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A maior derrota do MDB, o tsunami Bolsonaro e os eleitos por Criciúma

Adelor Lessa
Por Adelor Lessa 08/10/2018 - 06:45Atualizado em 08/10/2018 - 11:28

A política catarinense foi atingida de frente pelo "tsunami Bolsonaro”. MDB foi o mais atingido. Sofreu a maior derrota da sua historia. Foi retirado do segundo turno na disputa do governo por um até então desconhecido e principiante Comandante Moisés (PSL).

Alem disso, o partido de Bolsonaro, sozinho, elegeu a segunda maior bancada da Assembléia, com seis deputados, e maior representação da bancada federal catarinense, com quatro federais.

Mas, não foi o “tsunami Bolsonaro” que derrotou o MDB na disputa pelo governo. O próprio MDB ajudou bastante. Pelas suas brigas internas, a desorganização da campanha e a incapacidade de envolver os prefeitos, deputados, candidatos e o governador do partido.

De outro lado, Gelson Merisio (PSD) venceu pela sua determinação, o trabalho intenso e a capacidade articulação.

Ele enfrentou políticos importantes no seu partido e no arco de alianças, mas foi candidato montando a aliança que queria e a chapa que projetou.

O que ele não esperava era enfrentar o candidato de Bolsonaro no segundo turno. Estava preparado para enfrentar o MDB.

Por isso, saiu na frente e abriu voto para Bolsonaro. Apostando numa contrapartida no segundo turno.

Agora, Bolsonaro terá candidato próprio no estado.

Merisio terá que rever posições, especialmente contra MDB e PT, para tentar ampliar sua votação no segundo turno.

Quanto ao Comandante Moisés, o desafio é atrair o apoio dos eleitores e “cabos eleitorais” de Bolsonaro no estado que não ficaram com ele no primeiro turno.

Como é “cristão novo”, não tem passado de brigas ou rompimentos, não tem “pontes” derrubadas com políticos ou partidos, dispõe de maior espaço de manobra para encaminhar acordos.

Por isso, mesmo que Merisio comece em vantagem no segundo turno, a eleição está aberta. O Comandante está no jogo.


As diferenças

Na disputa presidencial, a diferença de Bolsonaro (PSL) para Haddad (PT) no primeiro turno muito grande. Vai ser muito difícil para Haddad fazer a virada.

No estado, Merisio (PSD) ficou na frente, mas a diferença para o Comandante Moisés (PSL) é muito pequena. Fácil para ser superada.


A invertida

Na eleição nacional foi dito que o ato “Ele não”, contra Bolsonaro, liderado por mulheres, pode ter dado efeito contrário. Porque Bolsonaro passou a crescer a partir dali.

Na eleição do estado, o apoio de Merisio para Bolsonaro pode ter “aditivado" a campanha de Comandante Moisés. Porque mexeu com seus brios, ele mudou a postura (passou a ser mais contundente) e fez os Bolsonaro se posicionarem a favor de sua candidatura.


Os dois deputados

O deputado federal eleito Daniel Freitas (PSL) terá participação importante na campanha do Comandante Moisés no segundo turno. Foi o segundo deputado federal mais votado do estado, com mais de 140 mil votos por todo o estado.

Jessé Lopes, deputado estadual eleito, também deve se integrar à campanha nos primeiros dias.


Para o Paço

Daniel Freitas "recupera" para a família a cadeira na Câmara Federal que foi do seu bisavô, Diomicio Freitas, deputado federal na década de 60.  

Com a votação que fez, passa a ser nome natural para a disputa da prefeitura de Criciúma em 2020.


Vitorias de Julio

O ex-deputado Julio Garcia sai da eleição com vitorias importantes a contabilizar.

A primeira, foi o terceiro mais votado do estado, o primeiro do seu partido, depois de oito anos fora da militância política.

A segunda, venceu sem qualquer apoio do partido ou candidato a governador. Não aceitou “um centavo” do fundo partidário e não gravou programas de radio e televisão. Trabalhou só com seu “time".

A terceira, a eleição de Ricardo Guidi como deputado federal, assumida por ele como questão de honra. Em alguns momentos, se dedicou mais a campanha de Guidi do que a dele.


