Energia trifásica, conectividade no campo, saúde pública e prevenção de enchentes foram os temas que colocaram Gelson Merisio, João Rodrigues e Ralf Zimmer frente a frente no segundo bloco do debate promovido pela Acaert nesta terça-feira (22). Os assuntos foram definidos por sorteio a partir de sugestões das regionais da entidade.
Com a ausência de Jorginho Mello, que reassumiu o Governo de Santa Catarina após os temporais que atingiram o Estado, os três candidatos participaram das rodadas de confronto direto. Cada um teve até quatro minutos para administrar sua participação, conforme as regras do debate.
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A primeira discussão teve como tema energia trifásica e conectividade no campo, sugerido pela Regional Oeste. Ralf Zimmer escolheu Gelson Merisio para o confronto.
Antes de abordar diretamente a questão da energia, Merisio criticou a situação da Celesc e citou uma ação judicial envolvendo contratos firmados pela companhia. “Doze anos é muito”, afirmou, ao defender que o processo seja julgado.
Energia e conectividade no campo entram no primeiro confronto
Ao responder Merisio, Ralf Zimmer defendeu a ampliação da rede trifásica nas áreas rurais e afirmou que a medida poderia ter sido executada anteriormente. “A energização do trifásico no interior já devia estar pronta”, declarou.
O candidato também defendeu a permanência da Celesc como empresa pública e afirmou que, caso seja eleito, não pretende privatizar empresas estatais. Ao explicar a mudança de posição em relação à eleição de 2018, disse que a experiência no setor privado modificou sua visão sobre serviços essenciais.
“Serviço essencial tem que ter um braço do Estado para fazer regulação de mercado”, afirmou Ralf.
Na sequência, o candidato defendeu investimentos públicos para fortalecer a empresa e ampliar a infraestrutura no interior. Sobre a conectividade, citou novas tecnologias e afirmou que atualmente é mais fácil levar internet às propriedades rurais.
“É muito mais fácil levar para todas as propriedades do campo a internet de qualidade do que era há cinco anos atrás”, disse.
Merisio também aproveitou a rodada para defender a manutenção das empresas públicas e afirmou que pretende cobrar eficiência e transparência. “Não penso em privatizar empresa pública nenhuma”, declarou.
O candidato também criticou a relação do Governo de Santa Catarina com o governo federal e afirmou que o Estado estaria deixando de receber investimentos por questões políticas. “O que falta para Santa Catarina é se reencontrar com o governo federal”, disse.
Ralf, por sua vez, voltou a defender investimentos específicos para o produtor rural e afirmou que a expansão da energia deveria vir acompanhada de financiamento e conectividade.
Durante o confronto, os candidatos também trocaram críticas sobre empresas públicas, gestão e relações políticas. Ralf afirmou que pretende manter estruturas estatais, mas com cobrança de resultados e transparência.
Saúde vira alvo de críticas e propostas
O segundo tema sorteado foi UTI neonatal, indicado pela Regional Planalto Norte. Gelson Merisio escolheu João Rodrigues para responder sobre a estrutura de saúde e a necessidade de ampliar os serviços especializados.
Merisio criticou a situação da saúde estadual e citou o número de pessoas que, segundo ele, aguardam procedimentos pelo SUS. “Nós não temos especialidades regionais, nós não temos UTI onde precisa-se ter”, afirmou.
Na avaliação do candidato, a falta de estrutura regionalizada provoca deslocamentos de pacientes para outras cidades. Ele questionou João Rodrigues sobre quais medidas seriam necessárias para enfrentar o problema.
Rodrigues iniciou sua resposta reconhecendo avanços na gestão atual, mas criticou a falta de planejamento para acompanhar o crescimento da população catarinense.
“O atual governador teve avanços, eu não quero dizer que não teve, teve, mas não planejou”, declarou.
O candidato afirmou que a quantidade de leitos hospitalares e de UTIs não acompanhou o crescimento populacional do Estado. Segundo Rodrigues, a deficiência também atinge as UTIs neonatais.
