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Surgimento de um gênio

Almanaque da Bola #326
João Nassif
Por João Nassif 14/06/2019 - 12:07

Garrincha, batizado Manoel dos Santos, nasceu com as pernas tão tortas que até impressionaram a parteira dona Leonor. Seu nascimento foi no dia 28 de outubro de 1933 na Rua do Chiqueiro em Pau Grande, município de Magé no Estado do Rio de Janeiro.

Garrincha foi o quinto filho de Amaro Francisco dos Santos que era guarda da Companhia América Fabril que sustentava toda Pau Grande. O menino, bisneto de índios fulniôs, cresceu solto, andando descalço pelo mato, montando cavalo em pêlo e nadando no rio Inhomirim.

Amaro, o pai, era um homem simples, mas extravagante. Suas duas maiores paixões eram mulher e bebida. Além dos nove filhos de seu casamento, estima-se que ele era pai de, no mínimo, 25 crianças na região. Mulheres solteiras ou casadas, jovens ou idosas, nada escapava da volúpia do seu Amaro. Que, certamente, passou essas duas paixões para seu filho Garrincha.

As matas de Paulo Grande eram povoadas de garrinchas, para alegria de Manoel, cuja maior diversão era matar passarinhos. Garrincha é o nome que, no Nordeste, se dá à cambaxirra, pequeno pássaro marrom que canta bonito, mas não se adapta ao cativeiro.

Campo onde Garrincha deu seus primeiros dribles-Pau Grande/RJ

Aos 14 anos o moleque começou a trabalhar na América Fabril. Começou como varredor, passou a carregador de equipamento, mas nunca chegou a ser um bom funcionário. Faltava muito, chegava atrasado e tinha o hábito de dormir nas caixas de algodão.

O primeiro teste de Garrincha em um time grande aconteceu em 1950 quando ele foi levado ao Vasco da Gama por um diretor da América Fabril. Ele tinha 17 anos. Mas, esta já é uma história que fica para outra vez.
 

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