Na semana passada, tratei de três duplas de uma vez: Samara Martins e Laís Chaud, Hertz Dias e Marcus Sodré, Rui Costa Pimenta e Bruno Pedreiro. Hoje fecho a série "Os palanques da eleição de 2026 em Santa Catarina" com Ralf Zimmer, o único dos oito candidatos ao governo catarinense sem um presidenciável correspondente, pelo menos de sua federação partidária.
Prezado leitor do 4oito, antes de prosseguir, repito pela última vez a sugestão: a calculadora de afinidade eleitoral Populus, criada por dois cientistas políticos amigos meus, segue no ar. Você distribui 100 fichas entre 29 eixos de políticas públicas conforme suas prioridades, e a ferramenta cruza essa agenda com a dos candidatos à Presidência e ao governo do seu estado, gerando um ranking de afinidade.
Não é recomendação de voto, e sim ferramenta de educação cívica. Faltando uma semana para o 1º turno, vale a visita: populus.com.br
Quem é Ralf Zimmer?
Ralf Guimarães Zimmer Júnior nasceu em Chapecó, no Oeste catarinense, em 28 de maio de 1979. Tem 47 anos, é formado em Direito e pós-graduado em Gestão Pública. Começou a advogar em 2005 e foi assessor de juiz no Tribunal de Justiça de Santa Catarina em 2006 e entre 2009 e 2011. Entrou na Defensoria Pública do Estado em 2013 e chefiou a instituição como defensor público-geral entre 2016 e 2018. Depois presidiu a associação estadual dos defensores públicos, entre 2018 e 2019, e hoje é doutorando em Ciências Sociais e Econômicas pela Universidade de Lisboa. Preside em Santa Catarina o Partido Renovação Democrática (PRD), nascido em 2022 da fusão entre o Patriota e o PTB, e concorre pela federação Renovação Solidária, formada por PRD e Solidariedade.
Seu nome ganhou projeção estadual em 2020: em 13 de janeiro daquele ano, ele protocolou na Alesc uma denúncia por crime de responsabilidade contra o governador Carlos Moisés (à época no PSL), a vice Daniela Reinehr (à época sem partido) e o então secretário de Administração, Jorge Tasca. A base do pedido era a equiparação salarial entre os procuradores do Estado e os da Assembleia. O pedido chegou a ser arquivado, mas foi resgatado quando a relação entre Moisés e a Assembleia, então presidida por Júlio Garcia (PSD), azedou. Em outubro de 2020, o Tribunal Especial de Julgamento absolveu Daniela e afastou Moisés do cargo. Depois da reconciliação entre o governador e Júlio Garcia, porém, os deputados que integravam o tribunal mudaram de voto, e Moisés foi absolvido em novembro.
E o presidenciável?
Em 5 de agosto, último dia de convenções, a federação da qual Ralf faz parte decidiu, em sua convenção nacional, não apoiar ninguém na disputa pelo Planalto. A justificativa oficial foi o ambiente de forte polarização, e a nota acrescentava que apoio formal sem espaço para diálogo e influência não atende aos interesses da legenda. Paulinho da Força, presidente do Solidariedade, já tinha antecipado a posição semanas antes, dizendo que o partido não apoiaria nem Lula nem Flávio Bolsonaro e reclamando da falta de interlocução com as duas campanhas.
A neutralidade, no entanto, deixou cada diretório livre para escolher seu palanque, e Zimmer usou essa liberdade. No início de setembro, em sabatina do Grupo ND, declarou voto em Augusto Cury (Avante), a quem chamou de "pessoa limpa", contra dois adversários que, segundo ele, estão polarizados e cercados de suspeitas. A declaração veio no auge de Cury, que acabara de chegar a 10% na Quaest e se tornara o primeiro, além de Lula e Flávio, a alcançar dois dígitos. Tudo indica que Zimmer tentou embarcar nesse bom momento.
Análise do desempenho eleitoral
A trajetória eleitoral de Ralf é modesta. Em 2018, disputou uma vaga de deputado federal e fez 2.596 votos. Em 2022, concorreu ao governo pelo PROS, somou 3.828 votos e ficou pelo caminho no 1º turno. Esta é, portanto, sua segunda tentativa de chegar à Casa d'Agronômica. Agora ele concorre pelo PRD e o vice é o advogado Carlos Bordin, do Solidariedade. Ao Senado, a federação lançou o advogado Jeferson Rocha, também do PRD.
Em Santa Catarina, os números de Zimmer são os mais baixos da disputa. Na Quaest divulgada na quinta-feira (24), ele aparece com 0% no cenário estimulado. No Neokemp, que ouviu eleitores em 10 e 11 de setembro, tem 0,6%, e na AtlasIntel, de 4 a 9 de setembro, 0,4%. O Real Time Big Data nem abre o nome separadamente: Zimmer, Laís Chaud e Bruno Pedreiro, juntos, somam 1%. Repito o alerta de sempre: pesquisas de institutos diferentes não são diretamente comparáveis entre si, e a leitura serve para indicar tendência dentro de cada série.
O que essa candidatura está disputando
Nas últimas semanas, fiz a mesma pergunta a candidaturas pequenas e encontrei respostas diferentes. O Missão queria cláusula de barreira e sobrevivência. UP, PSTU e PCO queriam palanque no sentido literal, para vocalizar uma visão de mundo. O caso de Zimmer combina um pouco das duas coisas.
Há, primeiro, um paradoxo: com 0% na Quaest, Zimmer esteve no mesmo palco dos favoritos. Ele dividiu o debate do SCC SBT de 21 de setembro com Gelson Merísio, João Rodrigues e Jorginho Mello, enquanto nomes com mais intenção de voto, como Marcelo Brigadeiro, ficaram de fora. A explicação está na lei eleitoral, não nas pesquisas. As emissoras são obrigadas a convidar os candidatos de partidos com pelo menos cinco parlamentares no Congresso Nacional, e a federação, somada, tem nove deputados federais.
Segundo, há a disputa proporcional. Para cumprir a cláusula de desempenho, a federação precisa eleger ao menos 13 deputados federais, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da federação, ou obter 2,5% dos votos válidos para a Câmara, com no mínimo 1,5% em cada uma delas. Uma candidatura a governador, mesmo sem chance, dá rosto à legenda e ajuda a sustentar as chapas de deputado. Como Zimmer preside o PRD catarinense, esse cálculo passa diretamente por ele.
Terceiro, há o projeto pessoal. Com duas candidaturas ao governo e uma à Câmara, Zimmer vem construindo um nome à base de exposição, no mesmo tipo de cálculo de médio prazo que já apareceu nesta série.
O fim da série
Obrigado a quem acompanhou a série até aqui. No domingo, dia 4, é a vez do eleitor.
Volto no dia 5 com uma análise do primeiro turno.
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