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O primeiro Naspolini

A história de Stefano Naspolini, que completaria 169 anos na última sexta-feira
Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 13/04/2020 - 16:12Atualizado em 13/04/2020 - 16:39

Hoje fujo da rotina: nada de coronavírus, nada de Covid-19, nada de quarentena, absolutamente nada de prisão na própria casa. Hoje quero falar de um personagem que, mercê de Deus e da sua competência, é o responsável por uma família de, certamente, mais de 1.000 descendentes diretos e indiretos. Num resumo muito estreito, tentarei publicar a sua vida.

Na fria noite do dia 9 de abril de 1853, numa roda de enjeitados do Instituto Santa Maria della Pietá, num dos canais da bela cidade de Veneza, uma mãe, da qual sabe-se absolutamente nada, deixava seu filho, nascido naquele dia, puxava o sino que anunciava a chegada de um bebê, e ali iniciava a saga de um ítalo-brasileiro que, depois de adotado e casado, emigrou para o Brasil, vindo a residir em Cocal, hoje Cocal do Sul.
 
Quando aquela mãe deixou aquela criança na roda dos enjeitados, num orfanato que se dedicava a esse mister, deixou, também, uma única referência: a metade de um santinho, santinho do Sagrado Coração de Maria. Imagina-se que, se as suas condições de vida melhorassem, retornaria e se apresentaria com a outra metade, para receber de volta o seu filho. 

Seria a certidão de nascimento daquela pequena criatura. Mas, a mãe não retornou. E a metade do santinho ficou arquivada com o seu registro no orfanato, onde se encontra até os dias atuais. Na pia batismal no próprio orfanato, recebeu o nome de Stefano, Stefano Naspolini, sobrenome inventado, no momento do registro, no orfanato.

Na adoção pela família de Pietro Panata, foi levado para Arson, um lugarejo na montanha, que nem fazia parte do mapa, no secular município de Feltre, protegido por muralhas. Casado, com sua mulher Giovanna Scott, veio para o Brasil. E foi chamado, por Ferdinando Burigo, para chefiar uma turma de operários, quase todos italianos como ele, que abriam a ligação rodoviária entre Florianópolis e Lages. Acantonado em Rancho Queimado foi vítima de tifo e, por causa do tifo, morreu, aos 51 anos de idade. Foi sepultado no cemitério de Taquaras, vilarejo daquele município.

Deixou órfãos os filhos Brasil, com 17 anos, Ítalo, com 13 anos, Cincinato, com 11, Archimedes, com 5 e Iolanda, com 2 aninhos apenas. Brasil, o mais velho, na condição de arrimo da família, tomou para si os encargos da educação dos seus irmãos. Foi conselheiro, em Urussanga, em 1903. 

Na quinta-feira santa, Stefano estaria completando 167 anos. A família que ele iniciou vai se reunir, na vila de Taquaras, cidade de Rancho Queimado, onde repousam seus restos mortais, dia 9 de abril de 2023, para comemorar os 170 anos de Stefano e de fundação da família Naspolini, conforme programa estabelecido por seu guardião maior, o Professor Antenor Naspolini, pesquisador e descobridor de todas estas informações.

Naspolini: meu avô, primeira geração; meu pai, segunda geração, este articulista, terceira geração e, assim, sucessivamente, até a oitava, cujos primeiros Naspinhos estão chegando.

Desculpem, hoje minhas linhas tinham que ser para o nonno, para o nonno Stefano, fundador e esteio angular do tronco familiar Naspolini.

4oito

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