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Time de SC busca solução para até 30 gatos que vivem há anos no estádio

Risco de paralisação de jogos e questões sanitárias preocupam o clube; reunião encaminhou projeto de castração e adoção

Por Davi Brabos Criciúma, SC, 22/10/2026 - 18:06 Atualizado há quase um minuto
Cerca de 30 gatos vivem no Majestoso, alguns há anos | Foto: Divulgação/4oito
Cerca de 30 gatos vivem no Majestoso, alguns há anos | Foto: Divulgação/4oito

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O Criciúma e entidades de proteção animal chegaram a um entendimento inicial para cuidar dos aproximadamente 20 a 30 gatos que vivem nas dependências do Estádio Heriberto Hülse. Uma reunião realizada nesta quinta-feira (22), organizada pelo Conselho Municipal de Saúde, discutiu a criação de um projeto que prevê castração, alimentação organizada e adoção responsável dos animais. O acordo, entretanto, ainda é verbal, e as propostas seguem sendo discutidas e aprimoradas antes da formalização.

O encontro reuniu representantes do clube, do Conselho Municipal de Saúde, do Núcleo de Bem-Estar Animal (Nubea), do Alvet Hospital Veterinário, da ONG Quero Adotar e protetores independentes. A intenção é controlar a reprodução dos felinos, garantir os cuidados necessários e buscar alternativas para os animais que vivem há anos no estádio.

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A situação já vinha provocando divergências entre voluntários responsáveis pela alimentação dos gatos e a segurança do clube. Segundo o superintendente administrativo do Criciúma, Paulo César Bitencourt, uma conversa com as protetoras, realizada dois dias antes da reunião, motivou a busca por uma solução conjunta.

O dirigente avaliou positivamente a disposição das instituições em colaborar com o clube e destacou que a administração não possui conhecimento especializado para lidar com a população de gatos.

"Os animais não têm culpa nenhuma disso", afirmou Bitencourt, ao explicar que a intenção é encontrar uma solução que preserve o bem-estar dos animais e evite problemas para o estádio.

Castrações gratuitas e parceria com o clube

Animais se concentram no espaço de acesso para as arquibancadas | Foto: Divulgação/4oito

Um dos principais encaminhamentos foi a proposta de parceria com o Alvet Hospital Veterinário, que se colocou à disposição para realizar gratuitamente as castrações e os cuidados pós-operatórios dos animais.

Como contrapartida, foi discutida a possibilidade de o Criciúma divulgar a instituição em seus canais de comunicação e durante as partidas. Os detalhes dessa colaboração ainda deverão ser analisados e formalizados.

Outro ponto discutido foi a organização do acesso dos protetores independentes às dependências do estádio. A proposta prevê o cadastramento dos voluntários, a definição de horários e a comunicação prévia com a segurança do clube, evitando novos conflitos durante a alimentação e a captura dos gatos.

Também deverá ser realizado um levantamento mais preciso da população de felinos, identificando quantos são machos, fêmeas, filhotes e animais que já passaram por castração. O trabalho de captura será feito gradualmente, com o auxílio de armadilhas apropriadas.

Os pontos de alimentação também serão reorganizados. A intenção é disponibilizar ração e água em locais próximos aos abrigos habituais dos gatos, mas afastados das áreas de preparação e consumo de alimentos. A região do portão 4 foi apontada como referência inicial para essa organização.

"Não somos réus primários": Criciúma teme punições esportivas

Existe a preocupação com eventuais questionamentos da Vigilância Sanitária | Foto: Davi Brabos/4oito

Além do bem-estar dos animais, a administração do Criciúma demonstrou preocupação com possíveis consequências para o funcionamento do estádio. Segundo Paulo César Bitencourt, a presença dos gatos exige atenção especialmente por conta das atividades realizadas no Heriberto Hülse.

O dirigente explicou que aproximadamente 30 a 40 integrantes do futebol feminino utilizam diariamente os alojamentos e o refeitório do clube, onde são servidas refeições. Nos dias de jogos, o estádio também possui pontos de comercialização de alimentos, como pipoca e hambúrgueres.

