; é composto somente de cabeça e espinha dorsal: proteja essas duas partes da carcaça. O resto deixa quebrar que tem funilaria lá em baixo prá remendar.” Sanefa é a larga faixa de tecido ou madeira que reveste a parte superior de uma cortina.

SOLIDARIEDADE HUMANA

Quando ainda em Urussanga, certa noite, Varella teria sido acordado por mãe aflita, o filho com a traqueia obstruída por semente de melancia. Estaria à beira da morte por asfixia. Não havia na região toda recursos médicos para remoção deste corpo estranho. A alternativa era levar o paciente para Porto Alegre, Curitiba ou São Paulo. Mas, tempo disponível exíguo, cada minuto precioso, daí, a dificuldade em entender o porquê da escolha da distante São Paulo para atendimento àquele problema médico. Porto Alegre, bem mais próxima, tinha recursos para resolver a grave e urgente situação.

GRAVE E SIMILAR CONDIÇÃO, DESTA VEZ EM CRICIÚMA

Lembra-me aqui que passei por problema semelhante no início dos anos 60, quando cheguei a Criciúma. Era um dia de comemoração. Mineiros da Próspera festejavam data com muito churrasco e cerveja. Alguns se excederam no uso de álcool e foi quando um capataz da mineração, foi empurrado e, caindo, teve grave lesão craneana. Não havia, ainda, neurologista ou neurocirurgião na cidade e nem em Florianópolis. Nesta última cidade, em breve, chegaria o neurocirurgião Dr. Livínio Godoi, meu calouro na Faculdade Federal de Medicina de Curitiba, PR, da turma 1960.

Fui chamado para atender o paciente à falta de especialistas na área em Criciúma e arredores. Externamente o paciente não tinha qualquer lesão, mas sua conduta era muito suspeita. Tinha embriagues e estava desacordado, sendo necessário sacudi-lo com energia para que respondesse a estímulos e mesmo a perguntas. Fiz-lhe exame de fundo de olho e assustei-me com o resultado, o acidentado exibia edema de papila, sinal de hipertensão intracraniana e portanto suspeição de hemorragia cerebral. O paciente tinha vômitos.  Indiquei que fosse removido para serviço de Neurocirurgia com a máxima urgência. O avião disponível na cidade era pilotado por Waldir Neves, piloto treinado por Newton Varella. O avi& atilde;o dispunha de dois assentos na frente para Waldir e para mim. Atrás, na cabine, grosso fragmento de madeira na qual viajariam precariamente o acidentado e seu jovem irmão. O pequeno avião dispunha de um localizador bem rudimentar. Acionado, uma seta indicava de onde vinham os sons emitidos pela emissora. Assim, sabíamos onde estávamos. O tempo estava encoberto e não víamos nada, apenas nuvens. A certa altura Waldir disse que estávamos sobre Osório. Tratei de encolher as pernas lembrando dos altos morros que circundavam a cidade. Osório sediava o Aeroclube de Planadores Albatroz. Osório está a 100 km de Porto Alegre.

Por Henrique Packter 28/08/2023 - 08:45 Atualizado em 28/08/2023 - 09:00

Saindo dos estúdios da Rádio Som Maior de Criciúma, sexta-feira, 25 de agosto de 2023, encontro o jornalista Rafael Niero que ouvira minha entrevista, recém-concedida a José Adelor Lessa sobre Monsenhor Agenor Neves Marques e Newton Varella, juiz da Comarca de Urussanga.

Niero tem um filme de 20 minutos focando Monsenhor, além de fantásticas histórias sobre esse notável personagem. Numa delas, senhora da cidade corre à sacristia onde Monsenhor se encontrava. Trazia ela seu cão de guarda, única companhia que lhe restara na viuvez. O cão estava imóvel em seus braços, parecendo sem vida. Ela viera em busca de uma oração, uma benção para o pobre animal. Padre Agenor murmurou breve oração, finda a qual o cão despertou de seu sono, voando feito um raio para a rua.

POSTADO POR JORNAL NOSSO TEMPO - NEWTON VARELLA. Ícaro do Sul (Baseado em trabalhos de Márcia Marques Costa e de Agilmar Machado, da Academia Criciumense de Letras, patrono e ocupante Cadeira n.21. Revista Acadêmica II. 21.8.2008).