Na prorrogação

Ricardo Guidi entrou na lista dos eleitos para deputado federal na ultima soma de votos. Se fosse um jogo de futebol, teria sido no ultimo minuto na prorrogação.

A emoção foi grande. Quando falou na rádio Som Maior, estava chorando copiosamente. Lembrou quatro vezes do pai, ex-prefeito Altair Guidi, e chorou em todas.

Foi a sua primeira eleição que o pai, que faleceu no ano passado.


Os eleitos

Criciúma sai bem da eleição em relação a representação parlamentar.

Elegeu três federais (Geovânia de Sá, Daniel Freitas e Ricardo Guidi), e seis estaduais (Julio Garcia, Ada de Luca, Vampiro, Rodrigo Minotto e Jesse Lopes).

O sul elegeu mais três estaduais (Felipe Estevão, Volnei Weber e José Milton Schefer).

A região tem condições de formar uma boa bancada para lutar pelos interesses comuns, para compensar a falta de representante do núcleo de poder do estado.


Na estrada

Surpreendeu a derrota do deputado Valmir Comin (PP). 

Ele sempre teve eleição com votos de fora (em outras regiões), não dependia só na Amrec. Mas, a expectativa é que ele tivesse ampliado mais ainda as suas “amarrações" políticas pelo estado com a passagem pela secretaria de ação social. Não se confirmou.

De qualquer forma, Se Merisio for governador, ele será deputado ou secretário de estado. Vai escolher.


Na estrada 2

Deputados Cleiton Salvaro (PSB) e Doia Guglielmi (PSDB) também não se elegeram. 

Doia foi o candidato do prefeito Clesio Salvaro. Cleiton foi o candidato do empresário Henrique Salvaro.

A ex-vereadora Tati Teixeira também não entrou. 

O delegado Ulysses Gabriel (PSD) não se elegeu, mas ficou numa das primeiras suplências. Pode assumir se Merisio for governador.


Na estrada 3

A derrota do deputado federal Ronaldo Benedet é a derrota do comando do MDB criciumense.

O gabinete do governador Eduardo Moreira se envolveu diretamente para sua reeleição.


As bancadas

O MDB passa a ter a maior bancada na Assembleia Legislativa, com nove deputados. Do sul, só Volney Weber, da Amurel. 

A segunda, é a do PSL, com seis. Do sul, Jesse Lopes e Felipe Estevão.

Depois, a do PSD, com cinco. Do sul, Julio Garcia.


Os dois líderes

Prefeito Clesio Salvaro (PSDB) e governador Eduardo Moreira (MDB) estão saindo mal da eleição.

Dos candidatos do prefeito, só Geovania de Sá se elegeu. Sendo que ela tem uma parte da campanha, que é só dela, na igreja, que estabilizou seu nome.

Os demais candidatos, levaram “bomba” - Alckmin, Paulo Bauer, Doia e Mauro Mariani.

Dos candidatos de Eduardo, só Vampiro se elegeu.


Voz das ruas

Os políticos que não ouviram a voz das ruas.

Não perceberam que o clima era diferente, muito estranho.

Apostaram que na “hora h”, as estruturas partidárias, os esquemas, colocariam o trem no trilho e tudo seria resolvido. Foram atropelados.


O Mito

Em fevereiro escrevi nesta coluna de A Tribuna que a “onda Bolsonaro" era forte/consistente, não era apenas uma “marolinha”.

Por detalhe, não ganhou no primeiro turno. Mas, vai entrar no segundo turno como favorito.

Jair Bolsonaro se fez o depositário da indignação dos brasileiros e o principal contraponto ao PT. E assim, foi o mais votado no primeiro turno no país, e fez praticamente 70% dos votos em Criciuma. Sem nunca ter vindo aqui, nem passado por perto.


Na rua

Reeleição garantida, deputado Rodrigo Minotto PDT) liderou carreata em Forquilhinha, com a família.

Nas ruas de Criciúma, carretas de Geovania de Sá, Jesse Lopes, Daniel Freitas.


Nos ombros

Deputada Geovania de Sá (PSDB) praticamente dobrou sua votação, comparando a primeira eleição, e garantiu única vaga do partido na bancada federal do estado. 

Ela acompanhou a apuração com a família, e quando saiu para a rua, foi carregada nos braços

4oito

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