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* as opiniões expressas neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do 4oito

O drama nos postos de combustível

A cada dia, vamos tentar aqui compartilhar um pouco da agonia de quem vive do comércio
Denis Luciano
Por Denis Luciano 06/04/2020 - 13:41

Não vamos nomina-los. Afinal, o objetivo não é polemizar. Longe disso. O objetivo é reproduzir - o mais fielmente possível - a dura realidade de quem vive de vender. A pandemia do coronavírus foi um golpe em cheio tanto naqueles que vinham movidos da esperança de tempos melhores na economia quanto daqueles pessimistas que ainda não viam um cenário positivo no horizonte.

"O golpe foi duro", reconheceu um proprietário de posto de combustível com quem conversei. Setor muito sensível nesses tempos bicudos da economia, a revenda de combustíveis vive de uma complexa cadeia que começa lá na produção - se um barril de petróleo muda de preço na Arábia Saudita o sujeito vai sentir no bico da bomba de um posto em qualquer lugar por aqui -, essa cadeia multiplica idas e vindas de preços tão flutuantes quanto o humor do mercado nacional e internacional. A Petrobrás dita, o distribuidor "empacota" e o revendedor entrega o prato pronto para o cliente, servindo de para-choque para um sistema que pesa no consumidor.

Mas e o que revende? Se ele já sofria com magra margem de erro para ter um preço competitivo, que equilibrasse custeio e algum ganho, como vai se virar agora, com esse encurtamento das vendas? "Eu tive que dispensar vários funcionários, coloquei outros em férias, estou trabalhando com o contingente mínimo para manter o negócio operando", contou o empresário que compartlhou conosco a sua agonia. "Agora, em abril, a gente ainda vai conseguir pagar salários, com alguma reserva que tínhamos. Mas e em maio? Continuando esse ritmo das coisas, não fazemos ideia de como será honrar com os compromissos", salientou.

Quem ainda consegue baratear a gasolina, faz uma métrica entre os estoques antigos, o disponível e o empurrar para baixo de um mercado sufocado. Há revendedor que calcule queda de até 80% no movimento dos postos. "Disso para um pouco menos, mas é uma queda brutal, que leva junto para baixo o resultado financeiro. Se antes a gente quase que pagava para manter o posto aberto, agora sim vamos pagar mesmo", observou o empresário. "Justo agora, que a economia parecia reagir, a gente tinha uma expectativa boa para o resto do ano. Agora, o ano está perdido, se é que o ano que devem também não estará comprometido por causa disso", comentou, sem esconder o desânimo.

Com base nesse depoimento e em outros mais, acostume-se então a ver pátios de postos cada vez mais vazios, com menos funcionários, e de quebra aumenta a chance de você ser atendido até pelo proprietário do posto. "Sim, estamos colocando nossas famílias para trabalhar, nessas horas o negócio fica mais familiar ainda", reconheceu o empresário. 

Trata-se, segundo muitos que vivem de revender combustíveis, um momento também para refletir sobre união da classe. "Nessa hora vemos que não adianta deslealdade no nosso mercado. Estamos todos no mesmo barco. É questão de sobrevivência para manter os empregos e continuar girando a economia, o que está cada vez mais difícil de fazer", desabafou.

Esse empresário repete o discurso de tantos outros quando o assunto é o início do caminho para a retomada. "Vamos comprar no mercado local, gente. Compre um par de tênis, compre uma camisa, Compre o que você puder no mercado local, é o jeito de o dinheiro circular aqui, para que tantas empresas não fechem as portas e para que tantos empregos não desapareçam", apontou.

Em breve, vamos transitar do posto de combustível para outra área do varejo, também duramente impactada pelo coronavírus.

Tags: Coronavírus

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