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Santiago Mendonça
Por Santiago Mendonça 09/10/2018 - 13:00

Kailua Kona, Hawaii - Terça feira 09 de outubro de 2018.

No final da tarde de ontem, fomos ao evento chamado Heroes do IRONMAN. 

É uma apresentação que junta algumas curiosidades e trabalhos artesanais daqui, com as lendas do IRONMAN.

Ao som de uma música tipica, os HEROES são anunciados pelo microfone e falam um pouco da sua experiência e como foi chegar até ali.

Depois eles autografam um pôster e você fica com essa lembrança fantástica de quem fez a história do esporte nesses 40 anos.

E como é um evento social, temos contato direto com esses atletas. A conversa é super legal e eles são super gentis. 

Você já se imaginou em uma festa conversando com o Pelé, Garrincha, Zico entre outros que fizeram a história? É exatamente isso para quem vive esse esporte. 

Eu sigo por aqui vivenciando tudo e mostrando para vocês no Instagram @santiemkona 

 

Aloha!

Santiago Mendonça
Por Santiago Mendonça 08/10/2018 - 23:30

Kailua Kona, Hawaii - Segunda feira 08 de outubro de 2018

Hoje foi meu primeiro trabalho voluntário por aqui. Separar todos os kits que serao entregues para os 2500 atletas que competem no próximo sábado dia 13.

Em uma sala, pegavámos uma mochila personalizada, colocávamos alguns brindes dentro e voltávamos ao final da fila, para iniciar todo o processo de novo, como um linha de produção. 

Depois fiquei um tempo separando os números dos atletas que posteriormente irão dentro dessa mochila. 

Tudo em um ambiente agradável conversando com as pessoas. 

A coordenadora ao saber que eu era brasileiro, me pediu que eu ficasse responsável por ajudar na tradução das informações que serão dadas aos atletas a partir de amanhã na retirada do kit. 

Fiquei nesse meu primeiro trabalho, das 9:00 as 11:30. 

Saindo dali encontrei alguns brasileiros, fomos almoçar e seguimos curtindo o local. 

 

Amanhã tem mais! 

 

Aloha! 

 

Santiago Mendonça
Por Santiago Mendonça 07/10/2018 - 17:30

Acordamos, café da manhã e bora correr! 

10km na avenida mais famosa da ilha. Um percurso bem ondulado, sem plano. 

Devo ter ficado entre os 20 primeiros da prova... Mas o intuito era participar e curtir o lindo visual que essa avenida tem, por ser na beira mar! 

Muita gente assistindo, torcendo e dando aquela força pros participantes. Foi muito legal! 

Mais informações e tudo o rola por aqui, no meu Instagram @santiemkona 

 

Santiago Mendonça
Por Santiago Mendonça 06/10/2018 - 20:00

Hoje foi dia de encarar os 3.8km de natação no mesmo percurso que acontece o mundial de IRONMAN no próximo sábado dia 13 de outubro.

Muita gente faz questão de participar desse treino, que faz parte dos eventos paralelos que antecedem a prova. Utilizando para se ambientar com o mar a distância e a quantidade de pessoas nadando ao seu lado.

 E quando eu falo muita gente, é muita mesmo! Esse ano foram quase 700 participantes.

Como a Kailua Bay é pequena e tem pouca faixa de areia, a largada (assim como na prova do IRONMAN) é feita de dentro da água.

Foi muito legal ter participado novamente. Muitos viram golfinhos saltando quando os primeiros atletas passaram pelas bóias de marcação do percurso. Eu só consegui ver os peixes. Isso porque a água é cristalina e dá pra ver tudo! 

Agora é hora de pensar na corrida de amanhã.

Pra quem quiser mais informações e tudo o que rola no Hawaii me segue no Instagram @santiemkona que estou mostrando tudo por aqui!

Até mais! 

 

Santiago Mendonça
Por Santiago Mendonça 05/10/2018 - 20:00

Podemos dizer que chegar no Hawaii é maravilhoso, mas demanda um bocado de tempo!!

Saí de Criciúma logo após meio dia de quinta feira dia 04 em direção ao aeroporto internacional Salgado Filho em Porto Alegre. De lá saímos as 19:00 rumo a São Paulo e posteriormente para Los Angeles. Viajamos toda a noite e embarcamos para a Big Island no Hawaii perto das 8:00 da manhã, chegando em Kona perto do meio dia daqui, considerando que são 7 horas de diferença pelo fuso horário.

Na ida ganhamos horas dentro do dia e a volta vira uma viagem sem fim...mas isso é papo pra depois!!

Aterrissar no Hawaii é o máximo! Mesmo sendo pela terceira vez. Cada viagem é uma emoção diferente e esta será sob a visão de espectador e não de atleta como das últimas duas.

Bora descansar que amanhã tem natação no percurso do IRONMAN!

Serão 3.8km no mesmo local onde acontece a prova e serve como ambientação para os que irão competir no próximo dia 13.

Nas redes sociais procurem por @santiemkona no Instagram ou Santiago Mendonça no facebook que estarei postando imagens e tudo o que acontece por aqui!

Saudações!

 

 

 

Santiago Mendonça
Por Santiago Mendonça 01/10/2018 - 11:50Atualizado em 02/10/2018 - 08:44

Essa é mais uma história real, daquelas que dá orgulho em contar.

Nesses meus 24 anos de triathlon vivenciei bastante coisa. Com o fato de ser treinador, modifiquei hábitos, transformei vidas e condicionei muitas pessoas em busca de seus objetivos.

A Larissa é uma delas.

