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Jogo de equipe: antidesportivo ou aceitável?

Dobradinha da Mercedes gera polêmica
João Nassif
Por João Nassif 01/10/2018 - 15:10

Thiago Ávila *

Há muito tempo venho defendendo a ideia do jogo de equipe. Não que eu ache que seja algo que ajude o esporte, mas que em algumas ocasiões há necessidade, é aceitável. Digo isso porque ainda vejo muita hipocrisia por parte dos comentaristas da Rede Globo, que uma hora falam que é uma atitude totalmente anti-desportiva e outra falam que é aceitável.

A verdade é que o automobilismo é um esporte coletivo, pode ser individual na parte de pilotos, mas é na montagem do melhor carro que se desenvolve o jogo. Isso é desde a primeira temporada da F1, quando a Alfa Romeo construía o imbatível 158, que venceu todas as etapas europeias do calendário. Lógico que naquela época havia embate entre pilotos da mesma equipe, já que o momento permitia, era como a Mercedes de Hamilton e Rosberg. Mas já no ano seguinte, na disputa contra a Ferrari de Ascari, a Alfa Romeo foi obrigada a priorizar Fangio para conquistar o bicampeonato.

Hamilton a Bottas no pódio em Sochi-Rússia

Aqui no Brasil, os maiores críticos do tal "jogo de equipe" são Galvão Bueno e sua turma de comentaristas. Vejamos alguns exemplos:

* Em 2002, no GP da Áustria, Schumacher liderava o campeonato com folga, mas era Barrichello que vencia a corrida. Vindo mais rápido, o alemão se aproximava do brasileiro e esperava um comando da Ferrari para passar a frente. Aquele momento permitia a briga entre os pilotos, não era necessário pedir para que desse passagem. Cléber Machado entoou a famosa frase "Hoje não, hoje sim", vendo  Rubinho abrir na reta final.
* Em 2007, Hamilton, Alonso e Raikkonen chegaram no Brasil com chances de título. Massa fez a pole position e liderava a prova até a parada dos boxes, quando Raikkonen assumiu a ponta. Claramente era uma estratégia da equipe para que o finlandês levasse o título. Era necessária, seria egoísta deixar Massa ganhar apenas porque o brasileiro era melhor naquela corrida e perder o campeonato.
* Entre 2010 e 2013, a Ferrari era a segunda força do grid, perdendo para a Red Bull, que tinha um carro extremamente superior. A dupla da escuderia italiana era Fernando Alonso e Felipe Massa. O espanhol claramente era melhor, fazia os melhores tempos, obtinha as melhores posições de corrida e o único que podia bater de frente com Vettel. Mas o que se comentava na transmissão da Globo era que "estão prejudicando Massa", desqualificando totalmente o mérito de Fernando. Óbvio que houve corridas na qual o brasileiro teve que entregar para dar vitória ao companheiro, mas que eram necessárias para a equipe continuar na briga pelo título. O mais criticado foi a vez do "Fernando is faster than you", no GP da Alemanha de 2010. Realmente Alonso era mais rápido e, vendo Vettel se aproximar, era necessário que Massa abrisse para ele assumir a ponta, já que o espanhol era candidato forte na briga pelo título. O espanhol foi duramente criticado pela imprensa britânica na época, mas o que podia fazer?
* Em 2016, agora em uma intriga extra-pista, Felipe Nasr corria pela Sauber com seu companheiro Marcus Ericsson. A Sauber vinha em último colocado no campeonato sem marcar nenhum ponto, o carro era muito ruim. Mas a imprensa brasileira, principalmente o comentarista Lito Cavalcanti alegava, sem nenhuma prova, que a equipe suíça beneficiava o sueco e prejudicava o brasileiro por causa dos patrocinadores de Ericsson. A verdade é que não fazia nenhum sentido a equipe prejudicar um de seus pilotos quando precisava ganhar pontos para receber um maior prêmio da FIA.

O que há de comum entre todos esses? Todos brasileiros. Ano passado, no GP da Hungria, uma situação parecida aconteceu. Bottas deixou Hamilton passar para colar em Raikkonen. Luis Roberto falou que esse tipo de comportamento era natural de uma equipe que briga por título. Tudo bem que ao fim da corrida, as posições retornaram como antes, mas aí fica a pergunta: Por que uma hora é totalmente anti-desportivo e outra é aceitável? Acho que a torcida anda falando mais alto...

Neste fim de semana, a situação foi muito parecida com a do GP da Áustria de 2002. Hamilton não precisava daquela vitória, pela sua expressão ao fim da corrida nem era de seu interesse. É certo que Vettel já se aproximava de Lewis e era necessária a inversão para mantê-lo atrás, mas não desfazer foi uma atitude lamentável. Hamilton não teve culpa, a Mercedes teve.


* Thiago Ávila, Estudante de Jornalismo da PUCRS
 

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