Pesquisadores registram um aumento perceptível de mortes de toninhas no litoral catarinense, e a maioria dos animais encontrados tem marcas de interação com pesca. O alerta é do professor da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) Pedro Volkmer de Castilho, que ainda não fechou a análise estatística do período, mas afirma que o volume de casos chama atenção. A toninha é considerada a espécie de golfinho mais ameaçada do Atlântico Sul.
“Esse é um período do ano em que sempre tivemos mortalidade de toninha, mas não na escala em que está acontecendo atualmente. Agora você tem, recorrentemente, todos os dias, três, quatro casos, e a gente olha para o mar e vê o esforço de pesca. É bem provável que essa relação esteja se consolidando: quanto mais esforço de pesca, maior a probabilidade de captura acidental”, explicou o professor.
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Captura acidental, não caça
De acordo com Pedro, toninhas e pescadores buscam o mesmo recurso, o peixe, e no mesmo lugar. O pescador não vai atrás do animal, mas a toninha acaba presa nas redes. As ferramentas para reduzir essa mortalidade existem, mas são caras e difíceis de aplicar, e ainda falta adesão.
"Todo esforço que a gente já tem hoje de pesquisa e de ciência é para tentar criar ferramentas que minimizem essa mortalidade, mas mesmo assim ainda são estratégias caras, difíceis, complicadas. Precisa ter adesão para isso", ressalta.
Jovens estão morrendo, e o efeito vem depois
Boa parte dos animais encontrados mortos são juvenis. Isso preocupa porque, no futuro, a população pode ter indivíduos velhos e poucos jovens para repor. O professor afirma que a espécie chegou a um nível de mortalidade insustentável e que o declínio só será sentido plenamente daqui a algum tempo.
“Agora parece que está tudo aparentemente numa boa, mas a longo prazo isso pode ser um problema sério e irreversível, porque pode criar uma lacuna populacional. Vai faltar a categoria etária do meio do caminho”, alertou.
Por que a perda importa
O pesquisador diz que não é possível prever com exatidão o que acontece no ecossistema se a espécie diminuir muito, mas que toda espécie cumpre um papel. A preocupação, segundo ele, é preventiva.
"Tirar uma peça da engrenagem pode gerar efeitos em outras espécies, em recursos que ficam abundantes ou em outros que somem", justifica.
Como identificar uma toninha
O nome científico é Pontoporia blainvillei. É um golfinho pequeno, discreto, que vive em faixas de 15 a 30 metros de profundidade, longe da praia, passa pouco tempo na superfície e anda em grupos de dois ou três. Por isso é difícil de ver, ao contrário dos botos de Laguna que interagem com pescadores.
É uma linhagem antiga entre os golfinhos, mais primitiva que o boto da região. Atualmente a toninha é considerada a espécie de golfinho mais ameaçada do Atlântico Sul.
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