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Cuca, Arary Cardozo Bittencourt, Moysés & Hermínia Lupion

Por Henrique Packter 02/05/2023 - 08:40 Atualizado em 02/05/2023 - 08:49

O jogador de futebol Cuca, ex-Grêmio Portoalegrense, permaneceu preso por 45 dias em Berna, na Suíça, condenado junto com 3 outros jogadores, em 1989, a 15 meses de cadeia, por estupro. O crime foi cometido contra menina de 13 anos. Defendido pelo departamento jurídico do Grêmio, Cuca esteve detido por 45 dias em prisão suíça, mas sofre ainda hoje o castigo do estupro de 1987. O grande, e inesperado, problema para Cuca é que a história mal contada do estupro foi revisitada e ele não teria mais tranquilidade para trabalhar, como fez por 25 anos, desde 1998, quando assumiu o Uberlândia, passando por Flamengo, Botafogo, Fluminense, Palmeiras, São Paulo, Santos, Grêmio, Cruzeiro, entre outros clubes.

A CASA DO ESTUDANTE UNIVERSITÁRIO ou UMA CASA DO ESTUDANTE PARA CRICIÚMA ou O PASSADO NÃO PERDOA

(Baseado no livro O MENINO DE OFICINAS de ARARY CARDOZO BITTENCOURT, médico pediatra em Tubarão/SC, graduado na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Paraná em Curitiba. Também baseado em CUCA E OUTRAS CUQUICES).

Formado em 1962, Arary foi colega de Anohar  Zacharias, Antônio Osvaldo Teixeira de Freitas – o Bola -, Luiz |Eduardo dos Santos (todos, mais tarde trabalhando em Criciúma no Hospital Santa Catarina), David Saute (de Carazinho, RS e meu parente longínquo), Isaias Raskin (de Santa Maria e também parente distante),  Paulo Zelter Grupenmacher (Professor de Oftalmologia em Curitiba, Sanito Wilhelm Rocha (respeitado cardiologista em Curitiba), Célio Gama Salles (Professor Clínica Cirúrgica em Florianópolis, falecido precocemente).

Quando ingressei no curso de Medicina em Curitiba(1954), a Casa do Estudante estava localizada no local mais central da cidade, ao lado do Cine Ópera, na Avenida João Pessoa, hoje Av. Luiz Xavier. Mais central, impossível. A Casa do Estudante Universitário do Paraná (CEU) é fundação com 74 anos de história beneficente e personalidade jurídica de direito privado, sem finalidade lucrativa.

CEU proporciona ambiente favorável para estudar e acessível para morar, sendo mantida financeira e administrativamente pelos próprios estudantes residentes, através de trabalho voluntário e contribuições mensais. Também aufere retorno financeiro com locação de espaços para eventos. Hospedagem na CEU também contribui na geração de receitas.

CEU atende estudantes de graduação, pós-graduação, cursinhos pré-vestibulares e do ensino técnico pós-médio, procedentes do interior do Paraná, de cidades dos vários estados brasileiros, assim como intercambistas das mais diferentes partes do mundo. A Fundação promove e apoia atividades de cunho artístico e cultural.

Os beneficiários contam com três refeições diárias: café da manhã diário em cozinha colaborativa, almoço e jantar. Há salas de estudos, jogos, TV, laboratório de informática, quadra poliesportiva, churrasqueira, serviços de portaria e de lavanderia 24 horas e acesso ilimitado à Internet.

Para tornar-se morador, o estudante deve (1) estar regularmente matriculado em instituição de ensino situada em Curitiba (PR), (2) que os pais residam noutra cidade, (3) que se submeta a processo seletivo simplificado/desburocratizado, que considera, basicamente, a vulnerabilidade socioeconômica. Processos ocorrem, geralmente em 3 etapas, no início de cada semestre (fevereiro e julho): inscrição e avaliação de documentos, entrevista individual e integração de calouros.

MOYSÉS LUPION

Moysés Wille Lupion de Troia (1908-1991), industrial, contabilista, empresário e político, governou o Paraná por duas vezes. Agricultura (madeira) era sua praia. 

