O primeiro bloco do debate entre candidatos ao governo de Santa Catarina, promovido pela Acaert, foi marcado pelas críticas à ausência do governador Jorginho Mello, que reassumiu o cargo na véspera em razão das fortes chuvas que atingiram o estado.
Na apresentação inicial, cada candidato teve 3 minutos e 20 segundos para expor os principais pontos do plano de governo.
João Rodrigues
O primeiro a falar, João Rodrigues, questionou a justificativa de Jorginho Mello para não participar do encontro, lembrando que a vice-governadora, ex-delegada regional de Joinville, está como titular do cargo durante a ausência do governador.
"Quando não participa do debate porque não consegue explicar aquilo que nós iniciamos ontem no questionamento é porque tem medo da verdade", afirmou.
Rodrigues também citou como falhas da gestão estadual a demora no atendimento a pacientes com dores crônicas e uma determinação do Tribunal de Justiça para a criação de um sistema de atendimento ginecológico a 5 mil mulheres.
Gelson Merisio
Gelson Merisio, segundo a falar, também lamentou a ausência do governador e concentrou sua fala em dados sobre indicadores sociais do estado. Segundo ele, Santa Catarina liderava 48 dos 50 indicadores de qualidade de vida do país em 2018, resultado de governos de diferentes partidos ao longo de três décadas anteriores.
Merisio afirmou que, desde então, os principais indicadores de saúde, longevidade e educação vêm caindo, citando a queda do estado da 8ª para a 12ª posição no Ideb entre 2022 e o período mais recente.
O candidato também citou dados sobre a valorização do magistério estadual. "Nós temos ainda o 23º pior salário de professor do Brasil, nós temos 72% dos nossos professores que não são concursados, são temporários", disse, defendendo a realização de concursos públicos para reverter o quadro nos próximos quatro anos, caso eleito.
Ralf Zimmer
Por fim, Ralf Zimmer criticou o que classificou como discurso vazio dos demais candidatos em relação a negociações com o governo federal, defendendo ações diretas do próprio estado para resolver problemas de infraestrutura, como a duplicação da BR-282 e a obra do Morro dos Cavalos.
"Não tem que ficar de conversa fiada com Brasília porque Brasília não tá nem aí pra nós historicamente", afirmou, prometendo dar um prazo de 30 dias ao presidente eleito para início das obras, sob risco de o Estado assumir a execução via dispensa de licitação.
Zimmer também defendeu a atualização da legislação do funcionalismo público catarinense, classificando a lei atual, de 1975, como defasada, além de propor a retomada de um projeto de transposição do Rio Itajaí-Açu para conter os impactos de chuvas na região. O candidato ainda reforçou seu histórico de pedidos de impeachment contra autoridades federais, incluindo, mais recentemente, contra o procurador-geral da República e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
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