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Santiago Mendonça
Por Santiago Mendonça 20/09/2017 - 08:30Atualizado há 10 minutos

Aos poucos as pessoas foram chegando, perguntando e notando a melhora do condicionamento de forma gradativa e com segurança. 
Comecei a colocar em prática um método de trabalho onde via a progressão dos alunos semanalmente. Um passo atrás do outro, sem pressa. Um sistema que levaria cada um deles aos seus objetivos pessoais, cada um com suas capacidades, uns mais rápidos e outros mais lentos, mas sempre olhando à frente.  
Levando em consideração a individualidade biológica, cada um tinha um treino diferente, conforme suas capacidades e objetivos. Viam na corrida uma alternativa para diminuir medidas de forma não farmacológica. 
O exercício físico regular ajuda no controle da glicose entre tantos outros benefícios. Mas o que mais se pensava era perder peso... Hoje em dia não é diferente, porém muitos estudos foram aparecendo e mostrando que somente o exercício, seja ele qual for, não vai resolver se você não se alimentar corretamente.
Aos poucos os alunos foram se acostumando e entrando no que eu chamo de ciclo vicioso do bem... Se eu quero fazer uma boa aula de corrida, vou me alimentar de forma correta... Como fiz um baita treino de corrida, vou me alimentar direito para potencializar meu ganho e deixar meu corpo pronto para o próximo treino... E assim, as pessoas vão deixando de lado as porcarias que ingeriam diariamente, substituindo por alimentos que tenham melhores nutrientes. E isso NATURALMENTE, sem pressão.
Aos poucos íamos formando um grupo de pessoas que queriam mudar suas vidas com orientação e planejamento e que não deixassem de ser elas mesmas, porque eu nunca obriguei ninguém a deixar de comer ou beber alguma coisa. Eu só mostrava e sugeria o que faria melhor para a condição física e que desse melhor qualidade a todo aquele contexto...
 

Santiago Mendonça
Por Santiago Mendonça 13/09/2017 - 08:30Atualizado há 7 minutos

Para dar uma erguida no grupo de corrida, orientava minha noiva (notem o upgrade na relação) e um casal de colegas de UNESC, que me ajudavam no quesito “movimentação”. Hoje eles nem moram mais aqui. Mas a amizade com o Riro e a Cari foi tão legal que viraram padrinhos do meu filho...
O Riro não corria há vários anos porque um médico o tinha proibido de praticar essa atividade. Conversando sobre o “problema” dele, utilizei da minha experiência para tentar outro tipo de condicionamento, já que muita coisa tinha mudado na medicina e na educação física nos últimos anos.
Resumidamente, o médico tinha proibido. Ok. Mas por quê? 
Fui a fundo ao que ele havia me relatado e iniciamos um treinamento um pouco mais especifico, cuidando muito sua situação física. Notei que ele poderia fazer a atividade com maiores cuidados e que sim, ele poderia correr novamente. 
Conseguimos em pouco tempo melhorar sua condição física e ele corria feliz e satisfeito por voltar a praticar o esporte que tanto gostava. Foi somente uma questão de ajuste.
Depois daquele caso, tive ainda mais certeza do que queria com aquele grupo de corrida. Não somente condicionar as pessoas e sim mudar vidas, estimular saúde, modificar pensamentos antigos e ajudar a realizar sonhos e que aquele treinamento fosse prazeroso não só para o corpo, mas também para a mente! Já não me sentia somente um treinador e sim um professor na mais ampla forma da palavra. Eu orientava o treino, sugeria, indicava e passava minha experiência para aqueles que buscavam o que eu tinha descoberto lá em 94...
Eis que num dia desses qualquer surge a primeira potencial aluna (pagante) da assessoria! 
- Não sabia que tinha assessoria de corrida aqui em Criciúma! Dizia ela em um tom de espanto e alegria ao mesmo tempo.
A Lê tinha morado em algumas cidades antes de vir a Criciúma e já conhecia o conceito do trabalho orientado.  Contou-me sobre os técnicos que teve. Um deles nada mais nada menos que o Leandro Macedo, o melhor triatleta que o Brasil já tinha visto até então, que tinha aberto sua assessoria em Brasília quando estava finalizando sua carreira como atleta.
Iniciamos ali um trabalho orientado com muito cuidado, pois a Lê tinha uma dorzinha no joelho que atrapalha um pouco sua performance.  Em pouco tempo e alguns cuidados depois, ela estava correndo provas mais longas e fazendo o que mais gostava com muito mais prazer, já que tínhamos conseguido controlar essa dorzinha chata...
Cada dia que passava mais me convencia de que TODOS podiam correr.  
O segredo era utilizar alguns detalhes técnicos com a melhor carga de treinamento para cada pessoa. Isso resumia meu trabalho e eu estava muito contente por poder colocá-lo em prática.
 