Lembro bem quando me procurou porque estava insatisfeita com seu peso corporal assim como a maioria das meninas. Lutava com o sobrepeso e precisava encaixar um esporte que ajudasse nesse processo.

Assim como todos que iniciam, alternava caminhada e corrida no método que utilizo para treinar qualquer tipo de nível de condicionamento.

Os primeiros treinos foram bem difíceis pois o início nunca é fácil.

Aos poucos ela foi ganhando condicionamento, encaixando novos desafios pessoais e passou a tentar completar uma prova de 5km. Foi lá e fez.

Seguiu firme e focada para novos desafios e completou os 10km numa outra prova e um tempo depois encarou os 21km da famosa meia maratona.

Uma evolução normal para um praticante de corrida. Mas ela queria MAIS.

Sempre gostou do triathlon e buscava informações tanto comigo quanto na internet. E aos poucos foi iniciando a natação e o ciclismo, incluídos durante a semana conforme sua disponibilidade e adaptação do seu condicionamento.

Fez sua primeira prova curta há dois anos. Nadou 750m, pedalou 20km e correu 5km. Um baita feito e que fica na minha memória com muito carinho.

Ano passado ela me questionou sobre a possibilidade de participar de um MEIO IRONMAN.

Prontamente analisei o contexto e tudo que precisaríamos fazer para chegar nisso.

Planejei o caminho para que ela conseguisse completar mais esse desafio…

E no domingo dia 30 de setembro ela completou seu maior objetivo dentro do esporte até hoje. 

NADAR 1,9km, PEDALAR 90km e CORRER 21km

Difícil mensurar em palavras o sentimento que EU, como treinador, professor e amigo, tive de vê-la completar a prova. 

Isso me remete a enaltecer o quanto isso é GRANDIOSO.

Sabe por que? Porque o triathlon é um esporte para todos, porém muito duro. 

O mais difícil não é a prova e sim o treinamento. São horas e horas durante meses, onde cansaço, dificuldades e alegrias fazem parte da rotina. 

 

Outro fato importante é que ela é uma MULHER. Tudo fica mais difícil. Desde o preconceito e desrespeito ao andar na rua como a diferença de força comparado ao homem. 

Meu trabalho foi colocar a Larissa num caminho de condicionamento onde ela completaria a prova e estivesse satisfeita com o resultado. 

Nunca buscamos o pódio, nem ganhar de ninguém, e sim que ela vencesse a si mesma e provar que podia sempre MAIS.

 

Assim como o slogan da marca IRONMAN diz “Anything is possible”, eu também acho que tudo é possível e continuo levando essa motivação à quem quiser me escutar.

Por fim, só tenho a agradecer por sentir esse orgulho ao ver meus alunos conquistando seus objetivos pessoais.

 

Lari, você é FODA.

Todo o mérito é seu, fui somente um elo entre a tua força de vontade e tua conquista. Bjos do prof. 

 

Santiago Mendonça
Por Santiago Mendonça 22/08/2018 - 08:00Atualizado em 23/08/2018 - 12:41

Relembrando: tudo foi muito rápido...

 

Eu caí no dia 16 de JUNHO e voltei a pedalar dia 16 de JULHO. Nesse mesmo dia iniciei a fisioterapia e voltei a nadar no dia 17 de JULHO.

 

Correr demorou um pouco mais, mas mesmo assim nem tanto...dia 23 de JULHO.

 

O treino de corrida era muito sofrido, descansando a cada km, com muita dor nas costelas, mas seguindo em frente.

 

Aos poucos fui aumentando a quilometragem nos esportes. Obviamente bem devagarinho e planejado. Isso foi me dando confiança e segurança.

 

No último domingo 19 consegui retornar às competições na corrida do Bem, organizada pelo SESI.

 

Não tinha feito nenhum treino específico ou nada que pudesse ser especial para a prova, já que não sabia o que esperar do meu corpo depois do tempo parado.

 

A largada como sempre foi muito forte. Muitos exageram nesse inicio. Eu sempre falo aos alunos que o ritmo para iniciar uma competição nunca deve ser mais forte do que foi treinado. Não existe milagre. O que você fez no treino, você deve replicar na prova.

 

A experiência ajuda muito nessas horas. Fui "escutando" as respostas que meu corpo vinha me dando ao longo da prova.

 

Pois bem, passado o primeiro quilômetro eu era o 15º colocado. Mas via notoriamente que muitos ali estavam exagerando em seus ritmos pessoais e iam pagar caro mais pra frente, principalmente porque o percurso era bem variado com subidas e descidas.

 

A organização fez um percurso diferente e mais desafiador. Não havia nenhum ponto totalmente plano onde poderíamos encaixar um ritmo constante.

 

Fui pegando cada um que ia "morrendo" depois daquele início insano. No final da primeira volta dos 5km eu me encontrava em 2º.

 

Essa colocação se manteve até o final. O campeão, um velho conhecido meu, corria a uns 2 minutos à frente e eu não tinha a menor chance de buscá-lo.

 

Pra mim foi uma vitória! Dei meu máximo, exigi o que podia do meu recém recuperado corpo e consegui um resultado muito melhor do que se esperava.

 

Agora sigo focado nos próximos objetivos!

 

O que podemos tirar disso tudo?

 

Que tudo tem volta! A única coisa que não tem volta é a morte, portanto VIVA!

Santiago Mendonça
Por Santiago Mendonça 21/08/2018 - 08:00Atualizado em 23/08/2018 - 12:43

Quando fui ao especialista de ombro praticamente 25 dias depois da queda, aquelas 8 semanas que estavam previstas viraram 4.

