Ir para o Conteúdo da página Ir para o Menu da página
Carregando Dados...

A geração que nasceu na hora errada

João Nassif
Por João Nassif 16/10/2017 - 15:00Atualizado em 17/10/2017 - 09:47

Grosjean, Bottas, Maldonado, Ricciardo, Pérez e Hulkenberg. O que esses seis têm em comum? Todos da mesma geração de pilotos, estrearam na F1 entre 2010 e 2013. E o máximo que conseguiram: poucas vitórias, alguns pódios, barbeiragens e pés-na-bunda. Talvez o único que se salve nessa história toda seja Bottas, que conseguiu um carro bom para esse ano.

Nico Hulkenber

Começamos com Nico Hulkenberg, talvez o mais injustiçado e azarado desta lista. Um dos pilotos mais promissores dessa geração, estreou em 2010 na Williams, que tinha um dos piores carros do grid, fazia parceria com Barrichello e não conseguia fazer muito além de brigar por alguns pontinhos. Preterido no ano seguinte, voltou em 2012 para a Force India e em 2013 foi para a Sauber, nada pode fazer. Teve a chance de voltar para a Williams em 2014, mas o piloto negou e seguiu para a Force India. Escolha errada, com o novo patrocínio da Martini, a Williams conseguiu alcançar a terceira posição no campeonato, a equipe de Vijay Mallya foi apenas o sexto. Com medo de fazer a escolha errada novamente, Hulk assinou com a Renault e espera que, por estar em uma equipe de fábrica, consiga bons resultados no futuro. O alemão nunca conquistou sequer um pódio na categoria.

Pastor Maldonado

Depois de ter vencido Pérez e Bianchi na GP2 de 2010, Pastor Maldonado estreou bem na Williams em 2011, equipe que ficou até 2013, conquistando uma vitória memorável para a equipe e para ele na Espanha, em seu segundo ano na equipe. Com Kimi Raikkonen saindo da Lotus, o venezuelano optou por fazer parceria com Romain Grosjean na equipe francesa. Um fracasso. Perdeu uma chance enorme de fazer uma temporada dos sonhos na Williams para cometer as maiores barbeiragens – chegando a ser desclassificado de uma corrida na Hungria por receber múltiplas penalidades – e terminar chutado da equipe em 2015. Ninguém mais sabe que fim levou o tal indisciplinado venezuelano.

Sergio Pérez

Um dos maiores pilotos da atual categoria, o mexicano mais sagaz de sua geração, Sérgio Pérez chegou na Formula 1 correndo pela Sauber em 2011. Depois de um ano fantástico em 2012, foi contratado pela poderosa McLaren, para correr ao lado de Jenson Button. Um desastre, terminando apenas em 11º e sendo preterido no ano seguinte. Sua ida para Force India lhe fez muito bem, sendo um dos responsáveis por colocar a equipe no patamar de quarta força. Em 2016, depois de terminar a temporada em sétimo, foi sondado na Ferrari, mas não passou disso. Hoje Sérgio é o sétimo colocado no campeonato, correndo ao lado do jovem francês Esteban Ocon, e acumula sete pódios na carreira.

Daniel Ricciardo

Piloto da equipe júnior da Red Bull desde 2010, Daniel Ricciardo estreou na pequenina HRT em 2011 e passou a ser titular da Toro Rosso em 2012. Sua transferência para a matriz foi ligeira, logo após a aposentadoria de Mark Webber. Escolha arriscada, mas certa. Em seu ano de estreia na poderosa equipe conseguiu três vitórias, conquistando o terceiro lugar no campeonato e batendo ninguém menos que Sebastian Vettel. Daniel ainda corre na equipe austríaca e briga constantemente por pódios, mas impossibilitado de conquistar um título.

Romain Grosjean

Romain Grosjean é uma incógnita na F1. Correndo desde 2012 na categoria, o franco-suíço de 31 anos já acumulou 10 pódios, mas nunca pôde mostrar, em uma categoria de ponta, a superioridade que tinha na GP2. Seus dois primeiros anos na Lotus mostraram o quão indisciplinado e imaturo ele era, mesmo ao lado de um ícone como Kimi Raikkonen. Em 2014, pilotando um carro nada veloz e um companheiro maluco, Romain fez o que pode e mostrou amadurecimento na pilotagem, que despertou interesse na Haas. Atualmente, Grosjean corre pela equipe americana e tem futuro incerto.

Valtteri Bottas

Para finalizar, o menos injustiçado – ou talvez o que mais injustiçou pilotos – Valtteri Bottas, o finlandês que botou Massa para comer poeira por três temporadas e pisou na lama ao chegar na Mercedes. Fez bonito na Williams, terminou em quarto em seu segundo ano e por merecer conseguiu uma vaga na melhor equipe do momento. Traçou o caminho que Hulkenberg nem ousou colocar o pé. Mesmo assim, é questionado na equipe. Será que valeu a pena ter investido nele para substituir Rosberg na segunda mais cobiçada vaga da Formula 1?

Muito se fala em Verstappen, Ocon, Wehrlein, Sainz, e que esses serão o futuro da F1 e tem praticamente um destino traçado: como campeões mundiais. Será que depois de Hamilton, Vettel, Alonso, Raikkonen, Button e Rosberg, veremos uma geração inteira se aposentar sem ganhar nada? Parece provável. Talentos desperdiçados que se aposentarão pensando que seria melhor ter nascido em outro momento.

Por Thiago Ávila

4oito

Deixe seu comentário