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Espécie de golfinho mais ameaçada do Atlântico Sul morre em série no litoral de SC

Professor diz que a maioria dos animais tem marcas de interação com pesca e que o número de juvenis mortos pode criar uma lacuna na população

Por José Demathé Criciúma, SC, 08/11/2026 - 07:01
Toninha é o golfinho mais ameaçado do Atlântico Sul, segundo professor da Udesc | Foto: Divulgação/PMP-BS/4oito
Toninha é o golfinho mais ameaçado do Atlântico Sul, segundo professor da Udesc | Foto: Divulgação/PMP-BS/4oito

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Pesquisadores registram um aumento perceptível de mortes de toninhas no litoral catarinense, e a maioria dos animais encontrados tem marcas de interação com pesca. O alerta é do professor da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) Pedro Volkmer de Castilho, que ainda não fechou a análise estatística do período, mas afirma que o volume de casos chama atenção. A toninha é considerada a espécie de golfinho mais ameaçada do Atlântico Sul.

“Esse é um período do ano em que sempre tivemos mortalidade de toninha, mas não na escala em que está acontecendo atualmente. Agora você tem, recorrentemente, todos os dias, três, quatro casos, e a gente olha para o mar e vê o esforço de pesca. É bem provável que essa relação esteja se consolidando: quanto mais esforço de pesca, maior a probabilidade de captura acidental”, explicou o professor.

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Captura acidental, não caça

De acordo com Pedro, toninhas e pescadores buscam o mesmo recurso, o peixe, e no mesmo lugar. O pescador não vai atrás do animal, mas a toninha acaba presa nas redes. As ferramentas para reduzir essa mortalidade existem, mas são caras e difíceis de aplicar, e ainda falta adesão.

"Todo esforço que a gente já tem hoje de pesquisa e de ciência é para tentar criar ferramentas que minimizem essa mortalidade, mas mesmo assim ainda são estratégias caras, difíceis, complicadas. Precisa ter adesão para isso", ressalta.

Jovens estão morrendo, e o efeito vem depois

Boa parte dos animais encontrados mortos são juvenis. Isso preocupa porque, no futuro, a população pode ter indivíduos velhos e poucos jovens para repor. O professor afirma que a espécie chegou a um nível de mortalidade insustentável e que o declínio só será sentido plenamente daqui a algum tempo.

“Agora parece que está tudo aparentemente numa boa, mas a longo prazo isso pode ser um problema sério e irreversível, porque pode criar uma lacuna populacional. Vai faltar a categoria etária do meio do caminho”, alertou.

Pedro Volkmer de Castilho aponta aumento de mortes ligadas à pesca no litoral catarinense | Foto: Divulgação/PMP-BS/4oito 

Por que a perda importa

O pesquisador diz que não é possível prever com exatidão o que acontece no ecossistema se a espécie diminuir muito, mas que toda espécie cumpre um papel. A preocupação, segundo ele, é preventiva.

"Tirar uma peça da engrenagem pode gerar efeitos em outras espécies, em recursos que ficam abundantes ou em outros que somem", justifica.

Maioria dos animais encontrados mortos tem marcas de interação com redes | Foto: Divulgação/PMP-BS/4oito 

Como identificar uma toninha

O nome científico é Pontoporia blainvillei. É um golfinho pequeno, discreto, que vive em faixas de 15 a 30 metros de profundidade, longe da praia, passa pouco tempo na superfície e anda em grupos de dois ou três. Por isso é difícil de ver, ao contrário dos botos de Laguna que interagem com pescadores.

É uma linhagem antiga entre os golfinhos, mais primitiva que o boto da região. Atualmente a toninha é considerada a espécie de golfinho mais ameaçada do Atlântico Sul.

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