 

O médico me falou que não tinha mais o que fazer do ponto de vista de reconstituição e o corpo ia fazer isso sozinho.

 

E me disse: - Semana que vem, já pode tirar a tipóia e iniciar a fisioterapia.

 

Aquilo soou como música para os ouvidos de uma cabeça que vinha bem triste e com muita chance de parar com o esporte que faço há 24 anos.

(durante os dias parado em casa, tentei manter o bom humor, mas realmente precisei ser muito forte nesse quesito. Uma amiga psicóloga me falou que isso era totalmente normal. Anormal seria ter outra sensação)

 

Dado o salvo conduto para iniciar a reabilitação, como um click, aquilo mudou totalmente minha maneira de pensar e iniciei as tratativas de voltar o mais rápido possível.

 

Fui para a fisioterapia e fui nadar. Isso mesmo, nadar!

 

Muita dor e fraqueza nos tendões que seguram o ombro, depois de 30 dias de imobilização.

 

As costelas doíam direto. Ainda doem quando respiro fundo. E não tem data para isso parar.

 

Os primeiros metros foram horríveis, virada olímpica, eu tentei. MEU DEUS que dor... voltei no tempo e lembrei do tempo de iniciação na natação, batendo a mão na borda e começando tudo de novo.

 

Como o médico tinha dito que eu não poderia fazer nada para PIORAR a situação, tive segurança para tentar fazer o que desse.

 

Ele só me falou que o limite seria a minha dor. E como atleta aguenta dor praticamente todos os dias, assim fui... fazendo o que dava, todo dia um pouco de exercício, uma coisa por vez.

 

Assim, com 30 dias depois da queda, coloquei minha bike no rolo (onde vc pode pedalar dentro de casa) e iniciei minha ˜fisioterapia” caseira, além da tradicional. Não preciso dizer o quanto era sofrido. Parecia que NUNCA tinha pedalado na vida... mesma sensação com a natação e com a corrida.

 

Eu sabia que precisava ter MUITA paciência...

Santiago Mendonça
Por Santiago Mendonça 20/08/2018 - 08:00Atualizado em 20/08/2018 - 13:31

Ok, ok... eu demorei muito tempo pra escrever de novo. Da última publicação para agora, muita coisa aconteceu.

 

Pra encurtar e resumir, há exatos dois meses, tive um pequeno acidente com consequências bem preocupantes.

 

Chegando de um treino de ciclismo, a uns 8km de casa, bati em alguma coisa no asfalto, onde minha mão escorregou e me fez perder o controle da bicicleta. Na queda, cai em cima de um tachão de fiscalização de rodovia.

 

Muita dor local, respiração comprometida e ali eu fiquei, sem poder me mover.

 

Era impossível ficar deitado de costas e fiquei de lado, falando e respirando como dava, pois a batida tinha sido bem forte e minha respiração estava muito curta.

Meu parceiro de treino rapidamente acionou os bombeiros que prontamente vieram me socorrer. No meio disso tudo, que pra mim parecia uma eternidade, chegaram alguns ciclistas prontos para ajudar e muitos carros diminuíam a velocidade para ver o que tinha acontecido.

 

A dor nas costas era absurda. Tanto que os momentos de passagem chão-maca-hospital-raiox-leito foram doloridos ao extremo.

 

Resultado:

Uma escápula quebrada

7 costelas fissuradas (uma delas quebrada)

Pulmão 20% inflamado

Um pneumotórax leve

Um rim sob observação, pois urinava sangue (isso durou 4 dias)

 

Minha primeira pergunta ao médico foi... – Em quanto tempo eu fico bom?

 

A resposta, nenhum pouco animadora... -Olha, 3 a 6 meses.

 

Fiquei 5 dias no hospital. Medicado a cada 3 horas e sem perspectiva de voltar à ativa.

 

Tive alta e foi outra epopéia. Leito-maca-ambulância-cadeira com rodinha-elevador (o solavanco no vão da porta do elevador foi um horror)-sofá. E ali fiquei mais alguns dias.

 

Durante esses dias, fui obrigado a resetar minha cabeça, pois estamos acostumados a fazer tudo sozinhos e naquele momento, eu estava TOTALMENTE dependente e precisava de muita ajuda, pra tudo. E entender que naquele momento teria que ser assim, mesmo que fosse meio estranho e que a gente sempre tenta fazer sozinho. Quer uma dica? Não tente.

 

Confesso que durante os primeiros dias, foi muito difícil, principalmente na parte psicológica. Não querer fazer nada, só dormir. Sem pensar em treinar e pensar até em desistir de tudo...

Continua... 

 

 

Santiago Mendonça
Por Santiago Mendonça 19/02/2018 - 07:00

Tínhamos corrido 5km no dia anterior com aquele frio "FROZEN" e era hora de enfrentar 10km.

Tudo certo, já que no primeiro dia já tínhamos sanado todas as possíveis dúvidas sobre rodovias, estacionamento e entrega de sacolas no guarda volume.

A logística é  muito parecida, diferenciando somente no percurso, que além do trajeto dentro do parque, ainda pega uma rodovia de acesso para fechar a distância de 10km.

Fomos pra largada, após todo ritual pré prova (aquecimento, larga sacola e beijo de boa sorte).

Novamente, muita gente já estava preparada esperando o tiro de largada. Imaginem organizar 10.000 pessoas, divididas em inúmeros setores. Eu era do “A”, bem perto do pórtico de largada. 

