Cricúma pode ter greve no transporte coletivo na próxima semana. Após mais uma reunião entre o Conselho Municipal de Transporte Coletivo (CMTC) com o Consórcio CriBus sem resultados significativos, a possibilidade foi fomentada pelo Sindicato dos Motoristas de Criciúma, que reclama que o déficit milionário registrado pelo consórcio pode afetar o pagamento de salário e benefícios.
"Já fui notificado que estão para atrasar o salário porque não tem dinheiro. E se atrasar um minuto, o ônibus, no mesmo minuto, vai parar e não volta", confirmou Clésio Fernandes, o Buba, presidente do Sindicato dos Motoristas de Criciúma, ao Portal 4oito.
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Os profissionais do transporte podem sofrer com atraso de salários e também de benefícios, como vale alimentação, e já podem parar a partir de segunda-feira (20), caso o valor não seja pago. "A gente vai ficar fiscalizando os tickets alimentação. Atrasando um desses aí, a gente para", complementa Buba.
De acordo com Buba, em caso de confirmação da paralisação, cerca de 500 trabalhadores irão aderir, interrompendo completamente o trânsito de ônibus de linha no município (brancos e 'amarelinho').
Déficit apresentado é de R$ 15 milhões
Na manhã desta sexta-feira (17), em uma nova reunião extraordinária do Conselho Municipal de Transporte Coletivo (CMTC), convocada pelo Consórcio Cribus, a Agir apresentou uma simulação do valor deficitário do setor, que chegou a R$ 15,6 milhões nos últimos três anos.
O advogado do Consórcio CriBus, Anderson Nazário, afirmou que a situação se deve ao valor da tarifa, que não foi reajustado mesmo com a queda do número de passageiros e aumento do valor do diesel. "Aquela previsão que é dada pela prefeitura não se realiza. Então tem que ser compensada, e a gente está há três anos sem essa compensação", explica, ao Portal 4oito.
Em fevereiro, o prefeito de Criciúma, Vaguinho Espíndola, comunicou que o preço da tarifa não sofreria reajuste, inclusive sem a correção da inflação. O valor permaneceu em R$ 5,25, baseado em parecer técnico da Agir (Agência Intermunicipal de Regulação de Serviços Públicos).
Consórcio CriBus corre contra o tempo para evitar paralisação
Segundo o advogado do consórcio, a empresa busca empréstimos em bancos para pagar o vale alimentação e evitar a paralisação. Porém, os pedidos estão sendo recusados, por conta do balanço financeiro da CriBus.
"A gente está sem previsão de pagar o valor da alimentação na segunda-feira(20). O presidente do sindicato de trabalhadores já disse que se não pagar segunda de manhã não vai ter transporte", disse Nazário. "Se não sair esse empréstimo hoje ou a prefeitura não pagar subsídio condizente, segunda-feira está sem ônibus", adicionou.
Outra forma de evitar a greve dos trabalhadores seria o aumento do subsídio por parte da prefeitura de Criciúma. "Para que o sistema funcione naturalmente, é necessário R$ 1,5 milhão de subsídios. E a empresa recebe só R$ 500 mil", contou o consultor da Cribus, Ronaldo Gilberto de Oliveira, na última semana.
CriBus vai solicitar aumento da tarifa à Agir
Durante a reunião desta sexta, a Agência Reguladora não participou, mas encaminhou o ofício com a simulação do valor de desequilíbrio financeiro, mesmo sem apresentação dos detalhes.
No documento, a Agir comunica a abertura de uma revisão extraordinária com prazo de 90 dias, que é muito longo para a CriBus. "A gente está comunicando isso à prefeitura, Para que faça a revisão da tarifa em 10 dias, em razão do aumento significativo do diesel, e por não ter dado reajuste esse ano", disse o advogado.
O advogado justifica a falta de reajuste como uma das principais razões para o déficit. "Como é que depois quer falar em comprar ônibus elétrico? O discurso não fecha", desabafa.
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