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Os palanques da eleição de 2026 em Santa Catarina: parte 5

Samara Martins e Laís Chaud, Hertz Dias e Marcus Sodré, e Rui Costa Pimenta e Bruno Pedreiro.

Por Artur Fabro 21/09/2026 - 07:00

Na semana passada, tratei de Renan Santos e Marcelo Brigadeiro. Hoje é a vez da parte 5 da nossa série "Os palanques da eleição de 2026 em Santa Catarina", com três duplas de uma vez: Samara Martins e Laís Chaud, Hertz Dias e Marcus Sodré, Rui Costa Pimenta e Bruno Pedreiro. Como hoje são três duplas, uma nota sobre o texto: em cada uma delas o presidenciável vem primeiro e, recuado logo abaixo, o candidato ao governo de Santa Catarina que lhe corresponde.

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Prezado leitor do 4oito, antes de prosseguir para a análise de hoje, repito a sugestão da semana passada: dois cientistas políticos amigos meus criaram uma "calculadora de afinidade eleitoral" chamada Populus. Ela é online, gratuita e funciona da seguinte maneira: você participa de um simulador de mandato, distribuindo 100 fichas entre 29 eixos de políticas públicas conforme suas prioridades, e a ferramenta cruza essa agenda com a dos candidatos à Presidência e ao governo do seu estado, gerando um ranking de afinidade.

Não é recomendação de voto, e sim ferramenta de educação cívica. Vale a visita: populus.com.br

Quem é Samara Martins?

Samara Martins da Silva Feitosa nasceu em Belo Horizonte em 31 de agosto de 1987. Tem 38 anos, é cirurgiã-dentista formada pela UFRN e atua no SUS em Parnamirim, no Rio Grande do Norte, onde vive. É a mais jovem entre os treze candidatos à Presidência neste ano e a única mulher na disputa, estando filiada ao partido Unidade Popular (UP).

Sua trajetória começou no movimento estudantil secundarista em Belo Horizonte, passou pela União da Juventude Rebelião e, em 2015, pela diretoria de mulheres da UNE. Participou da construção da Unidade Popular desde a coleta de assinaturas para a legalização da legenda, registrada no TSE em 2019, e exerce a primeira vice-presidência nacional do partido. Atua também no Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e coordena a Frente Negra Revolucionária.

Disputou sua primeira eleição em 2020, como candidata a vereadora em Natal. Em 2022, foi candidata a vice na chapa de Leonardo Péricles, a primeira composta integralmente por pessoas negras na história do país, que somou 53.519 votos, ou 0,05% do total.

A candidatura foi oficializada em 26 de julho de 2026, em convenção nacional na Faculdade Zumbi dos Palmares, em São Paulo. A chapa é inteiramente feminina, e a vice é Raquel Brício, guarda-portuária e sindicalista paraense. O programa é declaradamente socialista e anticapitalista, com ênfase em fim da escala 6x1, aumento expressivo do salário mínimo, reforma agrária popular e controle estatal de setores estratégicos.

Quem é Laís Chaud?

Laís Paganelli Chaud nasceu em Piracicaba, no interior de São Paulo, e tem 31 anos. É psicóloga, mestre em Psicologia, trabalhadora da saúde na rede pública estadual catarinense e preside o diretório da Unidade Popular em Florianópolis. Como Samara, veio do movimento estudantil e do MLB.

Esta é sua primeira candidatura a qualquer cargo. A vice é Nathália Tarses Gomes de Melo, também da UP. Laís é a única mulher entre os oito candidatos ao governo de Santa Catarina neste ano, e declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 518,45, o menor de toda a disputa estadual.

Ao Senado, a UP lançou duas candidatas: Ana Lúcia Machado e Marlene Soccas. O segundo nome interessa particularmente ao leitor do Sul do estado: lagunense de 91 anos radicada em Criciúma, cirurgiã-dentista aposentada e graduada em História pela Unesc em 2010, Marlene foi presa e torturada durante a ditadura, ajudou a fundar em Criciúma o Centro de Defesa dos Direitos Humanos e a subseção local do Comitê Brasileiro pela Anistia. É a candidata mais velha ao Senado em todo o país nesta eleição.

Quem é Hertz Dias?

Hertz da Conceição Dias nasceu em São José de Ribamar, na região metropolitana de São Luís, em 20 de outubro de 1970. Tem 55 anos, é professor de História da rede pública maranhense, com mestrado em Educação, e também rapper e ativista do movimento negro.

Milita no Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) desde 2010 e esta é sua quinta disputa consecutiva. Foi candidato a vice-governador do Maranhão em 2010, a vice-presidente em 2018 na chapa de Vera Lúcia (25.625 votos), à prefeitura de São Luís em 2020 (2.173 votos) e ao governo do Maranhão em 2022 (5.191 votos). Nunca foi eleito.

A candidatura foi oficializada em convenção nacional em São Paulo, em 31 de julho de 2026, em chapa pura, com a professora e dirigente sindical mineira Vanessa Portugal como vice. O programa combina fim da escala 6x1 sem redução salarial, revogação das reformas trabalhista e previdenciária, isenção de Imposto de Renda para assalariados, desmilitarização das polícias e descriminalização das drogas.