Eis que encontro o João Avelar, também brasileiro, que tinha sido campeão geral dos 5km e tinha toda a condição de vencer os 10km. Ele, assim como eu, queria largar o mais próximo do pórtico possível, para evitar precisar ultrapassar muita gente no começo da corrida. 

Foi ai que iniciamos um "procedimento padrão" de pedir licença e ir passando pelos buracos no meio das pessoas. Muitos dão passagem sem problemas. Aqueles que faziam cara feia eu dizia: "Elite atlhete" e facilitava muito, pois para os que duvidavam, eu falava que o Avelar tinha ganhado os 5km, correndo na casa de 15min e eles abriam passagem! 

Depois de vários “excuse me e elite athlete”, chegamos ao ponto onde queríamos. Não demorou muito para o tiro de largada e a pauleira começou. Estava bem frio. Porém um pouco menos que o dia anterior. 

Como minha estratégia era correr o mais forte possível, já que em 2015 eu tinha sido 3º colocado geral dessa prova, larguei em ritmo acelerado para me posicionar junto aos melhores corredores.

Nessa hora o Avelar sumiu! Nossa diferença de nível é grande e ele logo abriu vantagem lá na frente.

Corri muitos quilômetros disputando a 3ª colocação. Estava muito contente de como meu corpo vinha respondendo, já que não tinha feito nenhum treino forte para essa prova. Estava voltando de lesão e essa corrida não era o meu maior objetivo. Tinha plena consciência de que eu ia fazer o que desse.

Chegando no km 5 pro 6, outro atleta chegou perto. O ritmo começou a aumentar. Os 3´30”min/km que vínhamos fazendo, automaticamente virou 3´25min/km. Agüentei até o km 8 dessa forma e vi aquela disputa pelo 3º lugar ficar um pouco mais distante de mim. Eles foram abrindo bem aos pouquinhos. Segurei o ritmo forte quase até o final.

Eis que faltando uns 400m, fui ultrapassado num sprint e não consegui seguir junto até a chegada. Acabei sendo 6º colocado GERAL dos mais de 10.000 atletas que largaram e vice-campeão da minha categoria (aquele que me passou no finalzinho, era da minha faixa etária). 

Mesmo não obtendo o mesmo resultado de 2015, fiquei muito contente porque sentia o meu corpo responder aos estímulos, numa fase bem precoce do treinamento. Isso me deixou muito satisfeito.

Rapidamente passei pela área de hidratação e alimentação e fui me trocar. Era hora de descansar, pois o “pior” ainda estava por vir... Os 21km no sábado e os 42km no domingo!!

Santiago Mendonça
Por Santiago Mendonça 08/02/2018 - 10:00

Pois bem, tudo arrumado para enfrentar o desafio de correr 78km divididos em:
5km na quinta feira
10km na sexta feira
21km no sábado
42km no domingo

Tentamos dormir cedo na quarta feira que antecedia a primeira corrida, mas com a adaptação ao fuso e mais a ansiedade, nem lembro direito a hora que fomos pra cama. Tínhamos que acordar às 3:00 para que no máximo às 4:00 estivéssemos saindo de casa rumo ao Epcot, local de largada. 

(Na Disney você tem duas opções. Ficar em um hotel dentro do complexo, onde eles viabilizam ônibus para levar os corredores até a largada, ou fora, que foi o nosso caso, precisando ir de carro próprio.)


Waze ligado e seguimos rumo ao Epcot Center. Já tínhamos lido bastante coisa sobre como chegar de carro próprio e eu particularmente tinha uma preocupação com o aviso que a própria organização nos dava:
 "Considere MUITOS ATRASOS em função de fechamento das rodovias" 

Um grupo do Facebook dizia uma coisa muito importante e real... "Como chegar no local de largada as 4:00 da manhã? Só seguir os carros indo em direção do Epcot, pois todos estarão indo para o mesmo objetivo!"

Chegamos com extrema tranqüilidade. Lembra da organização impecável na retirada do kit? Ela é assim nas rodovias e na hora de estacionar o carro, pois na Disney quem escolhe o lugar é o funcionário e não você.
Nem tente experimentar estacionar numa vaga sem ser indicado que vai levar apito e uma baita repreensão... vi isso na minha primeira vez por lá com um carro na minha frente. É por isso que as coisas FUNCIONAM. Não existe o jeitinho, existe o certo e igual para todos. Todos andam na linha e tudo flui... Ah se o Brasil fosse assim!

Estacionei (onde me mandaram) e fomos caminhando para a estrutura montada no estacionamento do Epcot Center. 

Ali, já sentíamos o frio intenso que vinha deixando os moradores da Flórida perplexos. O normal é um frio “aguentável” e não o absurdo que vinha fazendo, com temperaturas perto de 0* Celsius. Vínhamos pesquisando o clima antes de viajar e tudo indicava tempo bom com temperaturas entre 7 e 25. O que ninguém estava preparado era para a frente gelada que atravessou os EUA nessa época. Recebíamos alertas a todo instante sobre o risco de geada e de congelamento, o que realmente aconteceu em alguns locais. 
Nós que moramos no Sul do Brasil, estamos um pouco "acostumados" com frio... agora imagina para quem mora na Flórida, que escolheu o local justamente para fugir de baixas temperaturas, ser pego de surpresa com a possibilidade de nevasca. Faço uma analogia com meus amigos que moram na Bahia e quase morreram com 15 graus quando competiram em Porto Alegre.

