Ir para o Conteúdo da página Ir para o Menu da página
Carregando Dados...
DEIXE AQUI SEU PALPITE PARA O JOGO DO CRICIÚMA!
* as opiniões expressas neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do 4oito

Sobrevivendo à IA: 10 lições de quem investiu em 100 startups

Confira os principais pontos da entrevista com Murilo Domingos, da Darwin Startups

Por Arthur Lessa 18/03/2026 - 05:44 Atualizado há 1 hora

A inteligência artificial vai transformar o mundo do mesmo jeito que a internet transformou — e, ainda assim, pode estar vivendo uma bolha agora. Essa foi a principal mensagem do Murilo Domingos, sócio e diretor de portfólio da Darwin Startups, na entrevista que fiz no 60 Minutos. Para ele, o cenário atual mistura avanço tecnológico real com muita especulação e pouca entrega efetiva em vários casos: empresas e investidores acabam entrando no “frisson” de colocar IA no discurso (e no pitch) mesmo quando o uso é pouco útil ou pouco direcionado ao que o cliente precisa.

Do ponto de vista das startups, o impacto é inevitável — e desigual. A Darwin atua como investidora em seed e já passou por 100 investimentos, além de ter acelerado cerca de 2 mil startups desde 2015; nesse universo, Murilo vê tanto riscos quanto oportunidades. As empresas “atrasadas no stack” já precisaram correr atrás há pelo menos dois anos, enquanto outras, que nem eram “de IA”, conseguem agora criar mais valor e ganhar escala com a tecnologia. E há um detalhe importante: muitas vezes a IA mais relevante é a invisível, usada internamente para produtividade (principalmente por desenvolvedores), sem necessariamente virar um “recurso na ponta” para o usuário final.

Principais pontos (para quem preferiu ler)

  1. IA: transformação inevitável, bolha no curto prazo

    Murilo faz um paralelo direto com a internet: ela virou infraestrutura do mundo moderno, mas passou por uma bolha enorme nos anos 90/2000. Com IA, a lógica pode ser parecida: o valor estrutural é real, mas o mercado ainda precifica promessas demais e entregas de menos em muitos casos.

  2. “Coloquei IA no meu produto” nem sempre resolve um problema

    O incentivo é óbvio: “ter IA” pode ajudar a valorizar negociações e captações. Mas, se tecnologia é meio, o cliente quer o fim: solução. A pergunta central deixa de ser “tem IA?” e vira “isso melhora, de fato, a vida do usuário — e como?”.

  3. Investidores também alimentam o hype

    Além da pressão competitiva, há a pressão de narrativa. Se o mercado recompensa “AI-first” no discurso, muita empresa vai “colar IA” onde não precisa — e isso vale para o pitch, para o roadmap e até para o posicionamento de marca.

  4. Startups: riscos e oportunidades ao mesmo tempo

    A IA pode exigir atualização tecnológica rápida (para não ficar para trás), mas também abre espaço para novos serviços, mais escala e mais eficiência. Na frase do Murilo: “vai chover — e vai ter gente vendendo guarda-chuva”.

  5. O impacto mais comum é interno (e muito forte)

    Mesmo quando o cliente não vê, a IA já aumenta produtividade e performance dentro das empresas. Hoje, segundo ele, quem mais usa IA dentro das startups são os desenvolvedores — para escrever, revisar e acelerar código, com ou sem “IA na ponta”.

  6. Monopólios: a primeira concentração está na tecnologia base

    Modelos LLM são caros e concentrados em poucos players globais. E o Brasil, em geral, não está construindo o “motor” — está construindo a camada de contexto: adaptação para realidades locais, mercados específicos e dores concretas de clientes.

  7. O diferencial não é só “prompt”: é leitura de realidade

    Aqui entra um ponto que contraria a fantasia de que “quem dominar ferramenta domina tudo”: Murilo reforça que negócios continuam sendo feitos por pessoas, para pessoas. Ler o cliente, mapear a dor e validar solução segue sendo um trabalho profundamente humano — a IA ajuda, mas não substitui esse fundamento.

  8. Prévia dos 10 conselhos para founders (sem estragar a palestra)

    Ele adiantou três blocos centrais do que leva ao palco:

    • Foco no cliente e na perspectiva do cliente: menos convicção pessoal, mais método para enxergar oportunidade real de valor para a sociedade.
    • Capital psicológico: comportamento e forças internas dos fundadores importam muito para sobreviver quando o hype baixa.
    • Tecnologia como meio: usar IA para criar valor concreto no mundo real — e não como fim em si.

Copyright © 2026.
Todos os direitos reservados ao Portal 4oito