PADRE e JUIZ ALADOS BENZEM URUSSANGA e JOGAM FLORES para o POVO

Para escrever sobre os causos e histórias em que Monsenhor se envolveu durante os mais de 60 anos que residiu na Benedetta Urussanga, páginas – muitíssimas páginas - seriam insuficientes para relatar tudo o que este homem vivenciou. Monsenhor é título honorífico, honraria papal, concedida em 1963, sendo Papas João 23 e Paulo 6º. AGENOR NEVES MARQUES, Padre Agenor, nasceu na Palhoça (SC), grande Florianópolis, 10.10.1914. Bom orador sacro, radialista, escritor, poeta, compositor, um apaixonado pela apicultura. Sua ordenação sacerdo tal ocorreu em 29.12.1940. Faleceu em Urussanga, 2006.

Deu extrema unção a duas pessoas da mesma família entre o início e o fim de uma refeição, esqueceu horário de um casamento e fez os noivos esperarem na frente da igreja e até se vestiu de mulher e colocou peruca com cabelos loiros para fazer campanha política e ludibriar seus opositores. Assim foi Agenor Neves Marques, Nevinho para os familiares, Padre Agenor para a multidão de admiradores, Monsenhor Camareiro do Vaticano para aqueles que se orgulhavam da sua influência na Roma papal e Nonô para aqueles que tencionavam diminuir-lhe as qualidades.

A MORTE DE APERITIVO E DE SOBREMESA

Se hoje é difícil achar um padre para rezar missa de corpo presente e as famílias acabam aceitando mensagem e orações na capela do cemitério, o pré-sepultamento, outrora, era bem diferente. Quisesse ser respeitado e querido por sua comunidade, precisava o Padre estar disponível o tempo todo. Sem horário pré-estabelecido e sem férias.

Assim foi com o Padre Agenor quando pároco em Urussanga, onde as famílias costumavam chamar o sacerdote para dar extrema unção aos seus entes queridos. Único horário respeitado era das 12h às 14h, quando a Casa Paroquial cerrava portas para que Padre Agenor descansasse de uma jornada que iniciava às 5h e normalmente se estendia até 22h ou 23h. Dia normal, o almoço era servido por volta das 11h30min.

Em dia bastante frio e úmido de inverno da Benedetta, Padre Agenor, sentara-se ao lado de mãe Otília para mais um almoço, a comida mantida aquecida no fogão a lenha, o belo prato fazendo jus ao gosto familiar pelas boas comidas. Após duas garfadas, eis que surge cidadão desesperado, pedindo que o Padre fosse até sua residência, próxima da Casa Paroquial, para uma extrema unção. Monsenhor se levanta rapidamente e chega a tempo de perdoar os pecados do enfermo que, assim, poderia passar com menos angústia para o outro plano. Confortados os familiares, Padre Agenor retorna para casa e, ainda abalado pela morte do urussanguense de quem era amigo, afinal consegue almoçar. Já deitado para a sesta, volta o mensageiro da morte, chamando-o para conceder outra extrema unção.

Padre Agenor levanta, veste a batina, apanha água benta e demais apetrechos necessários. Assusta-se ao saber que era outra extrema unção no mesmo endereço. Desgraça! Pelo choque e pela tristeza de perder o marido, a esposa acabou enfartando e também morre. Triste história, reveladora do espírito altruísta de quem dirigia a igreja católica na urbe.

Os VOADORES. O JUIZ ALADO

Grande amizade unia o Padre e o Juiz da Comarca, Newton Varella (Varelinha), também piloto de teco-teco. Nascido em fevereiro de 1919, aprendeu pilotagem de teco-tecos no RJ, março de 1938 e entre seus inúmeros feitos consta voo passando por baixo da ponte Nereu Ramos em Tubarão para ganhar uma aposta.  O juiz era proprietário de monomotor, que utilizava como entretenimento e também para apoio em emergências como levar doentes graves para centros maiores ou auxílio em catástrofes.