Passamos pelo bag-check (como norma de segurança, você só pode levar a sacola transparente fornecida no kit para o local de largada, sendo que deverá ser deixada no guarda volume, que fica um pouco mais a frente).
Feito tudo isso, era hora de ir ao local de largada a uns 200m dali. 

O mais difícil foi escolher com qual roupa correr, já que a sensação térmica era abaixo de zero nesse momento. Some 0 grau + vento = momento totalmente FROZEN!!! Na hora não tinha como não se lembrar da musiquinha, que por muito tempo ficou na cabeça dos pais que assistiram ao filme com seus filhos... Let it GO, let it GO... 

Confesso que eu NUNCA tinha corrido de moleton na vida! Calça e parte de cima! E mesmo assim ainda sentia frio, mesmo com segunda pele, dois pares de meia, luva, touca... Só faltou um aquecedor portátil... hahahaha

E assim largamos as 5:30 da manhã, com aquela sensação gelada, todo cheio de roupa, mas curtindo cada metro!

Os 5km tem o percurso todo dentro do Epcot Center. Iniciando no estacionamento, passando pelo World SHOWCASE (pavilhões em torno de um lago, onde 11 países são representados e contém arquitetura, paisagens, ruas, atrações, lojas e restaurantes temáticos representando a cultura e culinária de cada um deles) tudo muito bonito e iluminado que ajuda a esquecer por um momento aquele frio todo!

Saindo do SHOWCASE, retornamos em direção à Spaceship Earth, famosa "bola" símbolo do parque, onde é a chegada. 
Passada a chegada, hora de colocar mais roupa e ir pro carro, já que o frio continuava nos castigando. Nessa hora eu rezava para que a temperatura aumentasse um pouco, para não sofrer tanto nas próximas provas...
 

Santiago Mendonça
Por Santiago Mendonça 01/02/2018 - 15:00Atualizado em 02/02/2018 - 09:27

Uma das melhores e maiores experiências que uma pessoa que corre ou que pratica esporte (não precisa ser experiente ou profissional) pode ter na vida, se chama RunDisney. 

Nesses meus 24 anos de experiência no esporte, onde já competi mais de 200 vezes (talvez bem mais, já que não faço contabilidade de provas faz tempo), vivenciei de tudo um pouco.

Provas simples, umas rápidas outras longas, percursos em meio à natureza, outras totalmente urbanas, de organização impecável e outras nem tanto... Mas nada se compara com o que senti correndo um evento da RunDisney. 

Pra início de conversa, pensa na organização que atrai de 60.000 a 80.000 pessoas nos 5 dias de evento, sendo o primeiro de retirada de kits e os outros 4 de provas.

Só ali, eles já dão banho em rapidez e agilidade pois dificilmente você ficará parado na fila por muito tempo. 

A retirada do kit é na ESPN, que faz parte do complexo Disney e é um local enorme com muitos campos de beisebol, futebol americano, pista de corrida, ginásios poliesportivos e mais áreas de alimentação. Só ali você já baba de tanta estrutura.
Após a retirada do nosso número de competição, fizemos aquela passeada básica por toda essa estrutura que enche os olhos até de quem não gosta de atividade física. 

Pra não dizer que não havia fila, existe uma e muito grande... A fila dos itens comemorativos. Nos EUA é muito comum isso. Eles esperam por horas para conseguir alguns itens do aniversário de 25 anos da Maratona no tamanho e cores desejadas. Quem não quer ficar na fila, se contenta com o que sobrar... Como não estávamos ali pra isso, nem demos bola e seguimos nosso passeio. Nada demorado, porque iríamos enfrentar 4 dias de corrida em seqüência... 
 

Santiago Mendonça
Por Santiago Mendonça 08/11/2017 - 16:00Atualizado em 08/11/2017 - 16:23

Muitas pessoas me perguntam isso.

Dentro da educação física, a melhor palavra que define qualquer dúvida como essa é: DEPENDE. 

São tantas variáveis que devemos colocar dentro da resposta, que acaba sendo diferente para todos.

O que pode ser fácil para um, pode ser impossível para outro.

Digo isso porque mesmo afirmando que TODOS podem correr, devemos trabalhar de forma individual esse objetivo. 

Para entender o DEPENDE, é só comparar um aluno que nunca fez atividade física, com outro que fez qualquer atividade de forma regular em sua vida. Isso já bastaria para notar que além da diferença de idade, peso e gênero que temos entre todos nós, ainda teríamos essa experiência com o exercício físico anterior que faz toda a diferença.

A pessoa que já fez algum exercício alguma vez, sai na frente quando inicia qualquer outro tipo de atividade, seja ela qual for. Isso porque nosso corpo "lembra" de muita coisa, principalmente coordenação motora e outras valências. 

Então, como a preparação DEPENDE de tudo isso, devemos analisar cada caso, para poder ter um tempo mais exato de preparação.

Agora, resumidamente, poderíamos dizer que partindo de uma pessoa que já tem experiência com a corrida e já faz meia maratona por exemplo, precisaríamos de 8 semanas para fazer uma bela preparação para os 42km. 

Para uma pessoa que NUNCA correu, deve ser um objetivo a longo prazo... longo mesmo! 

A sugestão é procurar um profissional capacitado que te ajude nisso. Fazer loucuras sem o devido cuidado pode custar muito caro.

Seu corpo é seu maior bem, trate-o com carinho e atenção que ele merece! 

Santiago Mendonça
Por Santiago Mendonça 25/10/2017 - 08:30

Sempre que estamos na semana de uma competição, nos vêm à cabeça inúmeros pensamentos.