Quem é Marcus Sodré?

Marcus Alexandre Sodré, o "Professor Marcus Sodré", nasceu em Cubatão (SP) e tem 54 anos. Leciona História na rede estadual catarinense e é dirigente sindical na área da educação, base histórica do PSTU no estado.

É o único dos três candidatos catarinenses de hoje com histórico eleitoral no estado: disputou a prefeitura de Itajaí em 2004 e, em outras ocasiões, uma cadeira de deputado estadual, sem se eleger em nenhuma delas. É a primeira vez que concorre ao governo. A vice é a professora da rede pública Tatiane Pasdiora, a "Professora Taty", também do PSTU.

Ao Senado, o PSTU catarinense lançou dois nomes, Joaninha de Oliveira e Marcos Dorval, nenhum deles com mandato eletivo anterior.

Quem é Rui Costa Pimenta?

Rui Costa Pimenta nasceu em São Paulo em 25 de junho de 1957. Tem 69 anos, é jornalista, edita o jornal Causa Operária e apresenta na internet o programa Análise Política Semanal.

É o mais experiente dos candidatos desta edição, e também o mais antigo na política institucional: participou da fundação do PT, em 1980, e da CUT, rompendo com o petismo na primeira metade dos anos 1990. Em 1995, liderou o lançamento do Partido da Causa Operária, que preside desde então.

Concorreu à Presidência em 2002, 2006, 2010 e 2014. Na última, somou pouco mais de 12 mil votos, 0,01% do total.

A convenção do PCO foi virtual e ocorreu em 5 de agosto, último dia do prazo legal, com lançamento público em 8 de agosto, na Casa de Portugal, em São Paulo. O vice é Antônio Carlos Silva, professor de matemática da rede estadual paulista, de 63 anos. O discurso é explicitamente marxista e antissistema, com ênfase na crítica ao imperialismo e na defesa da revolução socialista.

Quem é Brunno Pedreiro?

Brunno Andrade Dias, o "Bruno Pedreiro", nasceu em São Paulo e tem 40 anos. É operário da construção civil.

Disputou a prefeitura de Florianópolis em 2024, sem se eleger, e agora concorre ao governo do estado. O vice é Flávio Amaral, também do PCO.

Ao Senado, o PCO tem uma única candidata em Santa Catarina: Carol.

Análise do desempenho eleitoral

No plano nacional, nenhum dos três aparece com percentual próprio nas pesquisas mais recentes. Quando os institutos os incluem, é dentro de um bloco de "outros" que reúne seis candidaturas e soma cerca de 2%, sem que nenhuma alcance 1% isoladamente.

Em Santa Catarina, o quadro é um pouco menos apertado. Na pesquisa mais recente, do Real Time Big Data, divulgada no dia 17,  Marcus Sodré está com 1%, e o conjunto dos demais candidatos soma 1%. O Neokemp, que ouviu eleitores em 10 e 11 de setembro, é o levantamento que abre separadamente os três nomes de hoje: Laís Chaud com 0,8%, Sodré com 0,6% e Bruno Pedreiro com 0,5%. Repito o alerta que já fiz aqui: pesquisas de institutos diferentes não são diretamente comparáveis entre si, e a leitura serve para indicar tendência dentro de cada série.

O que essas candidaturas estão disputando

Na semana passada, perguntei o que a candidatura do Missão estava disputando, e a resposta era razoavelmente clara: cláusula de barreira, Fundo Partidário, tempo de rádio e TV, sobrevivência para as próximas eleições. Hoje a pergunta é a mesma, mas a resposta, não. UP, PSTU e PCO sabem que seria muito difícil cruzar barreira alguma. Não há, no horizonte, cenário em que qualquer um dos três eleja uma bancada forte.

  • A Unidade Popular é a que mais se aproxima de uma estratégia de crescimento. Lançou dezessete candidaturas a governos estaduais, doze delas encabeçadas por mulheres, e aposta na visibilidade de ter a única mulher na corrida presidencial. É um cálculo de médio prazo, parecido com o do Missão, mas sem o dinheiro e sem a máquina de redes sociais.
  • O PSTU joga outro jogo. Tanto Hertz quanto Sodré são professores da rede pública e dirigentes sindicais da educação. O histórico de Hertz, com cinco disputas e nenhuma vitória, mostra que o partido não mede sucesso por cadeiras conquistadas.
  • O PCO vai ainda mais longe. Rui Costa Pimenta disputa sua quinta eleição presidencial três décadas depois de fundar o partido, tendo obtido 0,01% dos votos na última tentativa. Para uma organização dessa tradição, a eleição nunca foi caminho para o poder, e sim um palanque no sentido literal da palavra, servindo para vocalizar sua visão de mundo.

Uma curiosidade em relação aos candidatos a governador: os três nasceram fora do estado (Laís em Piracicaba, Sodré em Cubatão, Pedreiro na capital paulista). Isso é um indício de como é fraca, em Santa Catarina, a estrutura organizada da esquerda à esquerda do PT, num estado onde a direita e o bolsonarismo são fortíssimos.

Na semana que vem, fecho a série com Ralf Zimmer.

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