Em registros de 6.12.1949, Padre Agenor conta que, na semana da festa da Nossa Sra. da Imaculada Conceição, padroeira da cidade, ele e o Juiz percorreram todos os recantos do município de Urussanga para benzer as residências de 2.326 famílias. Utilizaram, para isso, 9 litros de água benta. Moradores deveriam estender frente à casa, lençol branco com uma cruz de flores. Previamente, Padre Agenor anunciava pela Rádio Marconi (que ele criara), quando ocorreria o fato e como merecer esta bênção da Igreja em cerimônia apropriada.

Na época, Urussanga englobava os municípios de Morro da Fumaça, Cocal do Sul, Siderópolis e Treviso. E foi em Treviso que ambos conheceram a fragilidade humana, mesmo com os poderes que lhes haviam sido delegados pela fé e pela justiça. Padre Agenor diz que caíram, “mas sem graves consequências”. Certo, os danos devem ter sido poucos, pois dois dias depois, 8.12.1949, enquanto a população homenageava sua padroeira, o juiz Newton Varella, missa finalizada, jogou flores sobre a cidade.

Padre Agenor trilhava pelos recantos do município; ele andou 4 horas a cavalo, 6 horas de moto e percorreu 30 mil quilômetros com seu automóvel. Com o amigo Varella, fez 7 horas e 30 minutos de voo no PP/RUT. Foi e será a única vez na História da Benedetta que um juiz e um padre católico benzeram e jogaram flores de monomotor.

Newton Varella que ficou conhecido como juiz alado por dividir a judicatura com a aviação, dá nome ao Fórum de Garopaba. O mais famoso avião particular do sul catarinense nas décadas de 50/60, pertencia a Newton Varella, o Varelinha, então Juiz de Direito em Urussanga. Exímio piloto e instrutor de pilotagem aérea, o prefixo PP/RUT era homenagem à esposa do magistrado. Ela, certamente, vivia com o rosário nas mãos pedindo a proteção celestial para o marido que, junto com o Padre da cidade, gostava de dar voos rasantes junto aos ciprestes da Anita Garibaldi.

(Fim da primeira parte. Continua próxima semana)

Por Henrique Packter 21/08/2023 - 10:55 Atualizado em 21/08/2023 - 10:58

Imagino que o que vem a seguir é de minha autoria; se não é inteiramente escrita por mim, grande parte é. O artigo estava entre meus guardados e acabou sendo resgatado por meu filho Bruno, engenheiro civil e filósofo clínico que, em boa hora, foi dar uma espiada na salinha que denomino pomposamente de biblioteca e encontrou o artigo.

O que vem escrito é uma singela homenagem ao Padre PAULO PETRUZZELLI, italiano nascido em Cassano Murge, em 5.1.1920. Ingressou no Seminário Rogacionista aos 13 anos. Sagrou-se sacerdote em Roma, 19.7.1947 e dedicou seus primeiros anos de sacerdócio aos meninos órfãos de Messina, Sicília. Chegou ao Brasil  em 1º.8.1951 iniciando seu apostolado em Bauru (SP), onde dirigiu a CASA DO GAROTO, confiada pela prefeitura local à Congregação Rogacionista. Transferido para Criciúma aqui chega em 24.5.1954 na condição de DIRETOR DO BAIRRO DA JUVENTUDE, cargo que ocupou por dez anos. Ao lado do Bairro construiu Igreja Paroquial dedicada a Nossa Senhora das Graças, construindo também o Seminário Rogacionista Pio XII. Frequentava o sacrossanto CAFÉ SÃO PAULO, tomando placidamente seu cafezinho numa das mesas, cercado de amigos e admiradores. Às vezes aceitava um cigarro, depois largado displicentemente no pires. Era uma figura fantástica, notável, atraindo todos os olhares e todos os ouvidos. Queixa frequente na época era a rigidez de outra grande expressão da Igreja católica entre nós, o PADRE ESTANISLAU CIZESKI. Em se tratando de casamento, não abria mão: só aceitava casar católicos, exigência  essa estendida às testemunhas. O jeito era casar lá no Pinheirinho com Padre Paulo.

- Padre Estanislau não quer casar sua filha na Igreja Matriz São José porque você é maçon, comunista e ateu?