Santiago Mendonça
Por Santiago Mendonça 06/09/2017 - 08:30Atualizado há 15 minutos

Chegando aqui, com várias idéias e não sabendo ao certo como colocá-las em prática, fiquei meio desorientado no inicio.


Eu tinha muito tempo livre durante o dia e resolvi preencher isso com treinamento...

Logo encaixei um trabalho de personal de ciclismo, pois o Augusto (aquele da lojinha de bike) tinha uma viagem com clientes para o Chile, perfazendo vários e vários quilômetros de bicicleta e precisava que eu condicionasse um cliente em especial.  O César Amboni foi o meu primeiro aluno de personal e o condicionei para enfrentar as longas distâncias desse passeio promovido pela Bike Point! 

Mas o trabalho de Bike personal não foi muito a frente e eu continuava com outras idéias e a mesma dificuldade... Criciúma não entendia muito bem esse trabalho de orientação de corrida, triathlon e consultoria naquela época.

Olhando hoje em dia, seria totalmente normal. Porém abrir um “negócio” inovador que NINGUÉM nem sabia do que se tratava, era muito complicado e um pouco desesperador.

Fui o responsável por iniciar um conceito totalmente novo por aqui. Investi numa tenda 3x3m de cor laranja e fui com a cara e a coragem para a Praça do Congresso. Em março de 2008 estava oficialmente inaugurada a ProRunner Assessoria Esportiva.
Defini que eu atenderia nas segundas, quartas e sextas das 18h30min as 20h00min. Nos primeiros dias atrai a atenção visual dos que caminhavam e corriam por ali. E só.
Aqueles poucos que paravam me perguntavam qual seria o evento que estava por acontecer. Explicar todo o contexto e o trabalho desenvolvido era cansativo, mas super importante. E na maioria das vezes a mesma constatação: Pagar pra correr? Eu corro sozinho!

No primeiro mês, indo todas as segundas, quartas e sextas religiosamente no horário que tinha me programado, não tinha captado nenhum aluno. Eu chegava em casa e chorava muito. Pensei várias vezes no que estava tentando fazer, se valia à pena, se era viável, se iria funcionar como um negócio... Estaria eu dando “murro em ponta de faca”?
 

Santiago Mendonça
Por Santiago Mendonça 30/08/2017 - 08:30Atualizado há 17 minutos

Após 10 anos de historia na cidade que escolhi viver lá em 2007, faço várias reflexões e fico a pensar em tudo o que aconteceu de lá pra cá.

Eu tinha 26 anos e morava com a minha mãe e minha irmã em Porto Alegre, depois de sair de São Paulo onde nascemos. Dividia meu dia entre trabalho, estudo e treinos para o esporte que pratico desde 1994. A vida sempre foi corrida, os três trabalhando para honrar as contas do mês e eu me virando para praticar o Triathlon, esporte que contempla natação, ciclismo e corrida.

Iniciei um namoro no final de maio de 2006. Dois meses depois, a então namorada passou num concurso para uma vaga de professora na UNESC.  Resolvemos continuar o namoro mesmo a distância e nos veríamos somente aos finais de semana. Era difícil, era sofrido, mas era o que tínhamos.

Minha primeira impressão lá em 2006, vindo aos finais de semana, era que a cidade era legal.

Conheci algumas pessoas do esporte, entre elas o João Garcez, que me apresentou as estradas para pedalar. Quem me conseguiu esse contato tinha sido o Augusto Freitas, que na época tinha uma “lojinha” de bicicletas. Essas primeiras amizades foram de suma importância para que eu começasse a pensar seriamente em morar aqui.

Aquela semente foi aflorando a partir de pensamentos ainda muito pequenos, ainda com medo de sair daquela situação confortável onde me encontrava.

A mudança era aparentemente de cidade, saindo de Porto Alegre e vindo a Criciúma. Porém significava muito mais. Significava sair “das barras da saia da mãe” e adentrar na “vida adulta” Significava deixar para trás uma historia naquela cidade, onde me formei, onde aprendi, onde criei amigos, enfim, onde era o meu porto seguro, com emprego, casa e roupa lavada.

Enfrentar uma mudança radical, ir para um lugar até então desconhecido, sem saber onde trabalhar e ter acima de tudo que conquistar novamente um espaço no mercado de trabalho.

Eis que após algumas mudanças no trabalho em Porto Alegre, surgiu a possibilidade de mudar totalmente a minha vida. Em 2007 resolvemos arriscar e eu vim literalmente de mala e bicicleta.

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