Os estudantes que ajudaram a reeleger Lula (PT) vão cobrar do presidente o cumprimento da meta de investir 10% do Produto Interno Bruto (PIB) na educação pública. A meta já estava no Plano Nacional de Educação (PNE) anterior, nunca foi alcançada e foi renovada para a próxima década.
A UNE aponta ainda um déficit de pelo menos R$ 2 bilhões por ano para atender à demanda da educação no país. Em entrevista ao programa Adelor Lessa, a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, disse que o dinheiro é necessário porque o ensino superior público vive um déficit crônico de orçamento, mesmo com as recomposições feitas no atual governo.
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A entidade também quer regras mais duras para as faculdades privadas e mais recursos para bolsas, moradia e restaurantes universitários, que mantêm os alunos de baixa renda na universidade.
“É claro que nada está dado. Então nós temos dito que precisamos permanecer em estado permanente de mobilização para alcançar essas conquistas”, disse.
Educação fora do arcabouço fiscal
A UNE quer tirar os gastos com educação do arcabouço fiscal, a regra que limita o crescimento das despesas do governo federal, e defende o fim da regra no futuro.
Outra cobrança é a regulamentação do ensino superior privado. De acordo com a presidente da UNE, cerca de 80% dos mais de 10 milhões de matrículas no ensino superior estão em instituições particulares.
“A rede privada muitas vezes está dominada por conglomerados internacionais de capital aberto, que transformaram a universidade privada num balcão de negócios, reduzindo cada vez mais a qualidade e aumentando cada vez mais a mensalidade”, ressalta.
Déficit de R$ 2 bilhões preocupa
O terceiro ponto é a assistência estudantil. Bianca citou um levantamento do Fórum de Pró-Reitores de Assuntos Estudantis (Fonaprace), ligado à Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que aponta um déficit de pelo menos R$ 2 bilhões por ano para atender à demanda no país.
“Sem permanência estudantil, o acesso é uma exclusão adiada, é uma porta giratória. Nós ainda temos muitos campi universitários pelo Brasil que não têm moradia, que não têm restaurante universitário. Isso dificulta muito a permanência dos estudantes mais pobres”, afirmou.
Atos começaram nas universidades
A mobilização estudantil começou logo depois do primeiro turno, em 4 de outubro, quando Lula ficou em segundo lugar com 45,16% dos votos válidos, contra 47,03% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Na noite da apuração, a UNE pediu que os diretórios centrais de estudantes fizessem assembleias para definir as ações de campanha. Segundo Bianca, os alunos quiseram ir direto para a rua.
O primeiro grande ato foi em Copacabana, no Rio de Janeiro. Depois vieram a Avenida Paulista, em São Paulo, e manifestações em outras cidades. No segundo turno, em 25 de outubro, Lula venceu com 51,75% dos votos válidos e virou a eleição. Foi a primeira vez que um candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar ganhou a disputa.
Para Bianca, o movimento ultrapassou as universidades. “Apesar desse levante ter começado com os estudantes, nas nossas universidades, ele rapidamente se transformou num pacto intergeracional e conectou a sociedade inteira à bandeira da reeleição do presidente Lula”, destaca.
Novo ato no domingo
No domingo (1º), estudantes fizeram atos em várias cidades sob o mote “Brasil com S: das urnas às ruas em defesa da democracia”. Segundo a presidente da UNE, as manifestações comemoraram a reeleição e responderam ao que ela chamou de tentativa de Flávio Bolsonaro de desacreditar o resultado das urnas.
Bianca também disse que o senador chegou a processar a UNE e outras organizações por causa dos atos de apoio a Lula durante a campanha.
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