- Leva lá na minha igreja que eu caso. Uma das testemunhas é muçulmana? Não faz mal, leva lá que eu caso. É tudo filho de Deus!

O bom padre Manoel lá na Igreja da Próspera tinha a mesma postura.

Padre Paulo Petruzzelli sai de Criciúma e retorna a  Bauru onde trabalha por mais 2 anos.

Eleito Conselheiro Geral da Congregação Rogacionista volta a Roma, onde permanece por 6  anos. Terminado seu mandato, vem a Criciúma na qualidade de Pároco da Paróquia de Nossa Senhora das Graças. A 26.6.1981 viaja aos EUA como Representante da Missão Rogacionista na América do Norte. Foi sucedido em Criciúma pelo Padre Mário Labarbutta. Padre Paulo Petruzzelli faleceu em Sanger, Condado de Fresno, Califórnia, EUA, em 31.3.1985.   

A INFLUÊNCIA DA TOLERÂNCIA ou NÃO HÁ O QUE NÃO HAJA

O ensino da teoria da evolução nas escolas dos EUA sempre foi assunto tratado com a máxima discrição. Darwin, estudado numa escola secundária do interior naquele país, dava cadeia no filme O VENTO SERÁ TUA HERANÇA, dirigido por Stanley Krammer com dois dos maiores atores cinematográficos de todos os tempos: Spencer Tracy e Frederich March. Alguém aí lembra deles? Em 1925 o filme mostra criacionistas opondo-se à teoria da evolução porque esta contradizia a interpretação literal bíblica do Gênesis. Professores de Ciência faziam insinuações sobre a inexistência de Deus e alguns acreditavam na teoria de um projetista inteligente que explicava o sentido da evolução.      

Seria possível demonstrar haver sentido no mundo ou que exista por trás de tudo um projetista inteligente? Também não é possível mostrar a inexistência de Deus.

Hoje, a polêmica está limitada a alguns estados norte-americanos mais conservadores. No resto do país e quase no mundo inteiro que vale a pena, religião e ciência são campos paralelos que fazem perguntas e oferecem respostas a problemas que são diferentes e não em oposição.

Os EUA são uma federação de seitas, etnias e raças fundamentalistas. Democracia e liberdade de expressão resultam de um equilíbrio tenso entre grupos igualmente poderosos com princípios rígidos e inegociáveis. Daí os americanos serem adeptos do Pragmatismo ou do Relativismo, únicas orientações possíveis num país congestionado de verdades irreconciliáveis onde não há espaço para a mentira, motivo para levar o presidente Nixon ao impeachment ou condenar alguém na Corte. A tolerância (do latim tolerare, suportar), é necessária entre ideias que não são apenas diferentes, mas contraditórias. Evolucionismo e Religião são temas diferentes que se opõem apenas quando discutem a existência de Deus, que não é tema da ciência. Religiosos e Cientistas são indiferentes uns aos outros. Já o convívio entre judeus, cristãos e muçulmanos demanda enorme tolerância. Disputam o amor do mesmo Deus, discordam sobre o verdadeiro Messias, usam o mesmo Livro.

Jerusalém, cidade do Templo de Salomão em que Jesus foi crucificado e Maomé subiu aos céus é o centro da discórdia. Acho que todos ainda lembram das charges sobre Maomé na imprensa dinamarquesa que geraram protestos e mortes. Na França foi necessário criar lei para criminalizar a negação do holocausto. A liberdade de expressão levada ao limite constitui ameaça à liberdade de expressão.   No Brasil, a tolerância expressa-se em nosso sincretismo religioso que coloca mães de santo e de terreiros dos rituais afros do candomblé na missa das oito. Brancos e até um presidente branco brasileiro dizem ter um pé na senzala.  Árabes e judeus falam o mesmo dialeto varejista e até casam entre si. Somos pragmáticos, não convivemos com verdades ´rígidas. Seríamos um país admirável se tanta tolerância não fosse apenas fruto de indiferença.

A verdade verde-amarela, mais flexível, convive bem com contradições, exceto no campo belicoso das paixões clubistas.