Lupion era amigo do interventor Manuel Ribas o que lhe granjeou prestígio político e social. Também, sua participação empresarial e comunitária no PR foi notória pela liderança que passou a exercer com novo estilo administrativo. No cenário político elegeu-se pelo PSD a governador do Paraná em 1947 e a senador em 1954. Em 1961, Lupion foi substituído no governo estadual por Ney Braga, que impetrou contra ele vários mandados de prisão, acusando-o de corrupção. Exilou-se então na Argentina, retornando ao Brasil nas eleições de 1962, quando sustentou tríplice candidatura: ao senado, à deputação federal e à Assembleia Legislativa, falhando em todas elas. Chegou a exercer mandato à Câmara dos Deputados como suplente convocado, entre junho/1963 e abril/1964. Todavia, o Regime Militar de 1964 cassou-lhe o mandato, suspendendo seus direitos políticos por 10 anos pelo Ato Institucional Número Um de 9.4.1964.

Sustentada na acusação de corrupção a pena rendeu-lhe confisco de alguns bens e a necessidade de vender outros para sustentar-se. Inocentado pela justiça em 1970 passou a residir no RJ. Ensaiou retorno à política pelo PMDB pretendo disputar cadeira no Congresso Nacional, sem êxito. Faleceu no Rio de Janeiro em decorrência de uma infecção renal.

HERMÍNIA  LUPION

Em seu primeiro matrimônio, Lupion casou-se com Hermínia Rolim, falecida em 4.4.1969. Dona Hermínia foi a criadora da Casa do Estudante Universitário de Curitiba. Alojava, a princípio, estudantes de fora da cidade, submetidos a processo seletivo. A primeira Casa do Estudante foi inaugurada em 1956 para estudantes que enfrentavam dificuldades financeiras e que manifestassem intenção de lutar pela manutenção e melhoria da casa. Uma comissão de admissão vasculhava a vida do candidato que deveria mostrar os predicados e as carências já enumeradas. Havia sempre um parceiro de quarto.

Acomodações tinham pia com água e os móveis indispensáveis. Sanitário e banheiros coletivos bem higienizados, no final dos corredores.  Uma lavanderia atendia a população estudantil cobrando poucos centavos pelo trabalho realizado. Eram servidas três refeições diárias. A mensalidade tinha preços razoáveis e refeições avulsas eram disponibilizadas a custo módico. 

 Pequeno ambulatório operava a amostras grátis, fornecidas pelos laboratórios da indústria farmacêutica e pela boa vontade dos alunos dos últimos anos do curso de Medicina. Arary Cardozo Bittencourt comenta que nem todos que lá moravam tinham conseguido as vagas por suas condições de necessitados. Estudantes apadrinhados, geralmente por políticos inescrupulosos que tinham influencia na distribuição de verbas dirigidas à entidade, amizades familiares com dirigentes ou por outros motivos, faziam ingressar ou lá permanecer quem não merecia. Arary cita conterrâneo seu, filho de um dos maiores proprietários de bens imóveis de Tubarão que ”tentava enganar como necessitado, escondendo-se atrás de atestados de pobreza,  firmado pela Delegacia de Polícia de sua cidade. Causou indignação, asco, reconhecer um daqueles, que disfarçava ser necessitado, tinha sua maldade traída pelas boas roupas que usava e ambientes que frequentava. Por tipos como ele, quantos bons estudantes desistiram de seus cursos por faltar-lhes condições de manutenção na universidade.” (Pág. 426 de O MENINO DE OFICINAS de Arary Cardozo Bittencourt).

Esta atuação criminosa há que ser evitada. Mas, deve-se reconhecer que Casa do (a) Estudante Universitário (a) são boas ideias que, realizadas, viriam facilitar em muito a vida de estudantes do sul catarinense que estudam em Criciúma e residem em outros municípios. Dependem eles, para estudar, de condução diária, ida e volta, para Criciúma. Acidentes com ônibus, conduzindo estudantes já foram registrados no percurso. Causa espanto o número de ônibus, vans, automóveis, motos, nos estacionamentos de nossas universidades. Está na hora de fazer algo pelos estudantes que correm a cursar nossas Universidades. Pessoas que certamente levarão a influência das ideias, da cultura e da política criciumense para suas cidades. 

Henrique Packter, Oftalmologista, Criciúma.

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