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Há três anos, um encontro com Michel Temer

Menos de duas horas depois de votado o impeachment, o ainda vice nos recebeu no Palácio do Jaburu
Denis Luciano
Por Denis Luciano 19/04/2019 - 18:00Atualizado em 19/04/2019 - 18:10

Eram 23h07min quando o deputado Bruno Araújo, do PSDB de Pernambuco, conferiu o voto 342 ao processo que autoriza o Senado a investigar a presidente Dilma Rousseff (PT), dando a largada ao impeachment. Foram exatas cinco horas e 22 minutos entre o início da votação e a confirmação de uma tendência que já vinha se desenhando fazia muito tempo. Tanto é que o próprio governo reconheceu a derrota duas horas antes do voto decisivo.

Isso que está acima eu escrevi minutos depois do episódio recem narrado, a aprovação do impeachment de Dilma Rousseff na Câmara. Escrevi sentado no tapete do Salão Verde, e esse texto foi para a redação do extinto Jornal da Manhã, em Criciúma, que o publicaria na edição do dia seguinte, 18 de abril de 2016, há exatos três anos.

Quis o destino que menos de duas horas depois de encerrada a sessão e escrito esse texto e enviado para Criciúma, estivesse eu diante do futuro presidente Michel Temer (do então PMDB, hoje MDB). Fui o primeiro jornalista a conversar com ele pós impeachment de Dilma, e isso dito a mim pelo próprio Temer com o testemunho do então deputado federal Ronaldo Benedet (PMDB, hoje MDB), que nos abriu os caminhos para a visita até então inimaginada ao Palácio do Jaburu, a residência oficial do vice-presidente.

Eis a foto que eu cliquei do deputado Ronaldo com o futuro presidente Temer

O resto da lembrança eu deixo por conta do texto que escrevi, assim que a visita terminou, já perto da 1h30min da madrugada daquele 18 de abril. O texto, por razões óbvias de fechamento de jornal, só saiu no JM de 19 de abril. Era esse o texto:

Discrição, palavra de ordem para Michel Temer

 

Vice-presidente recebeu o Jornal da Manhã na madrugada de segunda-feira no Palácio do Jaburu

 

Denis Luciano
Especial, de Brasília

 

Nas próximas semanas, ele poderá envergar a faixa presidencial. Mas Michel Temer (PMDB) faz questão de se pautar pela discrição na turbulência política atual em Brasília. Se o processo de impeachment avançar como a oposição espera no Senado, entre 10 e 11 de maio os senadores votam a abertura de investigação contra Dilma Rousseff (PT), o que determinará, oficialmente, o afastamento da presidente por 180 dias. A partir daí, Temer constituiria um novo governo.

 

Tomando um copo de água, degustando uma pequena fatia de torta de chocolate, e acompanhado do ex-ministro Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), Temer recebeu o deputado federal Ronaldo Benedet (PMDB-SC), por volta da 1 hora da madrugada de segunda-feira, cerca de duas horas depois de concluída a votação do processo na Câmara, com o aval de 367 deputados pela admissibilidade do impeachment. O encontro foi testemunhado pela reportagem do Jornal da Manhã.

 

“Peço desculpas, mas não teremos declarações públicas até que o Senado faça a sua parte neste processo”, alertou Temer, assim que nos cumprimentou. Em uma conversa de dez minutos, salientou a importância de se manter discreto e cuidadoso, por compreender que há um governo constituído, e que deve ser respeitado, e um processo com seu necessário trâmite. Realçou, ainda, que o Brasil precisa de “união nacional” para vencer a crise política e econômica, e que vê nos partidos aliados ao impeachment “uma disposição republicana em ver o Brasil melhor”.

 

“O Michel Temer nos deixou claro que não fala sobre novo governo, como uma pessoa discreta ao pensar e agir”, comentou o deputado Benedet, após o encontro. “Fui me colocar à disposição do vice-presidente. Mas descarto cargos, o PMDB não quer e não precisa de cargos”, destacou, frisando que sua intenção, em um eventual governo Michel Temer, é defende-lo na Câmara. “Da mesma forma que agi com Dilma no passado, quero auxiliar para o Brasil dar certo”, enfatizou.

 

Há especulações, sem confirmação por Michel Temer, de que nos bastidores ele já planejaria um governo mais enxuto, com cerca de vinte ministérios, e um mix de ministros técnicos e políticos, com foco em uma coalizão de forças. “Embora o Michel não fale, o programa do PMDB é este, de uma máquina enxuta e que funcione”, concluiu Benedet.

 

Temer deixou Brasília ontem, partindo para São Paulo. O presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), entregou ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) as 12 mil páginas do processo, para a tramitação na nova etapa. Nos próximos dias, será formada a Comissão Especial do Impeachment entre os senadores.

Recordar é viver. Depois, todos sabem. Temer assumiu dali a alguns dias, em 12 de maio, a corrupção grassou, os movimentos vieram, Jair Bolsonaro surgiu como grande contraponto e ganhou a presidência. E fizemos mais um bocadinho de história com o jornalismo.

Houve quem pegasse no meu pé por essa foto, mas foi o registro que o deputado
Ronaldo Benedet fez da madrugada em que entrevistamos um futuro presidente.
O registro era necessário. Longe, muito longe de ser um gesto chapa branca.
Quem me conhece, sabe

 

4oito

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