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A lembrança de Brasília, 60 anos

Archimedes Naspolini Filho
Por Archimedes Naspolini Filho 24/04/2020 - 19:15

O nosso colega Nei Manique mandou-me uma mensagem lembrando que deixei passar o 21 de abril, de Tiradentes e de Brasília, como fizera com o Dia do Índio. Então, vou me redimir, agradecendo o privilégio da audiência.

Era o final de 1959. Eu acabara de ser eleito presidente do Grêmio Cultural Cid Rocha Amaral, da nossa escola, em Florianópolis, e já me encontrava em casa, ali no meu condado, para o início das férias. E ali aparece o secretário municipal Hercílio Amante, a procura de meu pai. Ele trazia a notícia de que eu deveria retornar a Florianópolis, no dia seguinte, para viajar ao Rio de Janeiro e, de lá, a Brasília, a convite do ministro Clóvis Salgado, da Educação. Seria incorporado a um grupo formado por lideranças estudantis das escolas federais, de todos os níveis, para ir conhecer as obras de construção da nova capital do Brasil, num projeto paralelo que levaria, também, lideranças sindicais.

Dois dias depois estava à frente do Professor Sezefredo Blascke, diretor, que me entregava uma passagem e algum dinheiro para empreender a viagem à capital, cidade do Rio de Janeiro. Leozir Müllmann, de Blumenau, viajaria comigo mas não compareceu.

Depois de desembarcar no Santos Dumont fui levado à base aérea e, lá incorporado a uma porção de colegas, do Brasil inteiro, embarcamos num Hercules, de bancos paralelos à fuselagem da aeronave, e fomos conhecer o desconhecido: as obras da nova capital. 

Ônibus nos aguardavam junto à pista de aterrissagem e, neles, embarcados, partimos para a descoberta. Começamos pelo Catetinho, um sobradinho de madeira, em meio a um pequeno bosque, onde fomos recebidos por um militar cheio de medalhas ao peito que anunciou: “com vocês o presidente da República”. E Juscelino Kubitschek veio à varanda para nos dar as boas-vindas num rápido discurso e, com uma antena de rádio de automóvel, mostrava, num grande mapa, as obras da nova capital do Brasil.

A cena não apaga do meu subconsciente: eu via um presidente da República que recebera o voto do meu pai e dos meus irmãos mais velhos. Não sabia se cuidava dos detalhes revelados pelo mapa ou se cuidava dos gestos e da fala do presidente. 

Simplesmente inimaginável, em poucos dias a eleição para o grêmio da escola, o início das férias, o reencontro com a família, o Rio de Janeiro e agora, Brasília. E eu com os meus 16 anos vivendo aquilo tudo.

Depois de um suco de caju – outra novidade – o ônibus foi nos levar a conhecer as obras de tudo o que se construía em Brasília. Quando chegamos à esplanada dos ministérios já se cuspia tijolo, tal o volume da poeira levantada das ruas e das obras em construção, algumas em fase final. O Teatro Nacional e a catedral já praticamente prontos. A praça dos três poderes, o Palácio da Alvorada. Tudo em fase de acabamento. Simplesmente deslumbrante.

Fomos hospedados no Hotel Alvorada, incendiado há poucos anos, pertinho do palácio do mesmo nome. Depois de acomodados e de um banho reconfortante, saí, para ver o Alvorada à noite. Maravilhosamente lindo, bem iluminado, esperando a família de JK que, meses depois, ali se alojaria, era a casa oficial da presidência da república. No dia seguinte visitamos um colégio apelidado de Elefante Branco, na W-3, o Setor Hoteleiro, a península das embaixadas, o Lago Paranoá, a vila denominada Gama, onde residiam os candangos; e uma capela católica, no Eixo Monumental, as avenidas largas que não se encontravam, os elevados, as enormes quadras cobertas de vegetação rasteira. Depois de um novo pernoite, o retorno.

De lá para cá estive muitas vezes em Brasília e inclusive, durante um certo período, ali residindo durante dois anos.

Brasília fez 60 anos, bela, imponente, formosa, moderna, epicentro do poder – e da corrupção – desmentindo todas as afirmações dos oposicionistas e orixás da desgraça que juravam que Brasília não vingaria. O mundo se curva à beleza e ao significado de nossa capital, que eu tive o privilégio de conhecer ainda em obras e ser ciceroneado pelo presidente que a construiu: Juscelino Kubitschek de Oliveira, o JK.

4oito

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