O primeiro deles é se estamos realmente treinados para aquele objetivo. Será que fiz o que devia, será que fiz o suficiente?

Para quem tem um treinador, essa dúvida é diminuída, pois o profissional fez o seu planejamento a longo prazo, sabe das suas capacidades e limitações e organizou seu treino para que você chegasse no dia da prova bem treinado e 100% preparado para tal.

Agora, se você não tem acompanhamento... Aí se torna bem mais difícil responder essa pergunta...

Em meus 23 anos de atleta e quase 17 de treinador, o que mais observo nesse momento é a ansiedade do aluno/atleta.  As vésperas do “desafio” é normal sentir o nervosismo, mesmo quando estamos certos de que tudo está perfeito.

Considero sempre importante ressaltar que não há nada que se faça na semana da prova, que ajude a melhorar o seu desempenho, mas você pode destruir tudo o que conquistou com qualquer besteira fora do previsto, tal como experimentar algum equipamento novo ou um super treino de corrida/musculação/funcional/intervalado/etc. que você ouviu falar de alguém.

O condicionamento é atingido anteriormente. Agora é hora de usar a cabeça mais que o corpo. Ajustar os ritmos propostos, cuidar hidratação e alimentação e principalmente ouvir o seu treinador, que pelo olhar de fora, sabe o que fazer nesse momento.

Também não podemos simplesmente não treinar, achando que não há nada o que se fazer durante essa semana. Devemos sim diminuir as cargas, para que seu corpo e musculatura se recuperem, com estímulos específicos que chamamos de polimento. (Dependendo da distância da prova, se utiliza poucos dias ou até um mês, no caso de um ironman, por exemplo.)

O resto é diversão. Falo isso para todos os meus alunos. Não temos que encher nossas cabeças com pressão interna por resultado. Isso só atrapalha. 

Porém não confunda com falta de comprometimento! Devemos levar a sério qualquer objetivo seja ele curto ou longo, para fazê-lo bem. Independente se o bem é completar a prova ou baixar alguma marca pessoal. 

Boa corrida a todos!

Santiago Mendonça
Por Santiago Mendonça 18/10/2017 - 17:10Atualizado em 18/10/2017 - 17:19

No sábado 14 de outubro, Kailua Kona no Hawaii, reuniu os melhores triatletas do mundo para a competição mais importante do Triathlon.

O Ironman World Championship (mundial da distância IRONMAN) acontece no Hawaii desde 1978. 

De lá pra cá, aumentaram os participantes (de 15 na primeira edição para 2500 desse sábado) e diminuíram os tempos finais para os 3,8km de natação, 180km de ciclismo e 42km de corrida (de 11:46:40 para o recorde quebrado nessa edição pelo vencedor Patrick Lange que cravou 8:01:40)

Alguns detalhes chamaram a atenção nessa competição:
*Um grupo de aproximadamente 30 atletas saíram praticamente juntos da etapa da natação (incluindo nossos 3 representantes brasileiros Igor Amorelli, Thiago Vinhal e Reinaldo Colucci) 
*Os melhores ciclistas do dia saíram 6min30seg atrás desse grupo e quebraram o recorde do percurso do ciclismo com 4h12min para os 180km.
*O atual bicampeão e favorito ao título Jan Frodeno, precisou caminhar durante a maratona após ter fortes dores nas costas, mesmo assim completou a prova, demonstrando o verdadeiro espírito campeão, já que muitos profissionais acabam desistindo, quando não estão bem na competição.

Mas o detalhe mais importante para nós brasileiros, que ficaram torcendo por bons resultados, foi a chegada triunfante do Thiago e do Igor (de Balneário Camboriú para o mundo!) segurando a bandeira do Brasil, cruzando praticamente juntos o pórtico de chegada, respectivamente em 13o e 14o.

O Igor já tem uma experiência na Big Island.  Também já foi 13o e vem melhorando cada ano sua capacidade de andar com os caras lá na frente. O que fica pra historia é que o Vinhal foi o primeiro triatleta negro a largar na categoria profissional em Kona.

Ele persegue esse sonho há muito tempo. Foram anos se preparando para conseguir classificar para esse mundial. A felicidade por estar ali no meio dos melhores do mundo ficou estampada no seu rosto a prova inteira, e isso se confirma nas fotos que vi nos sites especializados. 

Fiquei muito contente pelos dois, pois os conheço, e sei da dedicação que eles têm para alcançar tais objetivos. 

Também vale a pena ressaltar que a prova no Hawaii é considerada a mais difícil do circuito IRONMAN pelas condições climáticas que apresenta aos atletas. Calor que varia entre 30 e 35 graus com umidade relativa do ar beirando os 80% e o vento que castiga o pessoal no ciclismo... 

Para estar lá como amador, você precisa se classificar em alguma competição com a mesma distância da marca IRONMAN, buscando uma das vagas oferecidas em cada categoria de idade, como por exemplo o IRONMAN FLORIANÓPOLIS (que acontece anualmente em maio).

Para estar lá como profissional, você precisa juntar pontos ao longo do ano no chamado KPR (Kona Pro Ranking) e figurar entre os 50 melhores dessa lista. 

Tive o prazer de competir nesse mundial em 2014 e 2016. 
Outra hora eu conto mais dessa experiência.
Por enquanto ficamos aqui com a vontade de um dia voltar lá! ALOHA!!!

Santiago Mendonça
Por Santiago Mendonça 11/10/2017 - 08:30

Meu primeiro ironman foi em 2008, quando já morava em Criciúma e tinha bastante tempo livre, por estar me adaptando e construindo o que hoje é a ProRunner.

