Violência contra a mulher, regionalização da saúde e construção de ferrovias em Santa Catarina foram os principais temas do quarto bloco do debate promovido pela Acaert, nesta terça-feira (22), em Florianópolis. Gelson Merisio, João Rodrigues e Ralf Zimmer trocaram perguntas e apresentaram propostas para áreas consideradas estratégicas para o Estado.
A discussão tratou do enfrentamento à violência contra a mulher. Ralf Zimmer questionou Gelson Merisio sobre as medidas que pretende adotar para reduzir casos de feminicídio e violência doméstica em Santa Catarina.
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Na resposta, Merisio defendeu mudanças na estrutura de atendimento e criticou o que classificou como mensagens equivocadas relacionadas à violência.
“Santa Catarina tem números vergonhosos quando se trata de violência contra a mulher. Nós precisamos fazer um debate profundo na sociedade”, afirmou Merisio.
Violência contra a mulher
Merisio citou episódios recentes e questionou atitudes de agentes públicos diante de situações de violência. Também defendeu a ampliação da estrutura de atendimento às mulheres e medidas para acelerar a investigação dos casos.
“A gente precisa ter delegacia da mulher 24 horas, precisamos ter mais policiais civis, precisamos ter mais investigação, precisamos ter medidas protetivas que funcionem e monitoramento por tornozeleira”, declarou.
O candidato também criticou a utilização de um lutador de MMA em uma campanha de combate à violência contra a mulher. Merisio afirmou que não tem nada contra o atleta, mas questionou a escolha da imagem utilizada na campanha.
Na réplica, Ralf Zimmer citou o caso ocorrido em Jaraguá do Sul, envolvendo uma mulher agredida por policiais militares. Ele afirmou que levou o episódio ao Ministério Público e defendeu o afastamento imediato do agente envolvido.
“Não se chuta nem mesmo jogador de futebol argentino no chão, que dirá uma mulher”, afirmou Ralf.
O candidato disse ainda que acompanhou as imagens do episódio diversas vezes e contestou a justificativa apresentada para a abordagem.
“Eu assisti ao vídeo dez vezes e não vi em momento algum ela tentando pegar a arma”, declarou.
Ralf também defendeu políticas de prevenção à violência, com ações de educação, assistência jurídica e apoio às mulheres antes que os casos cheguem à situação de agressão.
Saúde regionalizada
Na sequência, Gelson Merisio questionou João Rodrigues sobre a regionalização da saúde e a estrutura dos hospitais em Santa Catarina.
Merisio defendeu a descentralização dos serviços e afirmou que o Estado perdeu capacidade de planejamento na área.
“A regionalização das especialidades é mais do que uma necessidade, ela é uma imposição”, afirmou.
Segundo Merisio, Santa Catarina possui equipamentos e profissionais fora da Grande Florianópolis, mas os recursos continuam concentrados na Capital. Para ele, a ampliação da oferta regional de serviços reduziria deslocamentos e melhoraria o atendimento.
João Rodrigues respondeu apresentando uma proposta de criação de estruturas hospitalares distribuídas pelo Estado. O candidato defendeu a implantação de dez polos regionais e a construção de novos hospitais de grande e médio porte.
Entre as regiões citadas por João estão:
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São José;
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Chapecó;
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Joinville;
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Criciúma;
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Florianópolis, com estrutura no Sapiens Park;
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São Miguel do Oeste;
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Vale do Itajaí.
“Não adianta simplesmente reformar os hospitais antigos. Nós precisamos pensar em novas estruturas”, afirmou.
João também apresentou a proposta de utilizar equipamentos hospitalares durante o período noturno para ampliar a realização de exames de média e alta complexidade. A iniciativa foi chamada por ele de “Corujão”.
Durante a resposta, João fez críticas à gestão atual da saúde e citou números sobre filas de cirurgias, recursos financeiros e publicidade. As informações foram apresentadas pelo candidato durante o debate.
Ferrovias em Santa Catarina
A última discussão do bloco teve como tema a implantação de ferrovias em Santa Catarina. João Rodrigues questionou Ralf Zimmer sobre a proposta para o transporte ferroviário, especialmente na região Oeste e na ligação com os portos catarinenses.
Ralf afirmou que acompanha o tema desde 2022 e defendeu a realização de uma licitação internacional para viabilizar o projeto. Segundo ele, o Estado não teria recursos suficientes para executar sozinho uma obra dessa dimensão.
“A Ferrovia do Frango não saiu do papel por falta de prioridade dos governos”, afirmou.
Ralf defendeu uma concessão de longo prazo e a conexão do Extremo-Oeste catarinense com o Porto de São Francisco do Sul. Para ele, o primeiro passo seria contratar os estudos necessários para estruturar o projeto.
João Rodrigues concordou com a necessidade da ferrovia, mas afirmou que o projeto precisa demonstrar viabilidade financeira antes de avançar.
“Uma ferrovia tem que ter viabilidade financeira”, declarou.
O candidato citou estudos anteriores envolvendo Chapecó, Cascavel, Mato Grosso e o Porto de Paranaguá, com o objetivo de transportar produtos como frango e suínos para os portos e trazer grãos para Santa Catarina.
Ralf respondeu que a implantação poderia ocorrer por etapas, começando justamente pela elaboração dos projetos e pela abertura de uma licitação para os estudos.
Os dois também trocaram críticas sobre a condução de processos de licitação e sobre experiências administrativas. João defendeu sua atuação à frente da Prefeitura de Chapecó, enquanto Ralf questionou decisões e procedimentos adotados pela administração municipal.
O quarto bloco foi encerrado após a discussão sobre as ferrovias. O debate da Acaert segue com os candidatos apresentando propostas e confrontando posições sobre temas de interesse de Santa Catarina.
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