Ir para o Conteúdo da página Ir para o Menu da página
Carregando Dados...

"Apenas" Bicampeão

Despedida de um gênio
João Nassif
Por João Nassif 16/08/2018 - 14:45

Thiago Ávila *

Dia 25 de Novembro encerra-se a jornada mais duradoura de um ídolo, um gênio do esporte automotor, um corredor que fez os olhos do público pularem com suas ultrapassagens dificílimas. Polêmico e ao mesmo tempo brilhante, teve momentos de desavenças, de escolhas arriscadas, de injustiças, até trapaças, mas principalmente glórias. Glórias essas que não se sustentam apenas em dois campeonatos conquistados em 16 anos, mas em dois títulos ganhos na raça, desbancando o maior vencedor da história, com mais 32 vitórias na carreira, 22 poles e 97 pódios.

Fernando Alonso vai buscar novos ares na carreira, novos objetivos, seguir os rumos de Graham Hill e Jim Clark e se tornar não apenas um ótimo piloto de F1, mas um piloto completo, de multicategorias. O espanhol se encantou quando disputou a Indy 500 ano passado, festejou como se fosse um título quando conquistou as 24 Horas de Le Mans esse ano e agora vive um novo momento com foco na conquista da Tríplice Coroa (Vitórias em Le Mans, GP de Mônaco e Indy 500).

O “Príncipe” das Astúrias começou sua carreira já como uma promessa, na pequeníssima Minardi, em 2001, que mesmo sem pontuar já fazia atuações brilhantes, que o levaram a Renault no ano seguinte.

E entre 2003 e 2006, Alonso fez a escuderia francesa sair da quarta força para competir pelo título, batendo de frente com a imbatível Ferrari de Michael Schumacher. E Alonso venceu. Não só uma vez, mas duas! Com um carro que não era o melhor, e que ainda via a McLaren de Raikkonen surgir como rival à altura. Venceu na raça, desbancou um heptacampeão mundial, de pneus Michelin, que apresentaram vários problemas durante a temporada de 2005, contra os sob medida pneus Bridgestone da Ferrari.

Fernando Alonso

Em 2007, o chefe de equipe da McLaren, Ron Dennis, vendo sua equipe em ascensão, apostou em um novo projeto, ter um piloto de ponta e um jovem em potencial. Foi assim que a F1 teve a dupla mais talentosa dos últimos anos dividindo a mesma garagem: Fernando Alonso e o campeão da GP2 Lewis Hamilton. Uma dupla que, para o desejo de Ron Dennis, quebrava o paradigma de piloto principal e escudeiro, muito utilizado pela Ferrari e pela Renault nos dois anos anteriores, para deixar os dois se digladiarem.

Durante a primeira metade da temporada, o plano parecia dar muito certo, chegando nas férias com Hamilton em primeiro e Alonso em segundo. Mas dali para frente o clima começou a esquentar. Alonso batia o pé pedindo preferência na equipe, Ron Dennis começava a mostrar mais interesse em Hamilton, dois grupos totalmente divididos entre equipe Hamilton e equipe Alonso...

Enfim, um projeto que na teoria era maravilhoso e na prática durou meio ano e acabou com: título de Kimi Raikkonen, perca do título de construtores por conta de um escândalo de espionagem à Ferrari, delatado pelo próprio Alonso, e a saída deste pela porta dos fundos. Destino do espanhol foi recomeçar na Renault.

Os anos de 2008 e 2009 foram os mais difíceis para Alonso, com um carro muito abaixo que em sua época de glórias, o espanhol conseguiu apenas duas vitórias, uma dessas envolvendo o escândalo de ‘Singapuragate’, que resultou na saída de Nelsinho Piquet, na punição do engenheiro Pat Symonds e no banimento de Flavio Briatore, chefe da equipe. E para piorar, viu Hamilton ser campeão.

Com Kimi Raikkonen de saída e Massa ainda traumatizado com o acidente na Hungria, a Ferrari decidiu trazer o asturiano para a temporada de 2010. E logo na primeira temporada bateu na trave, e a imagem da traseira de Petrov até hoje o traumatiza. Foram mais três anos de domínio da Red Bull e o espanhol tentou de tudo que dava e conquistou mais dois vice-campeonatos pela equipe.

Oito anos depois do fracassado projeto de Ron Dennis, Alonso volta a McLaren com outra ideia, agora o plano Honda. O projeto consistia no renascimento da equipe imbatível nos anos 80 e 90, com os motores japoneses e um dream team como Senna e Prost. A ideia parecia muito arriscada, já que a Honda não estava mais na F1 desde 2008, mas Fernando apostou como uma última cartada na carreira. Foi aí que a renascida equipe inglesa formou a fortíssima dupla Alonso/Button.

Uma dupla dos sonhos que não rendeu em nada. Foram três anos e o máximo que conseguiram foi o sexto lugar nos construtores em 2016. Indignado com a fraquíssimo desempenho, Alonso pediu a equipe que mudasse o fornecedor, e os motores Renault entraram no lugar neste ano. Mesmo sabendo que não teria chances de título, o Príncipe das Astúrias viu aquilo como um recomeço da antiga relação vitoriosa com o fornecedor francês. Mas o que se vê durante este 2018 é um carro fraco, que nunca chega ao Q3 e rema muito para entrar na zona de pontuação.

Nesta terça-feira veio o anúncio. Em um vídeo intitulado ‘Querida F1’, Fernando faz uma declaração de amor à categoria que lhe abriu as portas para se tornar o grande piloto que é, e agradeceu por tudo que viveu: “Toda vez que coloco meu capacete eu sinto a energia, um abraço quente, não há nada como isso. Mas hoje, preciso encarar novos desafios que você não pode me oferecer. Sou agradecido por você e por todos que fizeram parte disso, por me apresentar pessoas incríveis, me ensinar tantas culturas e línguas e por ter feito parte de minha vida. Sei que me ama e você sabe que te amo também”.

* Thiago Ávila, Estudante de Jornalismo da PUCRS
 

4oito

Deixe seu comentário