A proposta apresentada por ele prevê a construção ou ampliação de dez hospitais. “O nosso projeto prevê a construção de 10 hospitais, 6 de grande porte, 4 médio, pequeno ou ampliação de hospitais”, afirmou.
Rodrigues também defendeu a regionalização dos serviços para reduzir o deslocamento de pacientes. Como exemplo, citou pessoas que precisam viajar de outras regiões para consultas e procedimentos especializados.
Para o candidato, o problema não estaria apenas na quantidade de recursos disponíveis, mas na forma como eles são administrados. “O que nós temos no estado hoje é uma crise de gestão na saúde”, afirmou.
Rodrigues também criticou o número de cargos comissionados e defendeu uma estrutura baseada em servidores efetivos. “O que difere um bom governo de um mau governo é a composição da sua equipe”, declarou.
O candidato também apresentou a proposta de ampliar o funcionamento dos hospitais públicos para exames e procedimentos durante a noite. “No meu governo, os hospitais públicos vão trabalhar no sistema Corujão”, disse.
Ao longo da resposta, Rodrigues também criticou a ausência de Jorginho Mello e questionou a decisão de o governador não participar do debate.
Ausência de Jorginho provoca novos questionamentos
A ausência do governador voltou ao centro da discussão durante o segundo bloco. Merisio questionou a justificativa apresentada para a não participação e afirmou que Jorginho deveria explicar pessoalmente sua decisão.
“Deixa o governador, quando vier para cá, ele fazer a sua defesa”, afirmou o mediador ao interromper a discussão sobre o assunto e reforçar que a justificativa oficial havia sido apresentada pela organização.
Rodrigues também criticou a ausência e afirmou que, em sua avaliação, o debate seria uma oportunidade para o governador apresentar seu balanço de gestão.
A discussão sobre a ausência, porém, não alterou a sequência prevista pela organização, que avançou para o terceiro confronto.
Prevenção de enchentes fecha rodada de confrontos
O último tema sorteado foi contenção de cheias e microbarragens, indicado pela Regional do Vale do Itajaí. João Rodrigues escolheu Ralf Zimmer para o confronto e questionou quais medidas seriam adotadas para reduzir os impactos das enchentes na região.
Ralf defendeu a realização de grandes obras de infraestrutura e citou uma proposta de transposição do Rio Itajaí-Açu. Na avaliação do candidato, governos anteriores tiveram oportunidades de executar projetos, mas não avançaram.
“Vocês são muito bons de dizer o que precisa ser feito, mas vocês já tiveram oportunidades e não fizeram”, afirmou Ralf aos adversários.
O candidato também defendeu a execução de obras de contenção e afirmou que pretende priorizar a região caso seja eleito.
Rodrigues respondeu citando obras e projetos que, segundo ele, já estavam em andamento ou poderiam ter sido executados pelo atual governo. Entre os exemplos, mencionou a barragem de Botuverá e o canal extravasor de Rio do Sul.
“Ele investiu do orçamento da Defesa Civil apenas 20% mais ou menos do que estava orçado”, afirmou Rodrigues, ao criticar a execução de recursos destinados à área.
O candidato também acusou o governo de priorizar ações de divulgação em vez de obras de prevenção. “O governador fez muita propaganda, muita reunião, pegou as dragas, andou pelo rio, fez tudo o marketing, mas atitude ele não fez”, declarou.
Ralf voltou a defender a necessidade de obras estruturais e afirmou que pretende acelerar os projetos já existentes. “Eu vou fazer porque eu tenho coragem para fazer”, disse.
Rodrigues, por outro lado, afirmou que pretende concentrar a estrutura do governo na região e acelerar as licitações de obras de prevenção.
O segundo bloco terminou com os candidatos apresentando propostas e críticas relacionadas à prevenção de desastres. As discussões tiveram como eixo os problemas apontados pelas regionais da Acaert, com confrontos diretos entre os três participantes.
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