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Do Inferno aos céus

A zebra correu em Monza
João Nassif
Por João Nassif 07/09/2020 - 22:51

Thiago Ávila *

12 de agosto de 2019. Um dos piores dias da carreira de Pierre Gasly. Red Bull anuncia o rebaixamento do francês para a Toro Rosso, e coloca Alexander Albon como seu substituto.

Pierre Gasly

Depois de uma boa temporada de estreia em 2018, Pierre havia sido promovido pela equipe de energéticos no ano passado, mas seus péssimos resultados o colocaram de volta na equipe que o revelou. Para piorar, Albon fez oito top-6 em nove corridas e conseguiu renovar seu contrato para 2020. Mesmo com a despromoção, Gasly não desanimou e conseguiu mostrar ótimos resultados, incluindo um segundo lugar no Brasil.

A temporada atual começou e desde então um domínio total da Mercedes, foram seis vitórias em sete corridas. O GP da Itália seria mais um que entraria na conta do hexacampeão Lewis Hamilton, pole – com a volta mais rápida da história – e largada perfeita. Mas apesar de toda moral, os deuses da Formula 1 falaram “hoje não, Lewis, hoje não”.

Kevin Magnussen bateu muito próximo da entrada dos boxes. A bandeira amarela veio de imediato e Gasly aproveitou para fazer sua parada. Por prevenção de algum acidente, os boxes foram fechados, e nenhum piloto poderia entrar para trocar pneus. Mas Hamilton, desavisado, entrou doze segundos depois do comando ser executado e deu fim a sua corrida. Uma punição de 10 segundos parado no pit foi a consequência pela bobeira que Lewis cometeu.

Em seguida, Leclerc bate forte na barreira de pneus e a prova é paralisada. Com isso, Gasly deu o “pulo do gato” e foi para terceiro, com Stroll, o único piloto que não havia parado – muito suspeito - a sua frente. A relargada foi parada, como se estivessem começando uma corrida. Confesso que em 70 anos de F1, nunca tinha visto isso acontecer.

Na relargada, Stroll passou reto na primeira curva, Gasly e Sainz se aproveitaram para pular na frente, e Bottas, que havia feito uma péssima largada, era somente quinto. Sim, a briga pela vitória estava entre uma AlphaTauri, uma McLaren e uma Racing Point.

Gasly correu como nunca foi na Red Bull, mas que na Toro Rosso/AlphaTauri sempre se mostrou ser o melhor. Manteve uma boa distancia para o espanhol, que nas voltas finais, com um carro muito melhor, começou a se aproximar. Chegou a abrir asa e ameaçar ultrapassagem, mas era tarde demais. O francês apontou na reta, cruzou a linha de chegada e falou no rádio: “Meu Deus! Você sabe que p** eu fiz?!”.

Sainz na esquerda, Stroll na direita, Gasly ao centro. Existe pódio mais improvável que este na Formula 1 de hoje? Desde 1996, com Olivier Panis, um francês não ganhava uma prova.

Com a vitória da AlphaTauri, antiga Toro Rosso, o hino da Itália foi tocado. A última vez que Il Canto degli Italiani foi executado sem ser uma vitória da Ferrari foi justamente em Monza 2008, quando um jovem alemão de 21 anos conquistou sua primeira vitória na carreira, também pela Toro Rosso. Esse cidadão logo seria tetracampeão mundial e uma lenda da categoria. Monza faz milagres...

6 de setembro de 2020. O melhor dia da vida de Pierre Gasly.
 
* Jornalista

4oito

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