Aquele ano larguei na categoria profissional. Eu era o numero 27.
Se eu estava nervoso? Sim, óbvio, assim como todos estávamos naquele momento.

Enfrentar uma prova como o Ironman (3,8km natação/180km ciclismo/42km corrida) parece impossível, mas não é.
Aham, senta lá Santiago, até parece...

Mas sim, o Iron é para todos. O slogan da marca diz “Anything is possible” e presenciei muita coisa desde 2001, quando Florianópolis recebeu sua primeira edição. (antes a prova era realizada em Porto Seguro/BA)  

Vi e vejo todos os anos (vou pra lá sempre, competindo ou assistindo) pais e mães de família com 2 empregos, que só conseguem treinar durante o final de semana, trabalhadores com carga horária semanal pesada, que usam o horário de almoço para conseguir encaixar seus treinamentos entre inúmeros outros casos que nos deixam boquiabertos. 

Devemos entender que existem dois caminhos bem diferentes. Aqueles que buscam completar a prova e aqueles que estão brigando pelas primeiras posições. O treinamento se faz diferente nas horas dispensadas semanalmente para cada um dos objetivos citados.  

Costumo dizer que o triathlon, assim como a corrida é um esporte bem democrático, porque não exclui ninguém. 

Numa prova você vê o altinho, o baixinho, o magrinho e o gordinho dividindo espaço com aquele profissional que você tem a maior admiração. Tente chegar perto do Neymar num jogo de futebol e você entenderá o que eu quero dizer.

A sorte citada no título vem de quanto você se dedica, quanto você faz por amor e quanto você se doa para algum objetivo. As coisas não vêm de graça, mas sim com muito esforço.

O iron é para todos, mas necessita da sua entrega, seja ela treinando pouco ou muito. Obviamente, quanto mais você treinar, mais sorte em conquistar bons resultados você terá!!

Minha sugestão é que você invista mais 1min05 do seu tempo e assista ao video do mundial do ano passado. Aumente o volume e se entender inglês, melhor ainda!
Aos 49 segundos do vídeo  vocês verão uma das situações mais especiais que já  vivenciei como atleta.
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 A prova desse ano acontece nesse sábado dia 14 e tem transmissão online pelo ironmanlive.com a partir das 13:00 (horario de Brasília)

  Informações sobre a prova no Hawaii   aqui 
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Santiago Mendonça
Por Santiago Mendonça 04/10/2017 - 08:30

Durante toda a minha vida esportiva e mesmo antes de me tornar professor de fato, fui orientado por profissionais que me ajudaram a realizar algumas coisas. 


Podiam ser pequenos percursos, porém aquela orientação, aquela voz de quem entendia mais que eu, me ajudava a construir não somente meu físico, mas também meu psicológico, me ensinando como me portar qual fosse a situação.


Às vezes, acabamos por desdenhar do “mestre” e fazemos sozinho. Esse caminho é possível, mas muito mais difícil. 


Naquele começo, construindo o conceito (leia o texto aqui) recebi vários relatos daqueles que tinham tentado fazer por si e acabavam se lesionando ou estagnavam seus desempenhos por entender que não precisavam daquele olhar de fora.
Por breves momentos da minha vida dentro do triathlon, acabei usando meus treinos. O resultado era bom, porém sair para treinar num dia cansado era a certeza de que eu ia ajustar, não fazer ou compensar no dia seguinte.


Ta aí o primeiro erro. 


Você precisa ter uma disciplina enorme para não sair do planejado e refazer toda uma semana. Agora quem vê de fora, sabe a carga que foi imposta, independente se eu estava cansado, ou era apenas “manha” de quem não estava muito afim... os dias bons e ruins acontecem com todo mundo!! Ou você acha que sempre é fácil para o super campeão de corrida Moh Farah?


Sou muito grato por todos aqueles que se dispuseram a me orientar e vejo que escolhi a profissão certa, pois tenho enorme prazer de ajudar e orientar os outros, seja para correr 1km ou para completar um IRONMAN...
 

Santiago Mendonça
Por Santiago Mendonça 27/09/2017 - 08:30

Dizem que quando bebemos os amigos aparecem, todo mundo vira rico e qualquer piada é engraçada.

Pois bem, essa seria uma ótima opção para encontrar novos amigos, novos casos amorosos e em algumas situações alguns desentendimentos. 


Minha vida esportiva começou aos 14 anos e eu sempre fui muito disciplinado, saindo pouco ou quase nunca à noite. Meus amigos eram em sua grande maioria pessoas engajadas dentro do triathlon, que treinavam bastante e pensavam nisso quase que o tempo todo. E eram das mais diversas faixas etárias. Meu melhor amigo na época tinha 25. Eu era amigo do meu técnico que tinha uns 35, daquele cara que eu achava fodão que tinha 31... Não me relacionava muito com colegas de colégio, pois minha vida era o triathlon e a deles não, simples assim.


Mas o que na realidade me encantava, e vejo isso até hoje, é o fato de pessoas de diferentes religiões, profissões, ambições políticas e financeiras, esquecerem por um determinado tempo tudo isso, e se relacionarem sem preconceitos com outras totalmente diferentes, pois ali encontravam um gosto em comum. Poder colocar no mesmo grupo, os simples e anônimos com os ricos e famosos, para debater ritmos, estratégias, dificuldades e realizações em correr 1 ou 42km, como se fossem eternos conhecidos, numa simples conversa pós treino ou competição... isso é fantástico!