Diante disso, existe a preocupação com eventuais questionamentos da Vigilância Sanitária, especialmente em relação à circulação dos animais nas proximidades dos locais destinados à alimentação. Não foi relatada, porém, qualquer autuação sanitária decorrente da presença dos gatos.

Outro receio envolve o risco de sanções esportivas caso algum animal entre no gramado e provoque a paralisação de uma partida. Bitencourt lembrou que o Criciúma já enfrentou uma situação semelhante, quando um gambá invadiu o campo durante um jogo em 2022.

"Quando há uma interrupção da partida, o clube é o causador por não ter criado mecanismo que impedisse isso", explicou o superintendente, ao comentar a responsabilidade da administração pela segurança do espetáculo.

Ao recordar o episódio, Bitencourt utilizou uma expressão para demonstrar a preocupação com uma eventual reincidência. "Nós já não somos mais réus primários", brincou. A preocupação do Criciúma é que novas ocorrências possam resultar em responsabilização esportiva, embora não tenha sido informada a existência de procedimento disciplinar relacionado à atual população de gatos.

Segundo Bitencourt, a intenção do clube é prevenir essas situações sem prejudicar os animais, que já estão habituados ao ambiente do estádio. Para isso, a administração pretende contar com o auxílio dos voluntários e das instituições especializadas.

Gambá invadiu o gramado em 2022, na partida entre Criciúma e Londrina pela Série B | Foto: Guilherme Hahn/Especial 4oito

Adoção será incentivada, mas alguns gatos poderão permanecer no estádio

O projeto em discussão prevê que os filhotes e os gatos com condições de socialização sejam encaminhados para adoção responsável, com o apoio das ONGs e dos protetores independentes.

Já os animais considerados ferais, que possuem pouca interação com seres humanos, poderão permanecer no Heriberto Hülse após a castração, com alimentação e acompanhamento. Também será avaliada a possibilidade de encaminhá-los para lares temporários ou definitivos, conforme as condições individuais de adaptação.

O Nubea informou que atualmente não dispõe de estrutura física para abrigar gatos, mas pode colaborar com serviços de castração, microchipagem e identificação dos animais. Uma possível parceria para a criação de um espaço específico para felinos no município também está em discussão, mas ainda sem previsão de funcionamento.

Projeto poderá envolver a torcida e servir de exemplo para Criciúma

Outra proposta apresentada durante a reunião foi a criação de uma campanha de conscientização e adoção envolvendo a torcida do Tigre. A iniciativa poderá utilizar as redes sociais e os espaços de divulgação do clube para apresentar os animais, incentivar adoções e mobilizar apoiadores.

Os participantes também discutiram a possibilidade de captar recursos e doações para auxiliar na manutenção dos cuidados. A proposta é reunir as ideias em um projeto conjunto, com a identificação das instituições envolvidas, a divisão de responsabilidades e a definição das atividades que serão desenvolvidas.

O presidente do Conselho Municipal de Saúde, Júlio Zavadil, destacou que a expectativa é iniciar a organização dos resgates e das castrações nas próximas semanas. Ele também ressaltou a importância de aproveitar a experiência para enfrentar situações semelhantes em outras regiões da cidade.

"Esse projeto aqui do campo do Criciúma vai servir para a cidade inteira", afirmou Zavadil.

Júlio Zavadil, presidente do Conselho Municipal de Saúde de Criciúma | Foto: Davi Brabos

Segundo ele, Criciúma possui pelo menos outras sete colônias de gatos que também necessitam de acompanhamento e controle populacional. A intenção é que a iniciativa no Heriberto Hülse possa servir de referência para futuras ações.

Apesar do entendimento entre as partes, ainda não existe um projeto formalmente aprovado ou uma data definida para o início das castrações. Os próximos passos envolvem organizar os voluntários, estabelecer as responsabilidades de cada instituição e apresentar a proposta completa à administração do Criciúma, que poderá sugerir novos ajustes antes da implantação.

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