Por Henrique Packter 14/08/2023 - 09:29 Atualizado em 14/08/2023 - 09:31

Um ano após a criação da FIESC é criada unidade regional do SESI em SC, dirigida por Celso Ramos (6.12.1951). No primeiro ano fundou 11 escritórios do SESI no estado. Em Criciúma, havia 14 postos para assistência alimentar. Preferência popular era por produtos enlatados. Preços eram elevados para o bolso da classe operária que ganhava salário de Cr$ 360,00 mensais. (Lata de azeite: 49,40; Leite Ninho: 42,00; Talco 7,20; creolina 11,40. Essa compra equivalia a 1/3 do salário. Boa Nova reprova grande quantidade de conservas e doces enlatados nas lojas do SESI.

SATC, 1959

No âmbito da assistência médico-social às famílias mineiras, foi fundada em 1959 a SATC, com duas vertentes: 1. Filhos e filhas dos mineiros tinham escola sem qualquer ônus; escola industrial masculina com oficina de mecânica geral, marcenaria, fundição e eletricidade. 2. Escola profissionalizante feminina. A administração caberia aos Irmãos Maristas.

A distribuição de recursos da CEPCAN contempla a Casa da Criança (Colégio São Bento) com 110 mil cruzeiros, a SCAN (Sociedade Criciumense de Auxílio aos Necessitados) com 475 mil, o HSJ com 85 mil. Era Diretor-Executivo do órgão na época o Cel. Osvaldo Pinto da Veiga.

CEPCAN EM CRICIÚMA

Em 1961 o CEPCAN (Conselho do Plano do Carvão Nacional) é transferido do RJ para Criciúma. Seus recursos destinavam-se a Implantar e modernizar a indústria carbonífera e para assistência médico-social às famílias ligadas ao setor carbonífero, para construir hospitais, postos de puericultura, escolas profissionalizantes, moradias operárias, instituições de amparo à velhice e infância (o Bairro da Juventude, SCAN, sugestão do Rotary de Criciúma em 1949). O CEPCAN em Criciúma lutava por um tripé: amparo à moradia, saúde, educação.

Nos últimos dias do verão de 1954, quando eu iniciava meu curso de Medicina em Curitiba, chegavam pelo trem de Imbituba três religiosas da Congregação das Pequenas Irmãs da Divina Providência. Vão habitar casa no Rio Maina, no centro de grande número de Vilas Operárias e de mineração. A Carbonífera Próspera, o SESI-SC e as Pequenas Irmãs da Divina Providência estabeleceram relações de trabalho (1955-1964) para difusão de bons hábitos de higiene. As Irmãs chegam na Próspera em 25.1.1955. Com elas, a jovem religiosa Cláudia Freitas, 18 anos de idade, recém realizados os votos. Vão residir na parte mais alta do morro. A jovem Irmã pilo ta um jipe ganho do SESI e iniciam-se as visitas domiciliares.

“Quando nós chegamos a sujeira tomava conta, a exceção eram aquelas famílias de colonos. Predominava muita desordem (...) começam por falar de higiene, do valor da higiene (...) O grosso da higiene da casa está muito ruim, tudo era muito primitivo” ”casas todas de madeira preta, tudo era preto, mesmo as crianças brancas ficavam pretas, porque tudo era muito carvão, dava a impressão que punham quatro paus fincados e a casa em cima”.

“O médico falava para a gente, vocês devem ensinar os cuidados com a água”.

A sujidade acumulada na pele das pessoas da Vila Operária e especialmente dos mineiros não saia com o banho de gamela, geralmente colocada no centro da cozinha. Irmã Claudia Freitas fala em chuveiro público para banhar as crianças, sábados à tarde, depois utilizado pelos mineiros, diariamente.

Depois vem a horta comunitária, cursos de corte e costura, higiene, primeiros socorros, alimentação, combate à promiscuidade (adultos e crianças dormindo mesmo aposento) e crianças com porcos, galinhas e cabras.

PEQUENAS IRMÃS DA DIVINA PROVIDÊNCIA, 1964, CRICIÚMA

Desde 64 a assistência médica aos operários do carvão e familiares era proporcionada com ajuda das Pequenas Irmãs da Divina Providência que visitavam 11 vilas operárias, casas medindo 4m X 5m ou 20m², abrigando famílias de até 12 pessoas. Boa Nova Júnior vistoriou as casas da Próspera, descritas por ele como ranchos.