Costumo contar que meu esporte me deu muitos amigos. Alguns parceiros de treinos diários e aqueles que só nos encontrávamos em competições.  Fico feliz de poder fazer amizades que transcendem oceanos, barreiras políticas, territoriais e alfandegárias. Em todos esses anos o esporte me levou a conhecer lugares diferentes e conseqüentemente, pessoas diferentes.  Essa interação além de ser muito gostosa, na melhor definição da palavra, também nos ensina muito. A troca de informações, culturas e as singularidades que cada um guarda consigo, e que expõe numa conversa, é fenomenal. 


Obviamente, sem que você perceba vai filtrando aqueles que combinam mais com seu jeito, suas manias e gostos. Outras amizades simplesmente acontecem e nem sabemos ao certo o porquê de gostar tanto daquela pessoa... 

O “santo bate” e pronto!



 

Santiago Mendonça
Por Santiago Mendonça 20/09/2017 - 08:30

Aos poucos as pessoas foram chegando, perguntando e notando a melhora do condicionamento de forma gradativa e com segurança. 


Comecei a colocar em prática um método de trabalho onde via a progressão dos alunos semanalmente. Um passo após o outro, sem pressa. Um sistema que levaria cada um deles aos seus objetivos pessoais, cada um com suas capacidades, uns mais rápidos e outros mais lentos, mas sempre olhando à frente.  


Levando em consideração a individualidade biológica, cada um tinha um treino diferente, conforme suas capacidades e objetivos. Viam na corrida uma alternativa para diminuir medidas de forma não farmacológica. 


O exercício físico regular ajuda no controle da glicose entre tantos outros benefícios. Mas o que mais se pensava era perder peso... Hoje em dia não é diferente, porém muitos estudos foram aparecendo e mostrando que somente o exercício, seja ele qual for, não vai resolver se você não se alimentar corretamente.


Aos poucos os alunos foram se acostumando e entrando no que eu chamo de ciclo vicioso do bem... Se eu quero fazer uma boa aula de corrida, vou me alimentar de forma correta... Como fiz um baita treino de corrida, vou me alimentar direito para potencializar meu ganho e deixar meu corpo pronto para o próximo treino... E assim, as pessoas vão deixando de lado as porcarias que ingeriam diariamente, substituindo por alimentos que tenham melhores nutrientes. E isso NATURALMENTE, sem pressão.


Aos poucos íamos formando um grupo de pessoas que queriam mudar suas vidas com orientação e planejamento e que não deixassem de ser elas mesmas, porque eu nunca obriguei ninguém a deixar de comer ou beber alguma coisa. Eu só mostrava e sugeria o que faria melhor para a condição física e que desse melhor qualidade a todo aquele contexto...
 

Santiago Mendonça
Por Santiago Mendonça 13/09/2017 - 08:30

Para dar uma erguida no grupo de corrida, orientava minha noiva (notem o upgrade na relação) e um casal de colegas de UNESC, que me ajudavam no quesito “movimentação”. Hoje eles nem moram mais aqui. Mas a amizade com o Riro e a Cari foi tão legal que viraram padrinhos do meu filho...


O Riro não corria há vários anos porque um médico o tinha proibido de praticar essa atividade. Conversando sobre o “problema” dele, utilizei da minha experiência para tentar outro tipo de condicionamento, já que muita coisa tinha mudado na medicina e na educação física nos últimos anos.


Resumidamente, o médico tinha proibido. Ok. Mas por quê? 


Fui a fundo ao que ele havia me relatado e iniciamos um treinamento um pouco mais especifico, cuidando muito sua situação física. Notei que ele poderia fazer a atividade com maiores cuidados e que sim, ele poderia correr novamente. 
Conseguimos em pouco tempo melhorar sua condição física e ele corria feliz e satisfeito por voltar a praticar o esporte que tanto gostava. Foi somente uma questão de ajuste.


Depois daquele caso, tive ainda mais certeza do que queria com aquele grupo de corrida. Não somente condicionar as pessoas e sim mudar vidas, estimular saúde, modificar pensamentos antigos e ajudar a realizar sonhos e que aquele treinamento fosse prazeroso não só para o corpo, mas também para a mente! Já não me sentia somente um treinador e sim um professor na mais ampla forma da palavra. Eu orientava o treino, sugeria, indicava e passava minha experiência para aqueles que buscavam o que eu tinha descoberto lá em 94...


Eis que num dia desses qualquer surge a primeira potencial aluna (pagante) da assessoria! 
- Não sabia que tinha assessoria de corrida aqui em Criciúma! Dizia ela em um tom de espanto e alegria ao mesmo tempo.


A Lê tinha morado em algumas cidades antes de vir a Criciúma e já conhecia o conceito do trabalho orientado.  Contou-me sobre os técnicos que teve. Um deles nada mais nada menos que o Leandro Macedo, o melhor triatleta que o Brasil já tinha visto até então, que tinha aberto sua assessoria em Brasília quando estava finalizando sua carreira como atleta.
Iniciamos ali um trabalho orientado com muito cuidado, pois a Lê tinha uma dorzinha no joelho que atrapalhava um pouco sua performance.  Em pouco tempo e alguns cuidados depois, ela estava correndo provas mais longas e fazendo o que mais gostava com muito mais prazer, já que tínhamos conseguido controlar essa dorzinha chata...


Cada dia que passava mais me convencia de que TODOS podiam correr.  


O segredo era utilizar alguns detalhes técnicos com a melhor carga de treinamento para cada pessoa. Isso resumia meu trabalho e eu estava muito contente por poder colocá-lo em prática.
 

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