Segundo Manif, além das causas já conhecidas, os óbitos entre as crianças das famílias mineiras de Criciúma relacionavam-se à “ignorância e miséria, eis a resposta formal, categórica e imperativa, que deve ser dada corajosamente”, pois a mortalidade infantil é “fortemente influenciada pelas questões higiênicas de habitação e alimentação, e pelos fatores econômicos e sociais, que quando desfavoráveis carreiam pobreza e atraso cultural” (1957).

Boa Nova Junior confirmava: “é sumamente desagradável e doloroso relatarmos aqui, que muitas criancinhas em Criciúma, pereciam em grande número (...) em virtude do descaso de seus próprios pais, da ignorância das mães”. (1953). Ignorância materna, aliada à falta de assistência pública, criava ambiente para altas TMI em Criciúma.

Mulheres seriam incultas e preguiçosas; necessário era educá-las através de normas higiênicas. A prioridade médica era diminuir drasticamente os números de mortes por intenso processo de reeducação das mulheres.

Boa Nova Junior (relatório ao DNPM, 1953) esclarece porque mulheres substituem o leite materno por alimentação artificial e deficitária em nutrientes: (...) alegação infundada de que seu leite era fraco. Desmamavam as crianças logo às primeiras semanas de vida, substituindo o preciosíssimo leite materno por pirão de farinha de mandioca, feito simplesmente com água.

Desde 1950 havia sólido discurso sobre as benesses da amamentação materna nos primeiros meses de vida da criança. Justificativas evocavam seu caráter natural, propriedades nutritivas; uma composição quase mística que criava elo indissolúvel entre mãe e criança. Também considerava mãe completa somente quem nutria seus filhos com o alimento disponibilizado pelo próprio corpo.

Para Boa Nova Junior (1953), fazia-se necessário “criar entre as mulheres das camadas populares urbanas de Criciúma cultura da boa maternidade, na qual as mães por meio de aconselhamentos e imposições médicas se adaptariam às necessidades dos novos tempos e abandonariam as formas tradicionais de cuidados infantis. (...) a árdua tarefa de educar as mães, de orientá-las, de aconselhá-las no sentido de mostrar o caminho certo que deveriam seguir para bem alimentar seus filhos, para bem criá-los e para preservar-lhes a saúde, e portanto a vida”.

BURLA CONSENTIDA

No início da mineração em SC, mulheres, jovens e crianças participavam do trabalho nas minas. O engenheiro Fernando Miranda Carvalho (Comissão de Estudos dos Portos Carvoeiros, ex-gerente da Sociedade Carbonífera Próspera), no O Jornal, RJ, 2.2.1927: “... Em SC usa-se para beneficiar o carvão, a escolha manual, trabalho executado por mulheres e crianças dos mineiros”.

Escolhedeiras ou catadoras de carvão. Carola (2002): “(...) o trabalho das mulheres nas minas tinha importante papel no orçamento doméstico e, em alguns casos, era fundamental e único, embora fosse sempre considerado complementar”. Escolhedeiras (mulheres que escolhiam carvão), trabalhavam descalças, sendo reconhecidas fora do ambiente de trabalho, pelas cicatrizes dos pés e no dorso inferior das pernas.

Francisco Boa Nova Jr: “...Tais riscos poderiam perfeitamente desaparecer, e o trabalho talvez fosse executado com maior rapidez desde que as escolhedeiras trabalhassem calçadas com botinas. (...) O emprego de mulheres nos serviços de escolha do carvão, (...) principalmente menores de 16 a 21 anos, é a questão de salários: elas se sujeitam a salários inferiores ao do homem (...), além do trabalho fixo diário de 8 horas, com descanso aos domingos e feriados, e outras vantagens, conseguem ordenados até de 600 cruzeiros mensais. Trabalho, pouco penoso, é efetuado por moças, em meio a ruidosa alegria, brincadeiras, conversa s, piadas e cantoria”.

Jovens contratados para esse trabalho, tinham eles idade de 16 a 18 anos e elas de 16 a 25 anos.

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